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Águas tumultuosas

por Licínio Nunes, em 12.11.13
Este post foi inspirado por um artigo fantástico do Der Spiegel e por uma imagem ainda mais fantástica. Espero que eles não levem a mal o link directo, o artigo em si é a narrativa duma jovem alemã (!) "turquificada" à força pelos seus compatriotas relutantes. Com boas intenções, diga-se.



Quanto aos efeitos..., bem, leiam e cada um que tire as suas conclusões. A minha contribuição pretende apenas relembrar que a coexistência entre culturas muitos diferentes e com um longo passado de antagonismo, nunca é coisa simples. É sempre navegação difícil em águas tumultuosas, entre Scylla e Caribdis; sempre entre o síndroma de Younghusband e o síndroma de Heke.

Vejamos o primeiro escolho. O coronel (depois general) Younghusband foi o comandante da primeira expedição militar britânica ao Tibete, no início do século vinte. Do ponto de vista militar, a história não tem história, mas depois, à chegada a Lhasa, o comandante reportou uma recepção entusiástica: os cidadãos da capital acotovelavam-se nas ruas, batendo palmas à passagem das tropas. Acontece que os tibetanos batem palmas para afugentarem os demónios. E deitam a língua de fora em sinal de respeito.



Pois é! Vejam-se os mal-entendidos que gestos culturais vulgares podem produzir, se não houver um mínimo de bom-senso para relativizar as diferenças. Scylla pode ser uma armadilha mortal, vejamos o seu gémeo do outro lado do estreito.

Hone Heke foi um guerreiro maori da Nova Zelândia, em meados do século dezanove. Acontece que coisas como "paus de bandeira" têm um significado totémico profundo na cultura maori, pelo que Heke se tornou notório por decepar todos os que encontrava. Onde quer que houvesse uma bandeira britânica ondulando ao vento, era certo e sabido que, mais cedo ou mais tarde, ele por lá passava e..., zás! já não era. Este comportamento esteve na origem da chamada guerra de Flagstaff e Heke foi morto nessa guerra.



E foi para o Céu. Mas, ainda imbuído no frenesim da batalha, continuou a fazer o que estava a fazer antes, decepando em sério tudo o que remotamente se assemelhasse a paus de bandeira. Jesus Cristo acabou por reparar neste comportamento e dirigiu-se-lhe, tentando chamá-lo à razão.

— Vamos, então, que se passa? Acalma-te, não pode ser nada assim tão grave...

Heke encarou-o e respondeu (não me apetece traduzir) — Fuck off, man. This is my culture...

Pois é! Desde já me declaro pronto a deitar a língua de fora a alguém que eu respeite, desde que tenha a certeza que o gesto é adequadamente interpretado. Mas não tentemos tapar o Sol com esta peneira, porque em muitas circunstâncias e em muitas culturas, se o assunto for, por exemplo, o papel social das mulheres, ou a importância do clitóris, a reacção é..., Ah! Fuck off...

Coexistência de múltiplas culturas implica construir pontes. Todas elas necessitam pelo menos de dois apoios.

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publicado às 14:04

Diz o antigo internacional Inglês ( A Bola). Foi um erro a marcação do europeu de futebol para aqueles dois países, onde campeia o racismo e o nazismo. A BBC vai passar um documentário a avisar os adeptos ingleses.

"O documentário da BBC, a emitir esta segunda-feira, mostra adeptos a fazerem saudações Nazis, a brindarem os jogadores negros com sons a imitar macacos, cânticos antissemitas e um grupo de estudantes asiáticos a serem atacados no estádio do Metalist, em Kharkiv, que vai ser palco de três jogos da fase de grupos."

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publicado às 23:30


Xenofobia, racismo, ódio e outras aberrações

por António Filipe, em 30.11.11

Durante as minhas quase seis décadas de vida (digo seis décadas porque parece menos que sessenta anos) já ouvi uma enorme quantidade de coisas que me irritaram.
Mas nada me irrita e revolta mais do que estar num grupo onde se começa a dizer mal de uma determinada raça, de um determinado povo ou de um determinado grupo. O racismo e a xenofobia sempre me incomodaram. Infelizmente, constato que isto acontece com cada vez mais regularidade. E isso incomoda-me, porque eu fico sem palavras. Cobardemente, admito-o, pois tenho o pressentimento que, no grupo, sou o único (salvo raras excepções) que sente obrigação de falar em defesa daqueles que, não estando presentes, estão a ser atacados. Tenho a sensação que somos um país cada vez mais xenófobo e racista. Pelos nossos erros, culpamos todos e tudo o que nos seja alheio. Raramente temos a humildade de admitir a nossa própria culpa. Culpamos os ciganos, os pretos, os romenos, os imigrantes em geral e até os nossos próprios emigrantes. No entanto, ironia das ironias, quando algum dos “nossos” comete um erro, ouço, muitas vezes, a expressão: “É à portuguesa”. Expressão que eu detesto, diga-se de passagem, por considerar que não deixa de ser xenófoba por ser contra o nosso próprio povo. Neste aspecto, outros povos fazem exactamente o contrário. Por exemplo, os americanos têm uma expressão semelhante, mas usam-na quando alguém tem sucesso naquilo que faz. Quando as coisas correm bem, dizem: “It’s the american way”, o que é uma maneira bem mais optimista de encarar a vida.
O que mais me espanta é que muitas das pessoas a quem eu ouço comentários racistas, afirmam-se democratas e dizem que são a favor da liberdade e da igualdade. Chegam ao cúmulo de, muitas vezes, iniciarem um comentário racista com: “Eu não sou racista, mas…”. E, depois de mandarem uma enxurrada de baboseiras de teor claramente racista, dão-se ao luxo de afirmar, orgulhosamente: “Mas, atenção, eu não sou racista.” Bem, justiça lhes seja feita, pelo menos negam a sua própria xenofobia, o que demonstra algum sentimento de culpa. O Hitler nem sequer se dava a esse luxo. Exterminava judeus, ciganos e tudo o que não fosse raça ariana, sem pudor nem vergonha.
Já não me espanta muito o facto destas mesmas pessoas se assumirem católicas e, muitas delas, até praticantes. É que as religiões sempre foram e continuam a ser causa de grandes ódios por esse mundo fora. Tudo o que for de crença diferente é para destruir.
Cúmulo dos cúmulos: agora até já nos jogos de futebol se instalam jaulas destinadas aos adeptos do clube adversário. E, depois, dá no que deu: fogo à peça.
Tenho alguma dificuldade em acreditar que qualquer normal ser humano não tenha o discernimento necessário para chegar à conclusão de que qualquer outro ser humano é igual a ele e que todos temos defeitos e qualidades. Se tivermos respeito, damo-nos ao respeito. Se compreendermos, somos compreendidos. O ódio só alimenta o ódio.

Deixo uma canção do grande John Lennon, que, além de ter uma melodia bem bonita, tem uma letra sobre a qual todos devíamos meditar.

 

 

 

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publicado às 12:36


Londres - Racismo ou protecção ?

por Luis Moreira, em 09.08.11

Londres arde em fogos postos pela multidão em fúria. Racismo ou protecção às populações? Hoje uma jovem negra em pleno assalto a lojas disse em directo para as televisões que "roubar" é recuperar os impostos, agora que estão sem trabalho.

"Ontem à noite, os agentes da polícia voltaram a arriscar as suas vidas para proteger os cidadãos de Londres. Os habitantes da cidade já tornaram claro que não existem desculpas para esta violência, e apelo a todos os membros das comunidades locais para que trabalhem de modo construtivo com a polícia para ajudarem a trazer estes criminosos para a Justiça", disse May.(ministra do interior).

"Na origem dos confrontos está a morte de Mark Duggan, o fundador de 29 anos de idade de um ‘gang' na área de Tottenham, que foi abatido pela polícia na quinta-feira passada, quando um ‘raid' das autoridades às actividades ilegais no seio das comunidades emigrantes de origem africana e do Caribe se tornou violento. Os elementos destes grupos étnicos acusam a polícia de ter motivos ‘racistas' para a morte de Duggan, estando a organizar ataques à polícia e às propriedades dos comerciantes locais." O irmão da vítima, afirmou:

“Não aprovamos nenhuma das ações [violentas], nem que isto aconteceu em nome do meu irmão”.

Hoje, a responsável pela Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC), que está a investigar a morte de Duggan, lamentou se houve falta de apoio à família.

Porém, prometeu que vai ouvir mais testemunhas sobre o caso, embora tenha desmentido os rumores “categoricamente falsos” de que a vítima tenha sido executada."

Entretanto, a violência alarga-se a outras cidades do país! O desemprego, a fome, trás a violência! É uma faze do capitalismo selvagem que "estrebucha" e que acabará por morrer de vez! Se, assim for, vale a pena.

PS: veja os vídeos da violência

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publicado às 14:00


A tolerância dos outros...

por Luis Moreira, em 01.08.11

Não sei se foi na Noruega mas sei que foi num dos países nórdicos. Vi o que aqui se conta quanto ao tratamento dos imigrantes hispânicos ( o meu caso) e o de uma cidadã africana. Após terem passado todos os louros e de olhos azuis sem qualquer revista quiseram-me revistar. Neguei-me! Disse-lhes, "ou me tratam como os anteriores que já entraram no país, ou não saio daqui, e apanho o avião de volta logo que possível."

Hesitaram e mandaram-me esperar. Voltaram-se para a mulher negra a quem humilharam de forma revoltante. Eu acabei por entrar sem mais problemas.

Um sobrinho meu, estudou em Lemper (julgo que é assim que se escreve) cidade universitária Finlandesa. Conta vários episódios de racismo de que foi vítima ( e ele é louro e branco embora não tenha olhos azuis).

Tudo isso é verdade.

Mas também vi as cidades cheias de negros e Italianos com as suas pequenas mercearias e restaurantes a vender pizas, completamente integrados.E, vi muçulmanos com as suas vestes a passearem na rua sem qualquer problema.

Como se sabe, nos países árabes é bem pior, como ainda o é nos países da antiga União Soviética, ou na China ( um polícia e um militar por habitante, passe o exagero) e em muitos países "onde se celebram "manhãs que cantam".

O ser humano é o ser humano ! Uma vez vi, a sair da Rússia, uma mulher que tinha um capachinho, (por ter perdido o cabelo a curar o cancro da mama), a ser tratada de maneira abominável por uma vaca comunista. Porquê? Não estava parecida com a foto do passaporte! Era a minha mulher!

Só estamos todos mais chocados porque o que aconteceu, aconteceu onde menos esperávamos!É verdade que o capitalismo trás competição desenfreada e ganância, mas também é verdade que o comunismo não trouxe o homem novo!

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publicado às 23:00

Promessa cumprida - pegadas nesta Lisboa

por Isabel Moreira, em 02.11.10

Este homem disse que havia de vir a Lisboa. Pois disse. Obrigada, R.

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publicado às 23:01

Sobre a explusão dos ciganos em França

por Isabel Moreira, em 16.09.10

Não ouvir José Sócrates, pronto (o que me irrita mais porque é o PM do meu país, não é?).

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publicado às 22:50

Sobre a expulsão dos ciganos em França

por Isabel Moreira, em 16.09.10

Não ouvir Pedro Passos Coelho, pronto.

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publicado às 16:40

Portanto, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, filho de pai húngaro, ordenou no passado dia 28 que as autoridades expulsassem os imigrantes ilegais ciganos e desmantelassem os seus acampamentos, absolutamente indiferente às acusações de que o seu Governo estaria agindo com racismo no tratamento dispensado aos chamados "roma" ou ciganos. Estamos a falar de romenos e búlgaros, pessoas basicamente deportadas para esses estranhos países da União Europeia. Mesmo assim, a medida mereceu-lhe o aplauso de Roberto Maroni, político do partido populista de direita Liga Norte e ministro do Interior no governo de Silvio Berlusconi, que tratou de recordar idêntica medida levada a cabo no passado na europeia Itália.

Se, numa atitude oposta, ouviu-se dizer que as perseguições aos ciganos constituem “uma espécie de novo holocausto”, (Arcebispo Agostino Marchetto, secretário do Conselho Pontifício para os Emigrantes), o que foi alvo de crítica pelo Nobel da Paz Ellie Wiesel, a verdade é que também o The Times associou a deportação dos ciganos da França à perseguição que eles sofreram durante o período nazista:  "Dessa vez, eles foram pelo menos colocados num avião e deram-lhes um dinheirinho. Naquela época, foram transportados em vagões como animais, que não os enviavam de volta a seus países de origem, mas às câmaras de gás de Auschwitz. A deportação dos ciganos da etnia rom da França lembrou a perseguição a todos os ciganos pelos nazistas". 
Independentemente das analogias escolhidas, cada Governo, e a Eupora no seu conjunto, não pode ficar indiferente a uma medida xenófoba que se apresenta como uma solução "normal" para o que um Governo entenda por "problema de seugurança", "de integração" e por aí fora. Qual será a próxima medida? É que ciganos são umas centenas, não é? A logística é fácil, pois.

Por isso mesmo, é bom que o Parlamento Europeu, que reúne hoje, discuta o assunto e que vozes se levantem a favor de uma Europa que não nasceu para isto mas que, ao contrário, nasceu contra isto.

Em todo o caso, para quem não gostou de certas analogias, recordaria que os membros da resistência, judeus, sim, mas também, precisamente ciganos, para além de homossexuais, foram, imagine-se, deportados.

Adenda: Um tribunal francês anulou a ordem de expulsão de sete ciganos romenos retirados de um acampamento.

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publicado às 11:04

Quinze dias sem telejornais, quinze dias sem net, quinze dias sem telefones. Sul de Espanha e tantas cores a invadirem-me o olhar que por vezes doía; no mar, mais azuis que cores, uma ou várias serras a acabarem ali, onde nadei, como sempre, até esquecer todas as lutas, todos os sons que não os das minhas braçadas ou o do vento a amparar cada uma delas, ou o do vento na areia branca, sem saber por muitos desses quinze dias da importância da cor da areia, esse branco imaculado, esquecido ele também, aparentemente, de lutas, ou mesmo de lutos.


Estava sentada a olhar a eternidade do mar, que desde miúda me oferece paz às pálpebras, quando o meu amigo, que identifico por Z., deu um grito de horror e fez-me olhar para a esquerda.


Num minuto que ficou gravado para sempre nos caminhos da minha memória, vimos o cenário de todos os dias alterado por uma sucessão de crimes cunhados pelo ódio a um ser humano – e ao que ele representava –, que cruzava a areia, todos os dias, com pegadas pretas.


Naquela praia, como em tantas, sem licença administrativa, raparigas e rapazes de várias nacionalidades vendiam fatos de banho, sumos naturais, tudo entre sorrisos e nada lhes acontecia. A autoridade administrativa fechava os olhos aos episódios, porque dá vida à vida dos turistas uma brasileira, por exemplo, se branca, entreter o cenário com os seus produtos exóticos.


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publicado às 18:42


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