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Give me back the Berlin Wall
Give me Stalin and St. Paul
I've seen the future, brother
And it is murder.

Leonard Cohen — The Future


Que alguém defenda o pastorinho das aparições de Caracas, é ridículo mas ainda consegue ter piada; que alguém defenda os santinhos de Havana, é provavelmente apenas mais um exemplo daquela contabilidade privada com os beatos da sua devoção, que Eça nos contou como os portugueses não resistem a manter, o caruncho sendo apenas mais um activo no deve e haver respectivo. Que alguém defenda o tirano de serviço em Pyongyang entra directamente no campo da obscenidade, mas enfim, trata-se de um pequeno país de bilhete postal, longínquo e misterioso, o equivalente moderno dos principados balcânicos do início do século vinte, mais não sendo do que a luta do pobre Joe Dalton, vítima do raquitismo, contra o malandro do Lucky Luke e só mesmo o Jolly Jumper para se dar conta dos erros de script.

Agora, aqueles que a respeito da Ucrânia mártir, não conseguem nem querem perceber que "o Coelho" é apenas um micro-Putin, entram directamente numa categoria escatológica bem definida, os coprófagos, isto é, aqueles que comem merda e gostam do sabor. Estão muito bem acompanhados: por mais que se esforcem, nunca vão conseguir chegar aos calcanhares deste fulano.



Jean-Paul Sartre. O exemplo mais acabado da profundidade que a esquizofrenia organizada do cérebro humano consegue atingir. O autor de "Os Caminhos da Liberdade"" foi o mesmo que lia calmamente L'Humanité pelas esplanadas de Paris — o órgão oficial do PCF publicou-se livremente até ao início do Verão de 1941 (mais de um ano após a rendição da França) -- e que, quando questionado a respeito do andamento da guerra, respondia "Ça ne me concerne pas". Será que o dizia "Com a morte na alma"? Ninguém o registou, sabemos apenas que o fazia "...para não atraiçoar os trabalhadores", fosse lá o que fosse que isso queria dizer.

Jean-Paul Sartre é o epítome da coprofagia europeia, que conseguiu muitas vezes atingir o génio, sem nunca deixar de exibir a sua natureza fecal. Quando pelo fim da Primavera de 1968, os operários dos complexos fabris da Renault nos arredores de Paris regressaram ao trabalho, os "revolucionários" da Sorbonne foram de férias. Em Agosto, quando os tanques soviéticos se passearam pelas avenidas de Praga, estavam, literalmente, de férias. E no fim de contas, aqueles eram os tanques bons. Nada de generalizações: "Que venez-vous faire Camarade / Que venez-vous faire ici / Ce fut à cinq heures dans Prague / Que le mois d'août s'obscurcit" — Jean Ferrat, Camarade"

Há uma precisão que não pode deixar de ser feita. A coprofagia não é uma doença de toda a Esquerda. Nas suas formas mais extremas, fica circunscrita ao "comunismo oficial" e àquela categoria histórica tão especificamente europeia como os Alpes, que são — essencialmente, foram — os compagnons de route. Os sectores não comunistas nunca atingiram esta profundidade, ficando-se sempre pela sua estirpe mais suave e muitas vezes com imensa piada, do anti-americanismo. Uma relação análoga à da varíola com as bexigas doidas. Também as tive e recordo-me perfeitamente de o médico me dizer que aquela forma atenuada (para além da vacina, claro) era a melhor garantia de nunca vir a ter problemas com o maior assassino da história da humanidade. No fim de contas, esta é provavelmente a conclusão importante: não há muito de errado nas doenças infantis, desde que façam parte do processo de maturação e não deixem marcas permanentes.


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publicado às 16:02


As doenças infantis da Esquerda — I: A perguiça

por Licínio Nunes, em 27.02.14
Este devia ser um livro importante. O livro que faltava. Não é, o "livro que faltava" continua em falta. Durante anos, li múltiplos excertos, vi os muito interessantes vídeos de promoção, até que disse para mim mesmo "...é desta".

E o primeiro contacto não podia ser melhor. "A doutrina do choque" de Naomi Klein, na edição portuguesa da Smartbook tem um buraco na capa, tal como teria sido provocado por uma bala. O início da "Introdução" já o conhecia, daqueles excertos que referi e apenas renovou o meu sentimento de asco perante a exibição do Mal. O Mal existe. No meio da destruição cataclísmica de Nova Orleães, resultante do furacão Katrina — e em grande medida, da incompetência do Governo de George W. Bush — Milton Friedman descortinou uma oportunidade, "[...]a oportunidade de reformar de forma radical o sistema educativo", acabando com as escolas públicas e substituindo-as por um sistema de vouchers, a serem gastos em "instituições privadas", realizando assim "[...]uma reforma permanente.", fim de citação.

Não sei se o "Tio Miltie" tinha "666" gravado no meio da testa, mas sei que a sua invocação me faz desejar que o Inferno exista, para que ele lá esteja a apodrecer em agonia permanente, até à consumação dos séculos. Mas sei também que a hipótese razoável é que Friedman não tenha sido a Besta do Apocalipse. Apenas uma grandessíssima besta.



Agora, e para entrar no tema deste post, uma besta sem dúvida, mas não um calão. Porque uma das doenças infantis da esquerda é a sua óbvia e manifesta preguiça intelectual. Comecemos pelas palavras. A designação mais comum para a narrativa dominante é a de "neoliberalismo" (baralha por completo os americanos e Naomi Klein dedicou alguns parágrafos a tentar superar o "ruído" gerado), substituída por vezes por "ordoliberalismo", germanismo obscuro e, tanto quanto me consigo aperceber, sem qualquer interesse. Os seus adeptos chamam-lhe "doutrina (ou síntese) neoclássica".

Ora para que algo possa ser "neoclássico", tem primeiro que ter existido algo como uma Teoria Clássica. E existiu. A expressão foi inventada por John Maynard Keynes para designar o conjunto de teorias económicas que ele próprio tinha ensinado durante muitos anos. Vejamos a sua síntese:

[...]O facto de os seus preceitos, aplicados à prática serem austeros e por vezes intragáveis, deu-lhe uma aura de virtude. O poder sustentar uma superstrutura lógica vasta e coerente conferiu-lhe beleza. O poder explicar muitas injustiças sociais e crueldades aparentes como incidentes inevitáveis da marcha do progresso, e mostrar que, em geral, as tentativas de modificar esse estado de coisas provavelmente causaria mais danos do que benefícios emprestou-lhe autoridade. O ter propiciado alguma justificação para a liberdade de actuação do capitalista individual atraiu-lhe o apoio das forças sociais dominantes, agrupadas atrás da autoridade.


O que falta nesta descrição para descrever a tal "neo-síntese"? Teríamos que acrescentar o zelo evangélico, o extremismo da crença absoluta e a confiança em "leis inexoráveis", mas não muito mais. Talvez não seja preciso dizer mais do que isto:

Quem, como eu, acreditar que a liberdade do intelecto é o principal motor do progresso humano, não pode deixar de se opor a [...] tanto como à Igreja de Roma. As esperanças que [...] inspiram, são, no essencial, tão admiráveis como as que são instiladas pelo Sermão da Montanha, mas são sustentadas tão fanaticamente num caso como no outro e igualmente susceptíveis de produzir os mesmos danos.

E fica resumido o essencial. Quem tiver curiosidade em saber quais são as expressões em falta ([...]), pode lê-las no original, livremente disponível no Projecto Gutenberg. Mas fica o mais importante por dizer. Por mais asquerosas que as suas posições e o seu evangelismo tenha sido, e foi, Milton Friedman foi um professor de economia. E o seu trabalho académico foi vasto, discutível e árduo. Podemos dizer, como o fez Paul Krugman, que John Maynard Keynes foi uma espécie de Martinho Lutero da ciência económica e que Friedman foi o inevitável Inácio de Loyola, mas continuamos apenas no domínio da analogia e da metáfora. A verdade — como Naomi Klein reconhece — é que os alunos do "Tio Miltie" não eram animados a bajular o mestre, mas a criticá-lo com toda a severidade e energia que conseguissem reunir. As expressões operativas, aqui, são "trabalho vasto" e "trabalho árduo". Vejamos a sua contraposição.

A respeito de como organizar a economia dum estado socialista, V.I. Lenin escreveu em Estado e Revolução: "Não conheço nenhum socialista que tenha tratado destes problemas[...]", porque "[...]nada se consegue encontrar [a este respeito] nos textos dos bolcheviques nem sequer dos mencheviques" e tudo isto porque "dificilmente se encontra na obra de Marx uma palavra sobre a economia do socialismo". Então essas obras e esses textos são a respeito do quê? Resposta: o zelo evangélico, o extremismo da crença absoluta e a confiança em "leis inexoráveis". Claramente, não chega!


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publicado às 13:28



Esquerda Europeia lança candidatura de Tsipras à Presidência da Comissão Europeia

Dirigentes do PEE, reunidos em Madrid, consideram que o líder do Syriza é o melhor símbolo da luta contra a troika e as políticas de austeridade. Esquerda Europeia quer fazer uma campanha “alternativa às políticas de austeridade dos dirigentes europeus e às políticas populistas e nacionalistas”. [Esquerda.net]

 

Obviamente, nem o PCP, nem o KKE (Partido Comunista Grego) integram o PEE (Partido da Esquerda Europeia). O KKE por motivos já sobejamente conhecidos, ou não fossem os comunistas gregos os principais responsáveis por o Syriza não ter logrado vencer as legislativas gregas. Preferiram manter-se "orgulhosamente sós", e dar a vitória à direita troikista, a unir-se à restante esquerda liderada por Tsipras. Já o caso do "nosso" PCP está aqui "bem explicado" nesta Resposta a um Convite: "o PCP presta uma grande atenção a iniciativas e formas de articulação e cooperação no plano europeu e mundial. Fá-lo evidentemente com completa independência de juízo, respeitando opiniões diferentes da sua, mas não acompanhando e contrariando processos e projectos que considere inapropriados e negativos. Tal é o caso do «Partido da Esquerda Europeia», acerca do qual o XVII Congresso se pronunciou criticamente."


Tsipras não vai ganhar, lamentavelmente, e não é só pelo facto de não ter o apoio dos partidos comunistas acima referidos, que preferem ver a direita no poder a apoiar aquele que é, notoriamente, o homem que mais perto esteve de derrotar a Troika e aquele que mais condições tem para a derrubar. E a questão passa, assim, a ser (também) outra. O PCP e o KKE são assumidamente forças de bloqueio a uma esquerda unida. E provam-no diariamente. Preferindo perder a ganhar, por mais patético que isso possa parecer. 

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publicado às 20:41


O PCP e as suas eleições antecipadas

por Rogério Costa Pereira, em 03.07.13

"Jerónimo de Sousa defende eleições antecipadas. Para o líder do PCP, «não há outra saída democrática digna» para a situação do país que não seja a marcação de eleições antecipadas." [TSF]

Não deixa de ser curioso ver Jerónimo de Sousa, sem qualquer estratégia concertada com o Bloco e/ou com os partidos de esquerda extra-parlamentar, e sendo ele o principal responsável por essa falta de unidade ou aproximação, pedir eleições antecipadas. 
Eu também quero muito que o Governo caia, mas não quero eleições antecipadas e se elas acontecerem tudo farei para as instrumentalizar e, através delas, ajudar a demonstrar a falácia democrática em que este regime e este sistema eleitoral se consubstanciam (mas isso é não é assunto para agora).
Jerónimo sabe que a seguir virá mais do mesmo e que só a cor mudará. No entanto, nada fez, nada faz, para abrir o partido a uma União de Esquerda e oferecer ao país uma verdadeira solução alternativa. Não compreendo. E não aceito. E não perdoo. Melhor, quero muito estar enganado no que começo a compreender. Mas está difícil. E não perdoo. Era agora a Hora. O umbigo do PCP, maior do que Portugal, acha que não. 
E não me venham acusar de irrazoabilidades manifestas ou de este meu sonho (uma União de Esquerda) não passar disso. Antes de haver telemóveis, os telefones estavam todos agarrados à parede.

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publicado às 09:30


A esquerda e o átomo

por Rogério Costa Pereira, em 28.06.13

É possível dividir o átomo. Não é possível unir a esquerda. Recomeço e sigo adiante carregado com essa certeza. Palavras não me faltarão para denunciar quem vai traindo esse sonho. Não me pesará na consciência o que possam chamar de contribuição para a desunião. Urge separar as águas. Talvez assim se consiga multiplicar e não dividir. De acções não falo. Falar do que se fez e faz é conversa de pescador. Siga!

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publicado às 14:06


A "intra-sindical" e as marionetas

por Rogério Costa Pereira, em 28.06.13

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Como não podia deixar de ser, "O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, já veio demarcar a intersindical deste protesto [135 manifestantes que tentaram cortar o trânsito em direcção à Ponte 25 de Abril]." Nada de novo. Tudo normal na intersindical. A intransigente intersindical -- Intra-sindical?. É à maneira deles ou não é. Noblesse oblige! Que lástima constatar que os anos passam e ali não muda nada. Que triste modo de agir. Que maneira cega, surda e muda de estar. Que traição! Raios partam os comités centrais mais as cartilhas de bem-fazer. Acusam, e muito bem, o governo de nos usar como marionetas. Porém, chegada a hora da verdade, usam métodos semelhantes. Se o Povo ousa pisar o risco traçado, surge de imediato o "não é nada connosco". Também preferem marionetas. Maldita realidade. Maldisto egoísmo. Maldito umbiguismo suicidário!

Fica parte da notícia: "Os manifestantes, que participaram numa manifestação da CGTP no âmbito da greve geral, saíram das imediações da Assembleia da República em direcção à ponte, fazendo o trajecto pelo Largo do Rato. Seguiram para a entrada da A5, junto ao centro comercial das Amoreiras, e foi nesse ponto que foram travados pela polícia. O acesso à 25 de Abril faz-se a partir deste local. O trânsito na A5 no acesso à ponte esteve cortado durante alguns minutos antes das 19h00, enquanto a polícia de intervenção tentava impedir o avanço do protesto. Ouviram-se palavras de ordem como "a ponte é nossa" e "fascismo nunca mais". A polícia formou nessa altura um quadrado para cercar os manifestantes e procedeu à sua identificação numa rua lateral." [RR]

"O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, já veio demarcar a intersindical deste protesto."

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publicado às 01:49


As portas que a esquerda abre e fecha

por Rogério Costa Pereira, em 24.06.13

O Seara diz que não tem a mínima dúvida da sua legitimidade para se candidatar à CML. E eu tenho a absoluta certeza da falta de legitimidade do Seara. Basta ler a lei e ter algum bom senso na respectiva interpretação. Olhar a letra e atentar no espírito da dita, que está bem à vista -- diga ela presidente de câmara ou da câmara. Isto do tal movimento de nome suspeito (que se qualifica pela negativa, dizendo o que não quer parecer ser: xenófobo, racista e pela supremacia racial) ter tido a ideia de avançar com as providências cautelares é uma bela lição para esquerda autofágica que temos. E, mais uma vez, imputo as principais culpas ao auto-enclausurado PC (mesmo porque o PC até interpreta a lei à maneira do Seara). Quando falo de esquerda refiro-me à esquerda parlamentar e extra-parlamentar, que ainda não percebeu que esquerdismos teimosos poderão ser o seu fim. Não se abram, não, que um dia querem e, tanta é a ferrugem, não conseguem. E com as portas que fecham olhem as portas que (se) abrem. E olhem quem por elas entra. Vocês são os responsáveis e nós não permitiremos que se esqueçam disso na hora de apontar dedos (quem é este "nós"? Eu e quem pensa da mesma forma, e olhem que não são assim tão poucos).

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publicado às 11:08


Uma Esquerda ao serviço da direita

por Rogério Costa Pereira, em 05.06.13

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Parece que é oficial. Pacheco Pereira foi entronizado como o novo ícone da Esquerda. Usada, revirada e abusada lá segue a Esquerda Portuguesa como metáfora de si própria [já explico]. Não vale tudo não, não vale usar tudo, recorrer a tudo e todos; porque retira autoridade, legitimidade, dignidade. Porque o vale tudo é aquela moeda preta que o velho elefante de boa memória e de memória boa deitava fora sem tocar o sino. O vale tudo, feitas as contas, não vale nada. Raios partam quem usa placebos sabendo que o são e faz por parecer que se dá bem com eles. As maleitas não se curam assim. E a estúpida Esquerda continua e continuará estupidamente órfã do País e vice-versa. Imagem deste viver tuga, procura as suas referências do outro lado da trincheira. Como se lhe faltassem as próprias, as legítimas! E aplaude os desavindos como se de salvadores se tratassem. Uma Esquerda feita de egoístas lutas intestinas e que, em vez de se unir, luta pelos santos que vão caindo ou sendo derrubados dos infames poleiros da direita. Uma esquerda aberta 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ao serviço da direita. Que vai andando e rindo a bom rir. Metáfora de si própria, a Esquerda, porque metáfora cuspida e escarrada do país, órfão de uma Esquerda unida. E qual a razão? Esquerdismos fraldisqueiros. Orgulhos infantis. E tudo porque sim. Apenas porque não.

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publicado às 01:13


Os tempos do PS e os meus

por Rogério Costa Pereira, em 09.09.12

normaliza%3F%3Fo.jpg(desconheço o autor da imagem)

Seguro y sus muchachos discursam em Penafiel. Criticam as novas medidas de austeridade. Se passarem das palavras aos actos e resolverem votar contra o OE 2013 será o fim da calculista abstenção violenta e o início do calculista voto contra. 
O tempo é o deles, não o meu. Não esqueço e não perdoo. E não, não "temos pena". Nem isso. 
O PS, seja com que cara for, é um partido de cartão, de vira o disco e toca o mesmo, de "'péra aí que eu arranjo-te qualquer coisita". Acabou, "caros" boys em forma de rectângulo e que pensam em forma de rectângulo. Sois demasiado "grandes" e isso faz-vos demasiado pequenos. Deviam ter "calculado" melhor. 
Não farei campanha por nenhum partido mas farei campanha aberta contra a direita e contra vocês, que representam igualmente a direita (por acção e omissão). 
Se houvesse tempo e um dia virassem à esquerda... Demasiado tarde. São os tais dos "timings", sabem? A razão da minha teimosia? Os que elegeram essa coisa que faz que fala e faz que pensa e faz que se preocupa serão os mesmos a eleger o tal que "virará à esquerda". No fundo será tudo a mesma treta.
Outra vez: são os tais dos "timings", sabem? Os tempos, pá, os tempos. O comboio já passou e vocês não estavam na estação. E eu não me esqueço disso. E não perdoo quem ajudou a tirar o pão ao povo!

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publicado às 13:53

 

É que se for deste -- so sorry... --, a direita continua em maioria.

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publicado às 17:23


Manifesto para uma Esquerda Livre

por Luis Moreira, em 24.05.12
 
Sete dias depois da apresentação pública do Manifesto para uma Esquerda Livre temos mais de duas mil e quinhentas assinaturas, de desempregados a designers e deputados, de escritores a estudantes e engenheiros, de precários a cientistas e sindicalistas, em todas as regiões do país, em vários estados-membros da União, e em muitas cidades da diáspora, nos cinco continentes. Esta ampla subscrição é a medida do êxito da iniciativa e da necessidade de a prosseguir. O agradecimento que aqui fazemos pela confiança que vos mereceu este Manifesto motiva-nos a lançar o desafio de continuarmos juntos e encontrar em conjunto novas formas de debate e participação política, concretizando a nossa vontade cívica nestes tempos difíceis.

Cabe-nos continuar a mostrar que há caminhos por percorrer à esquerda, muitas boas ideias a propor à sociedade, e saídas para a crise económica, social e política. No próximo dia 2 de Junho faremos o nosso primeiro Encontro para uma Esquerda Livre, no auditório 2 do Cinema São Jorge em Lisboa, entre as 17h e as 20h. O primeiro de vários que tencionamos organizar em vários locais do País, e através dos quais os redatores esperam poder contar com os signatários e com os participantes nos debates para, literalmente, dar corpo ao Manifesto.

Até lá, gostaríamos de vos convidar a colaborar no nosso sítio online. Comecemos já a mostrar quais são as ideias e as propostas que cada um de nós tem para o debate que queremos e se impõe fazer. Se cada um de nós escrever um texto, necessariamente curto, de 1500 caracteres, rapidamente podemos fazer do nosso sítio online uma boa amostra do que queremos para que a esquerda seja mais livre, Portugal seja uma sociedade mais igual e a Europa uma União mais fraterna.

Enviem os vossos textos para o manifesto@paraumaesquerdalivre.net. Serão publicados todos os que respeitarem o limite de tamanho e apresentarem ideias e soluções que se enquadrem nos objectivos do Manifesto.

Muito obrigada,"

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publicado às 09:00


Dois momentos chave na democracia portuguesa

por Luis Moreira, em 19.05.12

Há uma discussão interessantíssima em "Ouvir e falar" - tertúlia para a Democracia -  (A democracia está de luto: deputados neo-nazis gregos entraram no parlamento em formação militar )em que democratas esclarecidos cruzam argumentos em defesa da Democracia. Não me atrevo a entrar na discussão porque pouco ou nada acrescentaria ao que já foi dito mas posso acrescentar uma experiência que segui de perto.

Aproveitando as "movimentações de massas" e a dinâmica com origem no 25 de Abril, certa esquerda tentou implementar em Portugal uma democracia que paria uma originalidade. Afastava da dinâmica democrática tudo e todos que não comungavam das mesmas ideias. Foi a tentativa de impedir uma "Constituição democrática" redigida por deputados eleitos democraticamente pelo povo em eleições directas; a unicidade sindical; a nacionalização da economia...

Nessa altura foi preciso que o "Grupo dos Nove" ( militares que constituíam o núcleo dos capitães de Abril), travasse o movimento que, como era evidente na altura para todos, só acabaria num sistema colectivo não democrático de "socialismo de Estado".

No 25 de Novembro, em que a direita empurrada pela dinâmica da vitória militar se preparava para afastar do convívio democrático toda a esquerda, foi preciso que Melo Antunes, com o seu fino sentido político democrático, fosse à televisão nessa mesma noite, advertir que se o movimento  de direita não parasse, o PCP entraria na clandestinidade e, com ele, a oportunidade de termos uma democracia de tipo ocidental.

O PCP e certos movimentos de esquerda  e de direita suspiravam para que a democracia os afastasse do convívio democrático e, dessa forma, terem um pretexto para continuarem a não aceitar o livre jogo da democracia.

Democracia injusta e desigual sem dúvida. Mas basta perceber o que viria aí se os intentos de certa esquerda e de certa direita tivessem prevalecido.

Fora da democracia não há soluções!

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publicado às 17:18

Não queremos sair do Euro, afirma o líder da Esquerda Radical ( Económico) .

Mas também não quer o programa que empurra a Grécia para o empobrecimento. Por isso se for Primeiro Ministro deixa de pagar aos credores externos e paga aos cidadãos gregos os salários e as pensões. E junta-se aos outros países que estão no "garrote" como Portugal e Espanha.

Mas então não tinha sido possível executar um programa de austeridade em três anos ? Poder podia mas não era a mesma coisa para a srª Merkel que mesmo assim anda a perder tudo o que são eleições.

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publicado às 09:00


Novas eleições novos perigos na Grécia

por Luis Moreira, em 17.05.12

To VIMA : a oportunidade da social-democracia na Grécia.

"Após nove dias de conversações, os partidos gregos não conseguiram chegar a acordo para formarem governo. Por isso, haverá novamente eleições a 17 a junho, que serão organizadas por um gabinete de transição liderado pelo presidente do Conselho de Estado, Panayiotis Pikramenos.

“Com este escrutínio, o país está em perigo”, inquieta-se o jornal I Kathimerini. O diário escreve, no entanto, que apesar de se reforçar a hipótese de abandono da moeda única, “Merkel e Hollande querem que a Grécia se mantenha na zona euro”.

“Ficam provadas as previsões das cassandras internacionais”, lamenta To Ethnos, num artigo com o título “Eleições em campo minado”. “O país está num impasse. Agora, é preciso que os partidos deem respostas claras aos problemas do país” que são, especialmente, uma recessão de 6,2% no primeiro trimestre do ano e uma taxa de desemprego de 21%.

Para To Vima, estas novas eleições serão

um referendo de Antonis [Samaras, o líder da Nova Democracia, de direita] contra Alexis [Tsipras, o líder do Syriza, a coligação de esquerda radical], da direita contra a Coligação de esquerda radical, dos pró-europeístas contra os outros.

No entanto, espera Ta Nea, esta crise política

é uma oportunidade para fazer renascer e refundar a social-democracia. Os dois partidos tradicionais [a Nova Democracia e os socialistas do Pasok] têm de saber tirar lições do seu falhanço.

Links exteriores

Nossas fontes

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publicado às 09:00


Manifesto para uma Esquerda Livre

por Luis Moreira, em 16.05.12
Cara/o signatária/o,
Obrigado por ter assinado o Manifesto para uma Esquerda Livre, nesta primeira fase de recolha de assinaturas por contacto pessoal.
A partir de hoje o Manifesto poderá também ser assinado a partir do seu site onde encontrarão informações sobre a génese e o processo de redação do Manifesto, a agenda de eventos para o futuro, a lista de autores e a de signatários até ao momento. O Manifesto continua aberto a assinaturas pelo que agradecemos a sua divulgação.
O Manifesto será apresentado em público no próximo dia 17 de Maio, quinta-feira, às 11h30, no Café do Cinema São Jorge, Avenida da Liberdade, Lisboa.
No próximo dia 2 de Junho terá lugar em Lisboa o primeiro Encontro para uma Esquerda Livre, em hora e local a anunciar (informação em breve disponível no site do Manifesto).
Em anexo encontrarão uma versão pdf do manifesto, para imprimir, guardar ou divulgar.
Um abraço.
Recebeu este email porque assinou "Manifesto para uma Esquerda Livre". Caso não tenha assinado ou não deseje receber futuros emails, escreva para manifesto@paraumaesquerdalivre.net.
  Manifesto_para_uma_Esquerda_Livre.pdf
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publicado às 14:08


Hollande - o que é votar à esquerda ?

por Luis Moreira, em 07.05.12

Hollande:

O que é votar à esquerda? É dizer que, apesar do individualismo das sociedades contemporâneas, existe um “nós”. Que ideias como justiça, igualdade, partilha e solidariedade podem e devem organizar a vida pública. Como essas instituições e esses bens públicos, criados pelo Conselho Nacional de Resistência, que são anteriores a nós e nos sobreviverão depois de nos moldarem. Que é possível, por isso, ir contra os valores da época para fazer viver aquilo que nos une, em vez de seguir a inclinação natural, ouvindo a vozinha que fala em cada um de nós e nos incita a viver a nossa vida defendendo apenas os interesses individuais.

Numa França à beira do abismo, que podia ter escolhido barricar-se atrás das fronteiras da fantasia a recordar o seu passado, a vitória de François Hollande demonstra que o país preferiu a esperança. Olhou para a frente e não para trás. Saboreemos este momento em que um povo decide fazer uma tal escolha. E olhar o futuro.

Porque esta é a tarefa que espera François Hollande. Reparar o país, certamente. Refazer a sociedade, evidentemente. Reduzir as desigualdades de destino entre os franceses, sejam eles quem forem e venham de onde vierem. Mas, para que tudo isto seja possível: sobretudo, desenhar o futuro. Mostrar que a França não é apenas um património, uma história, um grande passado. Que pode, também, projetar-se no futuro e reinventar-se.

Esta página em branco, inquietante em muitos aspetos, exaltante em muitos outros, tem de começar a ser escrita. De maneira resoluta, imperativa, para não dececionar este voto e a confiança que ele ainda manifesta na capacidade de mudar as coisas da política, ainda que não possa mudar a vida. O trabalho mal começou e vai ser difícil, já a partir de amanhã. Mas hoje, sejamos felizes e vivamos plenamente este feliz mês de maio.

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publicado às 21:20

Um muito interessante texto de Francisco Assis no Público de ontem.

...os extremistas têm em comum o desprezo pelo valor da liberdade - uns, a direita,  desvalorizam-na em função do culto da ordem e numa perspectiva autoritária; outros, a esquerda, ignoram-na em função de um igualitarismo radical. A estas posições extremistas opõem-se as versões moderadas e que se identificam no apego pelo principio da liberdade como alicerce estruturante das sociedades. O que distingue a esquerda e a direita moderadas é a forma como se relacionam com a noção de igualdade. Para a direita é uma dimensão formal, para a esquerda é uma dimensão substancial. Esta última apresenta uma melhor articulação das ideias de liberdade e igualdade.

No século XX assistimos ao  final dos sistemas assentes numa visão de esquerda antiliberal e antidemocrática. O discurso que resta desta esquerda radical é infecundo e impotente.

PS: para continuar amanhã

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publicado às 11:30


Carvalho da Silva é um bom candidato

por Luis Moreira, em 15.04.12


Carvalho da Silva pode fazer o pleno à esquerda e entrar muito no centro. Pode obrigar a que o candidato da direita se encoste demasiado à direita e com isso perder votos.

É um homem que se fez na luta política dura considerando que conseguiu estabelecer pontes e consensos onde outros nunca conseguiram entrar. Veja-se como em recentes eleições presidenciáveis se jogaram candidatos contra candidatos à esquerda, como "marionetes " no jogo partidário.

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publicado às 18:06

Quem diz sempre "não" em qualquer circunstância e não tem poder para impor a sua "verdade" está pura e simplesmente a colocar-se à margem das decisões.

Em Portugal nós vimos isso todos os dias. Há que mudar na saúde, fechar hospitais na região de Lisboa e Coimbra e menos no Porto, todos estão contra. Mas está mais que provado que há desperdício, há que adequar a oferta à procura.

No mapa autárquico que vem de 1835, se não me falha a memória , todos querem permanecer na terrinha onde nasceram e levantam-se as guerras entre vizinhos, nem pensar mexer no nome da freguesia ou juntá-la à mais próxima. Na educação, os concursos anuais com o cortejo de acusações mútuas, continua a ser um objectivo estratégico. A autonomia da escola anda a passo de caracol  e o monstro continua a mandar a partir da 5 de Outubro. No funcionalismo público as progressões automáticas são uma bomba ao retardador que vem minando as finanças públicas . Na Segurança Social nada muda apesar da óbvia insustentabilidade e injustiças. A Justiça é um factor preponderante para o desenvolvimento económico e para o equilíbrio social mas os vários poderes que dela se alimentam não deixam mudar o que tem de mudar.

Nas Forças Armadas a redução de efectivos, quartéis e equipamentos é um objectivo há muito sentido mas que ninguém mexe com medo da "tropa". Estão agora a agrupar em um os três hospitais militares existentes, só em Lisboa.

Estas medidas não são de esquerda nem de direita, são medidas que têm a ver com a correcta utilização dos dinheiros públicos.

Ou não?

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publicado às 11:00


A Esquerda Europeia no Poder

por Luis Moreira, em 30.01.12

Foi aqui que se organizou esta conferência e o que saiu de lá foi isto:

Conferência Internacional
«A Esquerda Europeia: Conquistas, Falhanços e Desafios»
Lisboa, 26 de Janeiro de 2012
Local: ISCTE-IUL, Sala B204.

A Esquerda volta ao poder dentro de dez anos!"

Dentro de uma década, "quando os maiores problemas económicos estiverem resolvidos e a sociedade mais desigual", a esquerda vai voltar ao poder, embora se debata com grandes desafios, afirmaram dois politólogos, um alemão e outro britânico.

Em dez anos, "quando os maiores problemas económicos estiverem resolvidos e a sociedade ainda mais desigual, as possibilidades para a esquerda [voltar ao poder] não são assim tão más", acredita Wolfgang Merkel, investigador do Social Science Research Center (Alemanha).

As coisas são como são. Em Portugal o PS esteve no governo 13 anos nos últimos dezasseis. Se perguntarem a um político ou a um economista de esquerda como se sai disto, dizem: 1) em vez de se cumprir este programa em dois anos, cumpra-se em cinco anos, o que é razoável. 2) Enquanto os países em maus lençóis estão em austeridade os países que estão bem tomam medidas expansionistas, puxando pelas exportações dos que estão mal, o que também é razoável. 3) o que eles não dizem é quem nos empresta o dinheiro para vivermos no dia a dia, sendo certo que os nossos credores são os países que estão bem. E, eles, não emprestam mais dinheiro sem primeiro tomarmos as actuais medidas de austeridade!

É isto, não há como dar a volta!

PS: não disparem eu sou só o mensageiro.

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publicado às 11:00


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