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 Quem morre de tempo certo
ao cabo de um certo tempo
é a rosa do deserto
que tem raízes no vento.

Qual a medida de um verso
que fale do meu amor?
Não me chega o universo
porque o meu verso é maior.

Morrer de amor é assim
como uma causa perdida.
Eu sei, e falo por mim,
vou morrer cheio de vida.

Digo-te adeus, vou-me embora,
que os versos que eu te escrever
nunca os lerás, sei agora
que nunca aprendeste a ler.

Neste dia que se enquadra
no tempo que vai passar,
termino mais esta quadra
feita ao gosto popular.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

Tema(s): Amor  Ler outros poemas de Joaquim Pessoa 

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publicado às 08:00

Houve uma Ilha em Ti Houve uma ilha em ti que eu conquistei.
Uma ilha num mar de solidão.
Tinha um nome a ilha onde morei.
Chamava-se essa ilha Coração.

Que saudades do tempo que passei.
Nenhum desses momentos foi em vão.
Do teu corpo, de ti, já nada sei.
Também não sei da ilha, não sei, não.

Só sei de mim, coberto de raízes.
Enterrei os momentos mais felizes.
Vivo agora na sombra a recordar.

A ilha que eu amei já não existe.
Agora amo o céu quando estou triste
por não saber do coração do mar.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

Tema(s): Amor  Ler outros poemas de Joaquim Pessoa 

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publicado às 08:00

Joaquim Pessoa

De onde me chegam estas palavras?
Nunca houve palavras para gritar a tua ausência
Apenas o coração
Pulsando a solidão antes de ti
Quando o teu rosto dóia no meu rosto
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas
E os teus olhos não eram mais
que um lugar escondido onde a primavera
refaz o seu vestido de corolas.
E não havia um nome para a tua ausência.
Mas tu vieste.
Do coração da noite?
Dos braços da manhã?
Dos bosques do Outono?
Tu vieste.
E acordas todas as horas.
Preenches todos os minutos.
acendes todas as fogueiras
escreves todas as palavras.
Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos.
Oh, meu amor,
doem-me os braços de te abraçar,
trago as mãos acesas,
a boca desfeita
e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando
o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos
e se perde depois numa estrada deserta
por onde caminhas nua.

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publicado às 08:00

Joaquim Pessoa

 

 É provável, sim, é provável que ainda a ame, que ame nela o que antes soube amar, a cabeleira escura, o ventre inquietante, o peito guardando a alegria de um coração solar. Os meus olhos profundos sempre a contemplaram visivelmente perturbados, até mesmo perdidos, quando ela caminhava abrindo rasgões no ar que se fechavam depois à sua passagem para cingir-lhe os braços, os seios e as ancas. A sua boca tremeu na minha com a sede da música e o seu contacto era o do musgo e o da cinza, e dessas cerejas maduras pelo lume de maio. Não sei se estou a endeusá-la ou se ela é uma deusa. Não sei mesmo se conseguirei dizer dela quanto gostaria. Ela está tão perto do meu corpo que a minha pele se acende, e tão longe dos meus olhos que só poderei lembrá-la. Fizémos muito amor e sempre muitas vezes, sem que entre nós esvoaçasse uma minima sombra. Quando ficávamos tristes, é que o espanto crescia até ao minuto primeiro da tristeza. É uma mulher maravilhosa, o seu nome que importa?, tão frágil como um menino inocente, assim desamparada, correndo para a loucura como antes correu para os meus braços. Nenhuma paixão poderia doer-me mais. Nenhuma ternura poderia mimar-me tanto. O meu poema é uma casa erguida com a sua beleza, onde ela entra e de onde sai e algumas vezes se demora. Poderei dizer que o meu coração é uma sala vazia? A sua recordação ainda me perturba e disso tenho consciência. Amo-a ainda, ou não a amo já, é impossível dizer. Mas é provável, sim, é provável que ainda a ame.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

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publicado às 08:00

Joaquim Pessoa :

Meu coração não está nas largas avenidas
nem repousa à tarde, para lá do rio.
Nada acontece. Nada. Nem, ao menos, tu
virás despentear os meus cabelos.

Nem, ao menos, tu, neste tempo de angústia
vens dizer o meu nome ou cobrir-me de beijos.
Ah, meu coração não está nas largas avenidas
nem repousa à tarde, para lá do rio.

A cidade enlouquece os meus olhos de pássaro.
Eu recuso as palavras. Sei o nome da chuva.
Quero amar-te, sim. Mas tu hoje não voltas.
Tu não virás, nunca mais, ó minha amiga.

Nada acontece. Nada. E eu procuro-te
por dentro da noite, com mãos de surpresa.
Meu coração não está nas largas avenidas
nem repousa à tarde, para lá do rio.

E tu, longe, longe. Onde estás meu amor,
que não vens despentear os meus cabelos?
Eu quero amar-te. Mas tu hoje não voltas.
Tu não virás, nunca mais, ó minha amiga.

Joaquim Pessoa, in 'Canções de Ex-Cravo e Malviver'
Tema(s): Amor  Ler outros poemas de Joaquim Pessoa 
         
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publicado às 08:00

Nenhuma morte apagará os beijos
e por dentro das casas onde nos amámos ou pelas ruas
                                           [clandestinas da grande cidade livre
estarão para sempre vivos os sinais de um grande amor,
esses densos sinais do amor e da morte
com que se vive a vida.

Aí estarão de novo as nossas mãos.
E nenhuma dor será possível onde nos beijámos.
Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres.
Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e,
profundamente, no peito dos amantes, a nossa alma líquida
                                                            [e atormentada

desvenderá em cada minuto o seu segredo
para que este amor se prolongue e noutras bocas
ardam violentos de paixão os nossos beijos
e os corpos se abracem mais e se confundam
mutuamente violando-se, violentando a noite
para que outro dia, afinal, seja possível.

Joaquim Pessoa, in 'Os Olhos de Isa'
Tema(s): Amor 

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publicado às 08:00

 Estou mais perto de ti porque te amo.
Os meus beijos nascem já na tua boca.
Não poderei escrever teu nome com palavras.
Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me.

Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto.
Quero a tua boca aberta em minha boca.
E amo-te como se nunca te tivesse amado
porque tu estás em mim mas ausente de mim.

Nesta noite sei apenas dos teus gestos
e procuro o teu corpo para além dos meus dedos.
Trago as mãos distantes do teu peito.

Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte.
Tão por dentro de mim. Tão ausente de mim.
E eu estou perto de ti porque te amo.

Joaquim Pessoa, in 'Os Olhos de Isa'
Tema(s): Amor  Ler outros poemas de Joaquim Pessoa 

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publicado às 08:00

Quem morre de tempo certo
ao cabo de um certo tempo
é a rosa do deserto
que tem raízes no vento.

Qual a medida de um verso
que fale do meu amor?
Não me chega o universo
porque o meu verso é maior.

Morrer de amor é assim
como uma causa perdida.
Eu sei, e falo por mim,
vou morrer cheio de vida.

Digo-te adeus, vou-me embora,
que os versos que eu te escrever
nunca os lerás, sei agora
que nunca aprendeste a ler.

Neste dia que se enquadra
no tempo que vai passar,
termino mais esta quadra
feita ao gosto popular.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

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publicado às 08:00


Poesia ao nascer do dia - Joaquim Pessoa

por Luis Moreira, em 14.02.12

De onde chegam estas palavras?
De onde me chegam estas palavras?
Nunca houve palavras para gritar a tua ausência

apenas o coração
Pulsando a solidão antes de ti
Quando o teu rosto dóia no meu rosto
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas
E os teus olhos não eram mais
que um lugar escondido onde a primavera
refaz o seu vestido de corolas.
E não havia um nome para a tua ausência.
Mas tu vieste.
Do coração da noite?
Dos braços da manhã?
Dos bosques do Outono?
Tu vieste.
E acordas todas as horas.
Preenches todos os minutos.
acendes todas as fogueiras
escreves todas as palavras.
Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos.

Oh, meu amor,
doem-me os braços de te abraçar,
trago as mãos acesas,
a boca desfeita
e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando
o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos
e se perde depois numa estrada deserta
por onde caminhas nua.

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Poesia ao nascer do dia - Joaquim Pessoa

por Luis Moreira, em 01.01.12

 


Resistir

Dobrar na boca o frio da espora
Calcar o passo sobre lume
Abrir o pão a golpes de machado
Soltar pelo flanco os cavalos do espanto
Fazer do corpo um barco e navegar a pedra
Regressar devagar ao corpo morno
Beber um outro vinho pisado por um astro

Possuir o fogo ruivo sob a própria casa
numa chama de flechas ao redor.

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Poesia ao nascer do dia - Joaquim Pessoa

por Luis Moreira, em 08.12.11

Europa Acidental

Europa acidental
Aqui nem, mal nem bem
Aqui nem bem nem mal.

Aqui se alguém não é ninguém
É porque a gente nasce
De um modo ocidental:
Vivem uns bem e outros mal.

E afinal
É natural (naturalmente)
Que haja gente também
Gente que é gente de bem
E gente que é apenas gente.

Europa acidental.

O mal
É Ter na nossa frente
Um mar de sal.
Um mar de gente
Que de repente
(é assim mesmo: de repente)
fica vazio e sem ninguém
se um dia alguém
por mal ou bem
quiser ser gente.

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Poesia ao nascer do dia - Joaquim Pessoa

por Luis Moreira, em 06.11.11

Olho em volta. Vejo esticar mais o braço do que a manga.
É uma mecânica vital. As ideias, em roupa interior,
repugnam nas respostas dadas a falsas perguntas.
Vejo gente devotada à autocompaixão. Vejo as obras completas
de um velhaco qualquer especialista em audácias,
génio de uma raça que partiu e ainda não voltou das índias.
Uns momentos antes de ser tocado pela varinha mágica inspiradora,
o ministro sobe à tribuna. E logo a cultura desce à cave e as
coisas permanecem como estavam.
Olhar por olhar, sigo o pombo que sobrevoa a praça,
acompanhando os pezinhos rápidos, de cabra, de um dos amores de Cesário,
e os meus olhos perdem-se e só se encontram no infinito.
Tudo tem um rumo, menos o olhar: vai, longamente vai,
ora esquivo, ora penetrante, demoradamente rápido,
atento e inquietante, saltitante ou lascivo, continua,
percorre, perde-se, concentra-se, até se transformar em pensamento.
Às vezes, olhar dói. E como dói olhar os inquiridores
deste processo inquisitório a que chamas vida.
Olha-me bem nos olhos. Olha, sem paixão, no fundo dos meus olhos,
e que vês? Apenas um homem que se orgulha
da sua espinha dorsal. Subversivamente amante do amor,
despudoradamente amigo dos amigos, como se vivesse
com todos na mesma casa. Um ser inquieto
por tanta quietude. Um animal metido à força
num filme de aventuras, personagem literário plantado num campo de golf,
convertido em mera verbalidade. Segura
as minhas mãos. Sente-as. Não vamos conversar sobre literatura,
somos donos de nós, é sobre coisas velhas que vamos construir
todas as coisas novas das nossas vidas. Não me peças
que seja um charlatão invisível ou que cometa abusos, por honestos que sejam.
Cada história é um poço de pequenas histórias
e a pele é um mapa de todas as histórias. Tentemos
a normalidade. As pessoas normais nunca sabem que o são
e as anormais não têm consciência de o ser. Por isso
nos resta o olhar. Viaja então por dentro do meu corpo,
percorre as florestas e as praias que há em mim,
navega este bocado de distância. Para o fazer,
basta respirar. Só ver para lá do amor
é de todo impossível.

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publicado às 08:00


Poesia ao nascer do dia - Joaquim Pessoa

por Luis Moreira, em 29.10.11

Resistir

Dobrar na boca o frio da espora
Calcar o passo sobre lume
Abrir o pão a golpes de machado
Soltar pelo flanco os cavalos do espanto
Fazer do corpo um barco e navegar a pedra
Regressar devagar ao corpo morno
Beber um outro vinho pisado por um astro

Possuir o fogo ruivo sob a própria casa
numa chama de flechas ao redor.

Joaquim Pessoa

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publicado às 08:00

 

Poema de agradecimento à corja   

Obrigado, excelências.

Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

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Obrigado, excelências. 

Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade 
de vivermos felizes e em paz. 
Obrigado 
pelo exemplo que se esforçam em nos dar 
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem 
dignidade. 
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada. 
Por não nos darem explicações. 
Obrigado por se orgulharem de nos tirar 
as coisas por que lutámos e às quais temos direito. 
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria. 
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero. 
Obrigado pela vossa mediocridade. 
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer. 
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber. 
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera. 
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias 
um dia menos interessante que o anterior. 
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar. 
Obrigado por nos darem em troca quase nada. 
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade. 
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade 
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço. 
E pelo vosso vergonhoso descaramento. 
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, 
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar. 
Obrigado por serem o que são. 
Obrigado por serem como são. 
Para que não sejamos também assim. 
E para que possamos reconhecer facilmente 
quem temos de rejeitar. 

Joaquim Pessoa 


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