Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Um mundo sem "este" futebol

por Rogério Costa Pereira, em 18.06.13

Não basta não ir ao mundial.

É necessário virar de vez as costas a esse mundo paralelo, negro e corrupto que o é o deste futebol. A corrupção associada ao que já foi um jogo; dinheiro a rolar por cima e por baixo da mesa que daria para alimentar os milhares de famintos que grassam por esse mundo fora; dinheiro que daria para dar assistência médica gratuita a todos os povos. Imaginem todo o dinheiro usado e abusado no futebol direccionado para a cura de doenças cuja cura ainda não foi encontrada. Imaginem tudo isto e agora relativizem; e façam-no olhando para um estádio onde vinte e dois rapazes pagos a peso de ouro correm atrás de uma bola. É que se nem só de pão vive o homem, a verdade é que sem pão o homem não vive.   

A esse MUNDIAL eu iria, nesse MUNDIAL eu cantaria todos os hinos.

O NOVO MUNDO também passa por extirpar dele este futebol.

E passa por ti, acima de tudo; passa por te decidires de uma vez por todas. Caso contrário acabarás a comer relva e as tuas maleitas serão tratadas a pontapé. 

O futebol, este futebol tal como os interesses dos homens o desenharam, não tem lugar num Mundo Justo.

Termino com uma frase do Miguel Portas: "Sonhamos? Não sonhamos nada!; somos mesmo os únicos realistas deste filme".   

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:03

Faz hoje um ano que morreu o Miguel. Poderia resumir-me à palavra saudade, que parece que contém todos esses sentires que incluem a falta que alguém nos faz — e ao mundo —, o lamento por não termos esse alguém presente, e lhe ouvirmos as palavras; aquela parte algo egoísta de nós, mas que vai além de nós e procura a mão do outro, um olhar de apoio, um “vai em frente, esse é o caminho”. E poderia ser só assim, mas a verdade é que com o que disse já fui além da saudade. Ou fiquei aquém dela, sei lá.

Sonhamos? Não sonhamos nada, somos mesmo os únicos realistas deste filme”. Esta frase do Miguel Portas é como que o meu canto de resguardo quando me acusam de sonhar em demasia. Quando me dizem que não vale a pena lutar. Quando me dá (e me dão) vontade de desistir, e ainda quando ciente (nem sempre o estou) de que essa desistência equivaleria a desistir de mim (francamente, tenho mais com quem me preocupar), mas acima de tudo a desistir dos meus; a desistir do meu filho.

Resguardo-me naquela frase e em tantas outras do Miguel, em tantas outras de tantos outros que nos deixaram demasiado cedo entregues ao muito que fizeram em vida. Por vezes, imagino que à nascença nos distribuem a todos uma certa quantidade de energia; os anos ensinaram-me que não é a mesma para todos, que há quem já pareça nascer morto. Depois, cada um usa essa energia como sabe, como lhe ensinam e como pode. O Miguel é daqueles que vinha de pilhas carregadas e suou (escrevi usou, saiu suou, que também fica bem) esse poder — esse dom? Não, essa força! — sem olhar para a carga na bateria, mesmo porque é óbvio que não andamos feitos parvos a olhar para um medidor que não temos. Embora às vezes se intua. Mas, e escrevo sem pensar e nem sei bem o que escrevo, no fim publico e depois leio, — mas, dizia, o Miguel era, é daqueles que tinha carga de judeu errante (um bom judeu errante, digamos, sem mau-olhado deitado no calvário). Poderia viver mais, muito mais, não fosse aquela maleita traidora que começa numa puta duma dor que não sentimos e de repente damos por nós e já não damos por nós.

Nunca conheci o Miguel, melhor, nunca fui beber um copo com ele. Nunca falei para ele, nem nunca ouvi nada dele que fosse dito apenas para mim. Por isso não posso dizer que o conheço. Na realidade, sei dele o que ele achou por bem partilhar publicamente, e mais umas coisas que alguns próximos comuns, ou nem por isso, me vão dizendo dele. Ainda assim, e não estou com “liriquismos” nem vou rever palavras que parece que se desmentem, conheço o Miguel. À minha maneira e da forma como o apreendi e que me faz estar aqui, um ano depois, a falar de quanto é importante para a minha vida poder olhar para tal exemplo. O exemplo de um homem sem preço (com o significado que "sem preço" tinha antes destes malditos tempos que correm), que não se vendia e que não vendia, que não se escondia atrás de um momento para evitar dizer o que lhe ia na alma. Que olha com aqueles olhos de quem não nasceu ensinado e foi ensinando enquanto aprendia. Um Homem, em suma. Houvesse mais alguns como ele e o mundo seria bem diferente. Não procurava o poder e parecia-me até querer fugir dele, não por medo de ser corrompido, mas porque talvez sentisse que o seu trabalho para a res publica estaria quase concluído no momento em que a gestão daquilo que é do Povo estivesse entregue a homens-bons, tal como ele os vê (e digo “quase concluído” que não me parece que fosse homem de parar assim de repente e sentar-se a ver eternamente a banda passar, como se nada fosse).

Passou um ano e de dia para dia as coisas estão piores. Cada vez as chamas vão queimando mais. Muitas vezes me queimam a mim. Custa-me aguentar este mundo de egoístas, de gajos que não olham nos olhos, casta de carneiros mal mortos, machos e fêmeas de palmadinha armada nas costas alheias mas de rasteira engatilhada. Sorrisinhos enganadores, que nunca me enganaram, mas que cada vez menos suporto. Gentes de vénia para os de cima, e de escarro para os de baixo. Detecto-os bem. Padecem de falta de humor e de falta de luz. Não é um espectáculo agradável de assistir.  

Se o mundo estaria melhor com o Miguel presente?; com palavras e sorrisos novos a cada dia? Por certo. O mundo estaria um Homem melhor. Nessa quantidade e qualidade toda, sim. E, quem sabe, talvez isso fosse o bastante. Seria por certo o bastante para todos podermos continuar a aprender com ele.

Este é o Miguel que conheci — talvez este nem seja o verdadeiro Miguel, talvez nem lá ande próximo, que lhe traço o retrato à distância. Mas este é o Miguel que sei. Este é o Homem que nunca usarei como desculpa, mas com quem aprendi e continuo a aprender. Os erros que errarei continuarão a ser apenas os meus erros. Se algo fizer de bem, parte disso também será dele. E não!, não me é uma espécie de ídolo, que não os uso, nem gosto de me ajoelhar, é “apenas” um homem donde vem uma luz boa, para onde olho de vem em quando.

Obrigado, Miguel, e até sempre. Vamos falando.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:44

Miguel Portas.jpeg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:36

Nota prévia:
Dedico esta sinfonia a Miguel Portas, que faria hoje 54 anos. Morreu em Antuérpia, no passado dia 24 de Abril, véspera do Dia da Liberdade. E, pelo que fez e disse, deixa muitas saudades. Obrigado, Miguel. Por tudo.

Neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, desejo a todos os que ainda têm emprego, um bom feriado. Para os restantes, um bom dia. Neste dia internacional do trabalhador veio-me à ideia o compositor russo Dmitri Shostakovich. Acontece que Shostakovich, entre muitas outras, escreveu uma sinfonia à qual deu o nome de “1º de Maio”. É a sua Sinfonia nº 3, op. 20, em mi bemol maior, da qual vos deixo um excerto.
Dmitri Shostakovich, que nasceu no dia 25 de Setembro de 1906 e morreu a 9 de Agosto de 1975, foi um compositor russo, do período soviético. A sua Sinfonia nº 3, “1º de Maio”, estreou-se no dia 6 de Novembro de 1931, pela Orquestra Filarmónica de Leninegrado, dirigida por Aleksander Gauk. Tal como a 2ª sinfonia, a 3ª é uma sinfonia coral experimental, com 4 secções contínuas. No final o coro canta um poema de Semyon Kirsanov, que exulta o 1º de Maio e a revolução.


Excerto da Sinfonia nº 3, “1º de Maio”, de Shostakovich
Maestro: Mstislav Rostropovich

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:01


Cerimónia evocativa de Miguel Portas (repetição)

por Rogério Costa Pereira, em 29.04.12

Watch live streaming video from esquerdanet at livestream.com

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:11


Portugal não é a coutada de Relvas [Miguel Portas]

por Rogério Costa Pereira, em 26.04.12

"Conselho Superior" Antena 1 - 2012/02/03

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:47


25 de Abril, Miguel Portas

por Rogério Costa Pereira, em 25.04.12

As palavras que eu tinha alinhavado para Abril estão de luto e não verão a luz do dia, mesmo porque os meus companheiros de pegada já disseram e dirão da Alma de Abril (que é a minha) e do Abril que lhes vai na Alma (que é o meu).

No que me toca, este meu Abril vai dedicado à memória de um homem e à lembrança da falta que nos fará o seu sorriso e a sua presença.

A sua calma e temperança.

Morreste-nos de corpo -- de corpo apenas --, mas pelo caminho que caminhaste deixaste-nos meio caminho andado.

"Mas quando é que o povo respira?", perguntavas. Em breve!, e com a tua sempiterna ajuda!, que Homens como tu a morte não leva.

Eterna saudade, Miguel. Abril (e não me resumo a este dia) é e será por ti.

Assim o fiz hoje, assim o farei no dia que está cada vez mais próximo.

Obrigado, Miguel.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:14

Com a morte. Hoje levei com a morte. E bateu-me mal, assim de uma forma estranha — não foi dor, como acontece quando me morrem pessoas próximas; não foi sensação de vazio, nada semelhante. Foi uma espécie de empurrão. Ao mesmo tempo pelas costas e pela frente. Dado à velocidade da luz, que nem saí do mesmo sítio. Tipo acorda pá, qualquer dia és tu. Podias ter sido tu. Não te lembras deste?, quem diria que o ceifava neste dia? Deu-me para aqui, podia-me ter dado para aí. Estás a ver como isto é? Espécie de banca francesa — a fortuna que sai dum corno.

Claro que a mandei para a puta que a pariu, que tenho um filho que aprendeu agora a andar e corre para mim quando chego da labuta e diz papá-papá-pápa. E dá-me abraços e beijos e dá-me sorrisos. Era o que mais faltava, que fosse comigo — não estou para aturar abusos idiotas de idiotas; e deixei-lhe isso bem claro.

Mas, confesso, foi só garganta — ainda os tenho bem apertadinhos. Podia mesmo ter sido. Esta cena da morte é um bocado pim-pam-pum e um gajo às vezes anda de gavetas desarrumadas e de repente dói-lhe uma unha e não é nada não é nada — é só uma unha. Vou amanhã ver disso, hoje tenho mais que fazer. E vai-se a ver e valia a pena ter ido mais cedo, que com estas idades a coisa depois foi sempre galopante. E tão novo e o caralho. Não aguentou o galope, essa é que é essa.

Mas porquê este desatino todo com esta morte? Esta morte de hoje. Todos os dias morre gente conhecida, mais ou menos velha, mais ou menos amiga, mais ou menos próxima. Francamente, não faço ideia. Sei que me sinto agoniado. E que agora que escrevi isto ainda me sinto pior. E não devia ser para isso que um gajo escreve, para depois se sentir pior. Agonia por agonia bembondam as causadas a ouvir todos os dias a senhora de foice ao ombro. Aos berros de pim-pam-pum. 

Pim-pam-pum.

(este texto não foi escrito hoje; publico-o pela semelhança de sentires causados)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:44


página facebook da pegadatwitter da pegadaemail da pegada



Comentários recentes

  • Godsto Mamedu

    Trazemos a você boas notícias dos cartões master e...

  • Anónimo

    Eles são um grupo profissional de hackers além da ...

  • Anónimo

    kkkk tipo a classe média de Cuba ou da Venezuela?

  • Anónimo

    Olá, telespectadores, quero compartilhar minha exp...

  • Anónimo

    Eles são um grupo profissional de hackers além da ...

  • Anónimo

    Muitos QUEREM SER HACKERS ONLINE Cuidado com os am...

  • Barei Khan

    Olá, deparei-me com um grupo de hackers certificad...

  • Anónimo

    SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO DE HACKING GENUÍNO E...

  • Anónimo

    SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO DE HACKING GENUÍNO E...

  • SALLY PAUL

    NOTA: Se vocêestá procurando uma empresa de emprés...


Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Pesquisar

Pesquisar no Blog