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Nadia Boulanger – Compositora e maestrina francesa

por António Filipe, em 16.09.13
No dia 16 de Setembro de 1887, nasceu, em Paris, a compositora e maestrina francesa Nadia Boulanger.

Foi professora de diversos compositores de grande relevância no século XX. Tornou-se professora no Conservatório Americano de Música em Fontainebleau em 1921 e, a partir de 1950, foi directora do conservatório. A sua actividade como professora foi aquela que mais profundamente marcou a cena musical do século XX. Nadia Boulanger teve como alunos, entre muitos outros, Daniel Barenboim, Elliott Carter, Aaron Copland, John Eliot Gardiner, Philip Glass, Dinu Lipatti, Astor Piazolla e Walter Piston. É uma lista impressionante e o melhor testemunho da sua grandeza.
Deve-se-lhe a primeira interpretação em Londres do Requiem de Fauré, em 1936. Apenas em 1948 viria a gravar essa obra em disco. Foi uma das poucas gravações que fez. Não há muitos discos por onde escolher.
Durante a 2ª guerra mundial morou nos Estados Unidos e leccionou no Radcliffe College, Wellesey College e na Juilliard School. Regresssou a França em 1946, assumindo a cadeira de acompanhamento no Conservatório de Paris e, depois de assumir a direcção do Conservatório de Fontainebleau. em 1950, dedicou-se a dar aulas particulares.
Faleceu em Fontainebleau, a 22 de Outubro de 1979.

Fantasia variada para piano e orquestra, de Nadia Boulanger
Piano: David Greilsammer

Maestro: Steven Sloane

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Vlado Perlemuter – Pianista e professor francês

por António Filipe, em 04.09.13
No dia 4 de Setembro de 2002, faleceu, em Genebra, na Suíça, o pianista e professor francês Vlado Perlemuter. Tinha nascido a 26 de Maio de 1904, em Kaunas, na Lituânia.

Os seus pais eram judeus, nascidos na Polónia. Aos três anos, Perlemuter perdeu a visão no olho esquerdo, devido a um acidente.
A sua família fixou-se na França, em 1907. Em 1915, com apenas 10 anos, ingressou no Conservatório de Paris, onde obteve a licenciatura aos 15 anos e ganhou o 1º Prémio, interpretando “Tema e Variações”, de Gabriel Fauré, em frente ao compositor, embora este, na altura, já fosse surdo. Em 1925, conheceu Maurice Ravel e, em 1927, estudou, com o próprio compositor, todas as suas obras para piano solo. Mais tarde, tornou-se num dos expoentes máximos da música de Ravel. Em 1929, em dois recitais em público, aos quais Ravel assistiu, Perlemuter tocou as obras completas para piano daquele compositor, uma façanha que repetiu em 1987, no Wigmore Hall, em Londres, numa celebração do 50º aniversário da morte de Ravel.
Durante a 2ª Guerra, como era judeu, foi perseguido pela Gestapo, na França ocupada pelos nazis. Conseguiu escapar para a Suíça, onde viveu até 1949. Em 1951, assumiu o cargo de professor do Conservatório de Paris, onde permaneceu até 1977.
A sua carreira internacional prolongou-se durante mais de 70 anos e deu concertos um pouco por todo o mundo. O seu último recital foi realizado aos 89 anos, em que interpretou obras de Ravel, no Victoria Hall, em Genebra.


Gaspard de la Nuit, de Ravel
Piano: Vlado Perlemuter

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William Primrose – Violista e professor escocês

por António Filipe, em 23.08.13
No dia 23 de Agosto de 1904, nasceu, em Glasgow, o violista e professor escocês William Primrose.

Inicialmente, estudou violino. Em 1919, ingressou na Guildhall School of Music, em Londres. Depois, mudou-se para a Bélgica onde teve como professor Eugène Ysaÿe, que o encorajou a estudar viola, em vez de violino. Em 1930, integrou o Quarteto de Cordas de Londres, como violista. O grupo dissolveu-se em 1935 e, em 1937, Primrose começou a tocar na Orquestra Sinfónica da NBC, sob a direcção de Arturo Toscanini. Quando, em 1941, surgiram rumores de que Toscanini ia abandonar a orquestra, Primrose despediu-se e iniciou uma carreira como solista, fazendo digressões com o tenor Richard Crooks.
Em 1944, William Primrose patrocinou um concerto para viola, de Béla Bartók. O compositor faleceu em 1945, deixando-o inacabado. A sua composição foi terminada, quatro anos depois, por Tibor Serly. A estreia realizou-se no dia 2 de Dezembro de 1949 e Primrose foi o solista. Em 1950, o compositor Benjamin Britten também lhe dedicou uma das suas obras.
Em 1953, a Rainha Isabel II atribuiu-lhe o título de Comandante da Ordem do Império Britânico. Pela sua contribuição para a indústria fonográfica, tem uma estrela no Passeio da Fama, em Hollywood.
Primrose tornou-se num notável professor, escrevendo vários livros sobre como tocar viola e ensinando em vários países como Japão, Austrália e os Estados Unidos, ocasionalmente na Universidade da Califórnia do Sul (com Jascha Heifetz), na Juilliard School, na Eastman School of Music, na Jacobs School of Music da Universidade de Indiana e no Curtis Institute of Music.
Em 1979 foi criado, em sua honra, o Concurso Internacional de Viola, que foi o primeiro concurso internacional para violistas.
William Primrose morreu, de cancro, em Provo, no estado do Utah, no dia 1 de Maio de 1982.


Polonaise, de Beethoven
Ave Maria, de Schubert
Capricho nº 24, de Paganini
Viola: William Primrose
Piano: David Stimer

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Sergio Fiorentino – Pianista italiano

por António Filipe, em 22.08.13
No dia 22 de Agosto de 1998, morreu, em Nápoles, de ataque de coração, o pianista italiano Sergio Fiorentino, que, embora com actuações esporádicas, teve uma carreira que se expandiu por cinco décadas. Tinha nascido na mesma cidade a 22 de Dezembro de 1927.

Com a ajuda de uma bolsa de estudo concedida pelo Ministério da Educação, em 1938 matriculou-se no Conservatório San Pietro a Majella, tendo terminado o curso em 1946. Aclamado pelos críticos pela técnica pouco habitual e elevados dotes musicais, Fiorentino percorreu os palcos de quase todos os países da Europa Ocidental, onde, antes de fazer vinte anos, conseguiu ganhar o primeiro prémio em quase todos os importantes concursos de piano.
Em Outubro de 1953, estreou-se no Carnegie Hall, em Nova Iorque. Mas, no ano seguinte, enquanto fazia uma digressão pela Argentina e Uruguai, foi vítima de um, quase fatal, acidente de aviação. Ficou com problemas nas costas, o que o obrigou a reduzir o número de concertos e a tornar-se professor no Conservatório de Nápoles.
Nos finais dos anos 50, recomeçou a dar concertos, tanto na Itália como na Inglaterra. A maioria das suas gravações é desse tempo. Mas a partir de 1965 voltou a afastar-se dos palcos, limitando-se a dar concertos no seu país natal, a ensinar “master classes” e a trabalhar, ocasionalmente, para a estação de rádio RAI. Quando deixou o conservatório regressou aos concertos fora da Itália e actuou na Alemanha, França, Taiwan e Estados Unidos. Já tinha contractos assinados para actuar na Rússia e no Canadá, mas faleceu antes de os poder cumprir.
Depois de 1994 foi editado um grande número de gravações de Sergio Fiorentino, incluindo gravações feitas em Berlim e algumas que nunca tinham sido editadas. Em Fevereiro de 2007, a editora “Concert Artists” admitiu que lançou algumas gravações de Sergio Fiorentino que, na verdade, tinham sido gravadas pela pianista Joyce Hatto. Já depois disso, a mesma editora lançou um CD que, mais tarde, se veio a descobrir que continha algumas pistas que foram gravadas por outros artistas. Ironicamente, a última peça que Sergio Fiorentino tocou, em público, foi a Sonata op. 26, de Beethoven, que contém a “Marcha fúnebre sobre a morte de um herói”.


3º andamento (Marcha Fúnebre) da Sonata nº 2, para piano, de Chopin
Piano: Sergio Fiorentino

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Lili Boulanger - Compositora francesa

por António Filipe, em 21.08.13
No dia 21 de Agosto de 1893 nasceu, em Paris, a compositora francesa Lili Boulanger, irmã mais nova da compositora e professora Nadia Boulanger.

Revelando a paixão de cantar e um talento excepcional logo em criança, era frequentemente visitada em casa por Gabriel Fauré, que gostava de partilhar com ela as suas últimas composições. A partir dos 16 anos estudou harmonia e tocava piano, violino, violoncelo e harpa. A saúde frágil, porém, afastava-a da escola e da regular prática da música.

Mesmo assim, foi a primeira mulher a conquistar o Grande Prémio de Roma para composição. Depois do grande sucesso da sua cantata “Fausto e Helena” viajou para Itália – e seria na Villa Medici que escreveria as suas melhores composições. Sabendo que a morte se aproximava, trabalhou obsessivamente a sua música, mesmo quando, durante a Guerra Mundial, voltou a Paris para ajudar a cuidar dos soldados feridos. A morte chegou precisamente no ano em que a guerra terminou.
Lili Boulanger tinha 24 anos quando faleceu em Mézy-sur-Seine, no dia 15 de Março de 1918.


D'un Matin De Printemps, de Lili Boulanger
Flauta: Hannah Peterson
Piano: Eunjung Kim

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No dia 15 de Agosto de 1925, nasceu, em Nápoles, o pianista francês Aldo Ciccolini.

O seu pai era tipógrafo e tinha o título de Marquês de Macerara. Entrou para o Conservatório de Nápoles apenas com 9 anos, com uma autorização especial do seu director, Francesco Cilea. Estudou piano com Paolo Denza, aluno de Ferruccio Busoni, e harmonia e contraponto com Achile Longo.
Aos 16 anos começou a sua carreira musical, actuando no Teatro de S. Carlos, em Nápoles. No entanto, a partir de 1946, viu-se obrigado a tocar em bares, para suportar a família. Em 1949, ganhou o concurso Marguerite Long-Jacques Thibaud, em Paris. Outros premiados nesse concurso foram Paul Badura-Skoda e Pierre Barbizet.
Em 1969, Aldo Ciccolini tornou-se cidadão francês e ensinou no Conservatório de Paris, entre 1970 e 1988. Um dos seus alunos foi o pianista português Artur Pizarro. Ciccolini é um distinto intérprete e promotor da música para piano dos compositores franceses Maurice Ravel, Claude Débussy e Eric Satie, assim como de outros menos conhecidos, como Jules Massenet.
No dia 9 de Dezembro de 1999, Ciccolini celebrou os 50 anos de carreia com um recital, no Teatro dos Campos Elísios, em Paris. Aldo Ciccolini é um intérprete muito respeitado entre os seus pares. A soprano alemã Elisabeth Schwarzkopf fez a seguinte afirmação acerca do pianista: “É difícil conhecer um parceiro tão maravilhoso e um companheiro tão agradável”.
Para várias editoras, principalmente para a EMI, Aldo Ciccolini já fez mais de 100 gravações, que, além de outras obras, incluem as sonatas completas, para piano, de Mozart e Beethoven e as obras completas para piano, de Eric Satie. Em 2002 foi-lhe atribuído o “diapasão de ouro” pela gravação das obras completas, para piano, de Janáček e Schumann.


Gymnopedie nº 1, de Eric Satie
Piano: Aldo Ciccolini

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Domenico Scarlatti – Compositor italiano

por António Filipe, em 23.07.13
No dia 23 de Julho de 1757, morreu, em Madrid, o compositor italiano Domenico Scarlatti. Tinha nascido em Nápoles a 26 de Outubro de 1685, o mesmo ano em que nasceram Bach e Haendel.

Filho do também compositor Alessandro Scarlatti, que de resto foi o seu primeiro professor de música, foi Maestro di Capella da rainha da Polónia (para quem compôs várias óperas) e teve a sua vida muito ligada a Portugal e a Espanha.
Scarlatti, que José Saramago fez personagem do seu “Memorial do Convento”, veio para a corte portuguesa em 1720 e foi encarregado de ensinar a filha mais velha do rei D. João V, Maria Bárbara. Partiu nove anos depois para Espanha, acompanhando a princesa que foi casar com o herdeiro da coroa espanhola – e passou o resto da vida em Madrid.
Em Espanha compôs algumas das suas principais obras. As suas sonatas testemunham a extraordinária capacidade de composição e de execução que fizeram dele um dos mais virtuosos cravistas do chamado barroco tardio e uma das maiores influências do classicismo. A técnica de cruzar as mãos no teclado abriu portas decisivas no domínio da interpretação dos instrumentos de tecla.
Em 1709 propuseram a Scarlatti uma competição com Haendel – e o virtuosismo era de tal modo característica de ambos que o concurso terminou com um empate. Virtuosismo que levou um ouvinte de Scarlatti em concerto afirmar que dentro do cravo se encontravam mil diabos, tal era a chama que saía daquele génio.


Sonata K. 141, de Domenico Scarlatti
Piano: Martha Argerich

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Paul Baumgartner – Pianista suíço

por António Filipe, em 21.07.13
No dia 21 de Julho de 1903, nasceu em Altstätten, na Suíça, o pianista Paul Baumgartner.

Estudou piano e composição com Walter Braunfelsna Hochschule für Musik und Theater, em Munique e com Eduard Erdmann, em Colónia, onde, mais tarde, ensinou. Para fugir aos nazis, foi, novamente para a Suíça, passando a residir na Basileia, onde ensinou no Conservatório.
Baumgartner foi um dos vários músicos que se juntou ao violoncelista Pablo Casals e tocou no primeiro Festival Casals.
Embora tivesse sido um exímio pianista, hoje é mais recordado como professor. Entre os seus alunos, figuraram Alfred Brendel, Karl Engel, Arie Vardi e o maestro Günter Wand.
Paul Baumgartner morreu em Locarno, na Suíça, a 19 de Outubro de 1976.


Andante Favori, de Beethoven
Piano: Paul Baumgartner

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Carlo Rizzi – Maestro italiano

por António Filipe, em 19.07.13
No dia 19 de Julho de 1960, nasceu, em Milão, o maestro italiano Carlo Rizzi.

Estudou música no Conservatório de Milão. Mais tarde estudou direcção de orquestra em Bolonha, com Vladimir Delman e, em Siena, com Franco Ferrara.
Estreou-se como maestro de ópera, em 1982, com uma ópera de Donizetti. Em 1985, ganhou o primeiro Concurso Toscanini para Maestros, em Parma.
Rizzi estreou-se na Inglaterra, em 1988, no Festival Buxton, dirigindo a ópera Torquato Tasso, de Donizetti e, depois, dirigiu produções na Royal Opera House, Covent Garden e na Opera North. Em Agosto de 1992, assumiu o cargo de director musical da Ópera Nacional do País de Gales, onde se manteve até 2001. Em 2004, depois da resignação repentina do seu sucessor, Tugan Sokhiev, Carlo Rizzi regressou ao cargo que tinha ocupado como director musical que, inicialmente, desempenharia por dois anos. Manteve-se no cargo até 2007.


Início do Concerto nº 1, para piano e orquestra, de Liszt
Piano: Giovanni Bellucci
Orquestra Sinfónica da Academia Nacional de S. Cecília
Maestro: Carlo Rizzi

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No dia 9 de Julho de 1927 nasceu Leonard Pennario, um grande pianista e compositor americano que também alcançou fama como jogador de “bridge”.

Nascido em Buffalo, no estado de Nova Iorque, Leonard Pennario cresceu em Los Angeles, onde permaneceu durante toda a sua carreira. Tornou-se conhecido quando, com apenas 12 anos, interpretou o Concerto para piano, de Grieg, com a Orquestra Sinfónica de Dallas. O pianista programado para aquele concerto adoeceu e a maneira de tocar de Pennario tinha chamado a atenção do maestro Eugene Goossens que, depois de se assegurar que Pennario conhecia a partitura, o recomendou como solista. A verdade é que o rapaz nunca tinha visto a partitura e nem sequer tinha ouvido a obra, mas conseguiu aprendê-la no prazo de uma semana.
Leonard Pennario frequentou a Universidade da Califórnia do Sul, onde estudou composição. A 2ª guerra mundial interrompeu a sua carreira, sendo recrutado para prestar serviço na China, Burma e Índia, onde a sua perícia no teclado serviu para entreter as tropas. Estreou-se no Carnegie Hall, vestido de uniforme, no dia 17 de Novembro de 1943, interpretando o Concerto nº 1, para piano, de Liszt, com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, dirigida por Artur Rodzinski.
A partir de 1960 formou um trio com o violinista Jascha Heifetz e o violoncelista Gregor Piatigorsky. Miklós Rózsa dedicou-lhe um concerto para piano que foi estreado por Pennario e a Orquestra Filarmónica de Los Angeles, sob a direcção de Zubin Mehta.
Para além de ser um músico notável, Leonard Pennario era também um mestre em torneios de bridge e o seu nome figura na Enciclopédia Oficial de Bridge. Faleceu devido a complicações derivadas de doença de Parkinson, no dia 27 de Junho de 2008, em La Jolla, na Califórnia.


La Campanella, de Paganini – Arranjos para piano de Liszt
Piano: Leonard Pennario

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Ignacy Paderewski – Pianista e compositor polaco

por António Filipe, em 29.06.13
No dia 29 de Junho de 1941, faleceu, em Nova Iorque, um pianista e compositor, que também foi primeiro-ministro. Tinha nascido no dia 18 de Novembro de 1860, em Kurylovka, na Polónia.

Ignacy Paderewski ingressou no Conservatório de Varsóvia em 1872 e, entre 1884 e 1887, estudou em Viena. A partir de 1887, deu concertos na capital austríaca e em Paris, Londres e Nova Iorque. O seu sucesso foi enorme e, por onde quer que andasse, era seguido por legiões de admiradores. Em 1898 passou a viver na Suíça e foi professor de piano no Conservatório de Estrasburgo.
Foi um incansável defensor da causa nacionalista da Polónia. Durante a primeira guerra mundial, foi membro do Comité Nacional Polaco, organização que lutava pela causa da independência da sua terra natal. Em 1921, Paderewski apresentou vários concertos de beneficência nos Estados Unidos, em prol dos familiares de vítimas da guerra. Após o início da Segunda Guerra Mundial, assumiu, em Paris, a liderança do Movimento Nacionalista Polaco. Com a ocupação da França, em 1940, emigrou para os Estados Unidos. Sempre admirado como concertista, procurou, na política, uma maneira de extravasar o seu firme patriotismo. Chegou a ocupar, entre 17 de Janeiro e 27 de Novembro de 1919, o cargo de primeiro-ministro da Polónia, mas, por falta de apoio político, nunca chegou a realizar o sonho de ser presidente da República.
Não podendo continuar na política, Paderewski regressou ao piano e conquistou novamente o público. Reconhecido como um grande intérprete de Chopin, empreendeu, por conta própria, uma edição completa das obras daquele compositor.


Minueto e Nocturno, de Paderewski
Piano: Eduard Kunz

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Alberto Ginastera – Compositor argentino

por António Filipe, em 25.06.13
 
No dia 25 de Junho de 1983, morreu, em Genebra, o compositor argentino Alberto Ginastera. Considerado um dos mais importantes compositores de música clássica da América Latina, tinha nascido em Buenos Aires, a 11 de Abril de 1916.

Licenciou-se em 1938, no conservatório daquela cidade. Visitou os Estados Unidos, entre 1945 e 1947, onde estudou com Aaron Copland, em Tanglewood. Depois, voltou à sua cidade natal e, com outros compositores, fundou a Liga de Compositores da Argentina. Exerceu o cargo de professor em Buenos Aires. Entre os seus mais notáveis alunos, encontram-se Ástor Piazzolla e Waldo de los Ríos. Em 1968, mudou-se para os Estados Unidos e, em 1970, para a Europa.
Ginastera ficou conhecido fora do mundo académico quando o grupo de rock progressivo “Emerson, Lake and Palmer” adaptou o 4º andamento do seu primeiro concerto para piano e o gravou no álbum “Brain Salad Surgery”, com o nome de “Toccata”. A gravação teve o apoio de Ginastera. Em 1973, quando o álbum foi gravado, a banda visitou o compositor na sua casa, na Suíça, e foram-lhes mostrados os arranjos. Diz-se que Ginastera comentou: “Com os diabos! Nunca ninguém tinha sido capaz de capturar a minha música desta forma! É a maneira como eu mesmo a imaginei!”

4º andamento (Toccata concertata) do Concerto nº 1, para piano,
de Ginastera
Piano: Marcelo Balat
Orquestra Sinfónica Nacional Argentina
Maestro: Daniel Mazza
  Toccata, de Emerson, Lake & Palmer

 

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André Watts – Pianista alemão

por António Filipe, em 20.06.13
No dia 20 de Junho de 1946, nasceu em Nuremberga, na Alemanha, André Watts, um pianista que tem uma das mais memoráveis histórias da música americana.

Filho de um soldado afro-americano, destacado na Alemanha durante a 2ª guerra mundial, André Watts passou os primeiros tempos da sua vida em bases militares, até que, aos oito anos, os pais se mudaram para Filadélfia. A mãe, ela própria pianista, foi a sua primeira professora de piano e ensinou ao filho a importância de praticar constantemente, dando sempre o exemplo do seu compatriota Franz Liszt, que teve uma grande influência no pequeno André. Aos nove anos, já Watts tinha ganho um concurso para tocar num dos concertos para crianças da Orquestra de Filadélfia.
Em 1963, quando frequentava o liceu, André Watts ganhou um concurso de piano para tocar nos Concertos para Jovens da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, no Lincoln Center, sob a direcção de Leonard Bernstein. Pouco tempo depois, Bernstein contratou Watts para substituir o pianista Glenn Gould, que estava doente, num concerto que foi transmitido em todo o país pela televisão. A carreira de André Watts estava lançada, tornando-se o primeiro pianista negro, conhecido internacionalmente.
Em 1964, com 17 anos, ganhou um Grammy para novos artistas clássicos, com a sua primeira gravação: o concerto em mi bemol, para piano, de Liszt. Em meados da década de 60 tornou-se o mais importante pianista de concerto, com uma agenda totalmente preenchida, que incluiu, em 1966, a sua estreia na capital inglesa, com a Orquestra Sinfónica de Londres. Em 1969, tocou no concerto de inauguração do presidente Richard Nixon.
Em 1972 obteve a licenciatura em música no Instituto Peabody, em Baltimore. Em meados dos anos 70, André Watts realizava 150 concertos por ano e, com apenas trinta anos, já tinha actuado 10 vezes no Lincoln Center. Em 1976, a televisão pública americana transmitiu o concerto “Ao vivo do Lincoln Center” na sua totalidade, pela primeira vez na história da televisão.
Fez uma digressão pelo Japão, em 1976, e duas pela Europa, em 1975 e 1976. Aos 26 anos recebeu um doutoramento honoris causa pela Universidade de Yale e, em 1988, foi distinguido com o prémio Avery Fischer, um dos mais importantes na música clássica nos Estados Unidos. Mesmo depois dos 60 anos, feitos em 2006, André Watts continuou a dar concertos um pouco por todo o mundo.


Estudo, op. 25, nº 1 e Estudo Revolucionário, de Chopin
Piano: André Watts

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Ruth Laredo – Pianista americana

por António Filipe, em 26.05.13
No dia 26 de Maio de 2005, morreu de cancro, em Nova Iorque, a pianista americana Ruth Laredo, conhecida como “a primeira-dama do piano”. Tinha nascido em Detroit, no estado de Michigan, no dia 20 de Novembro de 1937.

Aos dois anos já tocava algumas canções no piano. Frequentou o Liceu Mumford, em Detroit, que acabou em 1956. Sob a tutela do pianista Rudolf Serkin, licenciou-se, em 1960, no Curtis Institute of Music de Filadélfia. Nesse mesmo ano casou-se com o violinista boliviano Jaime Laredo. Em 1962, ganhou as audições internacionais para jovens artistas de concerto.
Ainda no ano de 1962, Ruth Laredo estreou-se com orquestra, num programa em que Leopold Stokowski dirigiu, no Carnegie Hall, a Orquestra Sinfónica Americana. Ficou conhecida pelas suas gravações das obras de Scriabin e Rachmaninoff e foi a primeira pianista a gravar as obras completas para piano solo, de Rachmaninoff.


Prelúdio em sol maior, op. 32, nº 5, de Rachmaninoff
Piano: Ruth Laredo

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Keith Jarrett – Pianista norte-americano

por António Filipe, em 08.05.13
No dia 8 de Maio de 1945 nasceu em Allentown, Pensilvânia, o pianista americano Keith Jarret, que, talvez mais conhecido no mundo do jazz, também se distingue pelas suas interpretações dos clássicos.

Foi um prodígio musical. Aos três anos começou a ter lições de piano, aos sete apresentou-se como solista e compôs peças para aquele instrumento. Aos dezassete, estudou com a famosa professora Nadia Boulanger, em Paris. Em 1966 integrou o quarteto de Charles Lloyd, com o qual fez uma digressão no Extremo Oriente e na União Soviética. Em 1969, passou a fazer parte do grupo de Miles Davis tocando piano eléctrico.
Quando deixou Miles Davis, Keith Jarrett deixou para sempre os teclados eléctricos. Em 1972 iniciou a sua famosa série de concertos improvisados da qual resultaram gravações que se tornaram populares. Nos anos oitenta do séc. XX, Jarrett interpretava tanto o clássico como o jazz, mas nos anos noventa passou a gravar exaustivamente a sua série "Standards Trio", com o baixista Gary Peacock e o baterista Jack DeJohnette.


Concerto nº 27, para piano e orquestra, de Mozart
Piano: Keith Jarrett
Orquestra de Câmara de Estugarda
Maestro: Dennis Russell Davies

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No dia 5 de Maio de 1927 nasceu em Nova Iorque o pianista, teórico musical e autor norte-americano Charles Rosen.

Pianista virtuoso, tem aparecido por todo o mundo em numerosos recitais, a solo e com orquestra. Tem gravado várias obras, a convite dos próprios compositores, como Igor Stravinsky, Elliot Carter e Pierre Boulez. É também autor de vários livros sobre música.
Começou a ter lições de piano aos quatro anos, depois frequentou a Juilliard School, dos sete aos onze. Nos seis anos seguintes foi aluno de Moriz Rosenthal, que tinha sido aluno de Franz Liszt. Quando Rosenthal morreu, em 1946, Rosen continuou os estudos com a viúva, Hedwig Rosenthal.
Estudou teoria musical e composição com Karl Weigl e, na Universidade de Princeton, licenciou-se em História da Música e Línguas Românicas. Obteve a licenciatura em 1947, o mestrado em 49 e o doutoramento em 1951, ano em que se estreou, como pianista, em Nova Iorque.
Além de dar concertos, Charles Rosen foi professor de Línguas Modernas, no MIT, de 1953 a 1955. Em 1971, regressou aos serviços académicos, como professor de música, na Universidade de Nova Iorque, em Stony Brook. Nos anos de 1976 e 77 foi também professor de música na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Também, exerceu funções na Universidade de Harvard e foi professor convidado, em Oxford. A partir de 1986 foi professor na Universidade de Chicago, até que se reformou, em 1996.
Charles Rosen morreu, de cancro, em Nova Iorque, no dia 9 de Dezembro de 2012.


Rondo, da Sonata para piano, K. 331, de Mozart
Piano: Charles Rosen

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No dia 14 de Abril de 1789 realizou-se a estreia do Concerto nº 26, para piano, de Mozart. O próprio compositor foi solista.

O Concerto nº 26, K. 537, em ré maior, para piano e orquestra foi completado por Wolfgang Amadeus Mozart no dia 24 de Fevereiro de 1788 e é, geralmente, conhecido como “O Concerto da Coroação”. Este nome deriva do facto de Mozart ter interpretado este concerto, aquando da coroação de Leopoldo II, em Outubro, de 1790, em Frankfurt am Main. Nessa ocasião, Mozart interpretou, também o seu Concerto nº 19.

A estreia do Concerto nº 26 realizou-se no Royal Saxon Court, em Dresden, no dia 14 de Abril de 1789. Há uma característica pouco usual neste concerto: além de omitir a indicação do tempo em dois dos andamentos, Mozart não escreveu nenhuma nota para a mão esquerda do piano em grande parte dos compassos. É o caso do solo de abertura e de todo o 2º andamento. A Enciclopédia Britânica refere-se ao K. 537, como sendo um concerto “brilhante, mas superficial”.


Concerto nº 26, K. 537, para piano e orquestra “Concerto da Coroação”, de Wolfgang Amadeus Mozart
Piano: Friedrich Gulda
Orquestra Filarmónica de Munique
Maestro: Friedrich Gulda

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No dia 9 de Abril de 1889 nasceu, em Rostov on Don, na Rússia, o compositor, professor, maestro e violinista Efrem Zimbalist.

O pai era maestro e, aos nove anos, já Efrem Zimbalist era primeiro violino na orquestra do pai. Aos 12 anos estudou com Leopold Auer, no Conservatório de S. Petersburgo, onde se graduou em 1907, depois de ter ganhado uma medalha de ouro e o prémio Rubinstein. Aos 21 anos já era considerado um dos maiores violinistas do mundo. Em 1928 começou a ensinar no Curtis Institute of Music, em Filadélfia, do qual foi director entre 1941 e 1968.
Efrem Zimbalist retirou-se em 1949, mas voltou 3 anos depois para um recital onde interpretou o Concerto para violino, de Menotti, que lhe tinha sido dedicado. Voltou a retirar-se em 1955. Fez parte do júri na Competição Internacional Tchaikovsky em 1962 e 1966. Casou com a famosa soprano americana Alma Gluck, com a qual fez algumas digressões. Tiveram dois filhos actores: Efrem Zimbalist, Jr. e Stephanie Zimbalist. Faleceu, com 94 anos, no dia 22 de Fevereiro de 1985.


Tema e Variações sobre a Sonata “A Kreutzer”, de Beethoven
Piano: Harold Bauer
Violino: Efrem Zimbalist

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No dia 6 de Abril de 1929 nasceu, em Berlim, o compositor, pianista e maestro norte-americano André Previn.

Durante a sua juventude a família mudou-se para a Califórnia, nos Estados Unidos, onde Previn estudou composição com Mario Castelnuevo-Tedesco e Joseph Achron e direcção de orquestra com Pierre Monteux. Começou a trabalhar nos estúdios de Hollywood, como orquestrador e pianista, com apenas dezassete anos. Durante a sua carreira em Hollywood, Previn fez grandes amigos, entre os quais John Williams. Teve treze nomeações e venceu 4 Óscares da Academia de Hollywood, na categoria de banda sonora original. A partir de meados dos anos 60, começou a dedicar cada vez mais tempo à direcção de orquestra, acabando por abandonar Hollywood.
André Previn ocupou o cargo de director musical e maestro titular de várias orquestras na Inglaterra e Estados Unidos e é convidado habitual da Filarmónica de Viena, do Festival de Salzburgo e da Filarmónica de Nova Iorque. Nos últimos anos regressou a um amor antigo, o jazz, tendo já gravado vários discos daquele género musical. A sua lista de composições inclui um Concerto para Piano (para Vladimir Ashkenazy), uma Sonata para Violoncelo (para Yo-Yo Ma), e vários ciclos de canções. André Previn foi casado cinco vezes. Uma delas com Mia Farrow e a última com a violinista alemã Anne-Sophie Mutter, para a qual escreveu um concerto para violino. Divorciaram-se em 2006.


Início do 1º andamento do Concerto nº 24, para piano e orquestra, de Wolfgang Amadeus Mozart
Piano: Andre Previn
Royal Philharmonic Orchestra
Maestro: Andre Previn

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Durante esta semana, no Fundão, respira-se música

por António Filipe, em 05.07.12

Bem, não vos conto nada!
Assisti, a noite passada, a um recital de piano, na Moagem do Fundão, que me deixou sem palavras e com as mãos doridas de tanto aplaudir.
Mais uma vez o pianista Jorge Moyano nos brindou com uma extraordinária exibição do seu talento.
A primeira parte do recital foi preenchida com três obras de Mozart: duas sonatas e uma fantasia. Gostei, particularmente, dos movimentos lentos das sonatas. Ao ouvir outras interpretações destas obras, salvo algumas excepções, estes movimentos lentos parecem nunca mais acabar. Perdoem-me os amantes de Mozart, mas é esta a sensação que, por vezes, tenho. Mas na interpretação de Jorge Moyano nada disso aconteceu. O profundo sentimento do pianista invadiu-me os ouvidos e ficaria ali toda a noite a ouvir o Andante cantabile da Sonata K. 330 ou o Adagio da K. 457.
Depois do Mozart, o intervalo, um cigarrito e tal e, a seguir, Chopin. Quatro polacas. Pessoalmente, prefiro o Chopin dos Nocturnos e dos Estudos, mas, mais uma vez, o pianista Jorge Moyano surpreendeu-me. O instrumento que tocava é conhecido em italiano como “pianoforte”. Pois bem, se nos movimentos lentos das sonatas do Mozart, Jorge Moyano fez jus à primeira parte do nome italiano, nas Polacas de Chopin provou que “pianoforte” é o nome adequado ao instrumento. Quando era “piano”, era mesmo piano e, quando era “forte”, era mesmo forte. E que fortes! Por vezes pensei que alguma corda ia partir. E (sensação estranha!) a certa altura deu-me impressão que o pianista tinha 12 dedos e aquele piano 90 teclas! Não as consegui contar, tal era a rapidez com que aqueles percorriam estas. O suor do pianista pingava sobre as teclas doridas do piano, tal era a violência do toque. Não confundir isto com martelar teclas. Nada disso. Era força interior, cheia de fortes sentimentos.
Depois da terceira Polaca, Jorge Moyano, pedindo desculpa, retirou-se do palco para ir beber água. E foi bem merecida a pausa. Fiquei com alguma pena do piano, que não teve direito a refresco. E bem precisava! Mas na última peça do recital o instrumento pôde descansar um pouco, já que a Polaca-Fantasia, op. 61, de Chopin, não se mostrou tão violenta. Nem por isso deixou de ser uma interpretação fantástica.
No fim, o público bateu palmas de pé, como não podia deixar de ser. E Jorge Moyano brindou-nos com um “encore”. Não sei que peça tocou, mas pareceu-me Chopin. Fosse o que fosse, o recital terminou com chave de ouro e, à saída, ouvi mais que uma vez a palavra “fantástico” proferida pelas pessoas que, ao contrário de mim próprio, não ficaram sem palavras.
Ouvi o pianista Jorge Moyano no recital do ano passado, que me ficou na memória. O deste ano não lhe ficou atrás e espero vê-lo e ouvi-lo novamente daqui a um ano, no Fundão.
Esta é, para mim, a melhor semana desta cidade. Recitais todos os dias e todo o dia, no âmbito do Concurso Internacional de guitarra, piano e violino. A Academia de Música e Dança do Fundão, promotora do concurso, está de parabéns.

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