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A pegada não morreu; apenas deslocámos a maior parte das nossas pegadas para o facebook. Enorme pecado, bem sabemos; mas por estes instantes, em que o tempo não abunda, é mais fácil interagir e publicar ali. Esta nossa casa não desaparece; será sempre a referência principal e o lugar das pegadas mais profundas. No entretanto, e quando não nos virem por aqui, é porque estamos aqui:pegadabook. Cliquem no link (não é necessário ter facebook para ler, apenas para comentar) e/ou façam like acima. A todos os leitores e ao sapo, que nunca nos falhou, pedimos desculpa. É coisa de momentos; a pegada será sempre aqui. Aqui é a regra, este anúncio não revela mais do que uma excepção. Já agora, e também no facebook, mas numa onda diferente -- e em que todos os leitores podem ser autores --, visitem o ouvir & falar.

 

 



Escravidão ou Forca?

por Fernando André Silva, em 31.08.12

Há muitos anos, num típico Reino distante, o Rei mandou contratar um Sábio para entreter o seu povo, mandando construir um palco na praça principal.

O Sábio depressa se tornou numa referência para o povo, não só ensinando, mas também entretendo. A praça enchia-se a qualquer hora para ver e ouvir o Sábio, que trazia novidades do Reino e de outras províncias distantes, informava sobre todos os assuntos pertinentes e entretinha como ninguém.

O Rei, já velho e perto da morte, via o Sábio como uma forma de manter o povo sereno, e, pensando no seu sucessor, decidiu contratar outro Sábio. Mandou montar outro palco ao lado do primeiro, um pouco mais pequeno, e ordenou ao novo Sábio que desse a conhecer ao povo outros assuntos que o primeiro não dominava, como as artes, a cultura ou a actividade física.

Quando o Rei morreu, fez-se a sucessão, e o novo Rei não largava o palco do primeiro Sábio, dando ele próprio as informações sobre o Reino ao povo. Passado uns anos, os nobres da corte resolveram afastar o novo Rei, mandando-o para o exílio, e tomaram conta do Reino e dos palcos dos dois Sábios, explorando ao máximo a visibilidade que aquele lugar permitia.

Os novos governantes, fascinados com o poder dos Sábios, mandaram construir mais dois palcos, deixando-os para dois outros Sábios, um enviado pela Nobreza e outro pelo Clero. O povo, já um pouco saturado dos dois Sábios anteriores, começou a frequentar os novos palcos, deixando assim os antigos às moscas. O Sábio mais velho, receando a morte, decidiu imitar os dois novos opositores, e com isso conseguiu recuperar alguns dos seus fiéis, mas o Sábio mais novo, que permanecia interessado na cultura, na arte e no desenvolvimento cívico, começou a pregar para as próprias moscas.

Com o enriquecimento dos restantes nobres, outros palcos foram montados numa zona mais afastada da praça principal, e vieram Sábios de todo o mundo, para enriquecer a cultura do povo, a troco de dinheiro.

Num dia, após uma discussão acesa com os seus conselheiros, o governante ordenou a um dos seus ministros que apurasse quantas pessoas assistiam às prestações dos Sábios, e o resultado não foi muito agradável. Os dois primeiros, pagos pelo Governo, não tinham afluência necessária para serem influentes no Reino. Então, o governante mandou fazer umas alterações nos quatro palcos da praça, às quais chamou de TDT, mas ninguém percebeu o motivo.

Após meses de obras, os quatro palcos brilhavam, cheios de novas engenhocas, e davam um ar moderno ao Reino. Pouco depois de estrearem os novos palcos, os dois primeiros Sábios tiveram uma desagradável surpresa. No primeiro palco ergueu-se uma jaula que prendeu o Sábio mais velho. Surpreendido, o mais novo olhava para o velho companheiro, temendo o que lhe poderia acontecer. Enquanto isso, cai uma corda de forca sobre o segundo palco, penetrando a cabeça do Sábio Nº2. Os outros dois Sábios, o Nº3 e o Nº4, olhavam bastante assustados, mas continuaram a sua pregação, com receio de represálias por parte dos governantes.

No momento em que escrevo isto, o Primeiro Sábio continua na jaula, enquanto vários mercadores, do Reino e de fora, vão licitando o Sábio, que se tornou assim num escravo, à espera do próximo dono. O mais novo não teve tanta sorte. Continua com a corda ao pescoço, chorando desalmadamente, esperando que tudo não passe de um sonho. Em todos os contos e mitologias, há sempre um salvador de último minuto, que liberta o escravo e corta a corda, mas desta vez não acontecerá nada disso, pois já está escrito no oráculo que a venda de um e a morte do outro são garantidas.

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