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Hoje é dia de festa

por Licínio Nunes, em 29.09.13
Em última análise, existem apenas dois tipos de sociedades, umas podem ser designadas por fechadas e as outras por abertas. [...] O drama das sociedades abertas, é que têm que permitir a actuação dos seus inimigos.
Karl Popper in A Sociedade Aberta e Os Seus Inimigos


A festa da Democracia, com toda a sua majestade, e eu festejo-a como posso. Festejo-a no seio dum Povo rude e alienado, que dificilmente justificará a maiúscula, mas que é o meu e que me faz, também, aquilo que eu sou.

Celebro a festa da Democracia numa condição de ocupação. Estrangeira como só a ocupação consegue ser, protagonizada por um von Colditz solicito e seboso, que assegura aos seus senhores que sim, Belém já está a arder, no fogo lento da miséria sem amanhã nem esperança, com lugar reservado apenas para os membros do seu arco. Que me exclue, mas também me liberta da obrigação de respeitar as consequências das péssimas escolhas dos meus concidadãos.

Festejo com um nó na garganta, firmemente decidido a afirmar que o futuro não pertence à corja de patifes designados por ministros-e-secretários-de-estado-de-cavaco-silva, assim como não pertence ao fedelho ranhoso que conseguiu começar a trabalhar mais tarde até do que os filhinhos do sr. Kadafhi. Nem a este nem àquela víbora peçonhenta, cujo apelido me incomoda, e que prova como a verdadeira miséria desafia a gravidade e sobe, sempre; pelo menos até ao Largo do Caldas.

É dia de festa. Seja lá qual for a decisão colectiva do meu Povo rude, hoje senti ou recordei um cheirinho de alecrim. Gostei.

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publicado às 17:37


3ª parte da II Tertúlia "Ouvir e Falar"

por António Filipe, em 11.07.12

Aqui fica a terceira de três partes do vídeo da 2ª Tertúlia "Ouvir e Falar", organizada pelo blog "Pegada", realizada na Praça do Município do Fundão, no dia 29 de Junho.
Ver aqui: 1ª parte 2ª parte

II Tertúlia "Ouvir e Falar"  - Parte 3 de 3
Tertúlia do dia 29/06/2012, no Fundão - Parte 3 de 3 from António Filipe on Vimeo.

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publicado às 22:54


2ª parte da II Tertúlia "Ouvir e Falar"

por António Filipe, em 08.07.12

Aqui fica a segunda de três partes do vídeo da 2ª Tertúlia "Ouvir e Falar", organizada pelo blog "Pegada", realizada na Praça do Município do Fundão, no dia 29 de Junho.
A 3ª e última parte será publicada na próxima Quarta-feira (dia 11).
Ver aqui a 1ª parte


II Tertúlia "Ouvir e Falar"  - Parte 2 de 3

Tertúlia do dia 29/06/2012, no Fundão - Parte 2 de 3 from António Filipe on Vimeo.

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publicado às 09:00


1ª parte da II Tertúlia "Ouvir e Falar"

por António Filipe, em 04.07.12

Aqui fica a primeira de três partes do vídeo da 2ª Tertúlia "Ouvir e Falar", organizada pelo blog "Pegada", realizada na Praça do Município do Fundão, no dia 29 de Junho.
A 2ª parte será publicada no próximo Sábado (dia 7) e a última parte na próxima Quarta-feira (dia 11).
Entretanto, no próximo Sábado (dia 7) a Rádio Cova da Beira transmitirá o audio desta tertúlia, no programa "Flagrante Directo", no próximo Sábado (dia 7), das 11 às 13 horas, com repetição entre as 21 e 23 e nas frequências 92.5 e 107.0 ou na emissão on-line, em http://www.rcb-radiocovadabeira.pt/popup.php 

II Tertúlia "Ouvir e Falar"  - Parte 1 de 3

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publicado às 16:00


Movimentos de cidadania

por António Filipe, em 11.06.12

É impressionante a quantidade de páginas do Facebook pertencentes a movimentos de cidadania. Estes movimentos parecem estar a alastrar cada vez mais. Bom sinal, na minha opinião. Basicamente, todos defendem os mesmos princípios. São contra políticas neoliberais, defendem a saúde e a educação públicas de qualidade, são contra as privatizações, não têm confiança nos políticos ou partidos da governação. De um modo geral, têm uma ideologia de esquerda. Denunciam casos reais, do dia-a-dia, dos quais, muitas vezes, nem se ouve falar na comunicação social. Cada um destes movimentos conta com centenas ou milhares de membros. São movimentos importantes, embora a sua força política seja relativa. Fazem o que podem, organizando algumas manifestações e eventos, anunciando e dando notícias de outros, elaborando petições, que apresentam à Assembleia da República e que, ao que parece, habitualmente, caiem em saco roto.
Ao passar os olhos por estas páginas (o que faço com alguma regularidade) dou comigo a pensar que todos estes movimentos, reunidos num só, poderiam tornar-se uma força poderosa, com uma palavra importante a dizer acerca das coisas que afectam as nossas vidas, principalmente, as dos mais fracos. Se esta unificação se concretizasse, surgiria um enorme movimento, que poderia exercer pressão significativa sobre aqueles que têm o poder de decisão. Continuaria, no entanto, a faltar a esse movimento uma coisa essencial: o acesso aos lugares que lhe dariam, realmente, esse poder de decisão. O problema é que este sistema a que chamam democracia está viciado. São os partidos com assento na Assembleia da República que aprovam as leis e, na realidade, são só dois, que alternam no exercício do poder. A lei portuguesa não permite que um movimento de cidadania se candidate a eleições legislativas. E é minha convicção que nunca permitirá, já que quem pode alterar a lei nunca o fará, sabendo, à partida, que isso constituiria um perigo para a sua permanência no poder, o que, como é óbvio, não convém. Vivemos numa ditadura de partidos. E, pior, só dois deles é que governam. O povo vai sendo enganado com a alternância. Iludido com a ideia de que tem por onde escolher, na realidade, só escolhe o próximo carrasco. Os eleitores votam com base nas promessas eleitorais que lhes são feitas. Promessas que são quebradas pouco depois das eleições, sempre com a mesma desculpa: a situação está pior do que se pensava, porque o partido que estava no governo anterior andava a enganar o povo. E a cena repete-se em cada acto eleitoral. Cada vez mais se nota a aproximação ideológica dos chamados partidos do bloco central, que são os que, ao fim e ao cabo, têm governado há décadas.
Infelizmente, isto não se verifica só em Portugal. Observamos isso na grande maioria dos países ditos democráticos. Se fosse permitido aos movimentos de cidadania terem assento na Assembleia Legislativa teríamos, porventura, representantes que lutariam por uma sociedade mais justa, uma vez que não estariam sujeitos a nenhuma ideologia partidária, que, sendo cega, não vê o bem do povo, mas somente o do próprio partido. Basta estar com alguma atenção para perceber que um determinado partido, quando está na oposição, defende uma determinada medida, que, logo que chega ao poder, ataca ferozmente, só porque foi proposta por outro qualquer partido. É uma guerra partidária que só beneficia alguns, prejudicando sempre os mesmos: o povo e o próprio país.
Não gosto de pensar que estamos num beco sem saída, mas a verdade é que a paciência esgota-se. A esperança, essa será a última a morrer.

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publicado às 16:01


OUVIR E FALAR - II Tertúlia pela Democracia e Cidadania

por Rogério Costa Pereira, em 17.04.12

No âmbito do Ciclo de tertúlias "OUVIR E FALAR", organizado pelo blogue Pegada (http://pegada.blogs.sapo.pt/), vai ter decorrer, no próximo DIA 29 DE JUNHO, PELAS 21 HORAS, NA PRAÇA DO MUNICÍPIO DO FUNDÃO, a “II TERTÚLIA PELA DEMOCRACIA E CIDADANIA”, que contará com a presença do Cidadão ANTÓNIO MARINHO PINTO, Bastonário da Ordem dos Advogados, que se juntará aos demais Tertulianos que queiram estar presentes.
PARTICIPAR NA TERTÚLIAhttp://www.facebook.com/events/348798825176352/

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publicado às 16:35

Não sabemos tudo. Não apregoamos certezas absolutas. Não estamos aqui para impor o que pensamos aos outros. Às vezes, não sabemos ainda o que pensar.
Mas temos um dever. Esse dever chama-se “o dever de tentar”. O dever de tentar ouvir, o dever de tentar saber mais, o dever de tentar explicar a nossa opinião, o dever de tentar persuadir e o de nos deixarmos persuadir pelos outros.
Temos esse dever porque o país está numa crise profunda. Temos esse dever porque somos europeus e a nossa opinião tem tanta importância e dignidade como a opinião de quaisquer outros europeus, oriundos de qualquer dos outros 26 países desta União que é um clube de democracias, mas não é ainda uma democracia. Acima de tudo, temos esse dever por uma razão muito simples: a democracia não funciona sozinha.
Portugal teve, no século que passou, mais tempo de ditadura do que democracia. A última ditadura foi das mais longas da Europa: 48 anos. A revolução do 25 de Abril vai fazer, em comparação, apenas 38 anos. Meditemos nisso por um momento: só daqui a dez anos se atingirá um dia extraordinário em que Portugal terá, finalmente, mais tempo de liberdade do que teve de opressão. E como chegaremos lá? Terá a democracia dado tudo aquilo que pode dar? Ou teremos um Portugal vergado pela crise, em que os mais jovens e qualificados emigram, e ficam apenas aqueles que são velhos de mais ou qualificados de menos para o mercado global? Será Portugal uma república que se respeita enquanto tal, ou seja, que (independentemente da ideologia, falo de “república” no sentido original de “coisa pública”) tenha uma noção do bem comum e da integridade com que ele deve ser preservado? Ou terá caído no clientelismo, na partidocracia, no autoritarismo dos senhores feudais da política? Tudo isso depende de nós.
“Depende de nós?” — “mas quem somos nós?”
Nós somos tu, que me lês ou escutas. E eu, que te escrevo. Gostaria de hoje estar aí para falar contigo. Gostaria acima de tudo que fizéssemos deste país uma conversa em democracia, uma conversa que não significa só falar; significa encontrar soluções; significa legitimar propostas; significará fazer e mudar. E, para tudo isso, não podemos esperar pelos outros. Depende de nós. Depende de ti, e de mim. Não sabemos tudo. Não queremos saber tudo. Não impomos nada. Não temos certezas absolutas. Mas, pela nossa democracia, temos pelo menos o dever de falar e ouvir. Como cidadãos, temos o “dever de tentar”.

Rui Tavares

Outras Intervenções já publicadas: Abertura IAbertura IIEstrela SerranoHeloísa ApolóniaJosé Reis Santos, Paulo Pedroso

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publicado às 11:13

Hoje andei perto de vós, nas deambulações partidárias, mas não pude ficar, por razões verdadeiramente inadiáveis. Espero e desejo estar na próxima Tertúlia, enquanto agradeço aos organizadores que se tenham disponibilizado a emprestar-me a sua voz.

A vossa iniciativa fazia falta. Em Portugal discute-se pouco a política e as políticas. Há mesmo resquícios de uma cultura bafienta segundo a qual a discussão gera a divisão e não as melhores soluções. Tenho, por princípio a visão oposta e, na actual conjuntura, creio que é mais necessário que nunca tê-la.

Desde o fim do PREC houve um grande desígnio nacional que uniu a larga maioria dos portugueses, no sentido de aproximar-nos da Europa e de fazer da convergência europeia o nosso caminho. Os resultados até hoje foram largamente positivos, mas chegámos ao ponto do caminho em que os espinhos são mais visíveis do que as rosas. E devemos perguntar-nos como queremos estar na Europa, que queremos para ela e que queremos para Portugal nela.

Pessoalmente, a minha utopia europeia é federalista. Gostava de poder votar algures contra Merkozy, mas não posso. Sei também que, com Merkozy, Portugal terá pouca margem para seguir um rumo muito diferente do actual. Mas tem alguma.

A federação europeia em que eu gostaria de viver seria radicalmente democrática, não parando a democracia à porta do mundo do trabalho e não a remetendo para os lugares institucionais dos órgãos de soberania. Mas o mundo também não caminha nesse sentido. Pode parecer-vos um raciocínio muito de “velha social-democracia europeia”, mas continuo a acreditar que a força dos sindicatos é a melhor garantia de avanço da igualdade em sociedades que mantêm a economia capitalista como modo primeiro de produção e distribuição de recursos. Infelizmente não há muitas razões para estar optimista quanto ao que vai acontecer entre nós ao mundo sindical nos próximos anos.

Portugal deve preocupar-nos. Porque os portugueses parecem resignados com a terapia de choque liberal que embrulha em recuos sociais e em recuos nos serviços públicos uma soução austerativista para a crise. Na terapia que estamos a seguir quase tudo está errado. É certo que acabará, a médio prazo, por ter resultados. Mas fá-lo-á à custa de muito sofrimento social desnecessário.

Essa resignação e esse sofrimento social têm que ser contrariados pela acção dos movimentos cívicos. Claro que os partidos têm um papel insubstituível, mas não é único. Teremos que mobilizar forças para dizer que há outras soluções para a crise mundial e para a sua variante portuguesa. Teremos que criar uma rede de pensamento crítico. Teremos que prosseguir e aprofundar o debate.

Para o fazer é necessário criar uma corrente de debate. É o que aqui estais a fazer. É aquilo que me proponho fazer convosco se assim quiserem. Neste momento pouco importa saber quanto concordaremos nas propostas alternativas. Basta que tenhamos em cmum o sentimento que elas são necessárias.

Melhor democracia será obra de mais cidadania e mais cidadania será resultado de falar mais e ouvir melhor. Eu estou à escuta. A escutar-vos como cidadão interessado na defesa radical da democracia em todas as esferas da vida e com vontade de ser uma voz a falar convosco nos debates que agora iniciais.

Boa tertúlia e força, que o futuro não está pré-determinado nem tem proprietário.

Paulo Pedroso

Outras Intervenções já publicadas: Abertura I, Abertura IIEstrela SerranoHeloísa ApolóniaJosé Reis Santos

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publicado às 19:01

Minhas caras e meus caros,

Em primeiro lugar, queria vos dizer que é um prazer imenso ter a oportunidade de participar, ainda que à distância, ainda que lido e ouvido, neste vosso ciclo de conferências que hoje se inicia, sob o título « OUVIR E FALAR -- I Tertúlia pela Democracia e Cidadania».

Uma excelente iniciativa promovida pelo Blogue Pegada, de responsabilidade do meu amigo ‘simplexiano’ (e pessoa nada simples, posso acrescentar) Rogério da Costa Pereira, a quem desde já endereço um forte abraço, directamente de uma auto-estrada europeia, uma vez que por estas horas devo estar em transito para Budapeste... 

Acresço ao facto que participar em tais tertúlias é sempre um prazer, mesmo que a distância me impeça de convosco saborear um belo enchido acompanhado por um tinto de colheita decerto superiormente selecionada pelo senhor doutor que julgo estar a ler esta minha missiva, a ocorrência de me estar a dirigir a uma audiência reunida no Fundão, e não em Lisboa, Porto ou outra cidade de meia dimensão, como Coimbra, Leiria ou Faro.

E enfatizo este facto, e já entrando no tema geral das tertúlias, porque julgo muito importante, nos dias de hoje, capacitar a nossa ainda insipiente-mas-bem-mais-organizada-activa-e-politicamente-significativa sociedade civil portuguesa para a intervenção pública e política.

E neste sentido, entendo que é essencial que iniciativas desta natureza ocorreram não só com frequência, mas essencialmente que surjam de forma descentralizada, polvilhando o país urbano, rural, profundo e cosmopolita.

Somente desta forma poderemos construir o apoio social necessário para a consolidação em terras lusas de uma sociedade progressista, que não discrimine, que tolere, que desenvolva leituras críticas da sociedade e da informação que hoje enviesadamente nos é propagandeada.

Uma sociedade civil que se capacite para um engajamento social de elevada exigência cívica e política, e que clame pela sólida implementação em Portugal de uma sociedade justa, assente no mérito de cada um e forneça oportunidade para todos, onde nos seja permitida a busca do nosso modelo de vida e felicidade, conforme definido por casa uma ou um.

Dito isto, que adorava debater convosco, a minha proposta de intervenção passa pela leitura de um curto texto, publicado na semana passada no Diário Económico que, em versão revista e aumentada, julgo que se enquadra no âmbito do desafio deixado pelo Rogério. 

Chamei ao texto “Portugal à bastonada”, e como decerto já terão entendido, é uma curta reflexão sobre os infelizes eventos decorridos aquando da última manifestação, em Lisboa.

E julgo que este texto se enquadra no tema e no espaço em que nos encontramos, pois decidi – na sua escrita – mergulhar um pouco na história e memória colectiva do nosso Povo, da nossa Nação, para desmontar a excessiva mitificação em torno do carácter manso dos nossos genes políticos.

Esquecemos de todos os séculos de luta contra a imposição do Poder do Estado, na Antiguidade, na Idade Média e Moderna, durante o nosso Liberalismo, republicanismo e fascismo, e mesmo durante a nossa democracia.

Esquecemos não, foi-nos construída essa imagem dócil durante o período do Estado Novo, onde o regime utilizava – de forma bastante eficaz, diga-se – a censura para retirar da comunicação social toda e qualquer referência ao carácter mais ‘exaltado’, mais ‘apaixonado’ do nosso povo, cumprindo aliás uma velha máxima de Salazar “Politicamente só existe o que se sabe que existe, politicamente o que parece é”... 

Deixem-me vos dar alguns exemplos.

José Reis Santos

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publicado às 17:50

Saúdo todos os espaços de promoção de debate democrático sobre a situação que o país enfrenta, consciente que a democracia é tanto mais plena quanto a consciência cívica e política dos cidadãos, bem como a motivação de todos para a participação.

Saúdo, em particular, a I Tertúlia pela democracia e pela cidadania, a realizar no Fundão, cujos contornos não conheço bem, mas que, segundo a informação que me foi prestada ou dada a conhecer, me parece um bom ponto de partida e de encontro para uma ampla discussão.

Nunca me identificaria com a discussão, se ela se centrasse num discurso anti-partidos. Não suporto esse discurso, desde logo porque sou militante do PEV, mas sobretudo porque esse discurso é grande cúmplice dos partidos que se têm alternado no Governo e constituído maiorias parlamentares, que, por via de opções políticas muito claras, sustentadas em muitas ilusões e quebradoras de compromissos assumidos, têm conduzido este país a um empobrecimento territorial, social e económico vergonhoso. O que esses partidos mais desejam é que os portugueses nunca encontrem alternativas noutras forças partidárias... e meter tudo no mesmo saco, ajuda-os bastante! E porque eu sei que os partidos não são todos iguais, e porque sei que há partidos que defendem opções políticas muito diferentes, não dou, um cêntimo que seja, para esse peditório anti-partidos. O problema do sistema não são os partidos políticos... são as opções políticas que alguns partidos políticos têm tomado!

A diferença está entre aqueles que acreditam neste país e nas suas gentes e aqueles que não acreditam: estes últimos retiraram poder de compra aos portugueses e impediram-nos de ser agentes dinamizadores da nossa economia, sufocaram micro, pequenas e médias empresas pela via fiscal e pela via do financiamento à economia, geraram mais e mais desemprego, desestabilizaram famílias inteiras e encontram-lhes a solução da emigração! Os mesmíssimos que vendem o país a saldo: um BPN por 40 milhões de euros depois de se ter lá injetado criminosamente mais de 7 mil milhões de euros (pago pelos contribuintes); uma barragem do Tua que custará a esta e à próxima geração cerca de 16 mil milhões de euros, com o custo associado da perda de um património natural valiosíssimo e único com um potencial estrondoso de desenvolvimento da região, negócio benéfico só para a EDP; uma prospeção de petróleo ao largo da costa alentejana e da costa algarvia sem contrapartidas para o Estado português e em benefício direto de grandes empresas, espanhola e alemã, e com os riscos todos direcionados para o nosso mar e para a nossa costa. Chegam estes exemplos? Os mesmíssimos que privatizam setores fundamentais como a energia ou a água... a água... um bem essencial à vida que ameaça ser o maior fator de conflito entre Estados no futuro, provavelmente, pelo andamento da carruagem, não tão longínquo! Os mesmos que desaproveitam uma boa parte do território nacional, intensificando assimetrias regionais e encerrando serviços públicos essenciais de proximidade às populações.

Bolas! Nada disto tem que ser assim!

Quando se acreditar que este país tem gente tão válida, que o trabalho é a força de criação de riqueza do país, que o mercado interno vale tanto ou mais que o externo, que a justa repartição da riqueza é um princípio básico de consolidação orçamental, bem como a nossa capacidade de atividade produtiva sustentável, que este país tem potencial para “dar e vender”, que o Estado somos todos nós e que a Sra Merkel não é, definitivamente, a pessoa que escolhemos para gerir os destinos do país... este país cria viabilidade.

Até lá, bom debate, bons alertas e boas propostas!

Heloísa Apolónia


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publicado às 17:09

Caros Tertulianos,

É bom saber que a crise não nos tirou a vontade de reflectirmos em conjunto sobre o presente e o futuro do nosso país, no momento em que tantos desistem de lutar. Junto à vossa palavra directa a minha palavra escrita - uma das poucas formas que podemos usar sem o risco de levarmos com um bastão perdido... Queremos e podemos ser eficazes através da palavra. Temos razões para acreditar que vale a pena lutar por melhores dias e que iniciativas como esta podem trazer luz ao pensamento.
Um abraço a todos e boa tertúlia.

Estrela Serrano

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publicado às 17:08

 Notas para a abertura da I Tertúlia pela Democracia e Cidadania... Ou colecção de frases soltas com um cheirinho de coerência.

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Diz-nos Platão, dessa mesma Grécia de que tanto agora nos procuramos afastar, mas que tanto deu à Humanidade:

“Ora o maior dos castigos é ser governado por quem é pior do que nós, se não queremos governar nós mesmos.” (República, livro I, 347c)

Noutros termos, o preço a pagar pela não participação na política, é ser governado por quem é inferior.

O facto é que “esses que são piores que nós” de que nos fala Platão, esses inferiores, medíocres, aprendizes de pensamento único, sem ideias ou a memória que implique a vergonha que vai do que disseram ontem ao que fazem hoje, há muito que chegaram ao poder e a culpa é nossa.

Demitimo-nos, abdicámos das nossas responsabilidades e da nossa consciência. E pior, fizemo-lo de livre vontade.

Os gregos, de novo eles, designavam de idiótes o indivíduo que nada queria saber de política, que vivia imerso nas pequenas coisas de ordem doméstica e sentia que nada podia oferecer aos restantes, acabando manipulado por todos. Do termo grego deriva o nosso idiota actual.

Tornámo-nos invisíveis.

Acomodámo-nos e já não contamos para o que quer que seja.

Desabituámo-nos de pensar e falar, embora não pareça, dada a quantidade de chavões repetidos até à exaustão pela comunicação social e que já não estranhamos, mas que continuamos sem entender. Encolhemos os ombros e mudamos para o mesmo num outro canal televisivo. A nossa escolha reduzida a isto.

Perdemos o hábito de pensar e começa a desenvolver-se o medo de o fazer, e mais, de estar junto a quem pensa e fala, não vá contagiar-nos, não vá estar alguém de olhos postos em nós.

Optámos por permanecer quietos, fingir de mortos quando as coisas se complicam, não levantar ondas, aninhar-nos no sofá ou no cada vez mais restrito grupo de amigos de confiança (nunca deixando de espreitar por cima do ombro e medir a exacta extensão de cada palavra) ou, opção dos nossos tempos,  proteger-nos atrás do ecrã de computador (numa irreflectida ilusão de segurança).

Deixámos de ouvir, falar e, sobretudo, pensar. Um dia acordámos transformados no “analfabeto político” de Brecht.

Deixámos de OUSAR PENSAR e fazê-lo na praça pública (na Ágora), dar a cara por uma ideia sem medo de represálias ou expectativa de agradar a este ou àquele.

Uma das implicações da Democracia grega foi que os cidadãos passassem a “ver-se” uns aos outros (na Ágora, na disposição das próprias assembleias, onde cada cidadão podia tomar a palavra, no teatro, onde era sempre a decisão humana e suas implicações que estavam em causa).

Foi isto que deixou de suceder, “ver” os demais e deixar que nos “vejam”, unicamente apoiados na convicção que resulta do uso autónomo da razão.

Mas não é um trabalho fácil este de recuperar a autonomia.

Não é fácil porque exige uma modificação de mentalidade. É algo a longo prazo. Não se trata de acreditar que podemos mudar tudo aqui e agora, como que por milagre. Não pode ser esta a verdadeira atitude política.

Mas essa é a única forma de mudar uma forma de vida e de fazer política (ou não fazer) que não funciona, exceptuando para uns poucos privilegiados em regime rotativo.

Não é correcta esta substituição da pessoa pelo número.

Não é correcta esta política de trabalhar mais, para produzir mais, para consumir mais, para desperdiçar mais.

A qualquer custo.

Viver não se pode resumir a isto. Viver tem de ser mais.

Não é o fim do Governo que se pretende. Não é o fim da Democracia que se pretende. Apenas o fim de um paradigma de Governo e Democracia. Para voltar a colocar a pessoa e os valores no centro. De onde nunca deveriam ter sido arredados.

Isto cabe-nos a nós, porque um Governo (enquanto colectivo) não tem consciência.

O trabalho tem de começar em nós. A mudança tem de começar em nós. Para que o colectivo mude também.

Por isso mesmo, é fundamental que não participemos das misérias que condenamos em silêncio… E isso passa por dar pequenos passos, como este, aqui, hoje, nesta tertúlia, mas que sejam para sempre…

Que produzam efeito em nós.

Que fiquemos mais esclarecidos, maiores.

Para fazer o que é correcto, da forma correcta, pelas razões correctas. (Barry Schwartz)

Porque não nascemos para ser coagidos.

Se não vivermos de acordo com a nossa natureza, que não é esta coisa amorfa, então é como se já estivéssemos mortos.

No essencial, tudo se resume ao tipo de pessoa que queremos ser.

No essencial, é uma escolha nossa.

No essencial, é a imagem e o exemplo que queremos passar aos que se seguem, aos nossos filhos.

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publicado às 17:20

Por estranho que pareça, consegui ler a meia-dúzia de linhas que se seguem em 40 minutos. A partir de segunda-feira publicaremos as intervenções daqueles que, não podendo estar presentes em carne-e-osso, enriqueceram a nossa (vossa) tertúlia com as mensagens que nos enviaram: Estrela SerranoHeloísa ApolóniaJosé Reis SantosPaulo PedrosoPaulo Querido e Rui Tavares. A tertúlia, tal qual foi, ainda que despida dos sentires próprios de quem a Ouviu e Disse no local, de quem a fez, está disponível aqui.


Agradecemos, em nome de TODOS, a presença de TODOS − também àqueles que acompanham ONLINE ESTA TERTÚLIA. A partir do momento em que este evento foi anunciado, saiu-nos das mãos; deixou de ser uma iniciativa da pegada e passou a ser, em co-autoria, uma acção de todos os que aqui estão.

CARA A CARA, OLHOS NOS OLHOS, SIM – isso é importante, DECISIVO --, mas isso não exclui todos aqueles que por diversos motivos aqui não podem estar.

OUVIR E FALAR.

É o nome desta tertúlia. Deste ciclo de tertúlias que hoje se inaugura.

Durante a publicitação do evento, particularmente no boca-a-boca, muita gente me perguntou para que serve isso. OUVIR E FALAR. Diziam-me: “eles querem, eles podem e eles mandam. NÃO HÁ NADA A FAZER”.

A todos respondi a mesma coisa: “serve por certo para mais do que ficar sentado no sofá, com as mãos a adormecerem debaixo do rabo”.

PARA QUÊ FALAR? PARA QUÊ OUVIR?

Ao ritmo a que vamos parece já despontar no horizonte a próxima pergunta: “PARA QUÊ RESPIRAR?”

O actual estado de coisas seria o sonho de Salazar. Não é preciso PIDE. Nós somos a nossa própria PIDE. Os nossos próprios censores.

Nada contra a auto-censura que nos impomos e que faz de cimento-cola nesta eterna relação simbiótica entre o individuo e a sociedade; tudo contra a auto-censura que nos limita a essência.

O lápis azul dos tempos que correm risca sem mãos. São agora desnecessários os capatazes e os chulos do regime.

Por este caminho, por este COMER e CALAR, ao invés de OUVIR e FALAR, e caso não atalhemos, cada português resumir-se-á, APENAS, a um enorme lápis azul do seu pequeno tamanho.

OUVIR E FALAR, sim.

Duvidar da importância desses dois estares e sentires é mandar a toalha ao chão antes do combate começar.

Equivale a arrancar as orelhas.

A cuspir fora a boca.

Um povo QUE NÃO OUVE – que não SE ouve −, um povo QUE NÃO FALA – que não SE fala – é um povo que não se merece. NÃO É UM POVO!

Passivos e de boca fechada, aceitamos o que nos servem.

E ELES – essa entidade etérea – servem-nos o que aceitamos.

Um povo que aceita tudo, limitando-se a um resmungo entredentes, e a MEDO, com muito medo, tem exactamente o que merece.

NADA.

ISTO…

E, surpresa das surpresas, atentai!, esses ELES somos nós.

Quando resmungamos contra eles, quando falamos na responsabilização d’ELES – e desde que isso não nos tire o pão da boca, PORQUE AÍ NÃO OUSAMOS – estamos a apontar o dedo a nós próprios. Somos os nossos próprios julgadores.

A sentença, essa, já está lavrada. E passamos então a ser os nossos próprios VERDUGOS.

QUE MORRAM! E QUE NÃO ME ABORREÇAM, DIZEMOS POR VEZES QUANDO NOS REFERIMOS A ESSES TERRÍVEIS ELES.

Esta espécie de suicídio, porque os ELES que morrem somos nós, quase que poderia ser legítimo, fosse cada um dono do seu próprio destino.  Que não é!

O problema, melhor, A SALVAÇÃO é que ELES não somos só nós. São os nossos avós, os nossos pais, todos aqueles que lutaram para que eu possa estar aqui hoje, em liberdade, a dizer estas palavras. Toda a dinâmica que contribuiu para eu tenha escrito no meu bilhete de identidade: PORTUGUÊS.

Mais importante que isso. ELES são os nossos FILHOS.

É pelo meu FILHO que aqui estou hoje, pelos FILHOS que dele virão, para que também eles possam nascer e viver portugueses. Sem serem obrigados a emigrar à primeira luz. Para que não nasçam Alemães. Para que os primeiros “papá” e “mamã” não sejam ditos em mandarim.

OUVIR e FALAR.

Se for só eu, é certo que provavelmente de pouco servirá. Hoje, porém, não sou só eu. Não é só a pegada, prestes, aliás, a mudar o nome para patada.

Olhem as formigas no carreiro e verão a força do colectivo. A uma formiga que incomoda dá-se um piparote. Sejamos as formigas no carreiro, que sabem o que querem, de onde vêm e para onde vão. E QUE SALTAM POR CIMA DE CADA OBSTÁCULO. Essas não aceitam piparotes, porque atrás duma vem outra. E OUTRA! O individuo confunde-se com o colectivo e vice-versa.

SE UMA ANDORINHA NÃO FAZ A PRIMAVERA, MIL ANDORINHAS FAZEM UM FILME DE HITCHCOCK. OS PÁSSAROS, SEJAMOS OS PÁSSAROS.

CAROS TERTULIANOS, PORTUGAL MORRE-NOS. Não há réstia de soberania que nos sobre.

E essa morte colectiva parte da morte do indivíduo.

Quem duvida que tudo começa NESSE, assim mo chamaram, “IMPROFÍCUO” OUVIR E FALAR contribui para isso a cada respirar, a cada imposto que aceita a ganir. OBEDIENTEMENTE.

UIVEMOS, DIZ SARAMAGO QUE DISSE O CÃO. UIVEMOS, POIS. NÃO À LUA. MAS À TERRA. À NOSSA TERRA. PORTUGAL.

ESTAMOS habituados – fomos ensinados -- a ouvir que, de quatro em quatro anos, vamos às urnas decidir o nosso futuro.

Mera FALÁCIA, hoje em dia. Em boa verdade, de quatro em quatro anos, vamos legitimar uma ditadura de interesses. Uma ditadura financeira, arredada da economia real.

OS DESTINOS DE PORTUGAL DECIDEM-SE LÁ LONGE, TÃO LONGE QUE DEVERÍAMOS CORAR DE VERGONHA POR O PERMITIRMOS.

E, assim sendo, ou começamos todos a aprender alemão ou aprendemos todos a dizer NÃO!

Passei a vida a lutar pelo direito ao voto, a insistir no direito ao voto consciente. Pois hoje, E COMO AS COISAS ESTÃO, vejo nesse acto a legitimação de um PORTUGAL QUE SE PERDE. E não me conformo com tal realidade. Não desisto de VOTAR, mas resisto a resumir-me a esse, HOJE POR HOJE, flato democrático.

As eleições, neste país que se perde, andam hoje perto do inócuo, do despiciendo. Arranje-se outro sinónimo: ANDAM perto do INÚTIL.

Mas a culpa é também nossa! Porque vemos nesse singelo acto o único EXERCÍCIO de CIDADANIA que nos é permitido

Por outro lado, de que me vale, e agora falo do nosso círculo eleitoral, votar verde, vermelho, azul ou cor do burro quando foge?

O resultado é sempre igual. Dois mais dois são quatro. Dois destes, dois daqueles.

É essa, NA MINHA OPINIÃO, a primeira demanda, o nosso 13º terceiro trabalho de Hércules. OBRIGAR OS DEPUTADOS A RESPONDER PELAS TERRAS PELAS QUAIS FORAM ELEITOS.  Para isso é necessário mudar o sistema eleitoral. O primeiro deputado eleito pelo PSD em Castelo Branco é açoriano. Para verem o absurdo desta realidade, imaginem-me a mim, a qualquer um de nós, como cabeça de lista nos Açores por um dos partidos do famigerado arco da governação, antítese perfeita do arco do triunfo. PORQUE ALI NADA SE GANHA, TUDO SE PERDE.

Numa das farpas, já não me lembro se de Ramalho se de Eça, comparavam-se os partidos a meninos que, cada um em seu canto, vão passando a bola de um para o outro.

Essa EXCELSA e INTOCÁVEL rotatividade, tão querida à realização de um Estado de Direito Democrático.

Concedo no estado, porque se há coisa que temos feito é estar no estado onde nos deixam estar.

MAS DIREITO? ONDE PÁRA A JUSTIÇA, AQUELA QUE NA FORMULAÇÃO DE ULPIANO SE CONSUBSTANCIA EM DAR A CADA UM AQUILO QUE É DE CADA QUAL?

E A DEMOCRACIA? LEVANTE O BRAÇO QUEM VOTOU NESSE INUSITADO EIXO FRANCO-ALEMÃO (gentes que ou matam ou se matam).

QUEM VOTOU MERKOSY? Não são afinal eles que têm o poder? Quem os legitimou?

E mesmo cá dentro, meus caros? O que se passa quando elegemos as nossas, assim implicitamente se assumem, vozes dos donos? VOTAMOS EM VOZES ÀS CORES, ELEGEMOS CARAS DA NOSSA COR – como se isto da política fosse uma camisola que se enverga num jogo da bola.

Sejamos realistas, hoje por hoje, qualquer pateta se arrisca a ser primeiro-ministro desde que ganhe as primárias do partido do qual provém e desde que esse partido seja laranja ou rosa. É como que partir antes do tiro, disparar sobre os adversários e obrigar os tipos que seguram a fita da linha de meta a correr na nossa direcção. Como tão bem ilustra Sacha Baron Cohen no seu último filme, o ditador.

A DEMOCRACIA não se faz ASSIM.

FAZ-SE ASSIM! Hoje, agora e aqui. Em que cada um dos presentes diz de sua justiça.

Acham mesmo que são palavras deitadas ao vento o que hoje aqui se gritará? Acreditar nisso será assumir que nada somos, que de nada valemos.

Porque ELES, que afinal somos NÓS, nada merecemos. E MERECEMOS TUDO O QUE A FAMIGERADA TROIKA NOS IMPÕE.

Não vivemos, sobrevivemos!, e deixamos aos nossos FILHOS essa herança. “Filho, TU de nada vales; limita-te a aceitar, de cinzento vestido como manda a lei, o destino que eu te encomendei; que eu passivamente e sem nada fazer te deixei em testamento.”

Hoje por hoje, cada voto na urna – no caixão? − resume-se, sendo isso agora mais patente, a uma espécie de escolha de quem será a voz do dono. E lá voltamos a MERKOSY.

Nada contra os partidos, na acepção da escolha de CAUSAS, na escolha de formas diferentes de GOVERNO DA RES PUBLICA, da COISA PÚBLICA PORTUGUESA.

Tudo contra os partidos, VISTOS COMO AQUELA CONCESSÃO de que Agostinho da Silva FALAVA. E como eles hoje se nos apresentam, NAS EXIGÊNCIAS QUE NOS IMPINGEM.

"Podes, e deves, ter ideias políticas, mas, por favor, as «tuas» ideias políticas, não as ideias do teu partido; o «teu» comportamento, não o comportamento dos teus líderes; os interesses de «toda» a Humanidade, não os interesses de uma «parte» dela. E lembra-te de que «parte» é a etimologia de «partido»."

 

HOJE, COISA QUE NEM O HOMEM QUE VEIO DO FUTURO SOUBE CONTAR, LIMITAMO-NOS A ESCOLHER ENTRE QUEM FARÁ DE MICROFONE DOS INTERESSES GERMÂNICOS. VOTAMOS, POIS, NUM MICROFONE.

ONTEM votou-se o novo código do Trabalho. Não vou agora falar dos quês e porquês que me levariam, integrado em que partido estivesse, a votar como votaria, sendo que o meu voto seria sempre CONTRA.

Prefiro falar-vos da famigerada disciplina de voto. Desse conceito anti-democrático, reminiscência do fascismo. Quando votámos, não votámos nos estatutos ditatoriais dos partidos, votámos em homens e mulheres. Supostamente, em homens e mulheres livres. O que, neste caso, o PS nos diz é que quem votou nos seus candidatos votou em carneiros.

Ainda no que respeita ao PS, percebo finalmente a nebulosa e fabulosa construção da abstenção violenta. Não se trata de uma abstenção que pretenda ter voz ou ser oposição ou o raio que a parta em forma de canção de embalar. É coisa violenta, sim, mas porque é imposta, à força, sobre cada um dos deputados eleitos por tal partido.

Lembram-se do que eu disse há pouco? Tudo tem pernas e anda. DEUTSCHLAND ÜBER ALLES. A ALEMANHA ACIMA DE TUDO E DE TODOS.

Falo agora das vozes do dono, falo de uma espécie de ditadura mascarada de Democracia, legitimada pelo voto popular.

A Alemanha em menos de 100 anos destruiu duas vezes a Europa. A Europa e o mundo por duas vezes ajudou a Alemanha a reerguer-se. PARECE QUE NINGUÉM APRENDEU NADA!

Andemos agora umas décadas atrás e vejamos como tudo começou.

ANOS 80/90, CAVACO. 

Temos UM PRESIDENTE que, apesar da NOTÓRIA responsabilidade do governo POR SI  ENTÃO ENCABEÇADO na factura que ora nos apresentam (ninguém dá nada a ninguém),

por certo o principal responsável pelo não-uso/esbanjamento dos fundos comunitários nas décadas de 80 e 90, que permitiu que os boches desertificassem a indústria e a agricultura e a força dos portugueses, convencendo estes do que não era,

permitindo ainda e incentivando por acção, omissão e falta de regulação a política do caga-no-tractor-compra-mazé-um-jipe,

e não percebendo ele próprio, o que era evidente até às lágrimas,

Temos UM PRESIDENTE, dizia, que SE ARVORA AGORA EM GRILO FALANTE DO QUE VAI MAL E DE COMO TUDO SERIA DIFERENTE SE FOSSE COM ELE. Como se nada houvesse sido por causa dele.

Dito isto:

SE NÓS NÃO FALARMOS, OUTROS FALARÃO POR NÓS.

CAROS TERTULIANOS, POLÍTICOS SOMOS TODOS -- OU ASSIM DEVERIA SER. A RES PUBLICA É ISSO MESMO. A TODOS PERTENCE.

O QUE LEVAMOS DAQUI?        

O QUE EU ESPERO? QUE levemos daqui uma consciência menos adormecida, mais atenta. Que ouve mais e fala mais. QUE NÃO COME E CALA.

Umas mãos menos dormentes, prontas a USAR CADA DEDO, CADA UM COM SEU SENTIDO. Que HÁ REALMENTE DIAS EM QUE O MEU DEDO DO MEIO RESPONDE A TODAS AS  PERGUNTAS.

Mas uma mão pronta a cerrar-se em punho. Acima de tudo uma MÃO que não tenha medo de deitar-se à obra.

Mas atenção, não é já amanhã que as flores darão fruto.

O QUE LEVAMOS DAQUI?        

Se esta reunião estivesse a decorrer em pleno fascismo, saberíamos que conquistas ergueríamos. É notório o que daqui levaríamos. Pergunto, qual é a diferença? As coisas estão assim tão bem que deixamos de dar valor à força da palavra? Ou estamos fartos dela? É que SE estamos, outros a usarão por nós – ATÉ AO DIA EM QUE QUEIRAMOS E JÁ NÃO SEJA POSSÍVEL. PORQUE NOS CIMENTARAM A BOCA.

Se saberíamos valorar esta conquista durante o fascismo, o que muda?

É o MEDO? Será maior hoje? É quase insultuoso assim ousar pensar. O MEDO de perder o emprego, medo do SIS, medo de uma inspecção das finanças?

VAMOS ESCONDER-NOS ATRÁS DA PEDRA MAIOR, POIS ENTÃO. MAS CONSCIENTES DE QUE LEVAMOS ATRÁS DE quem VIEMOS E DE QUEM DE NÓS VIRÁ. QUE LEVAMOS ATRÁS UM PAÍS INTEIRO. QUE CONNOSCO SE ESCONDE DO FUTURO.

QUEM DORMIR BEM COM ISSO NÃO TEM AQUI LUGAR. OU ENTÃO QUE FIQUE E REPENSE OS CAMINHOS QUE PRETENDE TRILHAR.

"Para a forca hia um homem: e outro que o encontrou lhe dice: Que he isto senhor fulano, assim vay v.m.? E o enforcado respondeo: Yo no voy, estes me lleban." P.e Manuel Velho

OUVIR E FALAR. OUÇAMOS E FALEMOS, POIS.

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publicado às 03:36


A voz dos cidadãos através da poesia

por Luis Moreira, em 04.04.12

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publicado às 09:30


I Tertúlia OUVIR e FALAR em imagens

por Rogério Costa Pereira, em 01.04.12

Os responsáveis pela Transmissão Online. Homens como estes há poucos. O futuro é risonho.

Paulo Fernandes, presidente da CMF, fala aos tertulianos:

Mário Tomé fala aos tertulianos.

Em primeiro plano, algumas das minhas alunas da UBI.

Estiveram todos, elas e eles, muito bem. O futuro é risonho.

E, já agora, de papo-cheio de orgulho, o Miguel e eu.

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publicado às 15:57

No âmbito do Ciclo de tertúlias "OUVIR E FALAR", organizado pelo blogue Pegada (http://pegada.blogs.sapo.pt/), vai ter lugar, AMANHÃdia 31 de Março, pelas 21 horas, na Praça do Município do Fundão, a “I Tertúlia pela Democracia e Cidadania” (caso as condições climatéricas não o permitam, o evento decorrerá no Casino Fundanense, sito na mesma Praça).

OUVIR E FALAR.

Aberta a toda a população, a Tertúlia terá como temas de discussão e reflexão a Democracia, a Liberdade e a Cidadania. A ideia é tão simples que dá ares de complicada. Como todas as pedradas no charco, primeiro estranha-se, depois entranha-se. As regras são tão singelas que podem passar por inexistentes. Resumem-se ao nome do evento "OUVIR E FALAR". Pela DEMOCRACIA, LIBERDADE e CIDADANIA.

Passar das conversas de café para uma, espera-se, grande conversa de RUA. Um grupo de amigos (e de amigos de amigos) que se reúne, numa Praça, em várias Praças, para conversar. Sobre o que nos atenta. Sobre o que não mata mas mói. Pisa, mastiga, importuna, cansa. E − também os ditos se renovam − mata!

Não temos partido, mas tomamos partido.

A primeira Praça a receber-nos será, pois, no Fundão. Seremos dez, seremos cem, seremos duzentos. Pouco importa. Acima de tudo, seremos.

Estamos indignados, mas não somos indignados. 

Em suma, e tudo se resume ao dito no início. OUVIR E FALAR.

Platão certificou que “o preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”. Hoje mais que nunca estas palavras gritam de significado.

Sem pieguices.

OUVIR E FALAR.

Contactos

Pegada: www.pegada.blogs.sapo.pt

Mail: pegada2011@gmail.com

Grupo no facebook: http://www.facebook.com/groups/ciclodetertulias/

Evento no facebook: http://tinyurl.com/ciclodetertulias

 

ADENDA: Até que termine a TRANSMISSÃO ONLINE da Tertúlia, a pegada assume este formato de um só post na página principal -- cada novo post substituirá o anterior --, até que amanhã, pelas 17 horas, restará o post com o canal onde poderá ser vista a referida transmissão (esta servirá apenas para aqueles que, verdadeiramente, não possam comparecer, não para os que se deixem atentar pelo bicho da preguiça. OUVIR e FALAR faz-se, preferencialmente, olhos-nos-olhos).

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publicado às 09:00

No âmbito do Ciclo de tertúlias "OUVIR E FALAR", organizado pelo blogue Pegada (http://pegada.blogs.sapo.pt/), vai ter lugar, AMANHÃdia 31 de Março, pelas 21 horas, na Praça do Município do Fundão, a “I Tertúlia pela Democracia e Cidadania” (caso as condições climatéricas não o permitam, o evento decorrerá no Casino Fundanense, sito na mesma Praça).

OUVIR E FALAR.

Aberta a toda a população, a Tertúlia terá como temas de discussão e reflexão a Democracia, a Liberdade e a Cidadania. A ideia é tão simples que dá ares de complicada. Como todas as pedradas no charco, primeiro estranha-se, depois entranha-se. As regras são tão singelas que podem passar por inexistentes. Resumem-se ao nome do evento "OUVIR E FALAR". Pela DEMOCRACIA, LIBERDADE e CIDADANIA.

Passar das conversas de café para uma, espera-se, grande conversa de RUA. Um grupo de amigos (e de amigos de amigos) que se reúne, numa Praça, em várias Praças, para conversar. Sobre o que nos atenta. Sobre o que não mata mas mói. Pisa, mastiga, importuna, cansa. E − também os ditos se renovam − mata!

Não temos partido, mas tomamos partido.

A primeira Praça a receber-nos será, pois, no Fundão. Seremos dez, seremos cem, seremos duzentos. Pouco importa. Acima de tudo, seremos.

Estamos indignados, mas não somos indignados. 

Em suma, e tudo se resume ao dito no início. OUVIR E FALAR.

Platão certificou que “o preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”. Hoje mais que nunca estas palavras gritam de significado.

Sem pieguices.

OUVIR E FALAR.

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ADENDA: Até que termine a TRANSMISSÃO ONLINE da Tertúlia, a pegada assume este formato de um só post na página principal -- cada novo post substituirá o anterior --, até que amanhã, pelas 17 horas, restará o post com o canal onde poderá ser vista a referida transmissão (esta servirá apenas para aqueles que, verdadeiramente, não possam comparecer, não para os que se deixem atentar pelo bicho da preguiça. OUVIR e FALAR faz-se, preferencialmente, olhos-nos-olhos).

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publicado às 21:00

No âmbito do Ciclo de tertúlias "OUVIR E FALAR", organizado pelo blogue Pegada (http://pegada.blogs.sapo.pt/), vai ter lugar, no próximo SÁBADO, dia 31 de Março, pelas 21 horas, na Praça do Município do Fundão, a “I Tertúlia pela Democracia e Cidadania” (caso as condições climatéricas não o permitam, o evento decorrerá no Casino Fundanense, sito na mesma Praça).

OUVIR E FALAR.

Aberta a toda a população, a Tertúlia terá como temas de discussão e reflexão a Democracia, a Liberdade e a Cidadania. A ideia é tão simples que dá ares de complicada. Como todas as pedradas no charco, primeiro estranha-se, depois entranha-se. As regras são tão singelas que podem passar por inexistentes. Resumem-se ao nome do evento "OUVIR E FALAR". Pela DEMOCRACIA, LIBERDADE e CIDADANIA.

Passar das conversas de café para uma, espera-se, grande conversa de RUA. Um grupo de amigos (e de amigos de amigos) que se reúne, numa Praça, em várias Praças, para conversar. Sobre o que nos atenta. Sobre o que não mata mas mói. Pisa, mastiga, importuna, cansa. E − também os ditos se renovam − mata!

Não temos partido, mas tomamos partido.

A primeira Praça a receber-nos será, pois, no Fundão. Seremos dez, seremos cem, seremos duzentos. Pouco importa. Acima de tudo, seremos.

Estamos indignados, mas não somos indignados. 

Em suma, e tudo se resume ao dito no início. OUVIR E FALAR.

Platão certificou que “o preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”. Hoje mais que nunca estas palavras gritam de significado.

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publicado às 21:00

Não para que sirva de desculpa para ficar no quentinho, mas porque há muita gente que não pode mesmo estar presente (tipo, vivem em Pequim), e assim não haja contratempos de última hora, a I Tertúlia pela Democracia e Cidadania será transmitida online na pegada TV (cortesia e trabalheira do nosso benjamim, Xavier Canavilhas), em http://www.livestream.com/pegadatv, e estará disponível (o link e o canal) no topo desta página principal da pegada, a partir das 21 horas do dia da Tertúlia, próximo Sábado.

Acrescento que, neste momento, e embora a lista não seja definitiva, contaremos com mensagens dirigidas à Tertúlia dos seguintes cidadãos que, não podendo estar presentes em carne e osso, marcarão a sua presença dessa forma alternativa mas igualmente válida (as mensagens serão lidas pelos membros da pegada): António MacedoEstrela SerranoHeloísa ApolóniaInês MenesesJosé Reis SantosPaulo PedrosoPaulo QueridoRaquel Freire e Rui Tavares.

Para além do mais, contaremos ainda com a presença, claro, de TODOS OS TERTULIANOS que, apesar de futebóis e intempéries, se deslocarão à Praça do Município ou, caso chova, ao Casino Fundanense. Para OUVIR e FALAR! Pela espontaneidade com que aceitou o convite e tratou de todos os detalhes da deslocação, limitando-se a dizer que chegaria às 19.54, não resisto a referir Mário Tomé.

Há mais? Claro que há! No local e à hora marcada verão.

Faltam dois dias.

Até Sábado.

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publicado às 10:13

No âmbito do Ciclo de tertúlias "OUVIR E FALAR", organizado pelo blogue Pegada (http://pegada.blogs.sapo.pt/), vai ter lugar, no próximo SÁBADO, dia 31 de Março, pelas 21 horas, na Praça do Município do Fundão, a “I Tertúlia pela Democracia e Cidadania (caso as condições climatéricas não o permitam, o evento decorrerá no Casino Fundanense, sito na mesma Praça).

OUVIR E FALAR.

Aberta a toda a população, a Tertúlia terá como temas de discussão e reflexão a Democracia, a Liberdade e a Cidadania. A ideia é tão simples que dá ares de complicada. Como todas as pedradas no charco, primeiro estranha-se, depois entranha-se. As regras são tão singelas que podem passar por inexistentes. Resumem-se ao nome do evento "OUVIR E FALAR". Pela DEMOCRACIA, LIBERDADE e CIDADANIA.

Passar das conversas de café para uma, espera-se, grande conversa de RUA. Um grupo de amigos (e de amigos de amigos) que se reúne, numa Praça, em várias Praças, para conversar. Sobre o que nos atenta. Sobre o que não mata mas mói. Pisa, mastiga, importuna, cansa. E − também os ditos se renovam − mata!

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A primeira Praça a receber-nos será, pois, no Fundão. Seremos dez, seremos cem, seremos duzentos. Pouco importa. Acima de tudo, seremos.

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