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«A entrada da Grécia no euro "foi um erro", defendeu ontem o presidente da França, Nicolas Sarkozy, numa entrevista televisiva transmitida pelos principais canais franceses. Nicolas Sarkozy relembrou que nem ele nem Angela Merkel, chanceler alemã, estavam em funções quando foi decidida a entrada da Grécia no euro e afirma que o país entrou "com números falsificados" e sem uma "economia preparada para assumir a integração na zona euro".» [Antena 1]

Nem ele nem a Angela estavam em funções. Comecemos pelo princípio, que é sempre uma bela maneira de começar. Não remontemos, porém (ai o pudor), ao tempo em que o pequeno Nicolas ainda não tinha descoberto os sapatos de tacão-alto ou a desditosa Bruni. Quando falo de princípio, quero dizer dos Princípios a que já aqui aludi. E o princípio do pequeno Nicolas é algo como: a Europa somos nós, eu e a minha roliça Hausfrau. O inusitado eixo franco-alemão; é disso que ele fala. E nós, em falando, falamos de gentes – eles −­ ­que se matam quando separadas, gentes que esfolam quando unidas.

Este pequeno-grande néscio admite, pensando como deus lhe deu (QI-dois-mais-vinte-e-cinco-dá-dois), que a Europa de hoje se resume ao novo eixo (que gozo me dá usar este termo: “novo eixo”). O eixo franco-alemão. Espetem-me garfos nos olhos e rodem até sangrar (eu já o fiz e escrevo de ouvido), mas a verdade é que o pr eleito está, por uma vez, carregado de razão: quem raios deu a este casal de brita-ossos o poder de se assumir como dono da Europa?

A Grécia-Erro é um belo erro, mas não é o nosso erro? O vosso erro? Da Alemanha e da França? Como raios hei-de dizer isto de uma forma meiguinha?

Ide para a puta que vos pariu? Quem vos elegeu? Querem uma federação? Proponham-na e proponham-se para a dirigir, que isto de pagar para abater árvores de fruto ainda não é propriamente um sufrágio. De resto, isto dos 17-na-sexta-27-no-sábado é menos que zero. Temos, pois, de acordo com o pequeno Nicolas, consorte (com muita sorte) da Fräulein, quatro europas. A Europa deles, a Europa dos 17, a Europa dos 27 e a Europa apesar da Grécia. Apesar de nós, também. Mal ele sabe que a Alemanha o coloca no saco com os outros 15. E eis a quinta Europa. Está-lhes na massa do sangue.

O busílis é que estes outros 15 ou 25 não foram convidados para a casa de ninguém. Não somos, falando agora dos 15 tansos envenenados (cada um à sua maneira) pelo marco-franco denominado Euro, uma espécie de movimento-dos-trabalhadores-sem-terra. Não nos resumimos àqueles reinos lá-longe-longe. Donde vêm as encomendas de cereais e de bê-émes.

Ursinho, Angelita (até tens um petit nom hispânico, vê lá isso) que veio do leste, homem pequeno, leiteiro da mulher do homem pequeno: vós sois a circunstância; nós somos a estrutura que vos… estrutura. E que tal um Euro-Eixo? Não quereis, suponho!; que assim vos foge a clientela. Agora deixo-te em paz, Nico, falo agora para a tua chefe: porque não voltam ao marco, hein? Fica o desafio. Uma voltinha ao marco. Quarto Reich e tal. Continua a ser o vosso sonho, certo? Já lá vão cerca de sete décadas sem queimar judeus às escâncaras. A ressaca bate forte, imagino. Termino este faduncho à desgarrada, e que nem sequer vou rever, dizendo apenas: os boches mudaram de táctica, mas o sangue de 39-45 (foi em 45 que o vosso moreno-ariano-judeu-austríaco se matou) continua a bombar-vos a gelatina a que nos homens se chama coração.

Em suma, e volto ao casal adolf-eva, (abastardando o poeta) a vossa Europa é mais rica que a Europa que corre pela minha aldeia, mas (e já terminei a ignomínia de dobrar o trovador) a vossa europa não sobrevive sem a nossa europa.

Agora, os partisans somos nós. E desse vosso lado?, ninguém diz: "Vive le Québec libre"?

(este post é dedicado ao António Filipe; também no homem-garnisé...)

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publicado às 11:11


A «Solução Final» para a Crise

por Rogério Costa Pereira, em 12.10.11

Pegamos nos alemães (com excepção dos que escrevem nesta pegada), amarramo-los a cadeiras, mantemos-lhes os olhos abertos à força (com aquela geringonça que usaram no Alex da Laranja Mecânica) e é só obrigá-los a revisitar as seis primeiras décadas do século passado. Em fotografia (há umas que eles próprios tiraram e que não podem deixar de lhes ser exibidas), em filme, em prosa, em poesia, em música, em ensaio, em todo o tipo de narrativas históricas, económicas e sociais. Em plano Marshall, também, há que não esquecer.
No final, alguém que lhes diga que não nos estão a fazer favor nenhum. Que o resto do mundo, sim, lhes fez um favor. Ao deixar que se reerguessem e se reunissem. Que o resto da Europa, sim, lhes fez um favor, ao ser estúpida ao ponto de se deixar fazer novamente refém. E, no fim de tudo, soprar-lhes que eles continuam a precisar de nós; afinal, todos os países da Europa os têm como primeiro ou segundo maior fornecedor de bens de primeira, segunda e terceira necessidade. Fomos burros que nem portas, sim, e por isso somos bons clientes. E, ao contrário do que eles chegaram a pensar fazer aos judeus que sobrassem, não os mandámos a todos (aos boches, entenda-se) para Madagáscar. Nem tal nos passou pela cabeça.
Não!, os alemães não nos estão a fazer favor nenhum! Ao mundo, entenda-se. É preciso é estar sempre a alertá-los para isso, que são tipos de memória curta.
Dos franceses, a outra potência deste insólito novo Eixo — Eixo Franco-Alemão, que ironia desavergonhada —, falarei noutro dia. Mas não sem adiantar, desde já, que, para além de padecerem igualmente de problemas de memória, não têm um pingo de vergonha na cara. Nem de amor-próprio ou, se quiserem, de respeito pelo próprio passado.
Em suma, quando a fome se junta com a vontade de comer, tudo se esquece, tudo se apaga. É como se nada houvesse sido, tudo se passa como se a história tivesse começado ontem. Mas não começou, essa é que é essa. E aí é que a porca torce o rabo. Que não peça respeito quem não se dá ao respeito. Que não dê lições quem demonstre não ter aprendido as suas.

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publicado às 10:27


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