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As supresas do Marcelo e o bom do Álvaro

por Rogério Costa Pereira, em 10.02.13

Hoje, o Marcelo tinha uma grande surpresa reservada para o final. 
O Álvaro escreveu um romance, anunciou ele ao mundo com pompa, enquanto exibia com orgulho a boa nova. Daqui a pouco, a notícia deve estar no topo de página das edições online (já não digo nada). 
Sucede que o "Diário de um deus criacionista", que é efectivamente um livro bastante aceitável (pela originalidade da forma e do conteúdo), foi editado em 2007. Mais curioso ainda é eu tê-lo comprado, antes de o Álvaro ser Ministro, por € 2,00, nos "montes" pré-queima do Jumbo. 
Já agora, e se Marcelo quiser mesmo pasmar, pode ler o blogue do Álvaro pré-Ministro. Chama-se Desmitos. Sem perder muito tempo, desci agora na página até encontrar um post onde ele nos alerta para o que aconteceria se o PS ganhasse as eleições. "É dar um prémio uma taxa de desemprego recorde e é forçar que aos nossos filhos emigrem daqui para fora." (está mal escrito como a porra, tais os vapores pestíferos que vinham da promessa de poleiro). 
Ainda bem que o PSD ganhou, caramba. Imaginem o que seria termos agora a taxa de desemprego que temos e termos ainda metade do país de malas aviadas, a pedido do próprio governo. Ufa! Que pesadelo seria. Do que nos livrámos.
Se percorrerem o resto do blogue, chegarão à parte onde o Álvaro ainda não se estava a fazer ao tacho. Já aqui coloquei alguns posts dessa época e assevero-vos que gostava de ter esse Álvaro, colheita de 2008, como Ministro. Por exemplo, lembrei-me de um onde o bom do Álvaro, para combater os custos da interioridade e da desertificação do Interior, propõe "uma redução drástica do IRC (zero para as empresas que se instalem de novo, 10 por cento para as restantes), uma redução até 50 por cento do IRS para os residentes no interior, uma redução em 5 por cento do valor do IVA". E então?
Então, virou ministro e veio um gaspar e comeu-o.

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publicado às 22:12


You talk the talk but, NOW, can you walk the walk?

por Rogério Costa Pereira, em 19.06.11

OS INCENTIVOS DA INTERIORIDADE

Depois do disparate relacionado com a proposta de uma nova Constituição, o presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, fez uma aposta acertada. Seguindo algumas das medidas propostas pelo presidente da câmara de Bragança, Luís Filipe Menezes veio a público defender a taxas de IRC "muito reduzidas" para empresas que se instalem em "concelhos deprimidos". É claro que ainda há muito que limar a estas "propostas" (por exemplo, o que é que são concelhos deprimidos? O que é que constitui a depressão de um concelho? Poderá um concelho ser considerado "deprimido" se estiver rodeado por outros deprimidos?). Mesmo assim este é um bom início. E finalmente conhece-se uma proposta concreta ao presidente do PSD. Só por isso vale a pena. Penso que a melhor maneira de prosseguir tais propostas seria explorar as propostas do presidente da câmara de Bragança, António Jorge Nunes, que sugeriu um pacote de incentivos fiscais para as regiões interiores, que incluem:

  • uma redução drástica do IRC (zero para as empresas que se instalem de novo, 10 por cento para as restantes),
  • uma redução até 50 por cento do IRS para os residentes no interior,
  • uma redução em 5 por cento do valor do IVA
Todas estas seriam boas ideias para começarmos a contrariar a crescente desertificação do interior do país. No entanto, temos também que estar cientes das dificuldades que tais iniciativas iriam criar. Por exemplo, não seria de estranhar que, com taxas de IVA e de IRC tão baixas, iriam surgir muitas empresas fictícias que supostamente estariam sediadas no interior, mas que, na prática, estariam em Lisboa ou no Porto. Ou seja, o impacto real seria nulo para o interior do país. Os mecanismos de controlo e de implementação de tais medidas também me parecem assumir contornos delicados (e até complicados). Dito isto, tiro o chapéu tanto ao presidente da câmara de Bragança como ao presidente do PSD. Este é um tema que vale a pena explorar, porque afecta uma grande parcela da nossa população, que tem permanecido esquecida pelos grandes centros populacionais e pelos dirigentes políticos.
Ainda assim, sinceramente, não acho que é o combate ao Mezzogiorno português que dará ao presidente do PSD a tão almejada vitória eleitoral. Quem é que realmente se interessa com os esquecidos do interior? (Eu interesso-me, porque sou originário do interior...) José Sócrates tem as suas raízes no interior, mas, apesar disso, ainda não vi uma grande aposta na temática do desenvolvimento dessas regiões do país (apesar das estradas). Porquê? Porque o primeiro-ministro não se interessa? Não creio. É mais provável que tal atitude se deva a outra razão: infelizmente, não se ganham eleições tendo a interioridade como principal bandeira eleitoral. E é isso que o presidente do PSD irá descobrir dentro em breve.
Álvaro Santos Pereira, 14 de Abril de 2008, Desmitos

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publicado às 12:57


Portugal é um país muito voltado para o litoral?

por Rogério Costa Pereira, em 19.06.11

«Andamos a negligenciar o interior há muitos anos. Pensa-se em Lisboa e no Porto e o resto não existe. Gostaria de saber quais são os políticos que, fora da época das eleições, pegam no carro e vão visitar Portugal. Porque se o fizerem vão encontrar um país que está em declínio. O interior está totalmente negligenciado. É preciso não investir em grandes auto-estradas, mas atrair as empresas para se criar emprego. É preciso que o Estado tenha uma política de descriminação positiva em relação ao interior: baixar a fiscalidade e as contribuições sociais das pessoas que trabalham no interior; dar-lhes uma bonificação salarial por estarem a trabalhar em zonas de interior. É preciso haver uma política que faça com que o despovoamento do interior seja travado e que cada vez mais casais jovens voltem a viver no interior ou pelo menos não saiam de lá.» [Desmitos; Álvaro Santos Pereira, Ministro da Economia]

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publicado às 03:51


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