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Todas as revoluções são impossíveis... até se fazerem

por Rogério Costa Pereira, em 11.10.13

No facebook, uma amiga de longa data, que não vejo há cerca de quinze anos (emigrou, em versão “fuga de cérebros” – e que cérebro ela é!) perguntou-me algo como: “tu que és político e sabes destas coisas... e vives em Portugal! Achas que há alguém que possa salvar o país depois da desgraça Sócrates + Coelho (não esquecendo os anteriores)? Esta pergunta não tem ironia nenhuma, é que gostava mesmo de saber!”

Sei que, efectivamente, não há ponta de ironia no que a Ana me pergunta, mesmo quando refere “tu que és político e sabes destas coisas”. Não sei se sei “destas coisas”, digamos que tenho uma ideia acerca destas coisas. A minha, obviamente; que não é imutável e que foi construída em cima de muita reflexão, muito Ouvir e Falar, muitas argoladas, muitos erros de análise e ainda mais erros perpetrados nas urnas do sufrágio “democrático”. Parto sempre de um Princípio. Não sou dono da verdade, embora defenda as minhas verdades, à minha maneira, a cada tempo; e isso possa passar por inflexibilidade. E defendo-as como sei e nunca saio de uma discussão como entrei nela. Aqui há dias, “consegui” ser chamado de comunista e anti-comunista primário, pela mesma pessoa, em menos de meia hora. Nada disto está relacionado com trocas mais ou menos azedas de palavras que tive há alguns meses com autores da pegada, no Ouvir e Falar. E não penso que o meu passado, porque um dia votei em indivíduos que hoje abomino, me traga uma espécie de capitis diminutio que me impeça de evoluir e de ter chegado onde estou hoje, certo que para trás mija a burra e não enfio duas vezes o pé no mesmo buraco; assim o reconheça como tal. O meu passado não me impede o presente e não me corta a palavra. E ao contrário do que foi propalado neste mesmo blogue, e leu quem quis e o post está aí para quem o quiser reler, há algo de que faço questão. Não dizer nada nas redes sociais que não diga na cara das pessoas. Penso poder afirmar, com segurança e sem me pôr em bicos de pés, que não me podem acusar de falta de frontalidade e de franqueza. Adiante.

Sou tão político como gostava que qualquer um fosse, não no sentido pejorativo da palavra, que foi corrompida por estes trastes que ora estrangulam a res publica. Mas no sentido de dar a cara por aquilo que acredito e nunca o fazer em busca de tachos. Em suma, assumo-me Político; não porque integro um partido ou movimento ou porque viva cegamente à sua sombra, mas porque ataco quem devo atacar e defendo quem e o que devo defender em prol daquilo que acredito ser o melhor para o futuro do meu filho. Um dia, acusaram-me de usar a defesa do futuro do meu filho, e por extensão, o meu filho, como escudo. Sem sequer comentar tão infames palavras, explico que “o meu filho” é também para ser lido no sentido lato. O meu filho merece um futuro, um país onde possa viver. De onde não o mandem embora. Porque Portugal é dele. Dele e de todos os filhos deste país. A defesa dum futuro “higiénico” para o Francisco, e sem que ele deixe de ser a moral da minha história, é obviamente a defesa de Portugal. Tristes daqueles que têm vergonha de se levantar de manhã e de assumir a luta contra os biltres que nos retalham Portugal e o vendem à peça.

Quanto à pergunta da Ana. Não me parece que seja no nosso tempo que Portugal se reintegre ou se reencontre. Ou integre e encontre, que este país sempre andou ou a cavalo ou a fazer de mula de interesse alheios. José Gil chamou-lhe medo de existir. A nossa essência existe, não duvido disso, e identifico-a várias vezes. Mas a verdade imediata é que parece que navegamos e navegámos sempre ao som do vento. Descobrindo “Brasis” onde deviam estar “Índias”. Andamos empurrados e sem destino certo. E se calha termos água para um mês, bebemo-la num dia. E adiante de novo, que isso é conversa para outro post.

O facto de não acreditar que seja nos próximos tempos que Portugal se revolucione e revolucione, e para isso é necessário começar pelas mentalidades, não é razão (muito pelo contrário) para ficarmos parados, à espera que o relógio faça o trabalho sozinho. Cabe-nos ir limpando o caminho e tornar os acessos menos difíceis às gerações que se seguem e, assim, impedir que este estado neofascista tire a esperança à esperança. Facilmente podemos ser “acusados” de "sonhadores". É o meu insulto favorito. Sempre que me chamam isso − ou lírico ou algo semelhante − tenho a certeza que o caminho é este. Quanto ao depois? Também já há muito trabalho feito nessa área (e isso também dava outro post), mas para já só quero que me tirem a porra da pata de cima do pé, que “me” estão a magoar. E, naturalmente, eu não gosto; e a dor começa a ser insuportável. Daí advém outro perigo, é certo. E urge estar atento. A dor pode cegar. Falo dos extremismos, e penso principalmente nos fachos que tem já pata e meia no sistema. Há que ter “um olho no burro e outro no cigano”. No imediato, quero mesmo que me tirem a pata de cima. Não me satisfaz ficar quieto a ver a bola e à espera que um milagre aconteça. Ou descrente, a encolher os ombros enquanto grito golo. Não há milagres.

Neste momento todos temos uma parede à frente. Uns dizem que é impossível deitá-la abaixo, porque sempre ali a viram, nasceram e viveram com ela. Ali, naquele sítio e com aquela cor. Eu olha para ela e vejo apenas uma parede. Que, como qualquer parede que impede o caminho, vai abaixo. Quando me perguntam se o vou conseguir sozinho, eu respondo que se tu vieres já somos dois. Um segundo antes do 25 de Abril, poucos acreditavam nele. Refiro-me à população 9-to-5 e depois casa e depois jantar e novela e bola e cama e uma queca nos fins-de-semana e depois 9-to-5 (mutatis mutandis àqueles tempos que não vivi). Quem estava mais por dentro, porém, sabia que era uma questão de dias. Mas a maioria estava-se bem nas tintas e viveria com aquela outra parede, daquela outra cor, sem bufar até ao fim dos dias. Este nosso inimigo é, porém, bem mais poderoso. Não tem cara. Ou tem muitas caras, se preferirem.

Vivo numa ditadura mascarada de democracia que me "permite" e até "agradece" eu dizer estas coisas publicamente (essa parte está de alguma forma referida nestoutro post que escrevi hoje), mas eu também quero que eles as leiam. Não me incomoda que não os incomode. Faz parte do meu sistema.

Como vês, Ana, é extremamente difícil. Marcamos para amanhã? 

Todas as revoluções são impossíveis... até se fazerem.

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publicado às 21:23


(parece que) algo se move

por Rogério Costa Pereira, em 11.10.13

Subscrevo em tese o post anterior, do Manuel. Porém, o sistema actual não vai permitir a mudança do... sistema actual. Seria contradizer-se. Trata-se de uma questão de sobrevivência. O sistema garante-se e defende-se de corpos estranhos que o possam abalar. Logo, temo que esta movimentação não passe de mais uma válvula de escape que o sistema usa para se sustentar. Tal como as manifs de seis em seis meses, tão essenciais à manutenção do próprio sistema que tentam combater. Porque o povo grita e vai para casa de alma limpa e acaba por dar mais corda ao sistema para se mover. A aposta do sistema numa espécie de concessão à evolução positiva não passa de aparente. Assim se garantindo que o povo, ao se conformar com essa falsa abertura à mudança, não avança para uma evolução imposta. Trata-se, pois, de um nó górdio. Só há uma forma de o desfazer. Neste caso, a espada será colocar um "R" antes da evolução na continuidade e mandar a continuidade às malvas.

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publicado às 14:41


E agora, sai remodelação, sai o governo ou sai o sistema?

por Rogério Costa Pereira, em 04.04.13

Ontem foi dia de moção de censura para inglês ver, hoje demite-se o Miguel relves (assim o chamava o JN), amanhã parece que vai sair a decisão do TC, cujo teor quer o psd quer o ps já conhecerão (só assim se explica tanta movimentação).

E agora, sai remodelação ou sai o governo?

Podia dar a opinião de outra pessoa, mas como o Marcelo ainda não falou vou dar a minha. Aí vai ela.

Na minha opinião (lá está ela), relvas não sai do governo, apenas faz de conta que sai do governo (e isto ainda que a causa directa tenha a ver com o facto de ele ter perdido a licenciatura – como se pode perder uma coisa que nunca se teve é coisa que não consigo descortinar).

Seja como for, só quem não tenha aprendido nada nos últimos dois anos pode acreditar que relvas e este governo não são a mesma pessoa (já alguém os viu separados, a propósito?). Não vivemos num Estado de Direito Democrático e esta cambada já mostrou bem o tipo de respeito que tem pela Constituição. Fazendo de conta que sai do governo, relvas dá a desculpa que o pm precisa para uma remodelação em que muito mudará mas tudo ficará na mesma.

A ideia-chave passará mais ou menos por isto: atendendo à recente saída do ministro relvas e patati-patatá e mais uns secretários de estado (e não esquecer o crato que teve/tem o relatório da licenciatura de relvas na gaveta há mais de um mês) é chegada a hora de dar uns toques no elenco governativo, sendo que para o novo pagode serão convidadas pessoas próximas do PS (co-subscritor deste memorando), assim se tentando arranjar formas alternativas e constitucionais de arrancar o escalpe ao povo. Esta seria uma das hipóteses e, não duvido, é o Plano A.

Porém, atendendo a que as normas que o pr remeteu para o TC estarão entre as chumbadas, há que traçar um Plano B. Pega-se no Plano A e vestem-se-lhe umas roupagens diferentes com carimbo de belém. E sai um governo de salvação nacional, com as tais figuras ligadas ao ps. Claro que isto passará por uma série de “entretantos” e “poréns” ligados à chatice que é ter uma Constituição que insiste em tentar ser democrática.

Com ou sem passos coelho, com ou sem seguro (estou convicto de que sem ambos), o Plano B será uma iniciativa aparentemente presidencial, mas com os apoios dos partidos do arco da destruição (ps+psd+cds).

E, no que realmente importa, com mais tempo e mais juros e com ou sem segundo resgate, no final vai continuar tudo na mesma. Tudo o que acima escrevi não deve ser lido na óptica do que interessa, de forma isolada, a um dos partidos que acima referi ou ao pr. Mas na óptica do sistema que “interessa” preservar. O actual sistema do ora mamas tu ora mamo eu. E no que toca a preservar o sistema, é só ir somando interessados: ps mais psd mais cds mais pr mais grande capital mais mais mais…

Mais do mesmo, menos para os de sempre.

Mas há um novo cheiro no ar, rapaziada. A chatice é que esse cheiro a novo vem misturado com um cheiro a mofo de algo muito, muito velho. O fascismo puro e duro que já está com pé e meio dentro do sistema.

Este país já não é para tenrinhos. Digam adeus aos brandos costumes que, aliás, não passaram nunca de uma ideia que nos foram impondo, para que se tornasse num facto. E nós mastigando, mastigando. Moendo e mastigando. Anos a fio. E se queremos começar por “agradecer” este lindo estado de coisas a alguém comecemos pelos espelhos de cada um. Espelhos de um Povo que tem sido indiferente, apático e acomodado e que sempre mamou, à hora certa, o que lhe puseram no biberão. Que sempre foi na direcção do dedo que aponta. Que fez uma revolução com cravos quando a devia ter feito com rosas cheias de espinhos. Revolução que devia ter eliminado logo ali a pandemia de vilões e seus sequazes que hoje e sempre nos atentam e atentaram.

Chegou a hora de dizer basta. E, ainda que meio esquecido, este há-de ser um Povo que ainda há saber como se diz Não!  

Cerrem os dentes, cerrem os punhos, cerrem fileiras e ergam o dedo do meio.

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publicado às 17:25

Tem aqui o Sistema Inglês e aqui o Americano. Agora veja o que se pretende para o sistema português. Como sabemos, cá no burgo, temos um monstro ali na 5 de Outubro que conjuntamente com os sindicatos centralizam: 11 000 instituições; 200 000 funcionários; e 1,5 milhões de alunos. Tarefa impossível, está bem de ver, como mostram os resultados e a aprendizagem dos nossos alunos:

"Defendemos a garantia que todos os alunos, especialmente os de menores recursos, tenham acesso a uma escola de qualidade, sem pagar proprinas, seja nas escolas do estado ou em privadas.Não interessa o estatuto pois integram a rede pública de educação. Seria como a rede pública de transportes que ninguém questiona se a empresa é pública ou privada, desde que cumpra as regras contratualizadas com o estado. O modelo nem sequer difere do que está escrito no programa do governo e que é defendido por Nuno Crato que refere os sistemas Inglês e Americano como as principais referências"

Compare! É contra isto que os sindicatos e os professores lutam. Contra este "papão", esta ignomía", algo que nunca se viu e que não está a funcionar em lado nenhum! Os Ingleses e os Americanos ( e os alemães, holandeses...enfim, os atrasados...) estão errados nós é que vamos de "passo certo"! O que se propõe é que o nosso sistema se aproxime do sistema Inglês e Americano.

Não se espantem se os virem a descer a avenida!

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publicado às 20:00


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