Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Próximo do Autismo! (por Pedro Figueiredo)

por autor convidado, em 09.10.13

Próximo do Autismo sem nunca lá chegar, como é óbvio. É assim que eu classifico a atitude instalada. Uma forma de estar que parece inspirada na fase anterior ao “contrato social”, na fase do homem lobo do homem, na fase selvagem. Parece contraditório, pois parece, mas não é. Adiante.

Por interesse e egoísmo, o homem socializou, o homem cooperou – disseram alguns. E de facto, assim é. Facto: o homem, tal como os restantes seres, coopera por puro interesse, puro egoísmo. Contudo, o mundo observável permite-me constatar que não o somos todos na mesma medida, uns são, definitivamente, mais egoístas do que outros. Estou em crer que a medida de egoísmo aumenta ou diminui consoante a inteligência. Sendo o mais egoísta o mais inteligente e por conseguinte o menos egoísta e, ideologicamente mais próximo do autismo, o menos inteligente.

Verifico que se está a generalizar/instalar, a grande velocidade, uma forma de estar na vida do Eu sozinho contra o resto do mundo. Uma forma de estar que à primeira vista até parece bastante egoísta, trata-se na realidade do contrário, trata-se de uma forma de estar pouco egoísta, isenta de cooperação, de partilha, de política, de vida. Pouco inteligente, portanto. Uma atitude onde só existe luta. A luta de um contra todos. Eu vejo isto acontecer, em grande escala, em tudo quanto é canto: na escola, no trabalho, na abstinência de participação política e cívica, no grupo de amigos, na família e por aí em diante.

É através da luta em cooperação que se evolui, que se avança, que se sobrevive. Não há forma de vida que subsista sem luta e cooperação. Não se pode viver só a lutar, nem tão pouco só a cooperar. Receio que um sem o outro seja como “a vida sem oxigénio”, o Fim.

Pedro Figueiredo

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:48


A Europa anoitece (por Fernando Felizes)

por autor convidado, em 14.03.13

Na Grécia: a Troika ordenou uma total censura nos meios de comunicação europeus sobre a situação de verdadeira emergência humanitária que está a acontecer ao povo grego. A Aurora Dourada deu início à doutrinação de crianças do ensino primário com os ideais do partido de extrema-direita.

Na Húngria: o parlamento húngaro aprovou uma extensa emenda constitucional que determina, por exemplo, o controlo da liberdade religiosa e a redefinição de funções do Tribunal Constitucional. Ser sem-abrigo passa a constituir um acto criminoso e dá direito a multa ou pena de prisão; campanhas políticas nos meios de comunicação passam a ser proibidas; a noção constitucional da família é restringida ao casamento entre um homem e uma mulher e respectivos filhos.

Na Itália: o partido populista, o Movimento 5 Estrelas, liderado pelo ex-comediante Beppe Grillo, é o vencedor das eleições italianas. Aparece contra o sistema e os políticos, ataca os sindicatos, está disponível para dialogar com a extrema-direita, quer proibir o financiamento público dos partidos e impede os seus próprios candidatos de participarem em debates.

Em Portugal: está em implementação o Sistema Integrado de Informação Criminal, com o objectivo de controlar politicamente a investigação criminal e as informações produzidas, aproveitando-as para fins que a Constituição não permite, como a "prevenção de ameaças graves e imediatas à segurança interna", conceito muito abrangente, que inclui até meras manifestações cívicas. O Ministério Público, que por imposição constitucional dirige a investigação criminal e a quem todas as polícias criminais devem obediência funcional, está afastado da direcção deste sistema. Estão também a ocorrer acções de formação da GNR a civis, com as quais se pretende que estes venham a ser «interlocutores das forças policiais junto das suas comunidades». e que «estas pessoas podem também fornecer às forças policiais informação privilegiada sobre o que se passa nas comunidades». Tal não é inédito em Portugal, em 1945 Salazar com o objectivo de modernização do aparelho policial secreto cria a PIDE, atribuindo-lhe a missão de defender o regime contra as actividades das organizações clandestinas e «subversivas». É instituído o recurso a métodos que iam da vigilância dos actos quotidianos, da correspondência e das telecomunicações privadas de «suspeitos», à prisão sem culpa formada e à criação e manutenção de uma rede tentacular de informadores civis. Esta teia de vigilância civil era um dos pilares fundamentais da PIDE e adquiriu tais proporções na vida quotidiana portuguesa, que deu origem a hábitos sociais e culturais, ainda hoje detectáveis como o ditado: «até as paredes têm ouvidos».

O mais perturbador destas notícias é o acordar de todos os demónios que assolaram a Europa no século XX, muito dificilmente destes acontecimentos não resultarão consequências imprevisíveis para o futuro da Europa. A situação penosa na Grécia, o primeiro país a ser intervencionado pela Troika, já se pode afirmar sem grandes rodeios que o Neoliberalismo e as políticas de austeridade cegas conceberam um filho chamado Aurora Dourada, conseguiram de facto ressuscitar o Nazismo com uma nova roupagem, algo impensável há uns tempos atrás. Ou acontece de facto algo extraordinário, ou a Europa vai entrar, novamente, numa longa noite.

Fernando Felizes

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:23

Cerca de 250 mil portugueses emigraram nos últimos dois anos. Hoje, o cenário não é melhor, e muitos mais portugueses vão...

Ao contrário da anterior onda emigratória, dos anos 60 e 70 do século passado, caracterizada pela fuga de mão-de-obra essencialmente operária, esta nova vaga reflecte a fuga de jovens qualificados. O país está a perder património intelectual, no qual investiu mas donde não vai tirar partido.

A actual situação económica e a falta de soberania, são avessas à criação de oportunidades para todos, qualificados ou não.

A precariedade laboral é outro grande problema estranhamente entranhado na nossa sociedade. Ainda sem experiência no mercado do trabalho, por fora, questiono aquilo que “os outros” chamam de precariedade laboral. Será masoquismo, serventia, oportunidade ou necessidade?

Como finalista do “maldito” curso de Arquitectura, o qual tenho imenso orgulho em completar, puxo a choradeira ainda mais para os meus pares e estou convencido que a situação está pior do que o próprio país. Na verdade, os arquitectos são formados em quantidades industriais desnecessariamente e são, ao que me parece, regulados inconvenientemente.

A formação industrial de licenciados ou mestres é um problema comum a quase todas as áreas. Não existe colocação no mercado de trabalho para todos e, ter um canudo tornou-se tão banal que não sabemos se estudamos para exercer por afirmação pessoal ou por complemento intelectual (diversão)... Algo está mal.

Nem tudo é mau. Somos uma sociedade com muita formação e, acredito, com qualidade, independentemente da instituição de ensino, apesar de existirem alguns casos públicos que provam o contrário...

A partir do momento em que nos formamos devíamos estar em pé de igualdade com todos os outros, mas uns têm mais sorte que outros, independentemente do seu talento. A sorte, na maioria dos casos, está directamente ligada ao compadrio ou ao berço de ouro – hoje existem cada vez menos –, e em poucos casos alguém é reconhecido pelo seu real valor. Admito algum ciúme. Outros também. Mas atenção, isto não é uma crítica, é uma análise ao que nos rodeia.

Num país com quase 1 milhão de desempregados, sem oportunidades, sem soberania, com uma carga de impostos incrível, com casos reconhecidos de precariedade laboral e exploração, com uma taxa de desemprego jovem absurda, com um mercado de trabalho desregulado e com uma política salarial miserável eu questiono-me: o que me prende a Portugal? Como finalista de um curso superior e analisando o nosso mercado de trabalho comparando-o com outros mercados estrangeiros, quase nada me prende aqui. No entanto, as poucas coisas que nos prendem aqui são demasiado importantes para tomarmos de ânimo leve a decisão de abandonarmos o barco, só porque queremos exercer a profissão para a qual estudamos. Que país ingrato.

Para tentar “vencer” o país, comecei há muito a procurar as escassas oportunidades, dei-lhe uma última oportunidade. Afinal, todos a merecem.

Júlio Campos Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:28


O Eterno Retorno do Fascismo [por Fernando Felizes]

por autor convidado, em 06.02.13

Li há uns meses um livro do filósofo Rob Riemen com o sugestivo título "O Eterno Retorno do Fascismo". Logo no 1º capítulo o leitor é brindado com uma genial alegoria sobre o surgimento do Fascismo ou de um outro qualquer totalitarismo. Refere a história dum médico que se depara com um rato morto no patamar, embora tratando-se duma descoberta insólita não lhe dá muita importância, apenas prevenindo o porteiro. No dia seguinte descobre mais três ratos mortos. O porteiro garante-lhe que se trata apenas duma brincadeira de garotos. Nos dias seguintes continua a deparar-se com um número crescente de ratos mortos na cidade, e ao mesmo tempo um número crescente de pessoas doentes com os mesmos sintomas. Não restam dúvidas, trata-se duma epidemia. Mas de quê? Um colega mais velho adverte-o que ambos sabem muito bem do que se trata e de que, além disso, toda a gente incluindo as autoridades, negarão a verdade enquanto for possível, alegando que não pode ser verdade, que já não há nada disso, que não vivemos na Idade Média, que não devemos ser alarmistas... Mas como o autor refere negar os factos não os muda, e quando a epidemia se espalhou por toda a cidade, foi necessário dar-lhe um nome: Peste!
Em Portugal tem surgido vários ratos mortos no que respeita a ataques às liberdades e direitos dos cidadãos, negar os factos não os muda, a continuar este caminho um dia vai ser necessário dar-lhe um nome.

Fernando Felizes

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:56


Business as usual [por Fernando Felizes]

por autor convidado, em 25.01.13

Esta semana um relatório da Agência Europeia do Ambiente alertou para potenciais riscos ambientais das novas tecnologias, criticando governos e empresas que têm ignorado vários sinais de risco, tendo levado a danos evidentes para a saúde humana e para o ambiente. O relatório acusa directamente o sector privado de ter manipulado a opinião pública em vários momentos, através de cientistas contratados ou comentadores nos órgãos de comunicação social. “Fabricar a dúvida, desrespeitando as evidências científicas sobre os riscos e alegando excesso de regulação, parece ser uma estratégia deliberada de alguns grupos industriais e think tanks para minar o processo de decisão baseado no princípio da precaução”, alega o relatório. Já Lester Brown chamava a isto a mentalidade do “business as usual”, fazer negócios como de costume, o que interessa são as palavras-chave empreendedorismo e inovação em vez das palavras segurança e sustentabilidade, empreender e inovar não se sabe bem para quê nem para quem, mas é preciso manter a máquina do mercantilismo a rodar, e colocar produtos nos mercados para serem consumidos, mesmo que provoquem Cancro ou a doença de Alzheimer não importa, são os chamados danos colaterais. E é devido a esta mentalidade do “business as usual” que estamos como estamos, em que as pessoas são tratadas como meros danos colaterais, em que só há espaço para o consumismo e deixou de haver espaço para a humanidade.

Fernando Felizes

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:35

Há quanto tempo vivemos em crise? Pergunto-me, perdi definitivamente a conta de quando foi a primeira vez que ouvi falar que estamos em crise, é como se o facto de estar em crise se tivesse tornado numa condição permanente neste país, há muito tempo que estamos em crise, muito antes de terem entrado o FMI e a Troika, eram outras crises domésticas e de pouca importância, pensávamos nós, mas que confluíram no desastre actual. Como é que deixamos e permitimos que isto acontecesse? Como é que permitimos que tivessem usado e abusado do nosso dinheiro em coisas que não serviam o país? Como é que nos deixamos adormecer desta maneira e que agora nos está a custar imenso a acordar? Como deixamos que outros direcionassem um caminho errado para o país e consequentemente para as nossas vidas? Sabemos que as coisas estão mal, sabemos que com o caminho actual não irão melhorar, antes pelo contrário irão agravar-se, sabemos que nos estão literalmente a roubar e já não é de agora, sabemos que nos mentem diariamente, também já não é de agora, e até sabemos o que deveríamos fazer ou o que é necessário fazer, assim desejamos realmente agir segundo o que sabemos? É com esta pergunta que nos deparamos numa espécie de beco sem saída, deixamos que outros controlassem as nossas vidas e o país que nos tornamos preguiçosos, eles que tratem disso que a economia e a política são muito maçadoras, o melhor é não dizer e nem fazer nada por que eles mandam e têm poder, e assim foi moldado e formatado o cidadão, não só de Portugal mas um pouco em todo o lado, acomodado e apático. A crise está a trazer muitas mudanças, o país está mesmo a mudar, uma das mudanças, parece-me, é a que o cidadão comum está a acordar, agora falta com que ele aja e encontre por ele e em colaboração com outros cidadãos as alternativas que não estão nos memorandos assinados nem nas vontades políticas dominantes, mas que existem.

Fernando Felizes

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:30


Tragédia e Farsa [Licínio Nunes]

por autor convidado, em 02.07.12

«A História repete-se sempre, pelo menos duas vezes.», afirmou Hegel. Karl Marx acrescentou «...a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa...»

Marx reparou numa coincidência: de acordo com o antigo calendário republicano, dois Bonaparte, tio e sobrinho, ascenderam ao poder através de golpes de estado levados a cabo no mesmo dia do mês. O título, contudo pode levar a uma pergunta, ou seja, onde reside exactamente a farsa? Não nas consequências dos factos, que fique claro. Na posse das mais recentes realizações da industrialização da guerra, Luís Napoleão espalhou ainda muito mais tragédia à sua volta do que o seu tio. A diferença está toda no carácter dos personagens, entre o trágico Napoleão e o seu sobrinho farsante.

Vivemos na actualidade, mais uma destas repetições da História, tragédia e farsa, mais uma vez. Seria bom que esta imagem conseguisse transmitir a sensação do abismo que descreve.

Abismo da AusteridadeO autor quis colocar lado a lado dois dos principais protagonistas da farsa actual. Com origens diferentes, a semelhança com a actualidade é patente, sobretudo no que respeita aos "méritos" da moralidade austeritária, mas apenas para quem se preocupar com os factos, algo que só preocupa quem se preocupa com a possibilidade de estar enganado. Para estes, como por exemplo, para o cronista do Finantial Times e do Der Spiegel, Wolfgang Münchau, a repetição da História, hoje como então, mostra o caminho do Inferno e a falência crítica da social-democracia do norte da Europa. Mas a farsa, essa, onde é que fica?

Talvez a reconheçamos, se conseguirmos imaginar a sra. Merkel contemplando o anel dos Nibelungos, enquanto chora a morte do seu amado Siegfried. O crepúsculo dos deuses, esse, anuncia-se tão destruidor como sempre.

Licínio Nunes

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:59


A Voz da Energia [por Licínio Nunes]

por autor convidado, em 22.06.12

De todos os génios do mal que nos chegam hoje em dia, de além-Reno, o Ordoliberalismo germânico é o mais presente na nossa consciência. Poderá ser suplantado, nos seus efeitos maléficos, pelo Génio da Energia Alemã. Noticiou o Expresso que aquele número -- 22 mil MegaWats.hora -- é o equivalente à produção de 22 centrais nucleares. As centrais nucleares são boas para um único propósito: fazer contas de cabeça; um reactor nuclear igual a um GigaWatt de potência. Logo, se o total de produção foto-voltaica alemã foi de 22 GigaWatt.hora, num período de 24 horas, isso significa que a produção foi sensivelmente igual ao que um único reactor nuclear teria produzido durante o mesmo período de tempo.

A Europa precisa, desesperadamente, de reganhar a capacidade de inventar o futuro que a definiu e fez grande. As mentiras alemãs, financeiras e não só, levam-na ao desastre. Atente-se nos números: o preço de combate do foto-voltaico, na actualidade, é o chinês. Cerca de 1 200 dólares por KW de potência. Uma central foto-voltaica produz cerca de 12 horas por dia -- valor médio, equinocial -- logo, 1 KW de potência estável, disponível 24 horas por dia, requer o dobro da potência nominal, ou seja, 2 400 dólares por KW. Acresce que é necessário compensar a natural variabilidade diária e climática, pelo que o número real se aproxima dos 3 500 - 3 600 (e podemos escrever já, euros) por KW de potência fiável. A «grande ideia» ordoliberal consiste em subsidiar a produção de energia renovável. Nada de errado, excepto nos montantes: cerca de 1.7 cêntimos por KW.hora para a energia eólica, 15 cêntimos por KW.hora para o foto-voltaico. Preços assegurados pelo prazo de 25 anos, pelo que, contas feitas no final desse prazo, a solução alemã será cerca de vinte vezes superior ás alternativas mais razoáveis. Note-se que a margem de erro é a mesma que naquela noticia do Expresso. Não ficarei surpreendido, se algum economista demonstrar que a margem de erro nos cálculos financeiros que atormentam o nosso presente, é da mesma ordem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:33

Em geral, celebra-se uma Efeméride na ausência do Momento. Serve para trocar um Valor ético-cultural que deveria ser vivido quotidianamente, por uma celebração da sua ausência. É um ritual.

Assim acontece com ‘o Dia da Mulher’ – em que se ‘relembra’ a igualdade de género depois de, consecutivamente a sociedade tolerar 365 dias de salários desiguais nas exemplares ‘empresas privadas’; o trabalho doméstico desigual depois do emprego; o conceito jurídico de ‘cabeça de casal’ a par da Constituição, a hombridade viril casada com o ‘recato’ feminino moralizador.

Assim acontece com o 1º de Maio – em que a sociedade festeja a ‘integração’ das classes trabalhadoras no mito da ‘igualdade’ cidadã, depois de tolerar sucessivos 365 dias de exploração económica (isso agora tem outro nome: “competitividade das empresas”), de desigualdade nas relações laborais (isso agora tem outro nome: “racionalidade empresarial”), de supressão de direitos e garantias (isso agora tem outro nome: “viabilidade das empresas”).

Assim acontece, também – e ‘naturalmente’ – com o 25 de Abril – em que o ‘corpo nacional’ (abramos assim os braços, para caber toda a gente…) celebra ‘a Democracia’ e ‘a Liberdade’ depois de se atolar, durante 36 anos, em parlamentarismo formal,

em puro roubo do direito à sua voz (já que a ‘delegação de voz’ num Partido resulta num ‘cheque-em-branco’ para os ‘nossos representantes’ fazerem o que lhes der na real gana durante 4 anos sem terem o seu mandato cassado por despudoradamente trairem os Programas políticos pelos quais os diversos estratos sociais os elegem…),

e alienação numa pseudo-igualdade consumista (já que, embora com uma amplitude do leque salarial de 1 a 15 salários mínimos, somos todos ‘iguais’ se tivermos Cartão-de-Crédito…)  - e quem é que se quer reconhecer numa tradicional classe menorizada?   

Todos falam em Democracia – mas qual democracia?

- É que, seguramente, a de 75 não é a mesma de 77. A democracia de uns não é, seguramente, a democracia de outros – e já nem essa verdade simples somos capazes de admitir!...

Quanto à ‘democracia-com-todos’ – essa, é pura falácia; um Conto Fantástico para embalar bebés.

Que Liberdade se convida a celebrar no 25 de Abril? Tão-só a ‘saída pela Direita-baixa’ do grupo dirigente da Ditadura, que nos ofereceu as Forças Armadas – mas só depois de se sentirem abandonadas e mal-amadas pelas cabeças políticas da Ditadura Fascista. Foi o ‘fantasma’ de Goa que as assustou – e a percepção que já dormiam com ele na Guiné, e que haveriam a breve trecho de dormir com ele em Moçambique…

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:33


Azeda Provocação [Catarina Gavinhos]

por autor convidado, em 02.05.12

É Injusto, muito injusto, insultar uma população cada vez mais pobre!!
Quase todos os portugueses ganham menos, muito menos do que 50 euros por dia e ontem um supermercado resolveu oferecer no mínimo esse valor em compras. E os portugueses foram às compras, no primeiro de Maio, porque podiam comprar fraldas, leite, detergentes, e tudo o resto a 50%, não me parece que mereçam insultos.
Não foram comprar gadgets a 50%, foram comprar mercearia a 50%. Gaspar e companhia devem estar a rejubilar com esta manifestação de empobrecimento do país.
O 1º de Maio merecia melhor sorte, é verdade, mas a nossa liberdade não é um valor absoluto. 
Já o soberbo Soares dos Santos, esse sim, é inqualificável. E numa atitude provocatória a todos os trabalhadores e em particular os seus, das duas uma: ou cometeu um crime económico e vendeu produtos abaixo do preço de produção ou então está sempre a lucrar demasiado com os portugueses que compram os seus produtos, pois pode dar-se ao luxo de vender os seus produtos a 50%. O que ele fez diz tudo sobre a criatura que desperta o pior que há me mim:

Catarina Gavinhos 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:24

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00


«Jobs for the boys»

por autor convidado, em 08.08.11

Desde que entrou em funções, o Governo liderado por Pedro Passos Coelho já efectuo 447 nomeações para a «nova» orgânica do executivo. Entre ministérios e secretarias de Estado foram nomeadas 73 «personalidades com ligações partidárias», ou, dito de outro modo, 73 boys ligados à coligação PSD-CDS. Os dados estão no site oficial do próprio Governo e foram revelados pelo DN de domingo. Ora, todos nos lembramos que durante a campanha eleitoral, uma campanha vincadamente marcada pelos sound bites dos spin doctors do PS e do PSD, Passos Coelho prometeu não substituir os boys socialistas por boys «laranja». Mais, depois de eleito, alguma comunicação social, com destaque para o diário i de 11 de Julho, escreveu que o Governo estaria a fazer um levantamento exaustivo das nomeações efectuadas nos últimos anos pelos governos de José Sócrates. Contudo, parece que a «nova» orgânica do executivo cede perante velhos hábitos. A força (krathos) dos partidos políticos, ou o funcionamento da partidocracia, permite que altos cargos da hierarquia do Estado sejam ocupados por «boys» partidários sem qualquer pudor ou critério de transparência. Se o escândalo Face oculta e, especificamente, o negócio PT/TVI, acabou por tornar pública a promiscuidade existente entre o público, no sentido de «estatal», e o privado, quod ad singulorum utilitatem, e entre as empresas participadas pelo Estado, caso da PT, e os boys partidários estrategicamente colocados pelo partido do Governo nessas empresas, o mandato de Passos Coelho parece querer dar continuidade à proliferação de jobs for the boys. Resta saber se estas nomeações vão ao encontro da «promoção do mérito no acesso aos cargos» ou da «despartidarização do aparelho do Estado», como consta no programa do Executivo. Por agora, ao olhar para o vencimento da Adjunta do Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional (3.183,63 euros), fico com a sensação que mais valia não se poupar no ar condicionado no Ministério de Assunção Cristas!

Hélder Prior

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:34


Em % do pibe

por autor convidado, em 08.08.11

As ineficiências geradas por redundâncias que resultam da má organização de processos de trabalho têm significado económico. Não sou eu que o digo, mas sim um professor de uma universidade americana e que se deu ao trabalho de perder tempo com isto. Não me perguntem quem é, que eu não sei, mas sei que é verdade. Porque li algures. E se está algures, então, só pode ser verdade. E se o tal tipo, sendo professor universitário, perdeu tempo com isto é porque tem relevância.

Lembrei-me de falar disto por duas razões, sendo a primeira porque me apeteceu. E, não sendo a primeira razão mas sendo a mais importante, porque preciso de arejar as ideias com coisas tontas. E nada melhor para falar de redundâncias que perdido no mato dum centro comercial, no meio do ruído de pratos e talheres mas que funciona como o silêncio de uma biblioteca. Num exercício de abstracção.

Sendo certo que eu seria mais simpático se desse o lugar a tantos turistas de refeições requentadas a cinco euros que por aqui andam à procura de mesa. E eu aqui armado em tonto. A escrever sobre redundâncias. Enfim, quando acabar de escrever isto, acho que vou levar com as sobras de uma sopa da pedra. E vou comer em pé, porque a mesa vai à vida.

Mas existe uma terceira razão para falar de redundâncias. É que quero demonstrar que é verdade o que concluiu aquele académico de que não me lembro do nome mas que é verdade porque li algures. A prova disso é que há dias bojardei com uma administradora que tem. Acho que tinha porque vai deixar de ter. O péssimo hábito de quando se lembra de limpar a memória da caixa de correio electrónico se pôr a perguntar se este e aquele. E aqueloutro assunto já está resolvido. Mas como não lê os mails dos mais recentes para os mais antigos acaba a fazer-me perder tempo a gerir assuntos as mais das vezes já entretanto resolvidos.

Em dia de pouca paciência respondi-lhe que tal assunto já estava resolvido, há séculos. Ao que me retorquiu que eu estava a ser inconveniente, mesmo muito inconveniente. E como quando me falta a paciência não sou de merdas nem tenho por hábito ver quem está à frente respondi-lhe que não, não estou, você é que acha que estou. Sendo verdade que enchi o saco de andar a abrir mails para o boneco sobre assuntos já resolvidos. Encaixou. E acho que percebeu que a melhor forma de ler o jornal é começar pela última página.

João José Fernandes Simões

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:41


Na érretêpêum

por autor convidado, em 06.08.11

Um tipo canta que a sua vida é cantar e que assim se sente feliz. E que adora o seu país. E a Isabel Figueiras com o João Baião. A fazerem de coro. Oferecem prémios. Está lá também um presidente de não sei de quê. Que diz que tem aproveitado ao máximo os fundos europeus. Em passeios pedonais. Onde se pode andar quilómetros. E está também um comandante. Um comandante fardado com uma boina à pára-quedista. Num eufemismo de farda. Onde se põem muitas medalhas em dias de comemorações. Mas que, afinal, é dos bombeiros. E também da protecção civil. E o presidente não usa gravata. Veste informalmente. Mostrando o pescoço até ao externo. Assim à moda do Paulo Portas em dia de encerramento do congresso.

E um casal conversa aqui ao meu lado. Num eufemismo de vida. Discutiam. Há duas horas atrás. Logo no início da visita. Bem alto. Que se é para não atenderes o telemóvel, então, não apareças aqui, faz a tua vida, já tive para ficar com as coisas que me trazes e mandar-te embora, porque assim não te quero cá, podes deixar-me, e fazer a tua vida. A senhora pedia surdamente. Fala mais baixo, que é que tu queres, eu tenho o meu emprego. Mas eu já te tenho ligado quando não estás no emprego, uma, duas, três vezes, e tu não atendes. E Ele. Que julgo ser o marido. Estava nervosíssimo. E a senhora controlava-se. Usando um disfarce para as lágrimas.

Na érretêpêum. Volta o cantor. E canta. Quem é o Pai da Criança. O verdadeiro serviço público. E que justifica como é muito bem empregue a taxa de audiovisual que me debitam na factura da êdêpê todos os meses, sem que eu perceba o que tem a electricidade a ver com tal taxa. A não ser, porventura, que tenha sido uma ideia luminosa de um qualquer governante, que, em tempos, se lembrou de financiar os ordenados da Judite, apesar desta se ter baldado para os lados do seu querido Seabra, a fugir da prometida privatização. Embora me pareça que vai ser, antes, uma putativa privatização, com prazo dilatório ate à próxima abertura da época de caça ao voto.

Entretanto. Hoje. Passei a ter estatuto de visita de referência. Tendo, na investidura, que jurar não estar. Mas sobretudo de não vir a estar. Portador de uma simples constipação. Nem sequer de poder dar um espirro. E se não cumprir fico impedido de desempenhar tal cargo na sua plenitude. Por isso. Hoje. Não saí daqui. Está a cair uma humidade que encharca sem que nos apercebamos. A não ser quando a roupa se cola às costas. E que, a não haver cuidado no devido resguardo, até molha tolos. Optando por uma sandes e uma sopa no bar do Menos Um.

Subi. E aquele casal namora. Agora. Já sem discutir. A senhora com as lágrimas. Agora. De reserva. E Ele. Que julgo ser o marido. Mais calmo. Vão-se embora para o quarto. E Ele pega no aparelho a que anda acoplado. Com um ferro que se desloca em quatro rodas. Como se fosse numa procissão de velas. De onde se dependuram líquidos. Cuidado que tem que se retirar da ficha da parede. O aparelho anda ligado à electricidade. Também financiando as despesas da érretêpêum. Ficando feliz. Porque. Na intimidade. Possível. Do quarto. Espero que Ele esteja mais calmo. Continuando acoplado ao tal aparelho. De novo ligado à ficha da parede. E sabendo, entretanto, que o tal presidente é da câmara. Do município de Santo Tirso.

João José Fernandes Simões

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:36


Sétimo Céu

por autor convidado, em 05.08.11

Em momentos de tristeza e de solidão. E de angústia. Racionalizo emoções. Ou tento. Escrevendo do menos um. E tendo, ali pertinho, o elevador que me transporta ao Sétimo Céu.

E coisas do quotidiano com que nos deparamos. Ou que vêm ao nosso encontro. Podem ser. São. O argumento para dissimular o que nos faz sofrer. E a vida também tem sorrisos. Tem de ter.

Os rojões à portuguesa estavam bem cozinhados. E a empregada também. Ao que parece. Pelo olhar guloso de um cliente. Que eu vi como lhe comia as curvas. Que, embora bem anafadas para o meu gosto, bem que apeteciam.

Comi que nem um alarve. Num almoço rápido e sem conversa. Até que fiquei preso num doce da casa. Que é igual a todas as casas. Mas, sei lá porquê, em todo lado, dizem ser o doce da casa. Mas igual a todas as casas.

Mas aquele doce da casa. Saboroso. Quebrou a minha pressa. Uma pressa que nunca percebi à procura de quê. Se, afinal, há tempo para tudo. Até para sofrer. Fazendo de conta que estamos felizes. E podemos estar felizes. Mesmo sofrendo. Por contraditório que possa parecer.

E ali estava. Em fim de almoço. Um careca camuflado. Com um risco de cento e oitenta graus. De norte a sul. Ou de sul a norte. Conforme esteja de costas ou de frente para o Sol. A fazer uma tangente à orelha. Dissimulando uma careca. Num penteado de raízes. Cujas pontas resistem no coiro. Cabeludo. Mas sem cabelo.

Aquele penteado. Preso à conta de um amaciador. Ou de um cola cabelos. É uma coisa absurda. Porque que nunca percebi qual o problema de ser careca.

Estou a suar. Está quente aqui. Abafado. No menos um. Vou subir ao Sétimo Céu. Com vistas sobre uma Coimbra linda. Lá no alto. Vou namorar. A um canto do número dezasseis. Bem juntinho a Ela. Entre carecas.

João José Fernandes Simões

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:09


Todos os nomes

por autor convidado, em 27.09.10

Neste fim-de-semana fui a um casamento (e não há nada melhor que um casamento - ou as bebidas alcoólicas que por lá se servem gratuitamente - para desatar um bloqueio de escrita) de um amigo, companheiro de muitas aventuras durante os loucos anos do ensino superior.
No final da noite (ou ao início do dia, visto que já eram quatro da manhã), depois dos últimos copos e estórias, dei por mim a pensar numa historieta que tinha no principal papel, precisamente, o recém-casado...
Decorria o UEFA Euro 2000, e tínhamos improvisado um lounge no nosso apartamento de estudantes para assistir aos jogos, com sofá, uma televisão de tamanho razoável e cerveja sempre fresquinha. Muita cerveja. Nessa altura morávamos quatro lá em casa: eu e mais dois que já lá estávamos há uns anos, e um rapaz cabo-verdiano há cerca de duas semanas. O nosso amigo agora recém-casado não morava connosco, era do prédio ao lado, mas passava lá a vida. Era assim uma espécie de Kramer (quem se lembra do Seinfeld?) que comia as nossas batatas fritas, jogava nos nossos computadores e usava a nossa retrete. Um prato.
Adiante... Estávamos já nos descontos de um Roménia x Portugal, empatado a zero. Luís Figo prepara-se para bater um livre, faz um compasso de espera enquanto outro jogador português corre devagar para a área. O nosso amigo, exasperado, grita “anda, preto do carago!”. Olhámos para ele em pânico, mas sem tempo para o admoestar: Figo cobra o livre, esse tal jogador salta e cabeceia para o fundo das redes. Golo de Portugal, Francisco da Costa, também conhecido por Costinha, o Ministro.
Depois dos saltos, dos chapadões nas costas e mais uma ronda de cervejas, lá lhe chamámos a atenção, “então, pá?”, “tu és louco?”, “‘tá o cabo-verdiano lá dentro, caraças!”. “E então, eu não sou racista”. E não era, de todo, facto que eu poderia atestar com várias situações que não vêm ao caso.
Como é que certos nomes ganham dimensão depreciativa? Preto, chinês, marroquino, cigano. Conheço uma ou duas pessoas a quem os amigos chamam “preto” e que o são, de facto. Trabalhei com uma marroquina a quem chamávamos, carinhosamente, “marroquina”. Estudei alguns anos com um tipo cigano a quem chamávamos “ganet” sem qualquer malícia (e por quem nos envolvemos certa vez ao milho com um tipo que lhe deu um pontapé no meio da avenida, sem qualquer razão).
Os “nomes” são aquilo que as pessoas querem que sejam. É incomodativo ao início? Talvez seja. Mas sei que estas pessoas de quem falei nunca tiveram problemas com quem lhes chamava daquela forma, sabendo que essa forma de tratamento seria mais um reconhecimento da amizade ou companheirismo, do que um insulto. E um insulto dos piores.
Um gajo corta a rotunda, “oh boi, calhou-te a carta no Cérelac?”, e responde ele, “vai lamber sabão, oh palhaço”; o mesmo gajo corta a rotunda, “oh preto, pareces uma avozinha”, o tipo pára o carro em derrapagem, sai, deixa a porta aberta, e encaminha-se a passos largos para o desbocado.
Porquê a desproporcionalidade na resposta? Sim, sou preto. Sim, tenho pressa. Sim, não devia ter cortado a rotunda. Mas agora vou-te rebentar as beiças porque me chamaste por aquilo que eu sou. E dou de barato o pormenor da avozinha. Vá-se lá perceber. O tipo que vai levar na trombeta ainda há-de ter um genro preto, ou ser casado com uma preta, ou trabalhar com uma carrada de pretos, com zero problemas até este dia. E escrevi “pretos” umas poucas de vezes neste parágrafo propositadamente. Preto, preto, preto. Quando os “brancos” (pergunto eu, em Portugal, com toda a nossa história colonial e de mistura racial, quem é que pode atestar que é mesmo, mesmo branquinho em toda a sua linhagem?) deixarem de usar estes termos duma forma depreciativa, os pretos, os ciganos e os marroquinos vão deixar de se importar. Afinal, é só uma palavra.
Como os processos de pensamento são retorcidos, estava a escrever isto a pensar na minha filha.
Assim que o CPMS foi aprovado, decidimos conversar com ela a propósito disso, não fosse ela apanhar algum colega este ano com dois pais, ou duas mães (doutro casamento, ou duma adopção individual, ou o que seja - bem sei que ainda temos a completa aberração dos casais do mesmo sexo não poderem adoptar). “Sabes filha, podes vir a ter um coleguinha com duas mães ou com dois pais”, “Com dois pais?”, e ri-se. “Sim, filha, com dois pais”. “Está bem”. Isto foi fácil de mais. “Não vês nenhum problema?”, “Não, o Pedro não tem pais nem mães e a Teresa só tem uma mãe e uma tia”. Pois é.
Ainda assim, alguns dias depois decidimos voltar à carga, junto a uma amiga nossa que é lésbica. “Vês, filha, por acaso a Joana não namora, mas se namorasse, tinha uma namorada”. Pergunta ela à nossa amiga “Não gostas dos meninos?”, “Não, gosto de outras meninas”. “Eu também não gosto dos meninos, dão-me pontapés por baixo da mesa ao almoço”. Ah, a inocência da infância.
É esta inocência que a sociedade faz questão de extirpar das nossas crianças. Se o fizesse abrindo-lhes os pequenos olhos para a multiplicidade de condições, não só sexuais, como culturais, religiosas, étnicas, sociais e financeiras, estaríamos a prestar um excelente serviço às gerações futuras. Mas não, somos burros que nem umas portas: não fales, que são Jeovás; não fales que são ciganos; não fales que são paneleiros.
Filha, fala com eles, que são preconceituosos. Talvez tu possas furar a carapaça.

P.S.: Como é lógico, todos os nomes são fictícios; ou então, não. Mas é o mais provável.
P.P.S.: Um dos meus maiores amigos durante a infância e adolescência era preto. Mestiço, vá. A vida atirou-nos para caminhos separados, mas acho que continua a ser preto. E que continua a ser um tipo porreiro.

Marco Amado

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:54


A propósito de Sita Valles

por autor convidado, em 10.09.10

José Manuel Fernandes escreveu um artigo no Público [sobre uma pessoa que eu conheci vagamente há muitos anos atrás e que recentemente foi objecto de um livro/biografia]: Sita Valles.

Agora descrita como uma rapariga “bonita” e até “sedutora”, dela me lembro apenas, nesses anos intensos, ainda sob a ditadura, em que várias linhas de tempo pareciam acontecer em simultâneo, da rapariga morena com um ar franzino, normalmente vestida em tons beije, as costas levemente arqueadas e ar determinado, cuja voz estridente era presença marcante nas assembleias de estudantes.

Como muitos ou todos nós, Sita era uma fanática, ou intervinha como tal nas reuniões. Eu, fanático com outra leitura da época em que vivíamos, não a suportava.

Depois do 25 de Abril estranhei o desaparecimento súbito daquela que era uma das estrelas da facção dos estudantes mais próxima do PC. Como soube pouco depois, o seu fanatismo e coerência, os seus tomates, levaram-na a Angola. Chegaram depois as notícias de que tinha sido morta no chamado “golpe do Nito Alves”.

Ter-se-á tratado duma situação “matar ou morrer”, mas infelizmente não sabemos, se calhar nunca o saberemos, como é que as coisas realmente se passaram.

Ninguém sabe bem a verdadeira história das relações entre as potências comunistas de então, URSS e China e as várias facções lutando pelo poder em Angola e o papel do PC nesta história. Ninguém, quero dizer, ninguém que esteja em condições ou tenha interesse e possibilidade de o investigar e documentar. Para quem se dedicava à política, mesmo julgando-se “de esquerda”, Angola era ( e provavelmente é) um local muito perigoso.

O que eu sei é que apesar de não sentir qualquer espécie de simpatia pela Sita Valles (amigos meus dizem-me que ela se portou impecavelmente quando após o fecho da associação do Técnico pela polícia e preso o Presidente da Associação, nos foram disponibilizadas as infra-estruturas da Associação de Medicina para o prosseguimento da luta estudantil), fiquei chocado quando soube do seu destino, e a forma bárbara como foi torturada e executada. Saber que resistiu, que enfrentou a morte com coragem, dá-me, não sei porquê, conforto, independentemente de saber se ela estava certa ou errada no conflito em que pereceu, admitindo que havia alguma racionalidade no que se passou.

Ninguém sabe quem seria a Sita Valles hoje em dia se tivesse sobrevivido.

Teria voltado a Portugal desiludida e hoje seria uma médica de sucesso com ou sem ideias políticas na órbita da Zita Seabra e outros neocons pró-bushistas?

Teria ficado em Angola e integrado a nomenklatura cleptocrata que dirige aquele País sendo hoje uma respeitável investidora?

Muitas outras hipóteses são viáveis, sendo que de muitas delas faria inevitavelmente parte uma sua reavaliação crítica do seu papel, das suas ideias de então.

Poucas pessoas na minha geração o não terão feito ao longo da vida, mais do que uma vez, eventualmente chegando a conclusões diferentes de cada vez, algumas delas pouco abonatórias.

Quando quizermos estudar os processos que geram os jovens fanáticos e extremistas, e isso é tarefa sem dúvida essencial, tempos um amplo campo de estudo: nós, à saciedade. Basta olharmos para dentro, não precisamos de sujar a memória dos mortos.

Por essa e outras razões, acho desonesto que pessoas que partilhavam, à época, do mesmo fanatismo que Sita, à época ( e infelizmente para ela não houve outra época), se julguem autorizadas hoje, a usar o seu exemplo trágico como pretexto para perorar num tom paternalista sobre as suas ideias e a sua forma de estar na política. Em particular quando pessoas como o José Manuel Fernandes acabaram, eles de novo, na sua nova condição de “democratas”, a apoiar barbaridades cometidas em nome de um “fim”, o da suposta implantação da “democracia liberal” à bomba noutros países, enquanto se permitem fazer avaliações do carácter de terceiros reagindo a circunstâncias de há trinta e cinco anos, quando é patente o fragoroso fracasso dessa nova espécie de messianismo, hoje.

É desleal, é desonesto este discurso feito do confortável mirante do “hoje”, sobre uma pessoa com intenso mérito dentro do referencial em que todos mais ou menos nos movíamos, e que apenas teve o azar de ter tido demasiados tomates. Se tivesse ficado em Lisboa nas suas tamanquinhas, poderia estar agora, quem sabe, a debitar fétidas postas de pescada sobre outros “fanáticos”, eles, em vez dela, brutal e barbaramente assassinados em luta pelas suas ideias.

rui david

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:20


As vítimas da inveja (Jorge Carvalho)

por Rogério Costa Pereira, em 07.05.09

O Futebol Clube do Porto é uma grande equipa!


Ao longo dos últimos 20 anos tem sido a equipa que mais campeonatos tem ganho. É verdadeiramente impressionante! Mesmo com treinadores medíocres o FCPorto consegue campeonatos atrás de campeonatos chegando mesmo a ter margens enormes dos seus adversários directos. O ano passado acabou com mais de 20 pontos de diferença e este ano será, certamente, campeão.


O que se pode dizer? Nada! Tem de se dar a mão à palmatória e admitir que estamos perante um super-Porto, uma equipa que tem uma máquina tão bem oleada que qualquer jogador se torna um craque e qualquer treinador um herói.


Apesar disto há quem continue a insinuar que o FCP domina não só a sua própria máquina mas também a máquina do futebol nacional, que tem tudo controlado. Diz-se mesmo que terá os seus capangas e que muitos desses homens não são propriamente cidadãos exemplares. O seu presidente ad eternum, Jorge Nuno Pinto da Costa, está quase a completar 30 anos à frente do clube e é tudo menos um ser pacífico ou bem-amado fora do clube (há quem diga que até mesmo lá dentro). As suspeições de corrupção são enormes mas em tribunal nada se provou até hoje. Aos olhos da lei e consequentemente de todos os cidadãos, Pinto da Costa é um homem inocente cujos únicos méritos são a competência, a disciplina e a organização. Aos seus pés rastejam empresários e figuras reconhecidas da praça. Por várias empresas e noutros cargos relevantes circulam altos responsáveis do FCP. Há quem fale em promiscuidade, mas num pais tão pequeno e democrático como Portugal este tipo de insinuações são especulativas e até insultuosas! Nunca se provou nada.


Lá fora fazem um brilharete – às vezes – e são bem vistos e até temidos pelos seus adversários. Apesar disso a UEFA achou que o processo em que o clube estava envolvido não poderia colocar a credibilidade do futebol (?) em causa e tentou calá-los na Europa. Mais uma vez ganharam.


O adepto do FCP diz-se bairrista e popular, mas cá fora encontram-lhe traços de sectarismo e novo-riquismo desportivo. A sua agressividade é hoje também conhecida pelo ódio que destila pelo seu arqui-inimigo (o Porto tem inimigos e não rivais) – Benfica – e pela sua imagem de marca, uma claque furiosa chamada Super Dragões envolvida numa série de polémicas, a última das quais no último jogo frente ao Marítimo, na Madeira, quando “alegadamente” roubaram a loja de Cristiano Ronaldo. Do seu discurso fazem parte uma série de chavões que qualquer pessoa mais atenta pode reconhecer: a vitimização, a perseguição e o regionalismo provinciano. Para contrariar isso dizem que são do clube da sua terra, no limite do melhor de Portugal, e que tiveram mesmo de lutar contra tudo e contra todos. Dizem-se invejados e ao Domingo lá vão beijar a mão do Presidente em jeito de agradecimento.


Cada vez mais este Futebol Clube do Porto me faz lembrar o Partido Socialista.


Jorge Carvalho

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:49


A Crise! Somos ouvidos! [Luis Moreira]

por Rogério Costa Pereira, em 17.01.09

Para quem tinha dúvidas que a Jugular tem influência ao mais alto nível, estão aí as provas. Basta reler "A Crise! E se a vendêssemos?" e "A Crise! De passo trocado?"!


Agora vamos prever (eu e o Prof. Bambo):


A economia na próxima década vai crescer abaixo dos 1% (tal como, grosso modo, na década anterior). Isto quer dizer que os desempregados de hoje nunca mais terão emprego. Só a partir de um crescimento de 2% é que há criação de emprego, logo, o desemprego vai crescer até aos 10%. Dizem os livros que a partir dos 10% de desemprego iremos ter problemas sociais, com violência nas ruas, aumento de roubos e furtos. Como não temos folga nenhuma, o deficit já vai nos 3,9% - é como parar a água com a palma das mãos. Acresce que a dívida externa já está nos 70%, o que quer dizer que o custo do dinheiro vai aumentar e vai ser mais difícil contrair empréstimos no exterior, o que, por sua vez, quer dizer que os grandes investimentos públicos já foram. Adeus TGV, Aeroporto, terceira ponte sobre o Tejo. Pelo menos nos próximos anos. Estes investimentos esgotariam toda a pequena folga de crédito ainda existente deixando, perigosamente, o fornecimento de bens essenciais à beira da ruptura! Como tudo isto é mau demais o que fazer? Deficit para 7% e dívida para os 100% do PIB! E adivinhem quem vai pagar? Pois é, amigos, comecem a poupar que vem aí a crise!


E, então, a que vem esta lamúria? "Estamos de tanga" dizia o fugitivo. Vamos cair no "Pântano" dizia o assustado. Lembram-se?


Luis Moreira

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:44


A crise! De passo trocado? [Luis Moreira]

por Rogério Costa Pereira, em 14.01.09

Digo eu: Após o primeiro embate em que todos reagiram da mesma forma, segurando o sector financeiro, estamos numa fase em que as coisas começam a ser claras. A liquidez serviu e serve para o sistema financeiro lamber as feridas, pouca chega à economia real. A deflação ameaça. O consumo e o investimento retraem-se. O desemprego é o monstro resultante destas condicionantes. Que fazem os governos?


Obama: Democratas e Republicanos estão de acordo. Investir no apoio directo às empresas que têm um efeito de arrastamento a montante, criando empregos. Escolhe sectores estratégicos para o futuro. Saúde, ambiente e energias alternativas.40% dos 700 mil milhões de dólares em redução de impostos vão relançar estas empresas. O resto do dinheiro é devolvido às empresas e aos indivíduos para aumentar a procura interna. Enfim, a intervenção é directa na economia real, nas empresas de bens e serviços transaccionáveis, nas empresas exportadoras, nas empresas criadoras de emprego. Geograficamente em todo o país!


Economistas e empresários nacionais: Atrair investimento estrangeiro de bens transaccionáveis. Mobilizar os portugueses para consumir o que é nosso. Apoiar as empresas de bens transaccionáveis financeira e fiscalmente. Expandir a procura interna. Melhorar a sustentabilidade dos modelos energéticos e urbanos. Progredir na produção de bens e serviços transaccionáveis. Libertar o Estado do envolvimento das actividades económicas não estratégicas. Reduzir a concentração de investimento em obras públicas. Eliminar os entraves às empresas exportadoras. Rever o programa de investimento público para reduzir as importações e o endividamento. Encorajar as actividades agrícolas e das pescas. Reduzir o IRC para fomentar as exportações e diminuir as importações. Apoiar financeira e fiscalmente jovens empresários com novas ideias e projectos.


Governos da UE: No essencial, aumentar a protecção no desemprego e expandir os apoios sociais aos indivíduos e às famílias. Apoiar fiscalmente as empresas com redução de impostos. Estimular a procura interna!


Governo português: Grandes investimentos públicos, com fraca rentabilidade e nenhum efeito em 2009, no emprego. Aumento da dívida externa e das importações.


Mãe do recruta: o meu filho é o único que vai com o passo certo!


Luis Moreira

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:58


página facebook da pegadatwitter da pegadaemail da pegada



Comentários recentes

  • Anónimo

    SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO DE HACKING GENUÍNO E...

  • Anónimo

    SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO DE HACKING GENUÍNO E...

  • Piyush Giri Goswami

    VOCÊ ESTÁ PROCURANDO UM HACKER ONLINE, ENTRE EM CO...

  • Piyush Giri Goswami

    Você precisa de algum serviço de hackers? Você est...

  • Anónimo

    hello everyone, i'm so happy to recommend and tell...

  • Anónimo

    Tenho o prazer de anunciar ao mundo sobre esse gru...

  • Anónimo

    Tenho o prazer de anunciar ao mundo sobre esse gru...

  • Anónimo

    Eles são uma equipe de legítimos profissionais HAC...

  • Anónimo

    Se você precisar de um serviço genuíno de hackers ...

  • Anónimo

    They are a professional group of hackers beyond th...


Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Pesquisar

Pesquisar no Blog