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Já tinha anteriormente partilhado este texto entre quem me é mais próximo, mas gostaria de expandir este excerto por quem estiver interessado em ler. Foi retirado de uma obra que li há uns meses, de Federico Rampini:

"O dia 6 de Agosto de 1945 tinha começado com uma linda manhã de Verão. Jogávamos às escondidas no pátio. Era a minha vez de contar, por isso estava com os olhos fechados e com as mãos a cobrir o rosto.

O clarão, uma claridade branca pura, foi de tal maneira forte que me lembro de ter visto os ossos nas minhas mãos, transparentes, como nas radiografias. Depois, o silêncio total. Em seguida surgiu um ruído ensurdecedor, como se centenas de tanques estivessem a correr contra nós.
A recordação constante é uma sensação sufocante, faltava o ar, em redor tudo era escuro, tudo ardia. Sentia o cheiro a queimado e os meus companheiros gritavam: queima! (...)Uma jovem mãe levava um filho às costas e procurava desesperadamente o outro filho, mas quando passámos à sua frente vi que o menino que levava às costas tinha a cabeça desfeita. Aquela imagem angustia-me constantemente. Chegados ao rio, vimos um inferno: milhares de seres humanos enegrecidos, nus e queimados como vermes horrendos. Todos queríamos água, mesmo quem não conseguia mexer-se implorava. Dois dias depois, podíamos atravessar aquele rio a pé, caminhando sobre uma ponte feita de cadáveres."
Este foi o efeito do bombardeiro americano B-29 Enola Gay, que lançava no céu de Hiroxima a bomba Atómica. Era o equivalente a 15000 toneladas de explosivos e criou uma bola de fogo cujas ondas de calor queimaram a carne humana até 3km de distância. Morreram 140000 pessoas, das quais 60000 nos meses após a explosão, devido ao efeito radioactivo. Outras 75000 foram mortas em Nagasáqui, onde a segunda bomba foi lançada dias depois.
Com 68 anos, Tanemori é um 'hibakusha', que traduzimos como "sobrevivente", mas que em japonês significa "pessoa afectada por uma explosão", ou então "pessoas que não se suicidaram embora tivessem todas as razões para o fazer".
Mesmo os médicos que sobreviveram e tentaram ajudar nos salvamentos, não faziam ideia do que acontecera, então deitaram óleo nos corpos queimados (que fez com que a temperatura dos corpos subisse até 7000ºC). "Enfrentávamos o desconhecido, com remédios patéticos".
"A mim a bomba tirou-me tudo. destruiu a minha família. O rasto da minha mãe e da minha irmã mais nova perdeu-se no dia 6 de Agosto. O meu pai morreu no dia 3 de Setembro, das queimaduras. Um mês depois foram os meus avós e a minha irmã mais velha. Só eu sobrevivi, mas a sociedade, a partir daquele dia, passou a olhar para mim com desagrado: era um órfão da derrota.
Aos 16 anos tentei suicidar-me. Perdi a vista. Tive um cancro e aos 40 anos já tinha sofrido dois enfartes. Fui enviado para a Califórnia em 1956 para me tratar, quase me mataram, reduzido a cobaia de laboratório para investigações.
Os 200000 que morreram em Hiroxima e Nagasáqui não foram os mais desgraçados. Foram logo para o paraíso.
O general MacArthur impôs a censura sobre os danos causados pela Bomba A. As notícias sobre os hibakusha e as suas doenças podiam ensombrar a legitimidade moral de quem tinha lançado duas bombas atómicas."

Apesar de estar ciente das circunstâncias, e de que, provavelmente, a decisão não foi tomada de ânimo leve, questiono-me: Não poderia mesmo ter sido evitado este acto desumano? Virão outros como este? Na sociedade contemporânea, os Estados têm igual voz na cena internacional? Irão os EUA ou a China instaurar uma "sociedade internacional", subjugando os demais e ditando (ainda mais) as regras que os 193 estados-membros da ONU têm que acatar? Fará a Alemanha o mesmo dentro do plano europeu? Deixo o resto para a reflexão, interpretação e (possível) acção de cada um.

Hugo Lopes

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publicado às 14:14


O Poder de Limitar [Hugo Lopes]

por autor convidado, em 03.07.12

Um assunto que tem tomado particular importância na minha reflexão passa pelo facto de a população pensar que o poder político ordena e o povo apenas obedece. Bem, isto é uma mentira.

"O poder político não é uma coisa nem um estatuto, é um serviço. Por poder entendemos um acto humano, exercido num campo socialmente politizado, através de uma relação complexa de interesses expressos, forças disponíveis e factos perceptíveis, institucionalmente mediada, com significado estrutural inteligível.

O poder não deve instituir-se nem conservar-se, deve honrar a autoridade que lhe é conferida, legitimada."

Em última instância, o povo é quem detém o poder, e a obrigação deste não é apenas exercer o direito (dever cívico) de voto. Tanto o executivo (governo), como o órgão legislativo representante da vontade geral (Assembleia da República), e o poder dos tribunais (judicial) devem estar sujeito a uma constante monitorização. É nisto que falha o nosso sistema, todo o poder político tende naturalmente para o abuso. Esse abuso de poder deve ser travado com um poder ainda maior, que é o poder do povo.

A nossa função vai muito além de votar, de apoiar ou discordar, nós temos a função delimitar. O poder executivo não deve interferir com o poder judicial ou legislativo, e vice versa! Eu arriscaria também a acrescentar o poder dos media e da comunicação social (muitos recordaram o recente caso Relvas). É nosso dever evitar que um poder tenha influência no outro, e que o poder político influencie os órgãos de informação, pois se isso não acontecer, será o fim do sistema tripartido do poder, da dimensão pluralista característica do parlamento e da nossa soberania.

Ou seja, a finalidade do povo é prevenir um regime despótico e tirânico (autoritarismo, fascismo, imperialismo/nazismo/pantocracia) - sei que muitos incluiriam o comunismo, mas por ora, não o farei.

Bem... Começando a falar neste assunto acabei por utilizar matéria que adquiri na área da Ciência Política, e no meio disto recordei-me de uma frase que me foi dita: "Se não forem vocês, alunos de Politologia, a explicarem aos demais isto, quem o fará? Os alunos das ciências exactas?" - e deste modo fui ao encontro dos meus gatafunhos das aulas para acrescentar a definição de poder (usada anteriormente) e de legitimação, que passo a citar:

- Legitimação é um acordo tácito entre quem manda (governante) e quem obedece (governado), sobre princípios e regras que fixam atribuição e limites de poder, mediante consentimento, activo, quando induzido por carisma, e passivo, quando é induzido por persuasão.

Com isto tudo, quero apenas reafirmar que os portugueses não devem ser agentes passivos. Não existem apenas Fado, Futebol e Fátima. Não quero também falar em nomes, números ou partidos, mas num problema geral que acontece por culpa do povo, que se deve mexer, e não actuar como "zombie", aceitando que tudo lhe seja imposto sem sequer uma explicação ou uma afirmação. Contestem, duvidem, concordem, discordem, protestem, apoiem, exponham os vossos  valores, as vossas opiniões! Não temos todos que concordar ou discordar, aí está o verdadeiro sentido de uma democracia, a diversidade de pensamentos e a prevalência de uma vontade geral, uma vontade que suprime os interesses particulares e tem apenas como fim a propagação de um bem comum.

Hugo Lopes

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publicado às 18:34


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