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No dia 21 de Outubro de 1908 nasceu, em Vilna, na Lituânia, o violinista, maestro e professor Alexander Schneider. Uma vez, afirmou: “O meu objectivo é que os jovens aprendam a fazer música. Quando se faz música, tem que vir do coração, da alma, ou não tem significado. Os jovens produzem um som que as orquestras profissionais não conseguem: o amor pela música”. Aos 13 anos esteve à beira da morte, com o tétano, depois de ter cortado o joelho, num acidente. Em 1924 ganhou uma bolsa para estudar violino em Frankfurt. Para aí se deslocou e foi aluno de Adolf Rebner, que era o professor de violino no Conservatório de Hoch.
Em 1927, Schneider foi maestro de uma orquestra em Saarbrücken e em 1929 foi nomeado maestro da Orquestra Norddeutscher Rundfunk, em Hamburgo. Em 1932 perdeu o trabalho, como resultado da campanha nazi contra os judeus e assumiu o cargo de 2º violino do Quarteto de Budapeste. Dois anos depois os Nazis começaram a fazer ameaças ao quarteto. Os seus membros tiveram que abandonar Berlim, rumo a Paris e nunca mais voltaram à Alemanha. Quando rebentou a guerra, em 1939, estavam em tournée, nos Estados Unidos. Obtiveram autorização de residência e fizeram desse país a sua base de trabalho.
Sentindo a necessidade de se desenvolver como músico independente, Alexander Schneider abandonou o Quarteto de Budapeste em 1944. Foi-lhe oferecido o cargo de maestro no Metropolitan Opera, em Nova Iorque e o de dirigente dos quartetos Pro Arte e Paganini, mas recusou. Em 1949 formou um quarteto de cordas para interpretar e gravar os 83 quartetos de Haydn, tarefa que não conseguiu concluir, porque o patrocinador, a Haydn Society, esgotou os fundos. Schneider era muito sociável e tinha um grande círculo de amigos. Trabalhou arduamente na promoção da música de câmara, dando muitos concertos, uns gratuitamente e outros subsidiados.
Em 1956, o Quarteto Budapeste convenceu Alexander Schneider a regressar. O grupo desmantelou-se em 1967. Schneider foi director artístico dos Concertos Schneider na Nova Escola, em Nova Iorque, desde 1957 até à sua morte. Sob o auspício da Nova Escola, fundou a Orquestra de Cordas de Nova Iorque, em 1969. Em 1988 recebeu as Honras do Kennedy Center. Alexander Schneider faleceu no dia 2 de Fevereiro de 1993.


Trio “Fantasma”, para piano, violin e violoncello, de Beethoven
Piano: Glenn Gould
Violino: Alexander Schneider
Violoncelo: Zara Nelsova

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No dia 25 de Setembro de 1932 nasceu, em Toronto, o pianista Glenn Gould. Nasceu com o nome de Glenn Herbert Gold, mas este último apelido de família foi mudado logo após o nascimento: a família, que era protestante, receou que o apelido suscitasse a confusão de que ele fosse judeu – e o Canadá vivia então uma intolerante onda de anti-semitismo. Gold passou a ser Gould.
À parte isso, as referências de família eram, musicalmente falando, as melhores: a mãe era sobrinha-neta de Edvard Grieg – e, por questão genética ou não, uma razoável pianista. Foi ela que ensinou as primeiras notas ao filho e o levou até ao Conservatório quando ele tinha apenas 10 anos.
Soube-se que desde a infância Glenn Gould padecia de uma forma ténue de autismo – o que explica algumas das excentricidades que se lhe conheceram como músico, muito mais do que aquela pequena cadeira em que se sentou ao piano a vida inteira e o trautear da voz que sempre acompanhava as notas tocadas no piano…
Talvez essa tenha sido a razão de tão pouca gente ter tido o privilégio de ver Glenn Gould em concerto. A partir de 1964 dedicou-se a gravar em estúdio e em televisão, praticamente em exclusividade (só uma por outra vez, em ocasiões especiais, deu concertos em público). Mesmo assim, teve actividade intensa em estúdio, na televisão, na escrita, em documentários e na composição (embora a sua obra de compositor seja limitada).
Morreu no dia 4 de Outubro de 1982, em Toronto, com apenas 50 anos. Ficou como uma lenda da música do séc.XX, especialmente pelas suas gravações de Johann Sebastian Bach.

*Texto de António Leal Salvado

2º e 3º andamentos do Concerto nº 5, para piano e orquestra, de Johann Sebastian Bach
Piano: Glenn Gould
Orquestra de Vancouver
Maestro: Nicholas Goldschmidt

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Maureen Forrester – Contralto canadiana

por António Filipe, em 25.07.12

No dia 25 de Julho de 1930 nasceu em Montreal a contralto canadiana Maureen Forrester, que ficou particularmente conhecida como uma intérprete de Mahler e Brahms. Com quatro irmãos, cresceu num bairro pobre e, aos 13 anos, abandonou a escola para ajudar no sustento da família, trabalhando como secretária na companhia dos telefones. Teve aulas de canto com Sally Martin, Frank Rowe e o barítono Bernard Diamant. Em 1953, deu o primeiro recital no YWCA, acompanhada pelo pianista John Newmark que passou a ser seu colaborador durante um longo período da sua carreira. Fez várias digressões pelo Canadá e Europa com o grupo Jeunesses Musicales.
A estreia de Maureen Forrester nas salas de concerto foi com a Nona Sinfonia de Beethoven, conduzida por Otto Klemperer. Em 1956 estreou-se no Town Hall, em Nova Iorque. Nesse mesmo ano, Bruno Walter, maestro e compositor alemão, convidou-a para cantar. Estava à procura de uma contralto para uma actuação e gravação da Sinfonia n º 2, de Mahler. Em 1957, Maureen Forrester realizou um recital, acompanhada pela Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, na despedida de Walter.
A dicção alemã que Forrester possuía era considerada excelente e o seu sentido dramático também era admirado. As suas actuações em óperas eram, preferencialmente, em papéis para mezzo-soprano e contralto. Também deu voz à personagem Bianca Castafiore na série de televisão “As Aventuras de Tintin”.
Trabalhou com todos os principais maestros de renome internacional e foi casada com o maestro Eugene Kash, com quem teve cinco filhos, entre eles os actores Linda Kash e Daniel Kash. Maureen Forrester morreu, com 79 anos, no dia 16 de Junho de 2010, em Toronto.


4º andamento "Urlicht” da Sinfonia nº 2, de Mahler
Contralto: Maureen Forrester
Maestro: Glenn Gould

 

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