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Porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa diz que o processo acarreta morosidade -  Fim dos feriados religiosos pode ser adiado para 2013.
Enquanto o 5 de Outubro e o 1.º de Dezembro desaparecem do calendário dos feriados, o fim dos feriados religiosos pode ser adiado para 2013 por este Governo, que está de joelhos perante as sotainas, desprezando a laicidade a que é obrigado e traindo o regime – a República –, cuja data emblemática é o 5 de Outubro.
A laicidade é uma conquista republicana que defende a liberdade religiosa e a paz.
Enquanto os judeus ortodoxos se agarram à Tora e à faixa de Gaza, os muçulmanos debitam o Corão e se viram para Meca e os cristãos evangélicos dos EUA ameaçam a laicidade e a teoria evolucionista, os conflitos religiosos e o terrorismo assustam a Europa.
A emancipação do Estado face à religião iniciou-se em 1648, após a guerra dos 30 anos, com a Paz da Vestfália e ampliou-se com as leis de separação dos séc. XIX e XX, sendo paradigmática a lei de 1905, em França, que instituiu a laicidade do Estado.
A libertação social e cultural do controle das instituições e símbolos religiosos foi um processo lento e traumático que se afirmou no séc. XIX e conferiu à modernidade ocidental a sua identidade.
A secularização libertou a sociedade do clericalismo e fez emergir direitos, liberdades e garantias individuais que são apanágio da democracia. A autonomia do Estado garantiu a liberdade religiosa, a tolerância e a paz civil.
Não há religiões eternas nem sociedades seculares perpétuas. As três religiões do livro, ou abraâmicas, facilmente se radicalizam. O proselitismo nasce na cabeça do clero e medra no coração dos crentes.
Os devotos creem na origem divina dos livros sagrados e na verdade literal das páginas vertidas da tradição oral, com a crueza das épocas em que foram impressas.
Os fanáticos recusam a separação da Igreja e do Estado, impõem dogmas à sociedade e perseguem os hereges. Odeiam os crentes das outras religiões, os menos fervorosos da sua e os sectores laicos da sociedade.
Em 1979, a vitória do ayatollah Khomeni, no Irão, deu início a um movimento radical de reislamização que contagiou Estados árabes, largas camadas sociais do Médio Oriente e sectores árabes e não árabes de países democráticos.
Por sua vez o judaísmo, numa atitude simétrica, viu os movimentos ultraortodoxos ganharem dinamismo, influência e armas, empenhando-se numa luta que tanto visa os palestinianos como os sectores laicos.
O termo «fundamentalismo» teve origem no protestantismo evangélico norte-americano do início do séc. XX. Exprimiu o proselitismo, recusa da distinção entre o sagrado e o profano, a difusão do deus apocalíptico, cruel, intolerante e avesso à modernidade, saído da exegese bíblica mais reacionária. Esse radicalismo não parou de expandir-se e já contamina o aparelho de Estado dos EUA.
O catolicismo, desacreditado pela cumplicidade com regimes obsoletos (monarquias absolutas, fascismo, ditaduras várias), debilitou-se na Europa e facilitou a secularização. O autoritarismo e a ortodoxia regressaram com João Paulo II (JP2) e Bento XVI (B16), que enterraram o concílio Vaticano II e recuperaram o Vaticano I e o de Trento.
Os dois últimos pontífices transformaram a Igreja católica num instrumento de luta contra a modernidade, o espírito liberal e a tolerância das modernas democracias. Tem sido particularmente feroz na América latina e autoritária e agressiva nos Estados onde o poder do Vaticano ainda conta, através de movimentos sectários de que Bento XVI foi herdeiro e protetor, ou esteve na sua génese.
A passagem pelo poder de líderes políticos que explicitaram publicamente a sua fé, em países com fortes tradições democráticas (EUA e Reino Unido), foi um estímulo para os clérigos e um perigo para a laicidade do Estado. Por outro lado deram um mau exemplo aos países saídos de velhas ditaduras (Portugal, Espanha, Polónia, Grécia, Croácia), facilmente disponíveis para novas sujeições.
A interferência da religião no Estado deve ser vista, tal como a intromissão militar, a influência tribal ou as oligarquias – uma forma de despotismo que urge erradicar.
A competição religiosa voltou à Europa. As sotainas regressam. Os pregadores do ódio sobem aos púlpitos. A guerra religiosa é uma possibilidade a que os Estados laicos têm de negar a oportunidade. Só o aprofundamento da laicidade nos pode valer.
E Portugal vai por mau caminho.

 

Carlos Esperança – Coimbra, 29 de Fevereiro de 2012

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publicado às 16:00

 

 Essa anedota da meia-hora de trabalho a mais, a ir para a frente, vai dar num fartote de produtividade tal que há mesmo que ter cautela com o superavit que nos vai cair em cima, não nos vá rebentar algum tímpano ou isso por causa da diferença de pressão. Deste arremedo para boche ver virá apenas isso mesmo. Uma ridícula vénia macaca de uma voz ao respectivo dono. Os "mestres do privado" guiam-se pela bitola do público; só podia dar merda.

Eis, pois, a medida mais idiota deste governo marioneta, ex aequo com umas dezenas de outras. A começar pelo lamber dos tomates à igreja, pontuado (pentelhado?) pelo fim de dois feriados marcantes em vez de acabar com duas tangas beatas que nada podem significar num Estado Laico. Essa da igreja ter chegado a acordo, então, é demais para mim. Pura e simplesmente não concebo, não aceito e essa merda não pode ficar assim. Mandam o 5 de Outubro às malvas por causa de uma espécie de mênstruo esquisito? "Não é o que tu pensas, José!"? Chocam-vos, as minhas palavras? Pois assim mas dita a vossa acção.

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publicado às 22:20


Num estado laico, o normal é ser assim

por António Filipe, em 09.12.11

Reuters, 5 de Dezembro de 2011

http://www.reuters.com/article/2011/12/05/us-usa-religion-schools-idUSTRE7B41ML20111205

Basicamente, esta notícia diz que o Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos decidiu que as escolas públicas não podem permitir que as suas instalações sejam usadas para cerimónias religiosas, mesmo fora do horário escolar.
Dum estado laico não se esperava outra coisa. Nem devia ser notícia.
O nosso estado, nesta matéria, nem é carne nem é peixe. Por um lado diz-se laico, mas por outro ajoelha-se aos pés da igreja católica, mesmo em coisas tão simples como a decisão de quantos feriados devem deixar de o ser. A igreja manda e o estado obedece. A igreja católica tem, da parte do governo português, benefícios que todos pagamos, quer sejamos católicos, muçulmanos, judeus, budistas ou mesmo ateus. Tudo por causa de uma concordata, inicialmente assinada pelo governo de Salazar, em 1940, revista em 1975 e, novamente, em 2004. Pode ler-se aqui o seu articulado:

http://www.ucp.pt/site/custom/template/ucptplpopup.asp?sspageid=114&artigoID=2478&lang=1.

Ao ler os seus artigos, tenho que confessar que alguns me deram vontade de rir. Esta concordata, que eu acho injusta e pouco democrata, sobreviveu a vários governos, incluindo três que tiveram como cabeça de cartaz o homem que afirmava orgulhosamente: "Sou socialista, republicano e laico".

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publicado às 00:18


A propósito dos feriados e para que conste!

por Rogério Costa Pereira, em 16.11.11

Em vez de acabar com a sexta-feira santa, com o dia de todos os santos ou com a imaculada conceição (já nem falo do natal ou da páscoa), o Governo Português decidiu acabar com o 5 de Outubro, Dia da Implantação da República. E nem me digam que não foi o Governo, que foi o Governo e a Igreja, que a minha azia só aumenta.

Fui ver e a definição continua a mesma: "laico (adj.) Que não sofre influência ou controlo por parte da igreja (ex.:estado laico)".

O n.º 4 do artigo 41º da Constituição também continua intacto: "As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto."

O mesmo digo do n.º 1 do mesmo artigo: "A liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável." 

E, claro, os artigo 1º ("Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária") e 2º ("A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa") por lá continuam. Serenos na letra.

Entendo que esta decisão é um atentado ao Estado de direito. O Estado não pode, numa política dirigista, e é isso que está a fazer, condicionar a visão que os seus cidadãos têm sobre a vida, sobre os outros cidadãos, sobre a forma de estar no mundo. Este Estado d'hoje é um Estado doutrinal, que me condiciona a celebração da República ao mesmo tempo que me fecha as escolas, os tribunais e todas as repartições públicas no dia ... da imaculada conceição. Já não se trata de paciência. Esta gente mete-me nojo!

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publicado às 20:09


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