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O limite dos sacrifícios

por António Leal Salvado, em 15.08.11

Sem surpresa para ninguém, o líder sindical dos professores classificou de “mais do mesmo” a proposta apresentada por Nuno Crato para o regime de avaliação da classe docente no ensino público. E o inquietante não serão tanto as razões porque os professores poderão voltar ao conflito com o ministério que os tutela – é que o ressurgir das divergências entre o Governo e a classe fosse e seja mais do que esperado.

Quando Cavaco, logo no discurso da sua posse em Março, incitou à rebelião nas ruas e assim deu o sinal que estava na hora de dar o golpe final para derrubar o Governo de José Sócrates, o inteligente Paulo Portas e o obediente Passos Coelho lançaram-se a cortejar os professores, a mais organizada classe no exercício do direito de manifestação. Com o mesmo “automatismo” com que as falanges da ‘jota’ laranja saltaram para a cabeça das manifs dos ‘indignados’, o caudilho erigia o lema para campanha eleitoral – “Há limites para os sacrifícios” – e o candidato Passos Coelho tinha mais certezas da razão dos professores do que sobre se as medidas do PEC que a UE enviou por Sócrates eram demasiado severas ou se as mesmas medidas que a UE enviou pela ‘troika’ eram demasiado brandas. Tão certo como a razão dos professores, só a terminante aversão ao aumento de impostos.

Sócrates foi derrubado e a aliança CDS-PSD entronizada. A velocidade da aprendizagem sobre os verdadeiros efeitos da crise (que era mero resultado da incompetência governativa interna, mas passou a ser uma calamitosa fatalidade internacional) essa velocidade intensificou-se – mas com sentido inverso.

Tão claro como a urgente necessidade de aumentar impostos, tão claro como a imperiosa mudança de atitude dos indignados para resignados, tão indiscutível como o apoio aos governantes que Cavaco passou a ditar aos portugueses – tão claro como isso tudo é, agora, que os professores têm de ser comedidos, que têm sido arbitrariamente promovidos na carreira, que têm de se submeter à mesma austeridade que os demais portugueses não governantes. E que têm de ser avaliados.

Avaliados e seriamente avaliados. Todos. Todos os que exercem a docência no Ensino Público. No ensino de empresa privada, regem os princípios do livre – libérrimo – critério do empresário empregador. O empresário pode contratar, promover, despedir e privilegiar quem quiser, que era o que faltava intrometer-se o Estado na confiança que o empresário de ensino tem ou deixa de ter nos professores seus assalariados ou colaboradores. Aí, o Estado só tem que transferir o dinheiro público, arrecadado dos impostos de todos, para a eficiente gestão do empresário privado. E, com a mesma imperatividade da paciência que têm de ter os professores do Ensino Público diante da austeridade, preferiu a impaciente urgência de aumentar os donativos públicos aos empresários privados do ensino – não vá a austeridade apanhá-los, por contágio.

Pelo meio, veio a devolução do BPN (que a rede de Cavaco entregou ao Estado cheio de lixo tóxico e agora recebeu do Estado, ‘limpinho’ de problemas) à inefável gestão privada que José Sócrates fora tão negligente a apoiar. Só mais um sinal, afinal, de que o Presidente da República de todos os portugueses – os 20% que nele votaram e os 80% que nada disso – não mudou de convicções da primavera para o verão.

Há um limite para o sacrifício, sim. Há uma linha de limite, traçada através dos portugueses. E o sentido e os contornos dessa linha nunca foram tão claros.

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publicado às 15:12

Estou aqui a ler a demagoia transformada em discuso político: parece que governar e fazer parte da Europa dá em declarações que invocam o dia de Nossa Senhora de Conceição  - o feriado, pois - e explodem num nacionalismo que pensava que já só era tão patente quando o líder do CDS dizia sempre como que num statement coisas como "para o bem da Nação". Afinal, para expressar uma ideia simples, ainda assim com fundamentação insatisfatória, começamos por ler isto:

 

O líder do CDS-PP observou depois que José Sócrates "chamou os sindicatos" para lhes dizer que "vai fazer alterações às leis laborais", depois de Teixeira dos Santos "ter sido fiscalizado" na reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro.

"O ministro das Finanças vai ao Eurogrupo, mais uma vez é fiscalizado, sai de lá sem dizer uma palavra, chega-se cá no dia da nossa Senhora da Conceição [08 de Dezembro] e o primeiro-ministro chama os sindicatos para dizer que vai fazer alterações às leis laborais", afirmou.

 

Se Paulo Portas fosse PM, o seu Ministro das Finanças ficava-se por Portugal, perdão, pela Nação, sob pena de ser acusado de ordens do exterior?

 

É nestes momentos que me recordo que Manuel Monteiro, o tal do nacionalista extremado, o tal do demagógico, chegou a presidente do CDS e exerceu o mandato que lhe valeu uma enorme subida de votos no Partido, com a preciosa ajuda do razoável Portas. O tal que um dia veio explicar que há uma estratégia compreensível para que o CDS (que ficou PP) suba, mas que chegado o mesmo a um patamar confortável pode regressar-se ao discurso normal (que inclui gostar de estar na Europa e assim).

 

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publicado às 10:28

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publicado às 12:38

Diria, podendo: - não admito. Mas não posso, claro. E ainda bem. Cada um é livre de dizer o que quiser, de propor o que bem entenda, chama-se liberdade de expressão, donde ter de interromper o descanso dos meus olhos durante o fim de semana com a notícia de que Paulo Portas quer um referendo sobre questões de segurança. Depois leio melhor e a coisa não é bem assim. O líder popular quer mesmo um referendo sobre questões de direito penal, coisas que puxam pelos sentimentos das pessoas, tantas delas desavisadas, bombardeadas com notícias sobre a tal da criminalidade, e é tão bom ver um senhor sério a devolver ao povo o que fazer com os delinquentes, os delinquentes, os delinquentes - palavra tão eloquente num microfone.

Seria tão bom, mas tão bom, que o povo, esse povo para que Paulo Portas fala, esse povo assustado e que ele quer assustado, como lhe convém, pudesse ir às urnas decidir do fututo dos tais dos delinquentes, assim, concretamente em questões que depois teriam de ser analisadas com muito cuidado, com os óculos na ponta do nariz. Queremos que ao fim de um terço da pena...? E queremos que em caso de flagrante delito...o julgamento sumário...? Assim mesmo: perguntas, sobre "uma só matéria", "formuladas com objectividade, clareza e precisão e para respostas de sim ou não" como manda o nº 6 do artigo 115º da Constituição. Não, isto não passaria no Tribunal Constitucional,  mas o pior é o tal populismo demagógico, ao que eu acrescentaria a total falta de respeito pelas pessoas. P-E-S-S-O-A-S.

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publicado às 10:46


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