pensando por exemplo no algarve, a castanhola é muita pesada. é via do infante, é o iva da restauração e do golf. vai doer. compensa? quem decide tem a certeza que é um risco calculado? gostava tanto de acreditar nisso. mas não é, calculado, e o risco é inferior à rapidez com que se arranja massa para já. porque não é asfixiando que se dá oxigénio a quem está com falta de ar.
eu, por exemplo. já este ano não consegui arranjar quem quisesse trabalhar no campo na apanha da azeitona. resultado: ganho dinheiro. o subsídio ao azeite da UE é igual quer eu faça a colheita do fruto ou o deixe em árvore. poupo despesas com produtos, regas e material que no fim dão prejuízo mas fazem o "breakeven" com o subsídio "da europa" que passa, por consequência e inerência da inércia a ser todo lucro. e o olival lá fica. dá pouco trabalho assim, sem ser para produzir azeitona para azeite. tanto melhor, menos vezes tenho que fazer a A23 daqui até ao Entroncamento que isto agora, a somar à gasolina, sai-me mais caro que ir passar o fim de semana a Madrid ou Barcelona na easyJet. por muito que prefira o Entroncamento.
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o IVA do restaurante que vende o vinho 10 vezes mais caro que no hipermercado? acho que é relativo. o turista olha para o preço que vai pagar, não para quanto é a taxa do IVA. e é verdade que parte do problema está na diferença das margens de lucro que se praticam entre Espanha e Portugal.
a questão é, o IVA é facto consumado. adianta discutir se é justo? é como discutir com o árbitro por causa dum amarelo, podemos teimar, mas na melhor das hipóteses acabamos com um vermelho por duplo amarelo. mas podemos - eu ajudo - pensar porque é que eles são competitivos com margens de lucro mais baixas e salários mais altos. e depois ver onde é que estamos a falhar. e repensar, refazer, reestruturar todas as cadeias, comerciais, distributivas, recursos humanos, ou, numa palavra, mudar.
porque o outro que diz que ele é que não é parvo, é, muito, parvo, de esganar, mas eu não acho que seja e se não confio nos governos para realmente, globalmente, "estruturalmente", como eles lhe chamam naquela hierarquia pontual-conjuntural-estrutural, mudar isto, vou ficar à espera que sejam eles a ajudar-me? os governos actualmente são verdadeiros pais natais mas ao contrário, já ninguém acredita, e em vez de dar, tiram. é pena, não era para ser assim, mas tem havido uns desvios democráticos e a coisa veio aqui parar. (muda, à porrada, é sempre assim e a revolução francesa já foi há muito tempo, mas esta malta não aprende, não vêem os programas do Saraiva, não percebem nada de história, nem de pessoas).
enquanto não muda, eu se fosse a malta da restauração e hotelaria começava por me organizar decentemente, ver o que está a ser bem e mal feito, unir esforços, ver exemplos e casos de sucesso e... mudar. mesmo que o IVA não tivesse aumentado.
no fundo o que queria dizer e para abreviar que não me quero pôr para aqui a deambular, é que me custa ter pena do IVA do hotel do Algarve que cobra 300 - trezentos - € - euros (sessenta contos) por noite. por um quarto que tem uma cama que uma pessoa precisa porque vai ali e não tem casa e entre outras coisas quer dormir. o hotel até é giro, um luxo! mas aqui somos quatro e está ali um hotel em Espanha onde por esse preço ficamos todos uma semana, em meia pensão, com uma taxa sobrevivência de 100% à comida de um 3 - três - estrellas. e nos quartos também há camas para dormir, curiosamente.
ah! desculpem, esqueci-me de olhar para o IVA do hotel do Algarve e do Sul de Espanha. Olhei só para o preço.
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eh pá, vocês desculpem mas eu era para ter vindo aqui falar falar cedinho sobre a merkel, e os occupy, e o euro e o dólar, e a crise e os feriados, e a ponte, e a bola...não da bola não ia falar para não ter que contar aquilo que ando mortinho para contar do Vieira no verão nos toldos (amarelos) da praia da Califórnia em Sesimbra a negociar ao telefone e a dizer alto e bom som para quem quis ouvir (e era muita gente que ouviu) que "a mim não me interessa quanto é que ele custa, já sabes quanto para mim são 2 milhões, do resto tratem vocês", e não quero falar disto porque não quero que os benfiquistas achem fosse falar disso agora no inverno quando se passou no verão só para acicatar os ânimos quando a intenção não seria o LFV mas sim mostrar que eles são todos iguais e que o que escandaliza é o nível de desavergonhanço e impunidade de estar a ter uma conversa destas na praia, no toldo, rodeado de gente. que ouviu. é por saber que ia ser mal entendido que nem ia falar nisso, mas acabei por não falar de nada.
porque às 5 da manhã, os almoços e lanches da escola dos meus filhos dão uma cabazada prioritária à merkel e ao fim de saladinhas, iogurtes, panadinhos, lulas grelhadas, depois a máquina da louça para arrumar, o lixo para despejar, o aspirador que não aspira e tem que ser limpo, as cadelas que têm fome que querem comer (é justo), a casa para arrumar, compras (que não de natal, de comer, mesmo) a fazer, fazem também com que me borrife para euros e dólares.
depois, que não depois porque é antes e pelo meio, há trabalho a fazer, e às vezes é muito e a melhor opção é mesmo mergulhar nele e tirar prazer do que se está a fazer. se acresce ao PIB? não sei, acho que sim. acresce a quem me paga para o fazer e é essa parte que me interessa. não vejo a entrevista do PM, não sei das reacções mas sei que enquanto eles (todos, políticos, comentadores, opinionistas, parasitas e demais) parlapeiam, eu trabalho, parece-me mais produtivo. mas nem é por isso, é que eu preciso mesmo de trabalhar para ganhar dinheiro, não me basta opinar sobre coisas e receber avenças para isso.
por acaso é uma coisa que me faz confusão neste país, tanta gente que fala, opina sobe tudo e mais algum coisa mas produzir mesmo, o fazer a coisa, tá quieto. venham cá passar um dia destes comigo, a abrir desde as 5 da manhã e ser hora de almoço e ainda faltar ir às compras, e voltar a dar de comer às cadelas e agora também aos porcos-da-índia, e tratar do aspirador que está entupido, e fazer o jantar antes de ir a lisboa buscar os putos à escola, e como depois acaba-se o sossego ainda há trabalho a fazer antes disso. e por isso hoje não vou poder responder ao email em que me perguntavam "fazer ponte?"
faço, mas no sentido fazer A ponte, não fazer ponte. desculpem lá.
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vocês já viram como anda tudo mortinho por uma revolução? a picar, a picar, parece que estão a desafiar a que alguém se chegue à frente e organize uma festa. eu, por mim, gosto muito que os vinte e cinco de abril tenha sido assim, uma festa, uma revolução pacífica, de flores em vez de tiros, mas acho que em geral, por definição e experiência, as revoluções tendem a não ser isso, a ter pouco de festivo, é mais luta e tiros e mortos.
se faz falta, faz-se, mas não se fica em casa a gritar faça-se. isso também eu! é tão fácil como estar em frança a gritar façam.
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o outro admira-se que o pessoal se comece a revoltar - também - contra a policia, já viste?. mas depois vem com aquela do ver a polícia como o braço armado do governo e percebo que está a milhas, está noutra, ou então está a fazer-se de parvo, essa parte é que eu não chego a perceber. se ele sabe, como tu e eu sabemos, como estamos fartos de passar a vida a ser parados em mega operações stop em estilo todos culpados, todos alcoólicos até prova em contrário enquanto assaltam ali casa ao lado ou temos medo de deixar andar os putos na rua porque a polícia não a vemos, estão numa mega operação aguenta-aí que vamos só aqui cortar a A1 - que sendo uma estrada privada, suponho que tenha sido dada a devida autorização por parte da Brisa e que para isso seja necessário que eu e todos os circundantes que somos parados sejamos suspeitos de algo mas isso já é outra manga e outro pano, do das leis e disso percebe outra gente daqui.
e da prepotência, e do autoritarismo e devidos excessos e impunidades, e da sensação de impotência, e por serem braço armado do governo sim ao pactuarem na caça à multa fazendo-a imposto - porque orçamentado - proveito de estado.
que nós estamos, todos, fartinhos da polícia, é de há muito, que agora estamos fartinhos dr tudo e começamos a ter vontade de o mostrar e fazer saber é que talvez seja novidade para eles mas o estarmos fartinhos deles isso não devia ser novidade. se é, são parvos. e eu, por mim, preferia que os policias não fossem, parvos.
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esta malta das greves...os eu as greves percebo, o que eu não chego a perceber é se é tudo uma espécie de jogo, votam neles e depois vão grevar geral contra eles ou se os que votam e os que grevam não são os mesmos, mas acho que a coisa se resolvia se lessem todos o Ensaio Sobre a Lucidez, do Saramago. sabem?, aquele onde ninguém vai votar e os gajos ficam à rasca porque não sabem muito bem o que hão-de fazer. ou como naqueles concursos mais armados ao pingarelho, literários, de cinema, que têm quando acham que nenhum dos candidatos merece ganhar, simplesmente não entrega o prémio e siga, faz-se outro, vocês, façam-se à vida que daqui não levam nada? tão a ver como seria? isso é que era democracia, desses? nenhum, ou novos e bons ou não escolhemos nenhum. resolvam lá isso, vá. a malta espera, o povo é sereno.
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porque é que acordo antes das 4 da manhã, quero vir trabalhar, mesmo, produzir, contribuir para mim, para quem me paga e penso que para o país e não posso porque estou sem net e estou sem net porque estou sem telefone porque alguém andou a brincar ao cobre esta noite. outra vez, terceira em menos de dois meses. porque aqui não há fibras, embora paguemos todos imis de luxo porque a terra contém Azeitão - é o nome, é luxo ter este nome na morada e nem tenho desconto pelo lado dos Brejos - aqui há coisas lentas que chegam por cobre, que roubam, muito, e depois eu tenho que ligar para a meo e a chamada até é grátis a partir de um número fixo... o que está avariado, o que me obriga a ligar por telemóvel, que já não é grátis (é que sacam de todo o lado, é impressionante) e eles depois lá reparam a avaria, depois de eu gastar $%$#$ euros em telefone para avisar que não tenho telefone e que também não posso avisar pela net porque sem linha telefónica não há net.
haver net há, tem de haver porque eu preciso de trabalhar, ganhar uns cobres (ironias!). liga-se a pen do SAPO, que é grátis até 100Mb/mês. claro que hoje vou gastar muito mais que isso. hoje vou pagar para trabalhar, mas o trabalho vai ficar feito, isso é sagrado. por subserviência ou medo de perder o emprego? nem tenho emprego, trabalho, não, é muito pior que isso, é mesmo porque gosto e fico com pena se o meu trabalho de hoje não estiver feito. já está. agora pode não haver telefone à vontade.
não gosto dos gajos que roubam o cobre e me deixam sem linha telefónica e sem net e me fazem gastar dinheiro para trabalhar, mas ainda gosto menos que enquanto isso acontece a GNR de Azeitão ande com o Corpo de Intervenção da GNR de Almada (parecem um batalhão de guerra pronto a entrar em acção mas gente porreira e educada, putos, é um emprego, não são militares da GNR, trabalham ali) a multar bares... isso já é fazerem-me pagar para me divertir e ainda estragar a noite. e isso já me aborrece.
se querem mesmo ser a GNR, vão lá ver isso do meu cobre que era menos monótono para vocês e muito útil para a meo,a zon e para muita malta daqui de Azeitão e da Quinta do Conde.
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sabes que às tantas eu prefiro nem falar sobre essas coisas do décimonãoseiquantos meses (tomara eu ter a certeza que passo recibos verdes nos doze que existem) e das horas de trabalho, nem dos sacrifício, e nas promessas, e naquelas e agora nestes. j
a há por aí tanta malta a opinar.
vê o caso dos espanhóis, tinham que escolher entre continuar com os que estavam e a coisa não estava a correr bem ou olhavam aqui para o lado e sabiam o que os esperava mudando. isto é escolha que se dê às pessoas? vota-se no "que se lixe". porque "é preciso que tudo mude para que tudo fique igual" (in "O Elixir da Eterna Juventude Partidária", original de Sérgio Godinho, remix de MC Rabbit & DJ Tozé).
tu já reparaste que isto parece que quando a tia Manuela se saiu com aquela do suspender a democracia e/ou a constituição foi um ó da guarda, mas o da Guarda, o das marquises - que ainda estava - e os outros, os que estão, pensaram lá com os seus nós de gravata "isto é boa ideia! não podemos é dizer isto assim porque a malta assusta-se. não podemos dizer, mas podemos fazer". e desataram a fazer.
quando os que não podem fazer o que estão a fazer fazem, vêm os juízes dizer que não podem, vem tropa dizer que podem desde que reconheçam que eles, militares, são especiais (por fazerem o quê não me lembro, mas acho que é por isso), vem o Aníbal e até as vacas já se riem... um gajo vai ainda pôr-se a fazer posts para se irritar com isto tudo? eu não sei quanto a ti mas garanto-te que tenho aqui uma sinusite que me apanha esta zona toda capaz de me irritar de forma muito satisfatória e ainda assim mais divertida, porque dá para a esguichar com aqueles seprais de água do mar que por entrarem de esguicho no nariz ele vendem na farmácia a mais de 10 euros mas são uma curte porque chegam ao canal auditivo a faze cócegas.
a diversão é difícil, mas é nossa!
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