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Reabertura do Tarrafal

por Luis Moreira, em 07.04.12

Exposição

O jornalista António Valdemar e o Fernando Filipe assinalam os 50 anos do início da Guerra Colonial na sala Carlos Paredes da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) com uma exposição documental, que inclui mapas, fotografias e livros, que ajudam a traçar o caminho deste conflito e a identificar os seus protagonistas principais.

A exposição abre com dois painéis sobre o Campo do Tarrafal, um sobre a sua criação, em abril de 1936, como colónia penal, e que encerrou em 1946, e, o outro, sobre a sua reabertura, como campo de reclusão dos independentistas africanos, em 1961.
O “Campo da Morte Lenta”, como ficou conhecido, foi criado na sequência da guerra civil espanhola e como prevenção para evitar o seu alastramento a Portugal.
O dispositivo legal, de 23 de abril de 1936, [Decreto-Lei n.º 26 539] determina que se trata de uma colónia penal destinada a cidadãos «desafetos do regime», que pelos seus antecedentes eram considerados perigosos e, por isso, devendo ser isolados em campos de concentração.
O Campo do Tarrafal abriu as suas portas em 29 de outubro de 1936, para lá encerrar os sindicalistas do “18 de Janeiro” de 1934, os marinheiros da Organização Revolucionária da Armada (ORA), que tentaram a sublevação em 8 de setembro de 1936, assim como os anarco-sindicalistas da CGT e republicanos que conspiravam contra a Ditadura. Nesta primeira leva foram 152 pessoas.

Em 1946, vivia-se ainda a euforia do fim da Segunda Guerra Mundial e a derrota do nazi-fascismo, Salazar foi pressionado pelos aliados a realizar eleições, que anunciou «tão livres com as da livre Inglaterra», e a encerrar o campo de concentração do Tarrafal, o derradeiro a permanecer aberto.
As eleições terminaram em farsa e o Tarrafal só encerrou em janeiro de 1954.
Em 1961, com a eclosão da luta armada em Luanda, por determinação do então ministro do Ultramar, Adriano Moreira, a prisão foi reaberta, passando a designar-se de “Campo de Trabalho do Chão Bom”, e ficou destinada a receber os que em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique lideravam os movimentos de libertação anticoloniais e independentistas.
O Tarrafal fechou definitivamente no 1 de Maio de 1974, e os detidos enviados para os seus países, onde tiveram papel destacado na criação dos respetivos Estados.

António Valdemar assinala em três dos painéis o papel de Adriano Moreira na manutenção do regime colonial, recordando o seu papel como subsecretário de Estado da Administração Ultramarina, entre 1960 e 1961, passando nesse ano a ministro do Ultramar, onde permaneceu em funções até 1963.

Nesse período, recusadas as propostas de Nehru para uma entrega negociada do que o regime denominava de Estado da Índia, deu-se, em dezembro de 1961, a anexação dos territórios de Goa, Damão e Diu.
Houve a despromoção do general Vassalo e Silva e dos oficiais que depuseram armas para evitar a perda de vidas, houve o desencadear da luta armada em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, sem que o então ministro do Ultramar se desse conta da importância de encetar o diálogo político com os dirigentes dos movimentos de libertação. Pelo contrário, como ilustra um dos livros expostos, da sua autoria e editado pela Agência Geral do Ultramar, a ação destes movimentos é qualificada de «traição à Pátria».
No envolvimento que procura dar ao visitante o tom é de rigor e sobriedade.
A direção da SPA realça o trabalho de jornalista e historiador de António Valdemar e a organização do espaço, proporcionando ao visitante um visão rápida ou pormenorizada dos painéis, segundo a sua disponibilidade, concebida e cenografada por Fernando Filipe.

 

artigo publicado na A.23 online

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publicado às 09:00


As voltas que o mundo dá!

por António Filipe, em 11.12.11

Já nada me surpreende. Um dia destes, ouviremos a notícia de que foi atribuído a George W. Bush o Prémio Nobel da Paz. Ou far-se-á uma homenagem a Marcelo Caetano, por ter sido o grande libertador do povo português. Das garras do Salazar, entenda-se. Há, por aí, quem não se canse de afirmar que este último foi um grande estadista! Tê-lo-á sido, em certa medida, mas elogiar um homem por uma coisa que fez bem, entre tantas outras que fez mal, parece-me mal-intencionado. É, claramente, uma tentativa de apagar da memória todos os males causados pelo regime que ele instaurou.
Vem isto a propósito da notícia que li no jornal "Expresso", com o título "Cabo Verde: Adriano Moreira emocionado com inédito ‘Honoris Causa’"
http://aeiou.expresso.pt/cabo-verde-adriano-moreira-emocionado-com-inedito-honoris-causa=f693559#ixzz1gFC5d4sG
Como é sabido, Adriano Moreira, mandou reabrir o campo de concentração do Tarrafal, quando era Ministro do Ultramar, em 1961. Estava fechado desde 1954.


E o título de Doutor "Honoris Causa" foi-lhe atribuído no mesmo país (embora numa ilha diferente) onde se encontra essa prisão de muito má memória, tanto para os cabo-verdianos como para os portugueses. Foi exactamente no Tarrafal e exactamente no campo de concentração que eu cumpri parte do serviço militar, depois de os presos terem sido libertados. Tive, por isso, oportunidade de ver as condições deploráveis daquela ex-prisão, incluindo as famosas frigideiras, onde, sob um sol abrasador, os presos eram deitados horas a fio. Aquele espaço era conhecido como "campo da morte lenta".
Por isso, esta notícia choca-me especialmente. A Universidade de Cabo Verde, no Mindelo, Ilha de S. Vicente, atribuiu ao Prof. Adriano Moreira o "Honoris Causa", mesmo debaixo dos protestos dos ex-presos políticos do Tarrafal. Para que conste, a Associação dos Combatentes demarcou-se da posição da Associação dos Ex-presos Políticos. Ainda bem que a cerimónia não se realizou na Ilha de Santiago, pois poderiam ser sádicos ao ponto de a realizar no Tarrafal e, quem sabe, na própria ex-prisão.
Também me choca o facto de o Prof. Adriano Moreira ter negado a reabertura do campo de concentração ou campo de trabalho, como lhe chama a portaria (ver vídeos abaixo). Indicará esta mentira que tem algum remorso? Seria mais bonito se não tivesse aceitado o título que lhe foi oferecido. Digo eu, que não tenho nada a ver com isso.



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publicado às 18:33


Espetem-me garfos nos olhos e rodem com força

por Rogério Costa Pereira, em 17.08.10

«De acordo com o mesmo relato, um dos emissários da Cruz Vermelha comentou mesmo que o Tarrafal "não era uma prisão mas sim um paraíso".» [Expresso]

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publicado às 00:22


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