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Acho uma certa piada às pessoas que pedem tudo a Deus. E, depois, se conseguem aquilo que pediram, agradecem-lhe. Se não conseguem, não lhe dizem nada. Podiam fazer como os filhos em relação aos pais. A analogia é mais que justificada, já que, dizem eles, Deus é o pai de todos. Os filhos, quando o pai lhes concede um pedido, agradecem-lhe. Alguns, que outros nem isso fazem. Mas, quando o pai lhes diz que não, insistem, choram, fazem trinta por uma linha para convencer o pai a ceder. Mas, com o Deus pai, é tudo diferente. As pessoas pedem e, se o pedido não é satisfeito imediatamente, esperam… esperam… até que isso aconteça. Algumas esperam até morrer e ficam a ver navios. Ao contrário do que acontece com os filhos normais, não há ninguém que se vire para Deus e se chateie com ele porque não lhe deu o que pedia. Têm medo que Deus se irrite e, depois, nunca mais tenham direito a nada. Mas (coisa estranha!) continuam a dizer e a acreditar que Deus é infinitamente bom!
Nunca entendi bem esta relação com Deus. As pessoas agradecem-lhe por tudo: se chove, agradecem-lhe a chuva; se faz sol, agradecem-lhe o lindo dia; se fazem uma viagem que corre bem, agradecem-lhe pela boa viagem; se a viagem corre mal e sobrevivem a um acidente, agradecem-lhe porque lhes salvou a vida, sem se lembrarem que, sendo Deus infinitamente bom e poderoso, poderia, à partida, ter evitado o acidente. Agradecem-lhe por tudo e… por nada. Nunca o viram nem ouviram. Só ouvem falar dele. Mas consideram-no o maior, o grande chefe, o grande líder, o grande pai, que tudo pode e tudo faz pelos filhos. Mesmo que nada faça. É, realmente, um grande mistério. Para mim, porque para os crentes é tudo muito normal.
E, depois, há as promessas. São assim tipo um negócio. Se me deres isto, prometo que faço aquilo. E, às vezes, dão dinheiro aos santos para que estes lhe concedam uma graça qualquer. Mas ainda não perceberam que é dinheiro mal gasto, porque o santo nunca recebe o dinheiro. São os homens que ficam com ele e dele fazem o que bem entendem.
Pode-se facilmente concluir que Deus e os santos recebem tudo o que lhes quiserem dar, nunca dando nada em troca. Mas ficam sempre na fama de serem bons e generosos.
Ai, quem me dera ser santo! Ou Deus.


Que Deus?
Boss AC

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publicado às 18:33


deus

por Rogério Costa Pereira, em 15.07.12

Sou razoavelmente crente, acredito em tudo menos em deus.

Imagem: Zdzisław Beksiński

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publicado às 22:08


Poesia ao nascer do dia - Nuno Júdice - Deus

por Luis Moreira, em 24.05.12

À noite, há um ponto do corredor
em que um brilho ocasional faz lembrar
um pirilampo. Inclino-me para o apanhar
- e a sombra apaga-o. Então,
levanto-me: já sem a preocupação
de saber o que é esse brilho, ou
do que é reflexo.
Ali, no entanto, ficou
uma inquietação; e muito tempo depois,
sem me dar conta do motivo autêntico,
ainda me volto no corredor, procurando a luz
que já não existe.

Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"
Tema(s): Deus  Ler outros poemas de Nuno Júdice 

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publicado às 08:00


Voltei lá hoje

por Rogério Costa Pereira, em 25.09.11

Voltei lá hoje. Pela primeira vez, desde que vocês se foram. Vi-vos nos mesmos sítios onde vos encontrei nos últimos dez anos. Não senti a vossa falta, que a vossa sempiterna presença não deixou. Estou agora em paz. A morte libertou-vos das maleitas da vida, mas a vida que eram – que são − não se deixou levar pela morte. Enquanto o corpo definhava, aos meus sentidos egoístas que não vos queriam deixar ir, não conseguia ver-vos com clareza. Vocês não me viam com clareza. A morte garantiu-nos a vossa vida eterna. Sem dor. A insuportável dor que sentiam não vos deixava viver, não me deixava recordar-vos. A morte foi o santo, senha e contra-senha da vossa imortalidade. Ainda assim, e paradoxalmente, gostava ter tido a oportunidade de vos beijar uma última vez. Hoje. Mais uma vez. De me despedir de quem já não me reconhecia, sempre pensando se seria a última. São estes os paradoxos da existência, caldeirada de egoísmos e altruísmos. Não há dia em que não faça meus os vossos passos, e estou agora à beira de dar mais um. Para me honrar. Para vos honrar. E ao vosso bisneto. E à minha mulher, com quem me casei há oito anos, mas que vocês nunca conheceram. Embora a vissem amiúde. Enquanto escrevo estas palavras, virado para a Estrela, sinto que não o faço sozinho. Não sei se vos cheguei a falar dos meus Deuses. De como não acredito no deus-pronto-a-vestir que a sociedade nos serve. De como acredito noutro tipo de Deuses. De como vocês lá se incluem. Em vez de um deus-ficção, encontrei-Vos. E a Ela. E a Ele. E ao meu Pai e aos Pais dele, meus Avós. E à minha Mãe. E à minha querida Irmã. E a todos os que me são. Aos meus. Deuses bem reais, que toco, que me tocam a cada instante. Que me ajudam a decidir em cada encruzilhada. Hoje, quando regressei à vossa casa, que afinal não era vossa, que se reduzia à casa de espera dum fim de vida, senti-me em paz. A morte − e demorei quarenta anos a aprender isto ­ – é a nascente da eterna presença. Quando não é precoce, como a vossa não foi (tendo em conta os males que vos atentavam e os anos que já tinham passado desde a primeira luz), a morte é como que um renascer para a vida. Madrinha. Padrinho. Escrevemos estas palavras a seis mãos, pelo que sois co-responsáveis pelo que esta vossa herege criatura diz. No teu desapego do corpo, minha avó, teve o meu pai o bom senso de me censurar as palavras que garantiam não acreditar estares num sítio melhor. Como me é hoje evidente, estás agora lá. Num lugar sem dor. Sem contar com os trambolhões que ele insiste em dar, e que o fazem chorar, continuais a viver no nosso filho­ – vosso bisneto, minha luz − que a estas horas dorme o sono de quem tem um enorme dever. O de vos continuar. A ambos vos vi sorrir quando lhe deram colo, tinha ele 4 ou 5 dias de luz (e mais tarde, de novo, sempre que lhe pegavam). Despertados do que vos atentava, perguntaram-me se era meu. Disse-vos que sim, embora já antevisse que mais do que meu, aquela imensa luz que dele irradiava, era o garante da vossa Imortalidade.

Amo-vos! 

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publicado às 01:14


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