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Sócrates, Ferreira Fernandes e eu

por Rogério Costa Pereira, em 29.03.13

De vez em quando lá acontece. Discordar do Ferreira Fernandes. É raro mas acontece. Vou tentar que as últimas frases deste artigo, aquelas que me são insuportáveis, não me coloquem de pé atrás com o dito articulista, dos poucos que vale a pena ler no DN. Quanto a Sócrates, não coloco duas vezes o pé na mesma argola. E não será por certo ele, feito excepção, a confirmar a minha regra. Não quero entrar no pagode das contas. Seria escusado dizer o óbvio, que lhe admiro as ganas, o instinto e a sagacidade (o problema é o umbigo, que lhe entorta a mira). Não darei mais para esse peditório, como não darei mais para este sistema que cai de podre. Subscrevo o que Sócrates disse na entrevista, em referência directa ao microfone luso da Merkel e em referência ainda mais directa (haja olhos e ouvidos) ao jotinha-sempre-jotinha que "lidera" o PS. Mas não subscrevo Sócrates. Ouvi-lo-ei mas não lhe darei ouvidos. Para que fique claro, e no que tange à repartição de culpas, não foi Sócrates que escolheu para Ministro das Finanças um aprendiz de feiticeiro. Mas Sócrates é Sócrates. E eu tenho memória.  

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publicado às 19:14


E tu, Falâncio, não avanças? [por Ferreira Fernandes, DN]

por Rogério Costa Pereira, em 27.02.13

Será para aí a primeira ou segunda vez que não subscrevo na íntegra um artigo do Ferreira Fernandes, pelos menos nos últimos dois anos. Refiro-me, no caso do artigo infra reproduzido, à última frase. A culpa não é apenas dos "estúpidos e venais da classe política". É acima de tudo nossa. A ocasião faz o ladrão. Não nos temos portado à altura, deixámo-los à solta, e assim fizemos a ocasião. Também por isso vou ao 2 de Março.


"Um pouco como se nas legislativas de 2043 tivéssemos o Falâncio dos Homens da Luta a preparar-se para formar Governo... É aí que estão os italianos. Há trinta anos, Beppe Grillo era um humorista de televisão a dar show em dia de eleições. Ontem, apareceram vídeos desses tempos passados, em que os humoristas contavam piadas e os políticos contavam votos. Numa noite eleitoral de 1983, de descalabro da já falecida Democracia Cristã (DC), Grillo saltou para a cena: "Calma! Ainda faltam os votos da Nossa Senhora de Lurdes e de Fátima!" Ontem, Beppe Grillo era o líder e profeta do Movimento 5 Estrelas, 26 por cento, primeiro partido de Itália e, se contarmos as coligações, a terceira força italiana e aquela sem a qual não se governa. Nessa posição de força, a que apelou o Movimento 5 Estrelas? A um método não muito diferente do humorista Grillo de 1983, que gozava com a mania de a DC em acreditar em milagres: se não reza às santas, confia na Internet! É, as decisões do partido charneira da política italiana vão ser avalizadas por consultas online. Cada aprovação de lei vai pedir a aprovação, não do digníssimo público, como se diz nos circos, mas aos cibernautas. Beppe Grillo, o italiano que tem um dos dez blogues mais influentes do mundo, tem o teclado poderoso. Vivemos um admirável mundo novo e os perigos são evidentes. Aos estúpidos e venais da classe política podemos agradecer o laboratório onde nos meteram."

Ferreira Fernandes, DN

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publicado às 11:41

"No princípio do ano Portugal ganhou o prémio Urso de Ouro de curtas-metragens do Festival de Berlim (filme Rafa, de João Salaviza). Está o ano a acabar e só por falta de comparência não ganhámos o prémio Figura de Urso, também em Berlim. Desta vez não era uma curta-metragem mas um longo vídeo de 4:55, que são outros tantos minutos e segundos a mais. Conhece-se a história da mais desastrada produção do cinema mundial: Marcelo sonhou, o publicitário Rodrigo Moita de Deus deitou mãos à cabeça e o vídeo estampou-se. Há uma cena da obra em que, a ilustrar o que diz a voz off ("desperdiçámos dinheiro em coisas desnecessárias"), uma portuguesa exibe um cartão Visa. A alternativa, deduz-se, era acabar com essas modernices bancárias e voltarmos a trocar uma hora de limpeza de escadas por um par de calças cerzidas. Ignorando que há o YouTube, um lugar para pôr vídeos que, sendo jeitosos, podem ser um sucesso, os autores quiseram exibi-lo no Sonny Center, numa praça de Berlim. Alguém de bom gosto recusou, gritámos "censura!" e os alemães, de nós, só ficaram a saber que engatilhamos o grito "censura!" com facilidade. Aconteceu tudo isto em simultâneo com a visita de Angela Merkel a Portugal. O que talvez justifique o famigerado vídeo. Hoje, a senhora vai estar 40 minutos com Passos Coelho, no Forte de São Julião da Barra. Dá para passar o vídeo de Marcelo quase dez vezes. É uma boa vingança."

[por FERREIRA FERNANDES, no DN]

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publicado às 14:49

Numa escola, uma criança não pode ser castigada por um erro que se sabe que ela não cometeu. Dito isto, passemos ao recreio. Há pais que não pagam o almoço escolar do filho, mas não prescindem das cervejolas que custam o mesmo? Sim, tá bem, adiante... O almoço nas escolas devia ser grátis? Sim, claro, e fechar os olhos às notícias também... 

A diretora da escola, como mostrou o cameraman, pinta as unhas? Pois, e as jornalistas vão para as reportagens de camisa coçada... Uma deputada da oposição interpelou o ministro pela desgraça da fome? Claro, e deve ter deixado de falar aos colegas que andam de Audi A5 público... Fim do recreio. Voltemos ao tutano: uma criança de cinco anos foi separada dos colegas e levada para uma sala onde não lhe deram almoço, deram-lhe outra coisa, porque os pais não pagaram a alimentação dela. E se calhar lá em casa o televisor é de plasma... 

Parou! Já disse que acabou o recreio. Estou-me nas tintas para os pais, para a diretora, para o raio que os parta. Aqui é a criança que conta, só ela. Aos cinco anos, elas são finas como jamais voltarão a ser: a castigada e as colegas perceberam que ela foi humilhada. Isso é que conta. E o extraordinário é que esse facto revoltante foi dissolvido em discussões laterais. Aqueles cinco anos segregados, para a sala ao lado e para ao lado do almoço, tornaram-se um mero pretexto. Tantas causas, tão pouca compaixão.

 [por Ferreira Fernandes, DN] 

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publicado às 11:28


Festejar é proibido?

por Francisco Clamote, em 12.04.12
"Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação, foi ao Parlamento defender a empresa pública Parque Escolar que geriu um programa de obras nas escolas, e deste disse: "Foi uma festa." Fico-me por essas palavras. Aliás, não estou sozinho, o deputado Sérgio Azevedo escreveu no seu blogue o seguinte: "Maria de Lurdes Rodrigues acaba de afirmar na Comissão Parlamentar de Educação, a propósito do desvario da Parque Escolar, que foi 'uma verdadeira festa para arquitetos e construtores'." O deputado poderia ter inventado frase ainda com maior acinte: "Ela disse que foi uma festa para patos bravos." Mas a ex-ministra, de facto, disse: "Uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitetura, para a engenharia, para o emprego e para a economia." Ou, em outro momento da audição: "[...] uma festa para o País." Chicanas iguais à do deputado foram muito repetidas ontem, com esse nosso jeito para agarrar palavras dos outros e insultá-las. É o que eu venho fazer aqui, pela metade: agarrar palavras. E depois dizer que num país onde os particulares gastam em jantes de liga leve o que não gastam em livros e os públicos fazem da paixão pela educação um mero slogan, num país pobre com bancos ranhosos que oferecem juros de 136 por cento ao ano, reconstruir escolas é uma festa. É uma festa. Sim, é uma festa. Dito isto - não, ainda quero insistir: reconstruir escolas é uma festa -, dito isto, passemos aos candeeiros de Siza Vieira."

(Ferreira Fernandes; Ponto prévio: sim, é uma festa; in DN) (Negrito meu)


- Para a direita no poder, sim , é proibido.

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publicado às 20:52


Como não acreditar ?

por Francisco Clamote, em 12.04.12
"Em 2004, o CDS meteu um milhão de euros numa conta bancária em seu nome. Acção meritória, como já foi assinalado por Paulo Portas: quem não teme, deposita. Mas um milhão é conta calada e a PJ foi tentar pô-la a dar com a língua nos dentes: conta, donde vieste tu? O CDS explicou: da benemerência dos seus militantes. Não é próprio de (democratas-)cristãos dar a quem precisa? Mas a PJ, que é laica, insistiu: tá bem, militantes, mas quem? Aí, o CDS estendeu uma lista com quatro mil recibos.

Infelizmente, a PJ é contumaz na desconfiança. Pôs-se a ler os nomes nos recibos. E descobriu um: "Jacinto Leite Capelo Rego." É um nome como qualquer outro, mas a PJ, na sua sanha persecutória, pôs-se a ler o nome com pronúncia brasileira (abrindo as vogais). E com esse indício inventou uma cabala, em que os doadores seriam falsos e os recibos forjados para esconder uma verdadeira doação do Grupo Espírito Santo ao CDS, quando do caso Portucale. Na altura, o CDS estava no Governo e tal doação, a ter sido feita, faria suspeitar de pagamento por um favor ilegal.

Eu não acredito. Eu acredito na existência, mesmo, de um militante do CDS chamado Jacinto Leite Capelo Rego. Há anos, o jornal A Folha de São Paulo fez uma lista de nomes esquisitos brasileiros e encontrou um "Jacinto Leite Aquino Rego". Deve ser um primo emigrante do militante democrata-cristão. A PJ diz que não. Diz que dois funcionários do CDS, tendo de arranjar quatro mil nomes, inventaram o acima nomeado Jacinto. Assim, os dois funcionários ficaram arguidos no processo-crime "Portucale". Lembro: já há tempos dois procuradores arquivaram o caso agora reactivado. Um dos procuradores chamava-se Auristela Hermengarda. O que só prova que o caso Portucale atrai nomes esquisitos, embora legítimos.

Para mim, é natural que no CDS haja alguém chamado Jacinto Leite Capelo Rego. Afinal, o PSD tem um presidente da Câmara, em Mafra, chamado José Ministro dos Santos, o PS, em Cuba, tem Francisco Galinha Orelha e a CDU, em Sesimbra, Augusto Carapinha Pólvora. Agora, PJ, vai investigar outros partidos com nomes esquisitos?

Em todo o caso, a PJ não explica o que levaria dois funcionários do CDS a inventar um nome daqueles. Dar uma pista? Então, assinavam José Espírito Santo de Orelha. Inspiraram-se na lista da Folha de São Paulo? Pouco provável. No CDS, que é pela família, mais depressa copiavam outro nome da lista: Himineu Casamentício das Dores Conjugais. Ou, sendo pelo capitalismo: Chevrolet da Silva Ford. Ou, sendo católicos: José Padre Nosso. Naaaa... Jacinto Leite Capelo Leite existe mesmo. Apareça e desfaça este equívoco." 

(Ferreira FernandesO DIREITO A TER NOME ESQUISITO E PODER SER BENFEITOR DO CDS) (Negrito meu)

(Via)

Sim, como não acreditar, depois da sentença hoje proferida, comentada aqui

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publicado às 17:58


Quocientes

por Francisco Clamote, em 01.03.12
QI, na versão de Ferreira Fernandes, hoje, no DN:
"Há dias, Eduardo Catroga disse uma coisa extraordinária. Tendo sido escolhido para presidente da EDP, explicou a decisão, assim: "Eu era um candidato natural". Na mesma altura, estando eu em Angola, li num jornal local a entrevista também extraordinária de um empresário. Perguntado sobre qual a refeição mais cara que teve, o empresário respondeu: "Ainda há dias, num almoço em Amesterdão, uma garrafa de vinho custou-me 1500 dólares." Qualquer candidata a Miss Mundo saberia dizer que se tivesse esse maço de notas dá-lo-ia a um hospital pediátrico... O despudor do empresário angolano era de quem ignora tudo da política (isto é, da relação de cada um com a gente à volta) a ponto de acirrar os que têm muito pouco e justamente se ofendem com a arrogância dos poderosos. O caso de Catroga é politicamente parecido. Em Portugal há escândalos recorrentes com o termo "boys". Daí as nomeações, que deveriam ser sempre na base da competência (o que é o caso Catroga/EDP), exigirem também discrição política. Ora alguém achar-se "candidato natural para a presidência da EDP" é um estardalhaço desnecessário e arrogante que não pode senão excitar indignações. Recorro ao imaginativo falar luandense para mostrar que ninguém se deixa enganar. Por lá se explica o que leva alguém a conseguir um alto cargo: "Esse tem um grande QI!" E não, não se referem a Quociente de Inteligência, mas sim a ter um grande e poderoso Quem Indicou."
(Bold meu)

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publicado às 17:53


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