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E sai mais uma pegada para a pegada...

por Rogério Costa Pereira, em 07.11.11

Depois da Maria e do Francisco, hoje foi a vez do Hélder Prior se estrear como autor -- não se trata exactamente de uma estreia, uma vez que o Hélder já por aqui tinha deixado algumas colaborações. A pegada é, agora, também dele. Desejo-lhe que por aqui se divirta e que veja na pegada mais um local onde se pode exercer cidadão (não tem erro, é mesmo assim...), dizendo com ganas o que lhe vai na gana -- ainda para mais, estando em Barcelona, anda rodeado de gente cheia de ganas, que é qualidade que por este nosso (cada vez mais) insalubre cantinho vai rareando. Bem-vindo sejas, Hélder.

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publicado às 18:24

A edição do Correio da Manhã de anteontem noticiou, em primeira página, que o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) «pediu» três anos de prisão para a rapaziada do Futebol Clube do Porto que em Dezembro de 2009 «incendiou» o famoso túnel da Luz. Segundo este diário, que por alguma razão é o que mais vende neste «desinformado» país, desculpem o termo, Hulk e outros jogadores portistas «socaram e pontapearam os dois seguranças», desferindo golpes «na testa, no abdómen e na virilha», ao estilo Chuck Norris. Porém, ficamos também a saber que o Ministério Público, que em princípio apenas deduziu uma acusação, deu como provado que os jogadores do Futebol Clube do Porto agrediram os seguranças e fizeram-no de forma deliberada. Sem pretensões de entrar a fundo na questão jurídica, temos a seguinte constatação: o Ministério Público, em sede de acusação, apenas aponta o dedo, não condena nem pede anos de prisão para quem quer que seja. Com efeito, se o DIAP não pediu três anos de prisão para Hulk, como justificamos, do ponto de vista jornalístico, a ardilosa manchete do Correio da Manhã? Infelizmente, a lógica mediática não se limita a publicar factos, também os constrói. Um autor como Jacques Derrida designou este processo de «construção da artefactualidade mediática», isto é, uma lógica de comunicação mediatizada baseada na construção da informação que, na maior parte dos casos, não obedece ao imperativo ético de veracidade. Por selecção, montagem, filtragem ou enquadramento, a «coisa em si» é substituída por uma «imagem artefactual» num processo que «deforma» para informar. Efectivamente, e como a este propósito referiu Walter Lippmann (1922), os media constroem um «pseudoambiente» que é apresentado ao público como sendo a realidade e, como a cultura mediática consiste naquilo que nos é oferecido pelos meios de comunicação, se vem nos media é porque aconteceu, ou está para acontecer. O que é certo é que, mais tarde e quando este processo não der em nada, o público que consome este tipo de desinformação vai exclamar «O Hulk safou-se da cadeia porque tem dinheiro, ou porque o Pinto da Costa domina o sistema jurídico...se fosse outro apanhava os tais 3 anos que noticiou o CM». Este é, infelizmente, o jornalismo que temos!

Hélder Prior

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publicado às 22:32

30 de Maio de 2011- Estávamos na última semana das «tendas de campanha» eleitoral, para me socorrer das palavras do Nobel Elias Canneti. Pedro Passos Coelho, então futuro Primeiro-ministro de Portugal, lançava mais um importante trunfo: «o PSD e eu próprio não vamos mexer naquilo que são as taxas de IVA (…) nós vamos ter de recolher mais dinheiro dos impostos alargando a base, e não aumentando ou agravando as taxas de imposto». Passos Coelho falava da sua promessa numa acção de campanha em Valença do Minho.

12 de Agosto de 2011- Pela manhã, os portugueses são surpreendidos com o aumento do IVA do gás e da electricidade em 17 pontos percentuais. Com o Primeiro-ministro de férias, a «boa nova» é avançada pelo (colossal) Ministro das Finanças. Escusando-se a avançar de que forma o Executivo irá proceder aos cortes na despesa, Vítor Gaspar confirmou, acreditamos que inconscientemente, uma velha máxima da acção política: a mentira e o segredo estão estreitamente vinculados à própria essência da arte de governar. De facto, razão tinha Hannah Arendt quando afirmou, no célebre artigo intitulado «Verdade e Política» (1967), «que nunca ninguém teve dúvidas que a verdade e a política estão em bastantes más relações». Quando a mentira organizada domina a res publica, a verdade tem, com efeito, ténues possibilidades de resistir ao assalto do poder. 

Hélder Prior

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publicado às 17:46


«Jobs for the boys»

por autor convidado, em 08.08.11

Desde que entrou em funções, o Governo liderado por Pedro Passos Coelho já efectuo 447 nomeações para a «nova» orgânica do executivo. Entre ministérios e secretarias de Estado foram nomeadas 73 «personalidades com ligações partidárias», ou, dito de outro modo, 73 boys ligados à coligação PSD-CDS. Os dados estão no site oficial do próprio Governo e foram revelados pelo DN de domingo. Ora, todos nos lembramos que durante a campanha eleitoral, uma campanha vincadamente marcada pelos sound bites dos spin doctors do PS e do PSD, Passos Coelho prometeu não substituir os boys socialistas por boys «laranja». Mais, depois de eleito, alguma comunicação social, com destaque para o diário i de 11 de Julho, escreveu que o Governo estaria a fazer um levantamento exaustivo das nomeações efectuadas nos últimos anos pelos governos de José Sócrates. Contudo, parece que a «nova» orgânica do executivo cede perante velhos hábitos. A força (krathos) dos partidos políticos, ou o funcionamento da partidocracia, permite que altos cargos da hierarquia do Estado sejam ocupados por «boys» partidários sem qualquer pudor ou critério de transparência. Se o escândalo Face oculta e, especificamente, o negócio PT/TVI, acabou por tornar pública a promiscuidade existente entre o público, no sentido de «estatal», e o privado, quod ad singulorum utilitatem, e entre as empresas participadas pelo Estado, caso da PT, e os boys partidários estrategicamente colocados pelo partido do Governo nessas empresas, o mandato de Passos Coelho parece querer dar continuidade à proliferação de jobs for the boys. Resta saber se estas nomeações vão ao encontro da «promoção do mérito no acesso aos cargos» ou da «despartidarização do aparelho do Estado», como consta no programa do Executivo. Por agora, ao olhar para o vencimento da Adjunta do Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional (3.183,63 euros), fico com a sensação que mais valia não se poupar no ar condicionado no Ministério de Assunção Cristas!

Hélder Prior

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publicado às 14:34


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