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"Ainda a propósito do arquitecto José António Saraiva"

por Rogério Costa Pereira, em 12.04.12

"O arquitecto José António Saraiva e a homossexualidade", Bruno Nogueira [OUVIR]

 Imagem: Salão Neurótico

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publicado às 12:07

À minha frente, no elevador, está um velhote dos seus 64 ou 65 anos. Pelo modo como olha de forma reprovadora, fala sobre o tio que foi ministro de Salazar e debita preconceitos, percebo que é fascista.
Estamos no edifício da FNAC do Chiado. Frequento aquela zona e, pelo menos duas vezes por dia, subo e desço a Rua Garrett. Frequentemente, por comodidade, utilizo o elevador da FNAC: é uma forma prática de ir da Baixa para o Chiado e vice-versa.
Em todas as grandes cidades do mundo há lugares preferidos pelas comunidades fascista. Não sei as razões que conduzem a essas escolhas, mas muitos guias turísticos já as referem. O Chiado é, em Lisboa, uma dessas zonas – e, de facto, cruzamo-nos aí constantemente com ‘jornalistas’ de opinião e sobretudo ‘jornalistas’ de polémica de todas as idades.
Julgo ser um facto notório que a comunidade fascista está a crescer. Há quem afirme que não é assim – e o que se passa é que os fascistas têm cada vez menos receio de se assumirem, cada vez menos receio de revelarem as suas inclinações, tendo orgulho (e não vergonha) de serem como são.
Talvez esta explicação seja parcialmente verdadeira.
Mas, se for assim, é natural que o número de fascistas esteja mesmo a crescer. O assumir de ideias retrogradas por parte de figuras públicas acabará forçosamente por ter um efeito multiplicador, pois funciona como propaganda.
Até há uma geração o fascismo era reprimido socialmente, pelo que muitos jovens com inclinações fascistas teriam pejo de se assumir – acabando alguns por se filiar no CDS ou PSD para afastar eventuais suspeitas. Conheço vários exemplos desses:
casos de homens fascistas e mulheres fascistas que se filiaram no CDS, vindo mais tarde a colar cartazes do PNR.
Ora hoje passa-se o contrário: alguns jovens que não têm inclinações evidentes acabam por ser atraídos pelo mistério que ainda rodeia a fascismo e pelo fenómeno de moda que ele assumiu em determinados sectores. Não duvido de que há fascistas que nascem fascistas. Mas também há fascistas que se tornam fascistas – por influência de amigos, por pressão do meio em que se movem (no ambiente da moda isso é claro), e por outra razão que explicarei adiante e me levou a escrever este artigo.
Ao olhar esse cota que ia à minha frente no elevador, pensei: será que há 20 anos ou 30 anos ele teria a mesma atitude, assumiria tão ostensivamente a sua inclinação? E, indo mais longe, se ele tivesse sido jovem nessa altura seria fascista?
Tive dúvidas. Ao observar aquele velhote tive a percepção clara de que a sua forma de estar, assumindo tão evidentemente o fascismo, correspondia a uma atitude de revolta.
Durante séculos, os filhos seguiram submissamente as orientações dos pais em matéria de valores e política. Às vezes contrariados, mas seguiam. Havia famílias de diplomatas, de advogados, de arquitectos, de empresários, de comerciantes, de carpinteiros, de padeiros, de
trabalhadores rurais.
Mas nos anos 30 dá-se na sociedade portuguesa uma alteração que mudaria o país. É a geração do Tarrafal, de Fátima, Família e Fado, da PIDE, do medo de falar e da contestação, - do fascismo em geral.
O termo ‘fascista’ entrou na linguagem comum. As palavras ‘reaccionário’, ‘conservador’, ‘retrógrado’, etc. deixaram de ter uma conotação negativa e passaram a ser vistas como elogios. E não se tratava apenas de um fenómeno europeu.
Uns anos depois, do lado de lá do Atlântico, filmes como Dirty Harry (A Fúria da Razão), de Don Siegel, faziam furor – e Clint Eastwood, o protagonista, tornava-se o ícone de uma geração ‘conservador’ com ‘valores’ bem definidos.
Nessa época, um jovem que não fosse reaccionário não estava bem dentro do seu tempo.
Pertenço a essa geração em que muitos jovens da minha idade estavam em guerra aberta com a família. Eu tinha amigos fascistas, que andavam a pintar paredes com frases a favor de Salazar e da saída dos “pretos” de Portugal, ou em reuniões clandestinas contra a democracia, cujos pais tinham lugares de confiança no regime democrático.
Houve conflitos tremendos entre pais e filhos. Os filhos, funcionários exemplares, presidentes de Câmara, directores-gerais, militares de elevada patente, etc., sofriam horrores com a mentalidade retrógrada dos pais que desprezavam manifestações, gozavam com os sindicatos e às vezes soltavam gases em público.
Em 1994, era o meu tio Zé Tó, porteiro do Alcântara, eu estava envolvido na luta académica contra as Provas Globais. E pouco depois o meu irmão mais velho foi preso e julgado por ‘actividades anti-democráticas‘– e quem o defendeu, num acto de grande coragem e dignidade, foi ainda o meu tio Zé Tó, que era então porteiro.
Acrescente-se que muitos dos jornalistas que hoje estão no activo andaram envolvidos em actividades retrógradas. O caso de José António Saraiva, que dirigiu o Expresso, é o mais conhecido mas não é o único.
Nos dias que correm, todas essas ilusões reaccionárias morreram ou estão em vias de extinção. O fim do Estado Novo, a morte de Salazar ou a criação da NATO, tudo isso fez com que certos mitos desabassem e nascessem outras formas de recusa do modelo de sociedade em que vivemos.
Ora uma delas é o fascismo. Para alguns velhos, o fascismo surge como uma forma de mostrar a sua ‘diferença’, de manifestar a sua recusa de uma sociedade progressista, de lutar contra a hipocrisia daqueles que têm coragem de se mostrar como são, de demonstrar desprezo com aqueles que são discriminados ou perseguidos pelas suas opções.
Ser fascista, para muitos idosos, é tudo isto. É uma forma de insubmissão. E, está claro, é um desafio aos jovens. Se antes os velhos desafiavam os filhos tornando-se ‘senis’, hoje desafiam-nos escrevendo colunas de ’opinão’ e mostrando-lhes que há outras formas de fazer polémica e até de ganhar dinheiro com isso. Aliás, assumir-se como fascista talvez seja, por muitas razões, o maior desafio que um velho pode fazer aos jovens.
Todas as gerações, desde esses idos de 60, tiveram os seus sinais exteriores de fascismo. Foram os chibos, as piadas misóginas, a oposição à entrada de estrangeiros, o cabelo à Salazar, os posters de Hitler colados na parede do quarto.
Ora a exposição do fascismo é hoje uma delas. E a opção fascista é uma forma de negação radical: porque rejeita a relação pessoa-pessoa, ou seja, o acto que assegura o respeito pelos outros. Nas relações fascistas há um niilismo assumido, uma ausência de utilidade, uma recusa do futuro. Impera a ideia de que tudo se consome numa geração – e que o amanhã não existe. De resto, o uso de clichés, a fuga da razão e do pensamento, vão no mesmo sentido em direcção à irrelevância.
O fenómeno do fascismo como forma de contestação deste modelo de sociedade em que vivemos, de afirmação radical de uma diferença – enquadrada num fenómeno reaccionário iniciado nos anos 30 –, nunca foi abordado.
Mas olhando para aquele velhote que ia à minha frente no elevador da FNAC, percebi que era isso que o movia quando fazia uma pose ostensivamente nazi. Ele dizia aos companheiros de elevador: «Eu sou diferente, eu não sou como vocês, eu recuso que esta sociedade mude, eu assumo-me fascista».

Hugo Alves

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publicado às 11:41


As desventuras de um rapaz de 16 ou 17 anos no elevador da FNAC

por Rogério Costa Pereira, em 11.04.12

À minha frente, no elevador, está um cota de aspecto oleoso que me mira da cabeça aos pés.

Ai o catano…!, sacou de um bloco e começou a tirar notas. Será que me está a desenhar?

Olha, olha, topa-me bem aquele arzinho melífluo; tu queres ver que o tipo me está mas é a galar? E porra...!, que bicho-feio!

Começo a ficar nervoso; um gajo ouve com cada coisa na televisão, ainda me rapta ou o caraças.

Agora levou a mão aos óculos e desceu-os no nariz, mirando-me com ar delicodoce; porra, porra, porra.

E passa os olhos de mim para o papel e do papel para mim — ai, ai, ai, onde isto já vai!

Irra!, que o elevador nunca mais chega ao cimo.

Já nem sei o que fazer às mãos; não lhe quero dar sinais errados. Vou-lhe acenar que não com a cabeça a ver se o tipo se manca! Ai fazes-te de desentendido? Então prepara-te que vais apanhar um pontapé onde dói mais; ora deixa-me só arranjar espaço para colocar os pés no chão como deve ser.

Chegámos!, abre-te sésamo! Foi o que lhe valeu.

Apre!, o que me havia de sair na rifa. 

Rapaz de 16 ou 17 anos no elevador da FNAC

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publicado às 18:14


"Homofóbicos escondem atração por pessoas do mesmo sexo"

por Rogério Costa Pereira, em 11.04.12

«As pessoas que têm mais reações contra os homossexuais são aquelas que apresentam maior atração por pessoas do mesmo sexo e que cresceram em ambientes familiares que reprimiram esses mesmos sentimentos, lê-se nas conclusões de um estudo internacional.

As conclusões constam de um estudo que incidiu em 160 universitários, na Alemanha e nos Estados Unidos da América, agora publicado no Revista da Psicologia da Personalidade e Social (Journal of Personality and Social Psychology).

Conduzido por investigadores das universidades de Rochester, de Essex e de Santa Bárbara (Califórnia), o estudo é o primeiro que analisou o papel dos pais e da orientação sexual na construção do medo intenso ou de ódio aos homossexuais.

"A homofobia é mais pronunciada nos indivíduos com uma atracão pelo mesmo sexo e que aumentou com pais autoritários, que proibiram tal desejo", lê-se nas conclusões, que aponta a estas pessoas um enorme desconforto interior que as leva a encarar os gays e as lésbicas como uma ameaça - porque na verdade lembram "que dentro de si também existe tal orientação sexual".

"Em muitos casos são pessoas que estão em guerra com elas próprias e transferem esse conflito interno para fora", garante o co-autor do relatório Richard Ryan, professor de psicologia na Universidade de Rochester, na página desta instituição.

Este trabalho vai ao encontro das conclusões de um outro estudo semelhante, elaborado por Henry Adams, da Universidade da Geórgia, em 1996, que concluía que os homens homofóbicos eram aqueles que apresentavam maior probabilidade de se excitarem com pornografia gay.

Segundo Richard Ryan, no estudo "Autonomia incentivada pelos pais e a discrepâncias entre identidades sexuais implícitas e explícitas: As dinâmicas da auto-aceitação e de defesa", foram usados "métodos modernos que permitem, de forma mais confiável", perceber o bloqueio dos desejos inconscientes e a angústia, que se traduz em reações críticas e "vociferantes contra gays e lésbicas".

Entre tais métodos encontram-se cerca de 50 ensaios, desde questionários até à confrontação de fotos.»

Jornal de Notícias (meu sublinhado)

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publicado às 11:02

JAS.jpg

"HOMOSSEXUAIS CONTESTATÁRIOS

À minha frente, no elevador, está um rapaz dos seus 16 ou 17 anos. Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que é gay.

Estamos no edifício da FNAC do Chiado. Trabalho naquela zona e, pelo menos duas vezes por dia, subo e desço a Rua Garrett. Frequentemente, por comodidade, utilizo o elevador da FNAC: é uma forma prática de ir da Baixa para o Chiado e vice-versa.

Em todas as grandes cidades do mundo há lugares preferidos pelas comunidades gay. Não sei as razões que conduzem a essas escolhas, mas muitos guias turísticos já as referem. O Chiado é, em Lisboa, uma dessas zonas – e, de facto, cruzamo-nos aí constantemente com ‘casais’ de mulheres e sobretudo ‘casais’ de homens de todas as idades.

Julgo ser um facto notório que a comunidade gay está a crescer. Há quem afirme que não é assim – e o que se passa é que os gays têm cada vez menos receio de se assumirem, cada vez menos receio de revelarem as suas inclinações, tendo orgulho (e não vergonha) de serem como são.

Talvez esta explicação seja parcialmente verdadeira.

Mas, se for assim, é natural que o número de gays esteja mesmo a crescer. O assumir da homossexualidade por parte de figuras públicas acabará forçosamente por ter um efeito multiplicador, pois funciona como propaganda.

 

 

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publicado às 01:29

Don´t ask, Don´t Tell, by Obama

por Isabel Moreira, em 14.10.10

Da esquizofrenia.

 

Leiam este artigo que bale a pena: AP)  As the Obama administration considers appealing a judge's order stopping the law prohibiting gays from serving openly in the military, some officers and service members say they are uncertain how to react.

The Pentagon said Wednesday it had not issued written guidance on the ruling, and commanders in the field said they did not know how to proceed on sensitive questions like pursuing existing investigations against gay service members.

Defense Secretary Robert Gates warned of "enormous consequences" for troops if the court order is allowed to stand, saying the decision on repeal of the law known as "don't ask, don't tell" should be decided by Congress and not the courts.

He has said he wants more time to prepare for a circumstance in which, for the first time, gay members of the military could declare their sexual orientation without fear of dismissal.

The Justice Department worked into the night Wednesday on its response to the California judge's ruling but gave no indication when there would be an announcement. Its first move may be to seek a stay, or temporary freeze, of the order. If that request is rejected, the department probably would turn to the federal appeals court in California.

If the government does appeal, it would put the Obama administration in the position of continuing to defend a law it opposes.

White House press secretary Robert Gibbs said time is running out for the ban on gays serving openly.

"This is a policy that is going to end," he said.

On Wednesday, Gates told reporters traveling with him in Europe that repeal of the "don't ask, don't tell" law should be considered only after the Pentagon completes a study of the impact of lifting the ban, including an assessment of service members' attitudes toward the change. The study is due Dec. 1.

Allowing gays to serve openly "is an action that requires careful preparation and a lot of training," Gates said. "It has enormous consequences for our troops."

 

Continua aqui.

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publicado às 10:26

Adopção "gay" favorece tráfico.

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publicado às 10:16

 


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publicado às 13:59

José Saraiva, o arquitecto que um dia há-de ganhar o Nobel da Literatura, não pára de produzir coisas bonitas. Depois do "menino que só gostava de brincar com bonecas, tachos e panelas" e virou paneleiro [o paneleiro, salvo seja, é meu] - o que só pode ter acontecido por causa da propensão para as panelas -; depois da revelação de que a ‘Face Oculta’ tem algumas das suas raízes longínquas no deslumbramento de alguns “com a dimensão da cidade, com o luxo da cidade, com as luzes da cidade, com os divertimentos da cidade, com as mulheres da cidade”; eis que Saraiva discorre sobre pêlos. E da forma brilhante como só um futuro prémio Nobel sabe fazer:

“Mas o que dizer da depilação das pernas? Isso, então, parece-me uma verdadeira aberração. Porque aproxima os homens dos eunucos, daqueles seres castrados a quem faltam as hormonas masculinas – ou a quem foram ministradas em excesso hormonas femininas. Esses seres de pele lisa, sem asperezas, destituídos de masculinidade, ganham um aspecto estranho, por vezes mesmo algo repelente, porque tudo o que é indiferenciado é susceptível de causar repulsa.” (…) Os pêlos púbicos sempre foram um motivo de atracção para artistas e escritores ao longo dos séculos, porque simbolizavam o mistério feminino, escondiam o fruto proibido, guardavam o segredo do templo. Na pintura, na escultura, na literatura, a zona púbica tornou-se um poderoso símbolo erótico, na medida em que representava o último reduto das defesas do ‘sexo fraco’. Ora também isso desapareceu. Muitas mulheres depilam hoje as zonas íntimas, num exercício negativo e ofensivo do que é natural, autêntico, genuíno. Mas as modas vão e vêm – e a humanidade civilizada acabará por redescobrir a poderosa carga erótica e sensual dos pêlos."

Cruzando as três crónicas, temos que o monstro de José António será algo como um homossexual provinciano sem pêlos e deslumbrado com as gajas da cidade que ousam trazer às escâncaras o segredo do templo.

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publicado às 17:17


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