Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


(cliquem na imagem para ampliar)

«Maria da Assunção Esteves (PPE-DE ), Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007 – Estrasburgo  O terrorismo desafia a nossa sociedade livre e aberta. Às vezes, traz-nos mesmo a tentação de criar um direito securitário muito próximo da erosão dos nossos valores civilizacionais.

A União Europeia tem, por isso, de criar com urgência um código comum que deixe claros os princípios e os métodos.

Em primeiro lugar, a garantia dos princípios da dignidade humana e do Estado de Direito em todas as frentes no combate ao terrorismo. Não podemos fazer claudicar as bases morais da democracia que assentam justamente nesses valores. Como dizia Simone de Beauvoir, não podemos permitir que os nossos carrascos nos criem maus costumes.

Em segundo lugar, é necessário criar uma legislação uniforme dos Estados-Membros. A União, neste aspecto, tem mesmo que ser União. O combate ao terrorismo torna urgente uma prática de unidade e de coerência das regras; ele não pode ser deixado aos impulsos de cada Estado-Membro e das suas opiniões públicas de ocasião.

Em terceiro lugar, impõe-se a promoção de um trabalho em rede e a promoção de consensos através da legitimação das medidas no Parlamento Europeu e nos parlamentos nacionais.

Em quarto lugar, o esforço da União Europeia para a criação de um mecanismo internacional das Nações Unidas para a monitorização das práticas e legislações de emergência. Este é um combate de larga escala, não é um combate apenas da Europa ou do eixo euro-atlântico.

Finalmente, o combate ao terrorismo exige-nos um esforço de criação de uma comunidade internacional mais justa e equilibrada, o diagnóstico das causas e das fracturas, a promoção de uma cultura de direitos transversal aos povos e um esforço imenso no diálogo entre civilizações. O terrorismo é um fenómeno complexo. Não podemos responder-lhe com uma interpretação simplista.»

[via Francisco Zuzarte Sénior]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:11


A Esteves fascista e os carrascos do POVO

por Rogério Costa Pereira, em 11.07.13

"Nous ne devons pas laisser nos bourreaux nous donner de mauvaises habitudes".

Esta frase, de Simone de Beauvoir, foi hoje urrada em português pela Esteves, presidente da AR, em referência aos DEMOCRÁTICOS protestos que vinham das galerias. Como bem contextualiza Nicolau Santos,"Beauvoir escreveu esta frase a propósito da opressão nazi sobre os franceses durante a II Guerra Mundial. Equiparar cidadãos portugueses que se manifestavam na casa da democracia a torturadores e carrascos nazis é inadmissível - e é totalmente inaceitável que seja a presidente da Assembleia da República a fazer essa comparação. O povo português merece seguramente um pedido de desculpas por parte de Assunção Esteves. E quem em democracia tem medo do povo, não merece seguramente ocupar o segundo cargo na hierarquia de um Estado democrático."

Numa coisa a Esteves tem razão, estamos a "deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes". Mas nós, não ela e os da sua igualha. No caso, o costume de deixar que esta tralha de gente nos insulte todos os dias - todos os dias! -, já com os seus tiques fascistas escancarados, sem medos de revelarem o que lhes vai no intestino.

Nicolau Santos é brando. Eu não aceito as desculpas da Esteves. Os carrascos são eles, não nós (não estive nas galerias do Parlamento, mas não gritaria melhor). E, a cada dia, eles trepam-nos mais pelo lombo acima.

Mas a História vai cumprir-se, é a História que o diz.

Demite-te, fascista! [digo eu, pateta, como se fosse possível um fascista abandonar o poder sem ser corrido a pontapé]

Adenda: afinal, são habitos velhos e uma frase decorada: Os terroristas das Galerias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:18


Neoliberalismo for dummies

por Rogério Costa Pereira, em 25.01.13

Ouvi ontem à noite, na rádio, que Marques Mendes teria anunciado, na TVI 24, a existência de um acordo entre o governo e os “parceiros sociais” sobre a questão dos 12 dias. Já era tarde e pensei que havia de ser exagero ou da boca do radialista ou dos meus cansados ouvidos.

Hoje de manhã, leio no DN que: "Na prática há um acordo feito. Não está ainda formalizado, mas está feito", afirmou. Segundo Marques Mendes, "este acordo tem dois aspectos. O objectivo de redução para os 12 dias mantém-se, mas a sua aplicação será gradual. Muito gradual. Não três, quatro ou cinco anos, mas muito mais tempo. O Governo salva assim a face mas a grande vitória é da UGT. E bem. Acho que é sensato, porque me parecia ser de uma certa violência aquilo que existia".

Vou ser franco, estou cansado. Cansado de me repetir perante tanta repetição. Sinto-me como que a jogar o jogo deles. As minhas palavras têm sido mais ou menos as mesmas. E, francamente, penso que com estoutro post poderia, vivesse eu bem com isso, ter dado por encerrado este meu capítulo de acção. Poder podia, é um facto. Podia mudar a forma de teclar e mudar o formato do teclado. Até podia enlouquecer, se quisesse (trocando as voltas aos passos do Herberto Hélder). Mas há argumentos contra factos.

Vou narrar. A coisa é mais ou menos self-explanatory. Ontem o cu do neoliberalismo, António Borges, que tem (só ele) onze dedos no gatilho, veio dizer que chegava de austeridade. Houve para aí uma esquerda que embarcou na conversa e até bateu umas palminhas. No mesmo dia, Marques Mendes, mandatado como está, anuncia o que parece que anunciou. Dois factos, pois. Aparentemente desencontrados, mas obviamente concertados.

De Borges já disse, mais do que uma vez, o que pensava. Está a soldo do Goldman Sachs e tudo o que ele diz é em prol do patrão. Patrão com quem nunca terá assinado contrato, logo não precisam de o rasgar. Está como efectivo. Há tempos — isto é como as cerejas —, alguém dizia que o tipo havia sido sumariamente despedido do GS. Pensem de novo. Nunca o trabalho foi tanto para o goldman boy.

Quanto ao marcelo-versão-de-bolso (já repararam que o tipo até tenta imitar o caga postas de pescada de Domingo à noite na TVI?; a voz, o tom…), quanto ao Mendes, dizia, ainda não o dissequei que chegue, sendo que seria um prazer fazê-lo mesmo, ao invés de com palavras. Mas cinjo-me às palavras e faço-o de seguida. Tudo sobre Marques Mendes.

Já está.

Agora a UGT. Roma não paga a traidores. Mas eles nunca foram romanos, ergo, talvez Roma lhes pague. No que me toca, vou registando. Sendo que já todos os homens de bem terão percebido quem é aquele tipo que todos os dias anuncia rasgar o acordo para todos os dias o voltar a assinar. Um parceiro social, por certo. Meus caros, nos dias de hoje, parceiro social é quem recusa sentar-se à mesma mesa com o neoliberalismo que nos rege e que põe o fascismo em pose de menino de coro.

Já está.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:07

Não entres tão depressa nessa noite escura — António Lobo Antunes
Do not go gentle into that good night


Ainda Janeiro não vai a meio e já a promessa dum admirável mundo novo se adensa sob um céu razoavelmente azul. Antigamente, estes eram os dias dos Reis; dias para guardar o presépio, ainda com o brilho dos olhos das crianças bem frescos na memória; para deitar fora o pinheirito do Natal, testemunha verde dum Planeta que se renova ante nós, todos os anos. Eram dias para cantar as janeiras: Já nos cansa esta lonjura / Só se lembra dos caminhos velhos / Quem anda à noite à ventura.

A idade da razão deve arder e delirar ao fechar do dia
Rasga, Fulmina a morte da luz.


Hoje, as máscaras caiem, uma após outra. Sabemos, sem margem para dúvidas, ao que vêm o pedro e a laura. Para o pedro e a laura, "Estado Social" é uma expressão feia, neo-alvo das neo-janeiras, indomitamente exorcizados pelo habitual coro (coiro?) dos imbecis. Que importa ser o tal demónio da coesão social, a condição sine qua non para a existência daquele agente histórico a que chamamos consumidor? "Em frente, soldados da fé!"..., nem que seja com um camelo à cabeça.

Mesmo que os sábios, no seu final, saibam que a escuridão é certa,
Porque as suas palavras não se bifurcaram em raios,
Não deslizam suavemente nessa noite escura.

Houve-se hoje, com demasiada frequência, aquela frase que coloquei no título: "Isto nem no tempo do Salazar...". Inquieta-me: a que será que me obriga a "idade da razão", como escolhi traduzir o verso de Dylan Thomas? Evoca-me memórias desse tempo, como quando o meu avô paterno se sentou, pela primeira vez, à frente duma televisão. A minha avó tinha-o convencido a ir a casa da filha mais nova, assistir à reportagem da inauguração da ponte sobre o Tejo: "Era isto que querias que eu visse? Já os conheço a todos". Lá se deixou convencer a comprar o caixote, Telefunken, claro. Mas depois não olhava para ele. A sua fonte principal de notícias era um rádio, um monstro a válvulas, Grundig, claro, onde ele costumava ouvir o Fernando Pessa, nos noticiários da BBC, durante a guerra; "São todos uns boches, mas ninguém faz rádios como eles".

Homens bons, na última onda, chorando o brilho
Com que os seus actos frágeis teriam dançado numa baía verde,
Rasgam, Fulminam a morte da luz.




Lembro-me dum salão de bilhar, em Almada, coisa de alto gabarito (para quem gostar da arte, claro). Ainda existe, mas..., ah! perdeu o carisma. E lembro-me dum fulano que por lá sempre parava. Um dia disse-me "...tu falas demais...". Logo me avisaram: "cuidado que o gajo é um bufo da Pide"; bem o sabia. A sensação desagradável, foi que aquele bufo gostava de mim, e estava a tentar proteger-me. Desapareceu, depois do 25 Abril, nunca mais o vi.

Os violentos que capturam e cantam o Sol no no seu voo
E aprendem demasiado tarde que o choraram na sua rota,
Não deslizam suavemente nessa noite escura.

Lembro-me. De ouvir contar histórias sem fim a respeito dos tempos do "racionamento"; já era taludo, e já depois do 25 de Abri, quando fiquei a saber, com espanto ingénuo, como esse racionamento, o tempo do "Livro-vos da guerra mas não vos livro da fome", se iniciou para exportar bens alimentares para a Espanha nacionalista de Franco, entre 1936 e 1939. Tudo a bem da balança comercial, claro.

Homens graves, próximos da morte, vendo com vista deslumbrante,
Como olhos cegos podem arder, tais meteoros, e sorrir
Rasgam, fulminam a morte da luz.

Lembro-me da Cecília Jonet, ou da Isabel Supico-Pinto, ou lá como é que a megera da comendatriz se chamava, e do asco que me causava aquela solicita propaganda de guerra. Não me lembro dos soldadinhos que ela adorava, que nunca conheci nenhum. Esses, acho que só as mães os recordaram; talvez os filhos que nunca viram e que nunca os viram a eles.

E tu meu pai, nesse teu cume triste,
Amaldiçoa-me, abençoa-me, com as tuas lágrimas ferozes, te peço.
Mas não deslizes suavemente nessa noite escura.
Rasga, fulmina a morte da luz.


Compreendo hoje que não conheci "Os tempos do Salazar". Assisti ao extertor da sua agonia, mas nada do que eu relembro, por memória própria ou próxima, tem a ver com os dias que vivemos. Falámos e abusámos da palavra fascismo, ao ponto de o termos banalizado. Hoje, assistimos a algo diferente, à ascensão do monstro, que na sua encarnação anterior, teve lugar nos anos trinta e quarenta do século passado. É a mesma agressão, a mesma arrogância, na criação dum "mundo novo". O mesmo desprezo e a mesma loucura. Não vou comparar os dias de hoje com os tempos da "sardinha para três"; esses, nunca os conheci. Mas se há algo que eu sei, é que todas as encarnações do monstro têm algo em comum e esse algo chama-se dor. Se há algo que eu sei, é que a dor dói.



N.B.: O título do Lobo Antunes é incontornável como glosa do primeiro verso de Dylan Thomas. Os restantes, como é óbvio, só me comprometem a mim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:44


Ary dos Santos – Poeta do povo

por António Filipe, em 07.12.12
Há pessoas que nos marcam para sempre. Que nunca esquecem, dê o mundo as voltas que der ou demos nós as voltas que dermos ao mundo. Na minha vida, Ary dos Santos foi uma dessas pessoas.

Acho que a primeira vez que ouvi falar dele foi em 1969, aquando da campanha para as eleições legislativas que os fascistas realizaram, com o único objectivo de tapar os olhos ao povo. Mais ou menos como agora acontece, por parte dos que se dizem democratas. Estávamos na Primavera Marcelista. Era eu um jovem de 17 anos, que colaborava como podia na campanha da CDE (Comissão Democrática Eleitoral), cujos membros se candidatavam contra a União Nacional, o partido de Marcelo Caetano.
Um dos nomes que sobressaía nessa campanha, não como candidato, mas como apoiante da CDE era, exactamente, o de José Carlos Ary dos Santos, um homem de 32 anos que escrevia poesia desde os quinze ou dezasseis. E a sua poesia dava-nos força para, correndo os óbvios riscos, lutarmos contra um regime que nada tinha de bom.
Mas a força do Ary era maior que a de nós todos juntos, como relata António Abreu, no Bloque “Antreus”:
Os comícios e sessões da CDE eram acompanhados pela polícia que impunha a sua presença. E acabavam mal com esta a intervir por os oradores não se cingirem ao que eles aceitavam. A guerra colonial, como o Tengarrinha refere, vinha no final das sessões pela sua própria boca e...as sessões acabavam.... Mas às vezes...
No Teatro Vasco Santana a sala está repleta. Candidatos na mesa serão os oradores. Mas eis que Ary avança com o seu conhecido poema "SARL". Di-lo, como calculamos, a subir da sua baixa estatura à estatura de um gigante. O Maltez Soares manda encerrar a sessão. O Ary sai do palco, dirige-se a ele e continua a dizer o poema em voz alta porque o som tinha sido cortado. O Maltez recua e grita "Se não saem, atiro para aí uma granada!...". Acabou por atirar a polícia de choque contra as pessoas à saída.”
(in Blogue “Antreus” - http://antreus.blogspot.pt/2009/10/como-vivi-as-eleicoes-de-1969.html)
Das coisas que mais me orgulho, ainda hoje, é do facto de, nesse ano de 1969, na minha aldeia, ter ganho as eleições o partido que era contra o governo. Coisa inédita, que só aconteceu, nesse mesmo ano, numa outra freguesia, perto de Lisboa. A força do Ary dos Santos deu-me força para ajudar a que isso acontecesse. Um ano e meio antes, tinha acontecido, na França, o “Maio de 68”, que serviu de inspiração a muitos jovens portugueses. Em 69, os estudantes de Coimbra começavam a revoltar-se contra o sistema. Era o princípio do fim do regime fascista. Começaram a surgir muitos poetas e cantores de intervenção. Mas, hoje, recordo o Ary, porque, se fosse vivo, faria 75 anos.
José Carlos Ary dos Santos nasceu em Lisboa, no dia 7 de Dezembro de 1937 e veio a falecer na mesma cidade, a 18 de Janeiro de 1984.
Viveu, quase sempre, na Rua da Saudade. E deixou muitas saudades.
A sua obra permanece na memória de todos e, estranhamente (ou talvez não), muitos dos seus poemas continuam actualizados.


Poema “Não passam mais”, de José Carlos Ary dos Santos

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:55


página facebook da pegadatwitter da pegadaemail da pegada



Comentários recentes

  • Aboubacar Aboubacar Sacko

    Se você precisar dos serviços de um hacker ético c...

  • Anónimo

    Eles são um grupo profissional de hackers além da ...

  • Anónimo

    Quando se trata de hackers, somos profissionais, t...

  • Anónimo

    ENTRE EM CONTATO PARA TODOS OS TIPOS DE TRABALHO H...

  • Anónimo

    Se você precisar de um serviço de hackeamento prof...

  • Aboubacar Aboubacar Sacko

    Se você precisar dos serviços de um hacker ético c...

  • Anónimo

    OLÁ!!! Você é um homem ou uma mulher? Você precisa...

  • Anónimo

    Se você precisar de um serviço de hackeamento prof...

  • Anónimo

    Ile é conectado como o controle de acesso à Intern...

  • Anónimo

    Eles são conhecidos como os onipotentes gurus da I...


Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Pesquisar

Pesquisar no Blog