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Nem todas, Gaspar, nem todas!

por Francisco Clamote, em 21.04.12
No meu país, as pessoas estão completamente dispostas a sacrificar-se e a trabalhar mais para que o programa de ajustamento seja um sucesso desde que esse esforço seja repartido de forma justa” (mais uma tirada de Vítor Gaspar, durante a sua recente passagem pela sede do FMI). 
Gaspar, manifestamente, não estava nos seus melhores dia. Então não é que os factos, também neste particular, se encarregam de o desmentir.
Pelos vistos, nem todas as pessoas estão por tais ajustes. Os administradores da RTP, pelo menos.

 

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publicado às 13:56

Os políticos têm uma reforma de arromba ao fim de um par de anos de trabalho; os nossos gestores ganham mais que os colegas dos países mais ricos e muito maiores; as nossas empresas vivem em concubinato com o estado, sem risco e sem concorrência; os nossos trabalhadores ganham o segundo mais baixo salário mínimo de toda a Europa.
Mas quando se trata de pagar é o que se pode ouvir aí no vídeo.Os que mais são chamados a sacrifícios são os mais pobres!
Tudo pela mão de um partido que se diz socialista e de outro que se diz social-democrata!

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publicado às 12:00


Onde é que eu já ouvi isto...?

por António Leal Salvado, em 25.08.11

"É natural também que muitos de V. Exas. tivessem curiosidade em conhecer o Ministro das Finanças… Aqui está e é, como vêem, uma bem modesta pessoa.
Tem uma saúde precária e nunca está doente; tem uma capacidade limitada de trabalho e trabalha sem descanso.
Porquê este milagre? Porque muito boas almas de Portugal oram, anseiam por que continue neste lugar.

Represento nele determinado princípio:
represento uma politica de verdade e de sinceridade, contraposta a uma politica de mentira e de segredo.

Advoguei sempre que se fizesse a política da verdade, dizendo-se claramente ao povo a situação do País, para o habituar à ideia dos sacrifícios que haviam um dia de ser feitos, e tanto mais pesado quanto mais tardios.
Advoguei sempre a politica do simples bom senso contra a dos grandiosos planos, tão grandiosos e tão vastos que toda a energia se gastava em admirá-los, faltando-nos as forças para a sua execução.
Advoguei sempre uma politica de administração, tão clara e tão simples como a pode fazer qualquer boa dona de casa – política comezinha e modesta que consiste em se gastar bem o que se possui e não se despender mais do que os próprios recursos.
(…)

Têm os trabalhadores direito a uma melhoria na sua vida, na sua condição? a melhor casa? a mais e melhor instrução?
Sem dúvida alguma. O operário português é sóbrio, inteligente, disciplinado, vigoroso, trabalhador, mas inferior muitas vezes sob o ponto de vista técnico.
Daqui provém uma reduzida produtividade, também resultante da inferioridade técnica de muitas indústrias.
Para que o trabalho possa ser mais bem retribuído, é pois necessário organizar, intensificar, valorizar a produção e obter nesta mais elevado rendimento, numa palavra, resolver o problema económico, aumentando as riquezas, para que a todos caiba maior quinhão.
Sem isso a legislação de carácter social e de protecção operária será quasi inútil ou poucas vantagens trará.
(…)
De modo que toda a questão está em pedir sacrifícios claros, que podem salvar-nos, ou disfarçados, que custam o mesmo e em geral não resolvem nada.

De mais, não se pense que o Ministro das Finanças os pode evitar e fazer sozinho as economias necessárias: ele pouco mais pode fazer do que cortes. As economias têm de ser feitas por todos os que estão à frente de serviços, quem quer que sejam: grandes economias provenientes de reorganizações ou pequenas economias provenientes do aproveitamento de pequenas coisas.
São estas pequenas economias, multiplicadas por milhares, por milhões, que permitirão ao Ministro das Finanças manter os mesmos serviços com menores despesas.

Mas não tenhamos ilusões: as reduções de serviços e despesas importam restrições na vida privada, sofrimentos, portanto.
Teremos de sofrer em vencimentos diminuídos, em aumento de impostos, em carestia de vida.
Sacrifícios e grandes temos nós já feito até hoje, e infelizmente perdidos para a nossa salvação; façâmo-los agora com finalidade definida, integrados em planos de conjunto, e serão sacrifícios salutares.

É a ascensão dolorosa dum calvário. Repito: é a ascensão dolorosa dum calvário.
No cimo podem morrer os homens, mas redimem-se as pátrias!"

António Oliveira Salazar – Condições da reforma financeira
Discurso no acto da posse do Ministro das Finanças, 27 de Abril de 1928

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publicado às 15:49


O limite dos sacrifícios

por António Leal Salvado, em 15.08.11

Sem surpresa para ninguém, o líder sindical dos professores classificou de “mais do mesmo” a proposta apresentada por Nuno Crato para o regime de avaliação da classe docente no ensino público. E o inquietante não serão tanto as razões porque os professores poderão voltar ao conflito com o ministério que os tutela – é que o ressurgir das divergências entre o Governo e a classe fosse e seja mais do que esperado.

Quando Cavaco, logo no discurso da sua posse em Março, incitou à rebelião nas ruas e assim deu o sinal que estava na hora de dar o golpe final para derrubar o Governo de José Sócrates, o inteligente Paulo Portas e o obediente Passos Coelho lançaram-se a cortejar os professores, a mais organizada classe no exercício do direito de manifestação. Com o mesmo “automatismo” com que as falanges da ‘jota’ laranja saltaram para a cabeça das manifs dos ‘indignados’, o caudilho erigia o lema para campanha eleitoral – “Há limites para os sacrifícios” – e o candidato Passos Coelho tinha mais certezas da razão dos professores do que sobre se as medidas do PEC que a UE enviou por Sócrates eram demasiado severas ou se as mesmas medidas que a UE enviou pela ‘troika’ eram demasiado brandas. Tão certo como a razão dos professores, só a terminante aversão ao aumento de impostos.

Sócrates foi derrubado e a aliança CDS-PSD entronizada. A velocidade da aprendizagem sobre os verdadeiros efeitos da crise (que era mero resultado da incompetência governativa interna, mas passou a ser uma calamitosa fatalidade internacional) essa velocidade intensificou-se – mas com sentido inverso.

Tão claro como a urgente necessidade de aumentar impostos, tão claro como a imperiosa mudança de atitude dos indignados para resignados, tão indiscutível como o apoio aos governantes que Cavaco passou a ditar aos portugueses – tão claro como isso tudo é, agora, que os professores têm de ser comedidos, que têm sido arbitrariamente promovidos na carreira, que têm de se submeter à mesma austeridade que os demais portugueses não governantes. E que têm de ser avaliados.

Avaliados e seriamente avaliados. Todos. Todos os que exercem a docência no Ensino Público. No ensino de empresa privada, regem os princípios do livre – libérrimo – critério do empresário empregador. O empresário pode contratar, promover, despedir e privilegiar quem quiser, que era o que faltava intrometer-se o Estado na confiança que o empresário de ensino tem ou deixa de ter nos professores seus assalariados ou colaboradores. Aí, o Estado só tem que transferir o dinheiro público, arrecadado dos impostos de todos, para a eficiente gestão do empresário privado. E, com a mesma imperatividade da paciência que têm de ter os professores do Ensino Público diante da austeridade, preferiu a impaciente urgência de aumentar os donativos públicos aos empresários privados do ensino – não vá a austeridade apanhá-los, por contágio.

Pelo meio, veio a devolução do BPN (que a rede de Cavaco entregou ao Estado cheio de lixo tóxico e agora recebeu do Estado, ‘limpinho’ de problemas) à inefável gestão privada que José Sócrates fora tão negligente a apoiar. Só mais um sinal, afinal, de que o Presidente da República de todos os portugueses – os 20% que nele votaram e os 80% que nada disso – não mudou de convicções da primavera para o verão.

Há um limite para o sacrifício, sim. Há uma linha de limite, traçada através dos portugueses. E o sentido e os contornos dessa linha nunca foram tão claros.

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publicado às 15:12


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