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Ouvi agora um alemão "anónimo" dizer que a posição da Grécia era inadmissível, que se estava a afundar e que não se percebia a razão de esta insistir em afastar-se da jangada (a jangada são os bons dos alemães e a sua política a favor do projecto europeu -- do deles, está claro).
Francamente, o moço parecia-me bem mais preocupado do que qualquer grego, irlandês, espanhol ou português. E estava zangado daquele jeito que parece destilar ódio, como só os alemães sabem. Talvez trabalhe para uma empresa alemã que despeje os seus "made in germany" (onde só a etiqueta é feita na Alemanha) na Grécia ou num dos outros PIGS (Portugal, Irlanda, Espanha). Talvez esteja preocupado por isso, com o risco de perder a clientela e o emprego, com o risco da austeridade, com o risco da implosão de uma moeda feita, essa sim, na Alemanha e para os alemães.
O match point (set point, vá lá) anti-mercados, anti-capitalismo selvagem joga-se na Grécia no próximo dia 17. A vitória do Syriza, ainda que implique a saída da Grécia do Euro-moeda e Euro-projecto, coisa em que não acredito, provará, pasme-se, que "the Acropolis will not crumble to dust, the Aegean will not turn to blood and locusts will not destroy the land" (frase abusivamente adaptada de um dichote recolhido na hashtag #grexit, no twitter).
Nada do que atrás disse invalida o facto, patente, de o Euro estar sob o ataque cerrado das agências de rating, a soldo do Goldman Sachs e de outros que tais. Dollar oblige. Porém, começa a ser hora de a Alemanha, agora sozinha no directório com os agentes-duplos dos bancos americanos, se decidir. Talvez optar por deixar de ser cúmplice de algo a que está habituada a ser autora, a destruição da Europa, não fosse má ideia. Só assim deixará de ser o eterno escorpião da Europa, o tal que pede boleia à rã (a rã aqui somos nós, os PIGS) para atravessar o rio, mas não resiste a picá-la a meio da travessia. Afundamo-nos todos porque lhes está na natureza. 
Deutschland über alles: Picar, envenenar, destruir.

(imagem: Danse Macabre, 1493, Michael Wolgemut)

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publicado às 19:56


O Dólar dispensado

por Luis Moreira, em 26.12.11

Japão e China dispensam o dólar

 

Os governos do Japão e da China concluíram um acordo que permite que as relações financeiras e comerciais entre os dois passem a ser directamente realizadas nas moedas dos dois países, sem que seja necessário a intermediação do dólar, moeda à qual a divisa chinesa, o yuan, está indexada.

A importância do Dólar começa a acompanhar a redução da importância dos Estados Unidos na economia mundial. O Japão e a China são os dois países com maiores reservas de moeda.

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publicado às 12:22


O dólar a perder os seus privilégios

por Luis Moreira, em 12.09.11

A guerra das moedas está a "medrar", diz o Expresso!

A Suíça já colocou um travão à valorização da sua moeda o que se pode considerar um dos primeiros tiros na guerra das moedas que se adivinha. Há dias o Brasil e a China acordaram em usar as suas moedas nas transacções entre si, abandonando o dólar.

"Os Estados Unidos têm cortado as ligações entre o seu papel-moeda e o ouro há mais de um século, como referi em "Goldbug". Têm-no feito passo a passo, com o resultado de que hoje todas as divisas flutuam sem qualquer ligação a qualquer valor tangível. Deste modo, flutuam em função do montante de papel que cada país imprime. O que vai gerar o que temos chamado de corrida louca para o fundo. Isso está a acontecer com as taxas de juro no Japão e nos Estados Unidos ao nível virtualmente de zero, a um ponto que já estão perplexos sobre o que fazer a seguir - mas não há a seguir algum. O facto de que a onça de ouro já subiu a valores acima de 1900 dólares é uma mensagem do mercado."

Uma moeda desvalorizada ajuda as exportações :

"Na The Dines Letter há muito que prevejo uma vaga de desvalorizações competitivas entre divisas, o que se tem referido como "guerra de divisas". Estas guerras estão a medrar há décadas, pois várias grandes economias começaram a suprimir as taxas de juro de um modo competitivo com vista a tornarem as suas divisas menos atractivas. De um modo deliberado com vista a fortalecer a sua capacidade de exportação."

O euro é que continua forte o que não ajuda nada nas exportações!
PS: de James Deane

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publicado às 12:00

continuação

 

"...o instrumento ideal seria uma obrigação ligada ao PIB mundial cujas receitas variariam segundo as taxas globais de crescimento, como as obrigações lançadas pelos governos da Costa Rica  e da Argentina que variam segundo o PIB nacional".

Isto permitia que os bancos centrais adquirissem um portfólio global amplamente diversificado. O FMI poderia utilizar o seu poder de emissão de obrigações para comprar aos governos nacionais obrigações indexadas ao PIB nominal e não do real destas economias."

"Há muito que Robert Shiler da Universidade de Yale defende que os governos deveriam emitir obrigações ligadas ao PIB mas tem sido dificil persuadi-los. Mas se os governos e os bancos centrais querem mesmo identificar alternativas ao dólar e ao euro, têm de começar já - e as obrigações ligadas ao PIB são o sítio certo para procurar."

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publicado às 22:00

continuação

 

...os banqueiros para já não têm para onde se virar."O mercado do ouro é pequeno e volátil. As obrigações Chinesas continuam indisponíveis.Divisas de segundo plano, como o franco suíço, o dólar canadiano ou australiano, são apenas um anão um pouco maior, quando combinadas."

"...não será o momento para alargar o papel dos SDR? Porque não emitir mais? Porque não desenvolver mercados onde possam ser transaccionados? "Não será esta uma oportunidade única para nos afastarmos de um mundo em que a Reserve Federal Americana e o Banco Central Europeu deixam com o coração nas mãos a liquidez internacional?"

Infelizmente nenhuma destas condições se observa e os SDR continuam a não ser uma alternativa.

"... e a razão é óbvia depois de um momento de reflexão: a quota combinada do dólar e do euro está perto dos 80% do cabaz de divisas que os SDR incluem."

Incluir outras moedas no cabaz seria uma ajuda, mas pequena, porque apesar de tudo, os Estados Unidos e a Europa representam metade da economia mundial e mais de metade dos seus mercados financeiros.

"Os SDR dariam pouca protecção se o dólar e o euro perdessem  valor com o tempo"

 

SDR - Direitos de Saques Especiais.

livro (Privilégio Exorbitante : ascensão e queda do dólar) do autor

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publicado às 21:00

"Faz sentido que o sistema monetário internacional siga a tendência da economia global tornando-se mais multipolar".

" O instrumento ideal seria uma obrigação ligada ao PIB mundial, cujas receitas variariam segundo as taxas globais de crescimento"

O dólar tem sido a moeda dos US mas também a divisa mundial. Tem sido a moeda dominante nas transacções internacionais e a parte de leão nas reservas detidas por bancos centrais e governos.

Mas os US já não dominam a economia mundial como dominavam há bem pouco tempo, por isso o dólar começou a perder o seu brilho. Tal como há outras economias que partilham o palco mundial também o dólar terá de arranjar espaço para outras divisas internacionais.

Diz: Eichengreen: " no meu recente livro (Privilégio Exorbitante : ascensão e queda do Dólar ) descrevia um futuro em que o dólar e o euro seriam as divisas dominantes no globo. E, espreitando a mais de dez anos de distância na estrada da economia, antecipei um papel internacional de relevo para o renminbi chinês."

"Afastei do cenário um papel importante para os Direitos de Saque Especiais (Special Drawing Rigths, SDR) a unidade contabilística emitida pelo FMI. Poder-se-ia pensar que os SDR, enquanto conjunto de quatro divisas, poderiam ser atraentes para bancos centrais e governos que procurem contrabalançar as suas apostas. Mas a emissão dos SDR é problemática e não há mercado onde possam ser transaccionados."

" O que mudou e tornou tudo diferente é que em ambos os casos entrou uma doença. Nos US o tecto da divida, foi um fiasco e levantou dúvidas aos chefes dos bancos centrais acerca da vantagem de guardar dólares ao mesmo tempo que o falhanço da UE em resolver a crise da dívida soberana põe em causa a existência do euro..."

 

continua...

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publicado às 21:34


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