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Eu dei pela coisa!

por Rogério Costa Pereira, em 14.11.13

Segundo dados do INE, a Economia cresceu 0,2% e Portugal saiu da recessão. Podem pensar que estou na paródia, mas aquilo do título é coisa séria. Eu dei pela coisa! Na altura pensei que era uma lomba na estrada, mas depois fiquei na dúvida e parei o carro. Seria uma lomba na estrada, seria o Lomba na estrada (esta hipótese só não descartei de imediato por ser a que mais me agradava) ou teríamos acabado de sair da recessão? O resto da malta, que também deu pela coisa, em forma de solavanco, também andava por ali cheirar, uns de nariz no chão, outros de nariz no ar. Havia quem gritasse que era um pássaro, outros que era o Super-Homem. Andavam também por lá dois rapazes de camisa branca e malinha a tiracolo a dizer que eles bem que tinham avisado. Meti-me no carro e não liguei; eu tinha a minha certeza. Portugal tinha acabado de sair da recessão. Sorri e segui caminho, orgulhoso.

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publicado às 12:25


As pílulas do dia seguinte

por Rogério Costa Pereira, em 16.10.13

Estes seres vis dos tempos que correm violaram a Democracia e querem ser os pais de um Portugal perdido. De um Portugal que não será. Cabe-nos a nós ser a pílula do dia seguinte. 

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publicado às 21:00


Letratura #5

por Rogério Costa Pereira, em 20.08.13

Querida mamã,

Espero que esta vos encontre de saúde. Tivemos um terrível acidente com a lancha que tu e o papá nos ofereceram e morremos os dois. Nunca encontraram os corpos, que jazem carbonizados no fundo do mar. Foi um pouco doloroso porque o fogo nos consumiu aos poucos.

À parte isso, tudo vai bem e devemos voltar uma noite destas. Estamos a divertir-nos imenso com o barco e já não nos imaginamos fora dele. O vendedor e o papá tinham razão; aquele barulho no motor é mesmo assim. O Zé está sem palavras e nem sabe como vos agradecer, mas insiste em fazer-vos uma surpresa uma noite destas.

Eu já estou curada das minhas alergias e o Zé nunca mais sentiu aquelas dores horríveis nas costas que o impediam de dormir. Nunca descansámos assim.

Beijinhos para ti e para o papá.

Eterna saudade.

P.

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publicado às 16:41


Letratura #4

por Rogério Costa Pereira, em 20.08.13

Passou os tempos mortos a enterrá-los. E sentiu-se cansado e enganado. Cada vez entendia menos os fazedores de expressões. Espremeu um e matou-o. Aproveitou uma cova aberta e enterrou-o. Agora sim, julgava perceber o alcance da frase. Tinha matado o assassino do tempo. A seguir, os homens mataram-no a ele; eternamente cansados por já não terem tempos mortos. E assim se mata e morre; por um erro de interpretação.

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publicado às 15:12


Letratura #3

por Rogério Costa Pereira, em 20.08.13

Antigamente, morria-se duas vezes. À uma, acrescentava-se a do tempo que a notícia demorava a chegar. E havia quem estivesse morto e vivo por várias semanas, armado em gato de Schrödinger. Hoje, morre-se por inteiro. A novidade é-o em tempo real. No fim da rua e no fim do mundo. Quando calha, dão-nos por mortos antes de o sermos. E passamos a sê-lo, sob pena de morte, porque não será um mero bater de coração a desmentir uma fonte fidedigna. Um dia, convenceram um vivo de que estava morto. Mostraram-lhe fotos do funeral, frasquinhos de lágrimas ali choradas. O homem aceitou-se e tentou enterrar-se ao lado do seu doppelgänger. Foi condenado por profanação de cadáver. E, vivo, morreu para sempre. Tal como queriam. Encarcerado duas vezes. Tal como decidiram. Mas esta coisa não vai terminar mal. A seguir ao próximo ponto final cumprirei o que acabei de prometer. Final feliz.

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publicado às 10:01


Letratura # 2

por Rogério Costa Pereira, em 17.08.13

Escreveu um romance sem vogais. N vnd nd. Escreveu um romance sem consoantes. ão eeu aa. Escreveu um romance sem consoantes nem vogais. Chamou-lhe Sebenta e vendeu bem. Apesar de ter muito má imprensa, era já um autor consagrado. Por ter muito má imprensa. Os dois primeiros foram reeditados várias vezes. Postumamente. Apesar da morte, vive dos rendimentos e nunca se atrasa. Ou não estivesse tudo pela hora daquela.

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publicado às 09:58


Letratura #1 [Líquido e Liquido]

por Rogério Costa Pereira, em 16.08.13

Há algo de estranho neste agudo. Líquido e Liquido. Com acento pode beber-se sem se morrer e sem se matar. Sem acento mata-se sempre, com líquido ou sem ele. São palavras estranhas. Desafiadoras. Matreiras. Uma acrescenta-se em forma de espada, mas nem sempre mata; a outra nunca a usa e mata quando quer. Paradoxalmente, não haveria mundo sem a que usa espada.

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publicado às 22:33


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