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Sergio Fiorentino – Pianista italiano

por António Filipe, em 22.08.13
No dia 22 de Agosto de 1998, morreu, em Nápoles, de ataque de coração, o pianista italiano Sergio Fiorentino, que, embora com actuações esporádicas, teve uma carreira que se expandiu por cinco décadas. Tinha nascido na mesma cidade a 22 de Dezembro de 1927.

Com a ajuda de uma bolsa de estudo concedida pelo Ministério da Educação, em 1938 matriculou-se no Conservatório San Pietro a Majella, tendo terminado o curso em 1946. Aclamado pelos críticos pela técnica pouco habitual e elevados dotes musicais, Fiorentino percorreu os palcos de quase todos os países da Europa Ocidental, onde, antes de fazer vinte anos, conseguiu ganhar o primeiro prémio em quase todos os importantes concursos de piano.
Em Outubro de 1953, estreou-se no Carnegie Hall, em Nova Iorque. Mas, no ano seguinte, enquanto fazia uma digressão pela Argentina e Uruguai, foi vítima de um, quase fatal, acidente de aviação. Ficou com problemas nas costas, o que o obrigou a reduzir o número de concertos e a tornar-se professor no Conservatório de Nápoles.
Nos finais dos anos 50, recomeçou a dar concertos, tanto na Itália como na Inglaterra. A maioria das suas gravações é desse tempo. Mas a partir de 1965 voltou a afastar-se dos palcos, limitando-se a dar concertos no seu país natal, a ensinar “master classes” e a trabalhar, ocasionalmente, para a estação de rádio RAI. Quando deixou o conservatório regressou aos concertos fora da Itália e actuou na Alemanha, França, Taiwan e Estados Unidos. Já tinha contractos assinados para actuar na Rússia e no Canadá, mas faleceu antes de os poder cumprir.
Depois de 1994 foi editado um grande número de gravações de Sergio Fiorentino, incluindo gravações feitas em Berlim e algumas que nunca tinham sido editadas. Em Fevereiro de 2007, a editora “Concert Artists” admitiu que lançou algumas gravações de Sergio Fiorentino que, na verdade, tinham sido gravadas pela pianista Joyce Hatto. Já depois disso, a mesma editora lançou um CD que, mais tarde, se veio a descobrir que continha algumas pistas que foram gravadas por outros artistas. Ironicamente, a última peça que Sergio Fiorentino tocou, em público, foi a Sonata op. 26, de Beethoven, que contém a “Marcha fúnebre sobre a morte de um herói”.


3º andamento (Marcha Fúnebre) da Sonata nº 2, para piano, de Chopin
Piano: Sergio Fiorentino

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André Watts – Pianista alemão

por António Filipe, em 20.06.13
No dia 20 de Junho de 1946, nasceu em Nuremberga, na Alemanha, André Watts, um pianista que tem uma das mais memoráveis histórias da música americana.

Filho de um soldado afro-americano, destacado na Alemanha durante a 2ª guerra mundial, André Watts passou os primeiros tempos da sua vida em bases militares, até que, aos oito anos, os pais se mudaram para Filadélfia. A mãe, ela própria pianista, foi a sua primeira professora de piano e ensinou ao filho a importância de praticar constantemente, dando sempre o exemplo do seu compatriota Franz Liszt, que teve uma grande influência no pequeno André. Aos nove anos, já Watts tinha ganho um concurso para tocar num dos concertos para crianças da Orquestra de Filadélfia.
Em 1963, quando frequentava o liceu, André Watts ganhou um concurso de piano para tocar nos Concertos para Jovens da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, no Lincoln Center, sob a direcção de Leonard Bernstein. Pouco tempo depois, Bernstein contratou Watts para substituir o pianista Glenn Gould, que estava doente, num concerto que foi transmitido em todo o país pela televisão. A carreira de André Watts estava lançada, tornando-se o primeiro pianista negro, conhecido internacionalmente.
Em 1964, com 17 anos, ganhou um Grammy para novos artistas clássicos, com a sua primeira gravação: o concerto em mi bemol, para piano, de Liszt. Em meados da década de 60 tornou-se o mais importante pianista de concerto, com uma agenda totalmente preenchida, que incluiu, em 1966, a sua estreia na capital inglesa, com a Orquestra Sinfónica de Londres. Em 1969, tocou no concerto de inauguração do presidente Richard Nixon.
Em 1972 obteve a licenciatura em música no Instituto Peabody, em Baltimore. Em meados dos anos 70, André Watts realizava 150 concertos por ano e, com apenas trinta anos, já tinha actuado 10 vezes no Lincoln Center. Em 1976, a televisão pública americana transmitiu o concerto “Ao vivo do Lincoln Center” na sua totalidade, pela primeira vez na história da televisão.
Fez uma digressão pelo Japão, em 1976, e duas pela Europa, em 1975 e 1976. Aos 26 anos recebeu um doutoramento honoris causa pela Universidade de Yale e, em 1988, foi distinguido com o prémio Avery Fischer, um dos mais importantes na música clássica nos Estados Unidos. Mesmo depois dos 60 anos, feitos em 2006, André Watts continuou a dar concertos um pouco por todo o mundo.


Estudo, op. 25, nº 1 e Estudo Revolucionário, de Chopin
Piano: André Watts

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Moura Lympany – Pianista inglesa

por António Filipe, em 28.03.13
No dia 28 de Março de 2005 morreu em Gorbio, na França, a pianista inglesa Moura Lympany.

Mary Gertrude Johnstone, que mais tarde adoptou o nome artístico de Moura Lympany, nasceu em Saltash, na Cornualha, no dia 18 de Agosto de 1916. Começou a estudar piano com a mãe e frequentou uma escola conventual, na Bélgica, onde a encorajaram a seguir uma carreira musical. Prosseguiu os estudos em Liège, ganhando, mais tarde, uma bolsa de estudo para a Academia de Música Real, em Londres.
Depois de uma audição com o maestro Basil Cameron, estreou-se em concerto, com ele, em Harrogate, em 1929, com apenas doze anos. Foi Cameron que a incentivou a adoptar o nome artístico de Moura Lympany. Em 1935, estreou-se em Londres, no Auditório Wigmore e, em 1938, ficou em segundo lugar num concurso de piano, em Bruxelas, em que Emil Gilels obteve o primeiro prémio.
Quando rebentou a segunda guerra mundial, já Moura Lympany era uma das mais populares pianistas do Reino Unido. Em 1951 foi viver para os Estados Unidos e começou a ser mais conhecida internacionalmente, actuando por toda a Europa e nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Índia.
Em 1979, cinquenta anos depois da estreia, actuou no Royal Festival Hall, para o Príncipe Carlos e no ano seguinte foi nomeada Comendadeira da Ordem do Império Britânico. Também recebeu homenagens dos governos da Bélgica, França e Portugal. A partir de meados da década de 1980, viveu no Mónaco, mas veio a falecer na França.


Valsa em lá bemol maior, op. 34, nº 1, de Chopin
Piano: Moura Lympany

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Concerto nº 2, para piano, de Chopin

por António Filipe, em 17.03.13
No dia 17 de Março de 1830. o compositor polaco Frédéric Chopin sentou-se ao piano para interpretar, pela 1ª vez, o seu concerto nº 2, para piano e orquestra.

O Concerto nº 2, em fá menor, op. 21, de Chopin, foi composto em 1830, ainda antes de Chopin terminar a sua educação musical. O compositor tinha, então, 20 anos de idade. A sua estreia teve lugar em Varsóvia, na Polónia e o solista foi o próprio Chopin. Embora este concerto tivesse sido o primeiro a ser escrito, é conhecido como o nº 2, porque foi o segundo a ser publicado. Tem três andamentos, o que é típico dos concertos instrumentais daquela época.
No final, a certa altura os violinos têm a indicação de tocar “col legno”, isto é, com a parte da madeira do arco. O tema principal do 3º andamento, apresentado pelo piano, é o Chopin clássico – uma delicada melodia reminiscente de algumas das sua mazurkas. Na impossibilidade de ouvirmos Chopin ao piano, deixo-vos com uma pianista que interpretará o Concerto nº 2 tão bem ou melhor que o próprio compositor: a nossa Maria João Pires.


3º andamento do Concerto nº 2, para piano, de Chopin
Piano: Maria João Pires
Orquestra de Câmara da Europa
Maestro: Emmanuel Krivine

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Felicja Blumental – Pianista polaca

por António Filipe, em 28.12.12
No dia 28 de Dezembro de 1908 nasceu, em Varsóvia, na Polónia, a pianista Felicja Blumental.

Nasceu no seio de uma família musical. O seu pai era violinista. Começou a receber lições de piano aos cinco anos e fez a sua estreia aos dez. Estudou piano e composição no Conservatório Nacional de Varsóvia. Mais tarde teve lições de piano na Suiça com Józef Turczyński, um notável intérprete de Chopin. Em 1938 Felicja Blumental e o seu marido foram para Nice e, depois, para o Brasil, para escapar ao anti-semitismo crescente na Europa. Tornou-se cidadã brasileira e, até ao fim da vida, dedicou especial importância à música e aos compositores do seu país de adopção.
Em 1962 Felicja Blumental foi para Milão e, em 1973, para Londres. O seu repertório era vasto e aventureiro, abrangendo obras desde o barroco português às obras contemporâneas sul americanas. Heitor Villa-Lobos compôs, para ela, o 5º concerto para piano e Krzysztof Penderecki dedicou-lhe a Partita para cravo e orquestra. Pela gravação desta obra ganhou o Grande Prémio do Disco da Academia Francesa Charles Cros, em 1975. Felicja Blumental morreu em Israel, durante uma das suas muitas tournées por aquele país, no dia 31 de Dezembro de 1991.


Grande Valsa Brilhante, op. 18, de Chopin
Piano: Felicja Blumental

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Emil Gilels – Pianista russo

por António Filipe, em 14.10.12

No dia 14 de Outubro de 1985 morreu, em Moscovo, o pianista Emil Gilels, aclamado pelo seu brilhante domínio da técnica e pelo apurado controlo da tonalidade do piano. Tinha nascido em Odessa, na Rússia, no dia 19 de Outubro de 1916, filho de uma família de músicos judeus. Começou a estudar piano aos seis anos e fez a sua primeira apresentação em público em 1929 e, em 1930, ingressou no Conservatório de Odessa. Em 1933, apenas com 16 anos, Gilels vence o inédito "Concurso de piano da União Soviética". Após a graduação no Conservatório de Odessa em 1935, frequentou o Conservatório de Moscovo, onde foi aluno do famoso professor Heinrich Neuhaus e companheiro do pianista Sviatoslav Richter. No último ano do Conservatório, aos 21 anos, venceu o Festival Internacional de Bruxelas, derrotando, por exemplo, os pianistas Arturo Benedetti Michelangeli (que recebeu nota zero dos juízes italianos) e Moura Lympany.
Emil Gilels foi o primeiro artista soviético a ter permissão de viajar extensivamente para o Ocidente. Após a Segunda Guerra Mundial, em 1947, o pianista iniciou uma digressão pela Europa e estreou-se na América em 1955, interpretando o Concerto para piano nº 1, de Tchaikovsky, em Filadélfia. Deu, ainda, concertos em Nova Iorque e Chicago, onde foi dirigido por Fritz Reiner. Na União Soviética era considerado um herói, e ganhou o Prémio Stalin em 1946, o Prémio Ordem de Lenin em 1961 e 1966, e o Prémio Lenin em 1962. Do seu vasto repertório, podemos destacar as interpretações das obras de Schumann, Brahms, e principalmente de Prokofiev e Beethoven.


Polonaise, op. 53, de Chopin
Piano: Emil Gilels

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Concerto nº 1, para piano, de Chopin

por António Filipe, em 11.10.12

No dia 11 de Outubro de 1830 teve lugar, em Varsóvia, a estreia do Concerto nº 1, para piano, do compositor polaco Frédéric Chopin.

O Concerto n.º 1 em mi menor, Op. 11, para piano e orquestra, de Chopin, foi composto em 1830. A estreia foi interpretada pelo próprio compositor, durante um dos concertos de despedida, antes de Chopin deixar a Polónia. Foi o primeiro dos seus dois concertos para piano a ser publicado e foi por isso que lhe foi dado o título de Concerto para piano n.º 1, embora tenha sido composto depois daquele que, mais tarde, seria publicado como Concerto para piano n.º 2.
Chopin dedicou este concerto ao compositor e pianista alemão Friedrich Kalkbrenner. Os críticos dividem-se entre duas escolas de pensamento em relação a esta obra. Uma defende que, como Chopin era um compositor de obras para piano, a parte orquestral é pouco interessante e actua mais como um veículo para o pianista. A outra sugere que a parte orquestral foi cuidadosa e deliberadamente escrita para se encaixar com o som do piano e que a simplicidade dos arranjos foi propositada, para contrastar com a complexidade da harmonia.


 Início do Concerto nº 1, para piano, de Chopin
Pianista: Lang Lang

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Vladimir Horowitz – Pianista ucraniano

por António Filipe, em 01.10.12

No dia 1 de Outubro nasceu, em Kiev, o pianista ucraniano Vladimir Horowitz. Não se sabe ao certo o ano do seu nascimento. No seu país, tinha-se como certo que tivesse ocorrido em 1904 – mas o pai deixou um dia escapar que afinal tinha sido em 1903… tinha falsificado a idade dele, para o livrar de cumprir o serviço militar e assim poupar as suas especialíssimas mãos.
Aos 16 anos, o jovem Vladimir Horowitz tinha o Conservatório feito e, para o exame de aferição, tocou nada mais nada menos que o Concerto nº 3 de Rachmaninov – “simplesmente” a obra que muitos consideram a mais difícil que existe para tocar no piano e que muitos chegaram a dizer impossível de ser tocada. Em 1932 tocou pela primeira vez com o maestro Arturo Toscanini, apresentando o Concerto nº5 para Piano, de Beethoven.
Maestro e pianista parecem ter ficado maravilhados um com o outro. No ano seguinte, casou com Wanda, filha de Toscanni. Casamento curioso: ele judeu e ela católica… sem problema, porque nenhum dos dois era devoto. O pior era que ele não sabia falar o italiano dela e ela nada percebia da língua russa dele. Passaram a comunicar-se em francês – e a filha, Sonia Toscanini Horowitz, teve de crescer falando russo, italiano e francês.
Durante muitos anos, Horowitz detestou o palco. Tanto, que várias vezes se retirou da carreira de concertista em público. Passava anos sem aparecer às plateias… e diz-se que algumas vezes, na hora de entrar no palco, tiveram de o empurrar. Como quase todos os espíritos geniais, era modesto e muito exigente consigo mesmo. Felizmente, havia a possibilidade de fazer programas em televisão – e já antes disso havia as gravações em disco.
Começou a gravar em 1928, quando fazer discos ainda parecia uma arte do outro mundo. Durante a sua longa vida, gravou para as maiores etiquetas e um extraordinário número de obras. A partir de 1985, a Deutsche Grammophon produziu fantásticas gravações de programas televisivos e de espectáculos ao vivo. Nos últimos anos da sua vida foram feitos quatro grandes documentários em que o brilho era tão somente o da magia de um octogenário para quem o piano parecia um maravilhoso brinquedo.
Vladimir Horowitz faleceu em Nova Iorque no dia 5 de Novembro de 1989.


Polonaise, op. 53, de Chopin
Piano: Vladimir Horowitz

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No dia 23 de Julho de 1944 nasceu, em Lisboa, a pianista portugues Maria João Pires.
Aprendeu a tocar piano ainda criança. Aos cinco anos deu o primeiro recital, aos sete já tocava, em público, concertos de Mozart e com nove anos recebeu o prémio da Juventude Musical Portuguesa. Entre 1953 e 1960 estudou com o Professor Campos Coelho, no Conservatório de Lisboa. Prosseguiu os estudos musicais na Alemanha, primeiro na Academia de Música, em Munique, e depois em Hannover com Karl Engel.
Tornou-se reconhecida internacionalmente ao vencer o concurso internacional do bicentenário de Beethoven em 1970, que se realizou em Bruxelas. Tem feito numerosas digressões, onde interpretou obras de compositores, principalmente dos períodos clássico e romântico.
Maria João Pires é convidada com regularidade pelas grandes orquestras mundiais para tocar nas melhores salas de concerto, apresentando-se regularmente na Europa, Canadá, Japão, Israel e Estados Unidos. Em 1989, ganhou o Prémio Pessoa.
Foi fundadora e dirigente do Centro de Belgais para o Estudo das Artes, no concelho de Castelo Branco, de cariz pedagógico, cultural e social. Em 2006 partiu para o Brasil tendo declarado à Antena 2 e à publicação brasileira “Aguarrás”, ter sofrido muito em Portugal devido ao seu projecto em Belgais. No Brasil adquiriu uma casa nos arredores de Salvador, capital do estado da Bahia.


Nocturno op. 9, nº 1, de Chopin
Piano: Maria João Pires

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Durante esta semana, no Fundão, respira-se música

por António Filipe, em 05.07.12

Bem, não vos conto nada!
Assisti, a noite passada, a um recital de piano, na Moagem do Fundão, que me deixou sem palavras e com as mãos doridas de tanto aplaudir.
Mais uma vez o pianista Jorge Moyano nos brindou com uma extraordinária exibição do seu talento.
A primeira parte do recital foi preenchida com três obras de Mozart: duas sonatas e uma fantasia. Gostei, particularmente, dos movimentos lentos das sonatas. Ao ouvir outras interpretações destas obras, salvo algumas excepções, estes movimentos lentos parecem nunca mais acabar. Perdoem-me os amantes de Mozart, mas é esta a sensação que, por vezes, tenho. Mas na interpretação de Jorge Moyano nada disso aconteceu. O profundo sentimento do pianista invadiu-me os ouvidos e ficaria ali toda a noite a ouvir o Andante cantabile da Sonata K. 330 ou o Adagio da K. 457.
Depois do Mozart, o intervalo, um cigarrito e tal e, a seguir, Chopin. Quatro polacas. Pessoalmente, prefiro o Chopin dos Nocturnos e dos Estudos, mas, mais uma vez, o pianista Jorge Moyano surpreendeu-me. O instrumento que tocava é conhecido em italiano como “pianoforte”. Pois bem, se nos movimentos lentos das sonatas do Mozart, Jorge Moyano fez jus à primeira parte do nome italiano, nas Polacas de Chopin provou que “pianoforte” é o nome adequado ao instrumento. Quando era “piano”, era mesmo piano e, quando era “forte”, era mesmo forte. E que fortes! Por vezes pensei que alguma corda ia partir. E (sensação estranha!) a certa altura deu-me impressão que o pianista tinha 12 dedos e aquele piano 90 teclas! Não as consegui contar, tal era a rapidez com que aqueles percorriam estas. O suor do pianista pingava sobre as teclas doridas do piano, tal era a violência do toque. Não confundir isto com martelar teclas. Nada disso. Era força interior, cheia de fortes sentimentos.
Depois da terceira Polaca, Jorge Moyano, pedindo desculpa, retirou-se do palco para ir beber água. E foi bem merecida a pausa. Fiquei com alguma pena do piano, que não teve direito a refresco. E bem precisava! Mas na última peça do recital o instrumento pôde descansar um pouco, já que a Polaca-Fantasia, op. 61, de Chopin, não se mostrou tão violenta. Nem por isso deixou de ser uma interpretação fantástica.
No fim, o público bateu palmas de pé, como não podia deixar de ser. E Jorge Moyano brindou-nos com um “encore”. Não sei que peça tocou, mas pareceu-me Chopin. Fosse o que fosse, o recital terminou com chave de ouro e, à saída, ouvi mais que uma vez a palavra “fantástico” proferida pelas pessoas que, ao contrário de mim próprio, não ficaram sem palavras.
Ouvi o pianista Jorge Moyano no recital do ano passado, que me ficou na memória. O deste ano não lhe ficou atrás e espero vê-lo e ouvi-lo novamente daqui a um ano, no Fundão.
Esta é, para mim, a melhor semana desta cidade. Recitais todos os dias e todo o dia, no âmbito do Concurso Internacional de guitarra, piano e violino. A Academia de Música e Dança do Fundão, promotora do concurso, está de parabéns.

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Cristina Ortiz – Pianista brasileira

por António Filipe, em 17.04.12

No dia 17 de Abril de 1950 nasceu, em Salvador da Baía, no Brasil, a pianista Cristina Ortiz, acerca da qual, o jornal vienense “Die Presse” escreveu: “É uma artista que evoluiu de menina-prodígio à maturidade, determinada a comunicar ao mundo a sua intuição, emoção e sensibilidade”. Radicada na Inglaterra há muitos anos, são porém os dotes inerentes à sua cultura brasileira - paixão, espontaneidade e flexibilidade rítmica - os que mais fortemente transparecem nas suas interpretações. Solista com as mais famosas orquestras - Berlim, Chicago, Cleveland, Nova Iorque, Praga, Viena, Londres - Cristina Ortiz já trabalhou sob a batuta de Ashkenazy, Chailly, Foster, Jansons, Jarvi, Kondrashin, Leinsdorf, Mehta e Previn, entre outros.
Cristina Ortiz também realiza workshops e masterclasses, onde, num estilo desenvolto, comunica sem reservas toda a sua experiência musical a jovens pianistas, pelo mundo fora. “Ensinar é, também, aprender!”, declara a pianista. Nos últimos anos Cristina Ortiz acrescentou à sua bagagem musical o papel de solista/maestro.


Scherzo nº 2, op. 31, de Chopin
Piano: Cristina Ortiz

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Robert Casadesus - Compositor e pianista francês

por António Filipe, em 07.04.12

No dia 7 de Abril de 1899 nasceu, em Paris, o compositor e pianista francês Robert Casadesus, considerado um dos melhores intérpretes de Mozart, de todos os tempos. Estudou no Conservatório de Paris, com Louis Diémer. Ganhou o primeiro prémio do Conservatório, em 1913, e o Prémio Diémer, em 1920. A partir de 1922 colaborou com Maurice Ravel num projecto para compilar listas de várias obras para piano, enquanto partilhava os palcos com o compositor em França, Espanha e Inglaterra. Como solista, fez muitas digressões e apareceu nos cinco continentes, tocando frequentemente com a sua mulher, a pianista Gaby Casadesus, com quem casou em 1921. A partir de 1935 ensinou no Conservatório Americano, em Fontainebleau e passou os anos da Segunda Guerra Mundial nos Estados Unidos da América.
Além da música de Mozart, Robert Casadesus também nos deixou gravações de Ravel e das Sonatas para violino e piano, de Beethoven, que gravou com o violinista Zino Francescatti. Tocou com Gaby e o filho Jean interpretações exemplares dos concertos para 2 e 3 pianos de Mozart. Gravaram estas obras com a Orquestra Sinfónica de Columbia e a Orquestra de Cleveland, dirigidas por George Szell, bem como com a Orquestra de Filadélfia, dirigida por Eugene Ormandy. Nos Estados Unidos, como na Europa, formou muitos pianistas. Robert Casadesus faleceu em Paris, no dia 19 de Setembro de 1972.


Sonata nº 3, op. 58, de Chopin
Piano: Robert Casadesus

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Frédéric Chopin – O "Segundo Mozart"

por António Filipe, em 01.03.12

No dia 1 de Março de 1810, na aldeia de Żelazowa Wola, Ducado de Varsóvia, nasceu Frédéric Chopin. Filho de mãe polaca e de pai francês expatriado é considerado um dos maiores pianistas e compositores do período romântico. Recebeu as suas primeiras aulas de piano da sua irmã mais velha, Ludwika, e foi, posteriormente, ensinado pela mãe. O seu talento musical manifestou-se imediatamente, ganhando, em Varsóvia, a reputação de "segundo Mozart". Aos sete anos já era autor de duas polacas para piano. Apareceu pela primeira vez em público, como pianista, aos oito anos de idade.
Aclamado na sua terra natal como uma criança prodígio, aos vinte anos deixou a Polónia para sempre. Mudou-se para Paris e lá viveu uma importante parte da sua curta vida. Chopin estava a caminho de Paris quando recebeu a notícia de que tinha fracassado o levantamento de 1830, pela restauração da independência da Polónia. Regressar ao seu adorado país tornou-se uma ideia distante, se não impossível.
Na capital francesa, fez carreira como intérprete, professor e compositor e adoptou a versão francesa dada ao seu nome, Frédéric-François Chopin. O seu nome polaco era Federico Chopino. De 1837 a 1847 teve uma relação turbulenta com a escritora francesa George Sand.
Foi, na sua época, muito reconhecido como pianista, mas o séc. XIX não deu a devida atenção às suas composições. Antes dele, houvera as sonatas e os concertos de Beethoven e, depois, sucederam-lhe as imponentes obras para piano de Brahms e outros pós-românticos. Generalizou-se a opinião de que Chopin tinha sido um compositor de peças para piano bonitas mas triviais, utilizadas como música de salão. Mas o séc. XX fez a justiça de reconhecer a sua música como expansora do universo harmónico e formal. A sua força, brilho e poesia tornaram-se uma verdadeira adoração para os mais notáveis pianistas.
Chopin continua a ser uma das grandes, senão a maior, de todas as referências da música de piano. Célebre e apreciado pelo grande público, sobretudo por causa dos seus Nocturnos, é também preferido dos estudiosos e intérpretes, a propósito dos seus complexos e completos estudos para piano. Um dos mais exaustivos e consagrados cultores da grande música de Chopin foi o pianista Arthur Rubinstein.
Sempre com a saúde frágil, Chopin morreu no dia 17 de Outubro de 1849, em Paris, com apenas 39 anos, vítima de tuberculose. No seu funeral, a que assistiram cerca de 3 mil pessoas, junto ao túmulo, foi tocada uma versão instrumental da célebre “Marcha Fúnebre”.


1º andamento do Concerto nº 2, op. 21, de Chopin
Piano: Arthur Rubinstein
Orquestra Sinfónica de Londres
Maestro: André Previn

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Guiomar Novaes – A maior pianista brasileira

por António Filipe, em 28.02.12

No dia 28 de Fevereiro de 1894, em São João da Boa Vista, no estado de São Paulo, nasceu Guiomar Novaes, considerada a maior pianista brasileira e uma das maiores celebridades nos meios musicais da Europa e dos Estados Unidos, no início do século XX.
Cresceu no seio de uma família de 19 crianças e num ambiente religioso. O piano, presente na sua casa e utilizado nas aulas das suas irmãs mais velhas, despertou o interesse de Guiomar, que, aos 4 anos, começou a tocá-lo de ouvido. Esperava que as irmãs deixassem o teclado para se sentar e tocar "até os dedos doerem". Aos 8 anos tocava com precisão técnica e notável sensibilidade interpretativa.
Em 1909, aos 15 anos, com a ajuda do Governo do Estado de São Paulo, partiu para a Europa para tentar uma vaga no Conservatório de Música de Paris. Avaliada por um júri formado por músicos como Debussy, Moszckowski e Fauré, foi escolhida como a candidata com os melhores dotes artísticos. Entre as peças que tocou na prova estava a Balada nº 3, de Chopin. No final da prova, Debussy pediu à menina que tocasse novamente a balada. Ficou em 1º lugar. Em Julho de 1911, na prova de encerramento do curso, venceu a prova, que contava com 35 concorrentes, e ganhou o primeiro prémio, que compreendia a quantia de 1200 francos e um piano de cauda.
Depois de deixar o Conservatório de Paris, teve várias ofertas de contractos, tocando em Paris, Londres, Genebra, Milão e Berlim. Em 1913, regressou ao Brasil e apresentou-se no Teatro Municipal de São Paulo e no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Com a orquestra de Gabriel Pierné, Guiomar Novaes percorreu toda a Europa. A Primeira Guerra Mundial obrigou-a a voltar a São Paulo – mas no ano seguinte estabeleceu-se nos Estados Unidos, onde construiu uma importante carreira. Em 1967 foi convidada pela rainha Isabel II de Inglaterra para dar um recital em Londres.
Além de ter sido grande divulgadora da obra do seu compatriota Heitor Villa-Lobos, foi especialmente brilhante a interpretar Schumann e Chopin.
Em Janeiro de 1979, Guiomar Novaes sofreu um derrame cerebral e o seu estado de saúde começou a degradar-se. Veio a falecer a 7 de Março de 1979, aos 85 anos, vítima de enfarte de miocárdio.


3º andamento (Marcha fúnebre) da Sonata nº 2, op. 35, para piano, de Chopin
Piano: Guiomar Novaes

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No dia 28 de Janeiro de 1887 nasceu em Łódź, na Polónia, o pianistaArthur Rubinstein. Começou a tocar piano muito cedo, com apenas três anos. Aos 6, tocou em público pela primeira vez. Entrou para o Conservatório de Varsóvia aos oito anos, onde foi aluno de Paderewski. Prosseguiu os seus estudos em Berlim, onde se apresentou, em recital, em 1900. Em 1906 estreou-se em Nova Iorque, como solista da Orquestra de Filadélfia. Regressou, depois, à Europa e, em Paris, trabalhou como professor de piano.
Em 1916 visitou a Espanha, onde interpretou composições de Granados e Manuel de Falla, que lhe dedicou a “A Fantasia Bética”. Em 1919 foi ao Brasil e conheceu Villa-Lobos. Foi o responsável pela divulgação das suas mais famosas composições. Em sua homenagem, Villa-Lobos escreveu o “Rudepoema”, em 1926. Stravinsky também lhe dedicou os 3 Movimentos de Petruschka - considerada a sua mais difícil obra para piano.
Depois de algum tempo dedicado a intensivos estudos, Arthur Rubinstein viajou até aos Estados Unidos, em 1937. A partir daí, teve a sua reputação de grande intérprete assegurada. Em 1946, obteve a cidadania norte-americana, depois de ter fugido da França em 1940, por causa da invasão alemã. Impressionado por essa experiência e pelos crimes do nazismo, nunca mais se apresentou em concerto na Alemanha. Rubinstein revelava extrema modéstia quando falava de si próprio. Mostrava interesse não apenas pela música, mas também pelos pequenos e refinados momentos de prazer que a vida oferece. A sua última actuação em público teve lugar em 1976, quando já estava com 89 anos. Morreu em Genebra, no dia 20 de Dezembro de 1982.


Scherzo nº 2, op. 31, em si bemol menor, de Chopin
Pianista: Arthur Rubinstein

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Maurizio Pollini - Pianista

por António Filipe, em 05.01.12

No dia 5 de Janeiro de 1942 nasceu, em Milão, o pianista italiano Maurizio Pollini. Começou a estudar piano com seis anos, sob a orientação de Carlo Lonati. A partir dos treze anos, foi aluno de Carlo Vidusso e, aos dezasseis, iniciou os estudos de composição com Bruno Bettinelli. Em 1960 ganhou o Concurso Internacional de Piano Chopin, de Varsóvia. Arthur Rubinstein, que era o presidente do júri, declarou-o vencedor do concurso, dizendo “aquele rapaz toca piano melhor que qualquer um de nós”. Depois do concurso, interpretou o Concerto nº 1 de Chopin, no teatro La Scala de Milão, sob a direcção de Sergiu Celibidache. Em 1963, apresentou-se em Londres e Berlim e, em 1970, foi solista com a Filarmónica de Berlim. A gravação, para a Deutsche Grammophon, de “Três Movimentos de Petrushka”, de Stravinsky e da Sonata nº 7, de Prokofiev, feita em 1971, marcou o início de uma notável discografia.
A música contemporânea tem sido parte do repertório de Pollini desde que começou a sua carreira de concertista internacional. No centenário do nascimento de Arnold Schoenberg, comemorado em 1974, tocou a integral das obras para piano deste compositor, em Londres. Também constam do seu repertório compositores como Berg, Webern, Pierre Boulez e Stockhausen.
Em 1987, interpretou, em Nova Iorque, os cinco Concertos para piano, de Beethoven, com a Orquestra Filarmónica de Viena, sob a direcção do maestro Claudio Abbado. Apresentou o ciclo completo das 32 sonatas de Beethoven em 1993-94, em Berlim, Munique, Nova Iorque, Milão, Paris, Londres e Viena. Em 2001 ganhou o prémio “Diapasão de ouro”, com a gravação das Variações Diabelli, de Beethoven. Em 2007, recebeu o Grammy do melhor solista instrumental (sem orquestra) pela sua gravação dos Nocturnos, de Chopin.


Nocturno nº 8, op. 27, nº2, de Chopin
Pianista: Maurizio Pollini

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Chopin, hoje

por António Leal Salvado, em 18.10.11

Foi na sua época muito reconhecido como pianista, mas o séc. XIX não deu a devida atenção às suas composições.
Antes dele, houvera as sonatas e os concertos de Beethoven, e depois sucederam-lhe as imponentes obras para piano de Brahms e outros pós-românticos. Generalizou-se a opinião de que Chopin tinha sido um compositor de peças para piano bonitas mas triviais… utilizadas como música de salão.

Mas o séc. XX fez a justiça de reconhecer Chopin como expansora do universo harmónico e formal. A força, o brilho e a poesia da sua música tornaram-se uma verdadeira adoração para os mais notáveis pianistas.

Estava a caminho de Paris quando recebeu a notícia de que tinha fracassado o levantamento de 1830, pela restauração da independência da Polónia. Regressar ao seu adorado país tornou-se uma ideia distante, se não impossível.

Em Paris, bem longe dos paradisíacos jardins da sua casa de Zelazowa Wola, teve a sua vida social, os seus turbulentos amores e a inspiração para a maioria das suas obras para piano solo – baladas, scherzos, mazurcas, estudos, valsas, prelúdios, polonaises e nocturnos.

Até que a tuberculose lhe trouxe a morte, aos 39 anos. Corria o ano de 1849 e era o dia 17 de Outubro.

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