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Coisas que irritam os piegas como eu (3)

por António Filipe, em 28.08.12

Cheguei a um ponto em que já nem sequer peço, a alguns dos meus amigos, para me ajudarem na luta contra estas políticas da destruição do nosso país. Felizmente, são só alguns (poucos).
Já me dou por satisfeito se, pelo menos, constatarem que o país está a passar um dos piores momentos desde o 25 de Abril.
Alguns nem sequer acreditam que a crise existe. Talvez porque não a sintam. Mas negar que o número de pessoas pobres e a viver em condições miseráveis é cada vez maior e está a aumentar a passos largos é, para mim, o cúmulo do egoísmo e só demonstra uma profunda falta de informação. E, pior, afirmar que a culpa das pessoas serem pobres é delas próprias é, para mim, o cúmulo da indiferença e da falta de solidariedade. E, pior ainda, terem o desplante de afirmar que a culpa da crise (a tal em que eles nem sequer acreditam!), é das minorias, como ciganos, ucranianos, pretos, beneficiários do RSI e de outros subsídios, enfim, de todos os que não sejam da sua raça ou que tenham um modo de vida diferente é, para mim, o cúmulo da ignorância. Vem-me à memória um fulano chamado Adolf Hitler.
E, depois, não querem que eu me irrite!
Mas, como já disse, felizmente, esses amigos estão em minoria. Não lhes desejando isso, por vezes, imagino o que pensariam se, um dia, estivessem na mó de baixo.
Sinto-me bem ao sentir e verificar que a grande maioria dos meus amigos têm visão suficiente para constatarem a realidade do país e até fazerem o que podem para mudar este estado de coisas.

Que o grande Zeca Afonso nos sirva de modelo.


Zeca Afonso, Coração Inteligente

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publicado às 16:16


Uma pieguice minha

por n, em 17.07.12

Hoje, numa capital de distrito deste Portugal, ao lado de um caixote do lixo estava um saco de batatas, podres, certamente lá deixado pelo restaurante próximo. Debruçado sobre o saco, um velho, magro, de barba esbranquiçada e rala, com idade para ser meu avô, cortava pequenos pedaços das batatas, de partes ainda boas, e metia-as num saco.

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publicado às 22:19


Cenas dum país "resgatado" e mal governado

por Francisco Clamote, em 03.07.12
"(...) A fila que escolhi hoje é pequena. À minha frente, está uma mulher de uns 30 ou 40 anos, elegante, com um olhar vivaz e um sorriso inteligente (...) que leva meia dúzia de compras na mão (...). Está vestida com um tailleur saia-e-casaco e sapatos pretos de salto, formais, certamente por necessidade profissional. Pousa as compras no tapete e murmura qualquer coisa à empregada. Percebo que lhe pede para ir fazendo subtotais, à medida que vai registando as compras. Há vários iogurtes mas estão separados, em vez de estarem num conjunto de quatro, como na prateleira. A caixa passa várias compras e quando o subtotal atinge 3 euros e 73 cêntimos a cliente diz "está bem assim". No tapete fica um iogurte natural e um pacote de bolachas da marca do supermercado que a caixa põe de lado num gesto rápido, numa pilha heteróclita onde há outros restos de compras. A mulher elegante paga os 3,73 euros com Multibanco.

Esta história é sobre uma mulher elegante de 30 ou 40 anos, com um sorriso inteligente, que trabalha num sítio onde lhe exigem que se vista com alguma formalidade e que só tem quatro euros no banco."

(Extracto de "Na fila do supermercado", por José Vítor Malheirosin edição impressa do "Público" de hoje)

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publicado às 21:13


Diz que é para decoração...

por Ariel, em 28.03.12

Casa Higino & Fragoso aqui em Oeiras, praticamente à minha porta,  tem vendido ultimamente uma grande quantidade de candeeiros a petróleo.

 "Algumas pessoas têm vergonha quando vêem comprar candeeiros a petróleo para iluminação e dizem que é para decoração, mas na semana seguinte cá estão de novo a comprar mais um litro de petróleo”. Encomendo aos 150 candeeiros de cada vez e desaparece tudo.”

 Este súbito interesse por candeeiros a petróleo na "rica" Oeiras, dá bem a dimensão da miséria escondida à nossa porta. Não falta muito para estarem também de regresso os velhos fogareiros a petróleo nas cozinhas e reinstituído o banho semanal.

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publicado às 00:24


300 000 desempregados sem qualquer tipo de apoio

por Luis Moreira, em 27.03.12

Acabo de ser informado pela rádio que 300 000 desempregados não têm acesso a qualquer ajuda por parte da Segurança Social. Calculo que vivem apoiados pelas famílias e por um ou outro "biscate" pago miseravelmente. Comem nas cantinas que instituições de apoio social, pertencentes às misericórdias e à sociedade civil lhes fazem chegar e que, curiosamente, são objecto de um ódio muito particular por parte de quem não mexe um dedo. . É o que acontece sempre a quem cai nos vales profundos e injustos da sociedade corporativa que criamos.

Os dois milhões de pobres que nunca conseguimos tirar da situação de pobreza que nos devia envergonhar a todos, também desapareceram há muito das prioridades dos governos e mesmo dos outros cidadãos . Não têm quem faça ouvir a sua voz. Mas as corporações têm tudo e continuam a pedir tudo, exactamente como os sindicatos que já não sabem o que reivindicar. Não se espere que sejam os ricos e os exploradores a preocuparem-se com este estado de coisas.

Os que têm emprego ou pensões vão vivendo apesar do peso dos impostos que têm que pagar para sustentar este estado clientelar. Mas quem caiu na marginalidade, mesmo sem culpa própria, não encontra voz que se faça ouvir em sua defesa.

É, a estes, os deserdados a que o estado devia chegar. Mas nunca chegará por maior e mais poderoso que seja! 

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publicado às 19:00


Cartão de pobre. Já pediu o seu?

por Luis Moreira, em 03.03.12

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publicado às 17:00


O buraco

por n, em 17.02.12

Conheci recentemente um casal que tem por casa um carro. O local onde fazem a sua higiene diária é uma casa de banho de uma bomba de gasolina. Ele, de reduzidas habilitações literárias, vai trabalhando no que aparece, ela, sem saber ler ou escrever, também. Uma técnica de assistência social pediu-lhes para escreverem uma carta em formato digital para enviarem para um determinado organismo. Porém não podia ser no computador dela nem lhes podia fazer o favor, eles que arranjassem maneira.
Assim vamos neste país tranquilo e à beira-mar plantado. Uns sobrevivem como podem, outros refugiam-se nos conteúdos técnicos, e outros queixam-se de barriga cheia.

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publicado às 19:59

Há dias um pobre pediu-me esmola. Depois, encorajado pela minha generosidade e esperançoso na minha gravata, perguntou se eu fazia o favor de entregar uma carta ao senhor ministro. Perguntei-lhe qual ministro e ele, depois de pensar um pouco, acabou por dizer que era ao ministro que o andava a ajudar. O texto é este:
"Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma. Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.
Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados como esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu gostava tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me que tudo era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou por dizer que seguia ordens.
Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas sanitários e alimentares graves.
Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando destruíram tudo.
Estes não eram da Azai. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social. Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema qualquer com o sabonete, que devia ser líquido.
Enfureceram-se por existirem quartos com três camas, várias casas de banho sem bidé e na área destinada ao duche de pavimento (ligeiramente inferior a 1,5 m x 1,5 m) não estivesse um sistema que permita tanto o posicionamento como o rebatimento de banco para banho de ajuda (uma coisa que nem sei o que seja). Em resumo, o lar era uma desgraça e tinha de fechar.
Ultimamente pensei pedir aos senhores fiscais para virem à barraca onde vivo desde então, medir as janelas e ver as instalações sanitárias (que não há!). Mas tenho medo que ma fechem, e então é que fico mesmo a dormir na rua.
Mas há esperança. Fui ontem, depois da missa, visitar o lar novo que o senhor prior aqui da freguesia está a inaugurar, e onde talvez tenha lugar. Fiquei espantado com as instalações. Não sei o que é um hotel de luxo, porque nunca vi nenhum, mas é assim que o imagino. Perguntei ao padre por que razão era tudo tão grande e tão caro. Afinal, se fosse um bocadinho mais apertado, podia ajudar mais gente. Ele respondeu que tinha apenas cumprido as exigências da lei (mais uma vez tem a ver consigo, senhor ministro). Aliás o prior confessou que não tinha conseguido fazer mesmo tudo, porque não havia dinheiro, e contava com a distracção ou benevolência dos inspectores para lhe aprovarem o lar. Se não, lá ficamos nós mais uns tempos nas barracas.
Senhor ministro, acredito que tenha excelentes intenções e faça isto por bem. Como não sabe o que é a pobreza, julga que as exigências melhoram as coisas. Mas a única coisa que estas leis e fiscalizações conseguem é criar desigualdades dentro da miséria. Porque não se preocupam com as casas dos pobres, só com as que ajudam os pobres."
 
Triste País que procede assim com os pobres....

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publicado às 13:00


Os ninguéns

por Luis Moreira, em 14.12.11

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publicado às 17:00


Dois milhões de pobres! Quem grita por eles?

por Luis Moreira, em 23.11.11

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publicado às 20:30

Manuseação da consciência da selva fechada. Paisagem desfigurante do corpo perdido. Tornozelos esfolados pelas silvas rasteiras. Núpcias de uma perdição anunciada. De novo os tornozelos. Riscas denunciadoras. Sangue seco, integração de partículas da pele na floresta cativeira. Troncos ríspidos, aglomerados, sufocantes. Não deixam espaço ao espaço breve necessário à expiração. Troncos velhos, altivos, observantes da velha perdida. Perdida neles. Gargalhada florestal. A natureza é um manto verde cuja densidade o tornou negro. O olhar do olho sobrevivente procura referências no céu. Floresta de copas dançantes. Dança programada dos ramos terminais. Esfregam-se uns nos outros. Roubam a possibilidade de céu. A velha corre. Arbustos comunicantes tosquiam-lhe os joelhos, feios de velhos, apodrecidos. Escorre sangue desde os joelhos até aos tornozelos. Linhas de sangue que ironizam a possibilidade de um mapa. Chuva torrencial. A velha abre a boca gretada. Os pingos evitam-na. Frio, vento, trovões, elementos sensoriais, co-autores da catástrofe que se abala sobre um só corpo. E de uma velha. Corre. Precisa da bomba para a asma. A humidade acelera essa urgência. Meteu-se em caminhos que não recebem visitas, antes as matam, devagar, devagarinho, até se apoderarem das pobres e desfigurá-las em humo e tirarem, triunfantes, vantagem da sua morte. Cai. Direita, esquerda, em frente, tudo para trás, na diagonal? - Interroga-se sobre o trilho da salvação, mas, caída na terra gelada, é por ela gelificada. O treçolho está ferido da geada e nasceu no olho sobrevivente. Come uma folha. Pensa que come, mas não o faz. A realidade e a ficção começam a unir-se no cérebro da velha que já deixou num ramo carnificina o lenço negro. Comer. À sua volta cogumelos. Não pode comer. São venéficos. A fome é mais uma guerra ganha pela floresta da sua perdição. Chora alto, grita com as poucas forças que os seus pulmões permitem. O assobio longínquo do vento é a resposta traidora, triunfante, terrífica. Goza com ela. - Grita velha, quase alimento, diz-lhe a concha infinita em que se esvai. Não desiste. Caminha. A roupa cola-se-lhe ao corpo com tanta força que as varizes escondidas são toda a sua imagem. As mamas roçam a cintura de avental, a corcunda perdeu a aldeia. - Desiste, velha - ouve-se. Não sabe quanto tempo passou desde que se vai despedaçando nas entranhas daquele abismo florestal. Horas, muitas, já pode ter a presciência sofredora que são já dias que tem que contar. Dias que anunciam o fim mais anónimo que se pode ter. Dias de fome, de usurpação, de ulceração. Os ácidos estomacais ajudam a tarefa da floresta inimiga e vêm fazendo o seu trabalho. Queimam a carne, as paredes dos órgãos da velha, da velhinha, que finalmente cai. Ali fica, sem forças, a ver formigas grandes comerem pedacinhos dos seus esfacelamentos inferiores. Quer abanar as pernas, mas não pode. É mais inerte do que a terra que a sepulta. Vê o princípio da sua qualidade de alimento. Dores brutais calam os trovões. Geme, chama por Deus, mas Deus está no Céu e dali não se vê o céu. O manto verde que seria belo numa fotografia aérea é um reino com donos ferozes e impiedosos. Ali não se entra. Geme, mais e mais. Há um bicho nocturno que trepa pela sua narina. Vai corroendo o interior do seu nariz peludo e faz uma estrada em direcção ao cérebro. A mulher carcomida tenta apanhá-lo com um dedo, mas repara então que eles já não têm pontas. O frio curandeiro de alguma das dores é também uma constrição. Comeu-lhe as pontas dos dedos. Que feias as mãos da velha, com dez calos anelares, vasos sanguíneos sobrepostos povoam o resto dos restos da mão do resto da velha. O bicho alcança o cérebro. A chuva corta-o por fora. Dores brutais, assassinas, assolam a inocente prenda da matéria orgânica. Vomita a sua própria ausência. Os ácidos do seu estômago esburacado. Queimam-lhe o céu da boca que sangra em direcção à garganta e que a sufocam. A floresta delira. Um outro delírio: feliz. Feliz com a sua presa. Chuva, vento, verrugas cortadas nos ramos caídos, cérebro cozinhado, mãos sem dedos, humidade sufocante, sangue preso nos brônquios, tornozelos comidos com vagar, assim morre a velha; assim a sepulta a floresta, ganhando mais alimento. Assim se ri a natureza.


Morre o resto da velha sem direcção.

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publicado às 01:35


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