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Só para ser diferente e porque hoje é Domingo

por Rogério Costa Pereira, em 23.01.11

Eis o final do XV do cadáveres: «Ambos tremeram. Ela por ela e pelo menino; ele por causa dela. Cavaco, anjo do céu, t(r)emeu o estranho tremer que cheirou em Brigantia e, contra os seus purgantes e habituais costumes (estamos, não o esqueçamos, perante o mais sério dos homens), palavreou o que um dia houvera visto escrito numa placa duma Igreja herege: – Tende calma, senhora, por vezes Deus deixa a tempestade destruir, outras vezes deixa a criança acalmar a tempestade; Chamai Simão e dizei-lhe apenas que tem Cavaco ao portão. E não me chameis tempestade.

Brigantia nem tugiu. De peito Nobre e cara Alegre, correu que nem Coelho, fazendo de conta que acorria ao apelo do suserano do Lopes.»

 

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publicado às 10:01


Cadáveres esquisitos

por Rogério Costa Pereira, em 08.01.11

Saiu ontem o XI, e a trama adensa-se. Um cadáver cada vez mais esquisito. Uma palavra para o joshua: sem ele nada disto seria possível, que o tango dança-se a dois e é preciso que o nosso parceiro não nos pise. E que prazer me está a dar este desafio, em que escrever e ler se misturam. Eu escrevi ontem e espero hoje para ler do que ele decidir da nossa criatura. Para depois lhe fazer a mesma maldade. Muito boa experiência. Desafio-vos a seguir-nos. Se quiserem receber os capítulos assim que sejam escritos é só inscreverem-se na mailing list. aproveito também para, de seguida, deixar os restantes contactos. Queremos leitores? Claro quem sim. Meia-dúzia e já vamos felizes. Estou a instrumentalizar a pegada? Obviamente!

facebook da pegada twitter dos cadáveres email dos cadáveres subscrever os cadáveres

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publicado às 22:12


Cadáveres esquisitos (lá se vai andando)

por Rogério Costa Pereira, em 26.12.10

«Isto dito, explicado o Telles pai, desvelada a nobreza da sua desonra, cuida agora contar de Simão, filho de Ezequiel, pai que haveria de ser do João que nunca foi – ou que apenas foi pelos parcos segundos que levaram seu pai a desentranhá-lo e arrebentá-lo de encontro às lajes de pedra que por ali estavam à mão. Simão, o ainda filho da puta (que o Cardeal não arranjara tempo para o desemputanhar, tamanho o atrás descrito), passa a ter Baltasar por pai e Brigantia por mãe.

Isto aqui para nós, que a verdade a dar à história seria bem diferente e já estava traçada. Aos catorze anos seria apresentado ao regime e a Lisboa como sobrinho de Manuel Cerejeira. Simão de Cerejeira Telles. Filho de Cândida Cerejeira, irmã de Manuel, e Artur Telles, visconde de Lousado (afidalgado rótulo que o regime republicano haveria de legitimar). Colhidos da vida por uma besta assassina que noite dentro lhes havia irrompido pelo palácio. De Lousado a Lisboa, as léguas eram suficientes para fazer passar por verdade a intrujice. E assim – tio recebe sobrinho órfão –, justificado ficaria o acolhimento que o íntimo da nada parda eminência haveria de dar ao sobrevivente aristocrata. Esta história, a oficial, não vamos mais para aqui chamá-la, mesmo porque a dita se pode ler em qualquer biografia do Patriarca. “A sua bondade ficou também demonstrada quando, em (…) acolheu o visconde de Lousado, seu sobrinho órfão, (…)”.»

Assim começa o capítulo VII da história de João. Num blogue que não é um blogue, uma história a duas mãos, um conto pari passu, em que se faz por trocar o passo, avança devagarinho. Para já, vai longa a lista de personagens, que aqui deixo à laia de petits fours salés:

João: o nosso protagonista

Ompal: aborto póstumo; encontrado decapitado num templo em Kanshiram Nagar

Simão de Frutuoso Telles: pai de João

Ester: mãe de João

Ezequiel Telles: avô de João

Mãe de Simão: puta

Brigantia: governanta galega de Ezequiel Telles; parece que é bruxa

Baltasar: criado de Ezequiel Telles; matador da mãe de Simão; esquineiro amante de homens;

Cardeal Manuel Frutuoso: cardeal do regime, íntimo d’O Homem

Urtiga: do bando d'A Batalha

Cândida Frutuoso: irmã de Manuel Cerejeira; nunca existiu

Artur Telles: marido de Cândida; visconde de Lousado; nunca existiu

Miguel Ortega: preceptor de Simão; Miguelito de Mourão

Se alguém estiver interessados em acompanhar a história, para além das redes sociais e dos contactos da praxe, deixei na coluna da direita a opção subscrever, forma mais cómoda de receber o aviso para os novos capítulos.

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publicado às 03:52


Cadáveres esquisitos

por Rogério Costa Pereira, em 19.12.10

Farto.

Essa é a palavra. Estou farto da blogosfera tradicional, dos seus maiores e menores, do comentar diário dum país que se perde. Actualidade, política, crise, futebol, Sócrates, Cavaco. Ganhei alergia à vontade de botar faladura sobre tudo o que mexe e mais alguma coisa. Claro que, por vezes, me apetece acrescentar algo. Discorrer acerca do idiota do Assange (um doze de Setembro), dos enigmáticos mercados. Da modorra das presidenciais, cheias do soporífico Nobre, do reeleito Cavaco (e de quanto isso me agonia), do cata-vento Alegre e de como Sócrates deseja ardentemente que ele perca. E do meu Sporting; tenho pensado muito no meu Sporting e na forma como a doença da indiferença sobre o seu perder-e-perder se está a apoderar de mim. Da cartilha gasta do Villas-Boas. Do Barcelona, que pinta quadros todas as semanas. Do Real, que não vai ganhar nada enquanto houver este Barça de Guardiola. De Guardiola e de Messi e das razões de serem os melhores do mundo, apesar de não serem portugueses. De como nenhuma equipa de Mourinho jogou metade do futebol do Barça. Do Barça do incógnito Guardiola (ainda hoje espetaram cinco ao Espanhol).

E de Sócrates.

Apetece-me muito falar do homem que com empenho apoiei. E de como me enganei. Tenho vontade de falar dos clientelismos que Eça tão bem retratou em qualquer uma das suas obras. Do polvo socialista – que podia ser social-democrata, é certo –, que é a imagem cuspida do povo que somos. Tenho vontade de falar de como a culpa é nossa, de que somos realmente uma choldra ingovernável.  Tenho ânsias de dizer que estaríamos como estamos, com ou sem Sócrates. Tenho uma imensa vontade de dizer que em Portugal poucos querem trabalhar, todos se querem empregar. Falaria de Portugal como uma doença sem cura. E faria um parêntesis para fazer ao Portas a devida vénia pela forma como se recusou a falar dos peidos do Assange (chamai-lhe populismo ou um pífaro, mas o homem disse-me os pensamentos).

Mas, como dizia, hoje-por-hoje, estou farto das tricas e dos enredos blogosféricos. E, por isso, não vou dizer nada disso. Porque estou farto, como já disse, mas acima de tudo porque não tenho nada a acrescentar (e porque me faz dor nos ouvidos a imensa gritaria). Não me meti nisto – em nada disto em que me meti – para ganhar encómios ou comendas. Sou o que sou; e como sou. Neste sete anos de blogosfera, ganhei e perdi amigos. Não me arrependo duma vírgula da substância do que disse, embora lamente a forma como disse algumas das coisas que disse. Lamento como, movido por maus sentires, pelo meu repentismo à flor da pele, não excepcionei das minhas críticas, quem delas merecia ser excluído. A este propósito, e refiro-me às árvores que ardi nos fogos que ateei, arrependo-me de não ter chamado alguns bois pelos nomes, para que outros soubessem que não era a eles que me dirigia.

Conheci por aqui do melhor que tenho (elas e eles sabem quem são), conheci por aqui dos seres mais rasteiros que pela minha vida se cruzaram, autênticos vermes mal-fodidos.

Isto dito, e porque já me alonguei em demasia, quase relegando para rodapé o que tenho para dizer de novo – que o resto é velho e já sabido –, eis a novidade. Vou fazer uma pausa (pode ser coisa de semanas ou de anos) nesta pegada que partilho com a minha querida e única Isabel. Com a minha luso-bifa favorita, que me pôs dois quadros na parede; e com os ainda pouco evidentes na minha vida (por uma questão de oportunidade, estou certo) Luiz e besugo.

Adoro escrever, viveria para isso. Não por vocês, mas por mim e pelos meus. Do que aqui fui deixando, abominado por uns e elogiado por outros, constato que o registo que mais prazer me dá e que tive o cuidado de, para mim e para os meus, guardar aqui, nada tem a ver com o que relato nos parágrafos primeiros deste post. Não que almeje ser escritor (palavra maldita e maldita palavra) ou algo que se assemelhe. Livro escrito por mim, ou porque não sou apresentador de telejornal ou de cena de revista domingueira (ou pura e simplesmente porque não dou uma para a caixa), pouco venderia e, por certo, que não me colocaria o pão na mesa. À parte o facto de poder ganhar dinheiro com a escrita – único motivo para, em papel, partilhar letra minha, coisa que por certo não desdenharia –, (hoje) nada me atrai em anuir na publicação dos meus pensamentos e estórias. Quanto mais não seja porque me agrada a forte possibilidade de vir a ser o único português vivo sem “obra” publicada. E, agora a sério, porque escrever dói-me muito. E não me apetece, nem me parece bem, vender os meus padecimentos.

Tempos houve em que dei por mim a mandar meia dúzia de coisas para uma ou outra editora. A resposta era sempre a mesma, que escrevia bem, mas que escrevesse algo mais largo, com mais páginas e maior fôlego, que os meus micro-micro-estares não vendem. E têm toda a razão. O problema é que tenho uma vontade enorme em terminar assim que começo (se a minha escrita e as minhas artes de alcova se assemelhassem estava bem fodido – irresistível, este duplo sentido).  No entanto, assevero, não trocaria, por todo o dinheiro do mundo, a “arte literária” de quem se vê nos tops – de quem escreve a metro – pela minha forma de dar palavras aos sentires. Jamais me compararia com um José Rodrigues dos Santos, que precisaria de muitas vidas recheadas de muita sopa para escrever um décimo do que eu escrevo (esta foi à Mourinho).

Por causa desta minha inclinação para as rapidinhas, sempre vi no conceito de cadáver esquisito uma boa solução. Quer do ponto de vista de deixar andar uma estória e de ter um parceiro que me pusesse freio aos acabares, quer no que respeita à disciplina que daí me poderia advir. Sem falar no carácter pedagógico da coisa. Fiz três convites, desde que tal ideia me ocorreu. Os dois primeiros foram simpática e razoavelmente enjeitados. O terceiro foi aceite. Se há 6 meses me dissessem que, daí a esse tempo, estaria em pleno cadáver com quem ora me encontro, recomendaria tratamento psiquiátrico a quem tal me lesse nas entranhas. A verdade é que hoje bendigo quem me deu tampa. Quem ora se aventurou comigo é exactamente o que sempre procurei. Alguém que me dá luta, que escreve bem, e que tem a suprema pachorra de esperar uma semana pelo que se segue (regra imposta pelas galinhas com quem tenho de me levantar, e depois bulir o dia inteiro – só escrevo de madrugada e aos fins de semana).

Falo do joshua. Alguém a quem ainda hoje o Valupi apelidava de castiço, por ter repetido uma mesma ideia em três blogues diferentes. Eu, anos atrás, antes de ter sido promovido a não sei bem o quê (e mesmo isso há-de ter sido mais pela companhia do que pelo merecimento – há mesmo um estupor que assevera que lhe implorei entrada num blogue), fiz bem “pior” que isso. Quem não se sente ouvido, caro Val, precisa de se repetir até à exaustão, carece de aproveitar todos os microfones. Nem todos escrevem na aspirina b, ou na jugular, ou no arrastão. Ou no 31 da Armada. Se o meu filhote de três teclasse umas letras neste último, por exemplo, teria por certo mais leitores do que a Isabel Moreira tem hoje nesta pegada. Sem qualquer desmerecimento para ti, Val, que bem sabes o quanto admiro a tua escrita, embora (confesso) me venha espantando alguma da tua última teimosia – se eu não te conhecesse de outros fados, se eu não soubesse que queres realmente o melhor para o país, se eu desconhecesse que nada ganhas em tomar partido, tentar-me-ia a pensar que, das duas uma, ou estavas cego ou deste em parvo.

O joshua, dizia. Há cerca de uma semana, desafiei-o para o tal do cadáver. A ele, a quem tanto maltratei, a quem tanto ignorei, a quem tanto censurei. Do alto da primeira liga blogosférica em que me via. Não que ele fosse propriamente um anjinho, é certo, mas a verdade é que lhe fiz o pior que me podem fazer. Não lhe passei cartão. Hoje, o joshua é “apenas” a minha cara-metade nisto das letras. Não podíamos ser mais diferentes em quase tudo. O tipo é do FêCêPê, é crente (de quem crê) na religião em que me empurrarram até  ao crisma e, aqui entre nós, politicamente (para além da náusea que nos provoca o som e a imagem de quem nos governa), não temos puto em comum.

Em suma, somadas as parcelas que com paciência vos pintei, deu nisto. Encetámos algo sem fim à vista e que, falo por ambos, nos está a dar um gozo imenso (é para isso que a vida serve, certo?). No joshua encontrei o parceiro ideal para concretizar o que, a esta hora, já leva seis capítulos (recebi agora a indicação do sexto, que ainda não li). Mais importante do que os cadáveres esquisitos (e se isso é importante!), mais importante do que a dedicação ao nosso João, é a certeza de que encontrei no Joaquim um tipo que, sem me conhecer, se meteria agora no carro, lá dos nortes por onde vive, para me vir ajudar a consertar uma torneira que pinga. E a certeza de que eu faria o mesmo por ele. É uma honra partilhar os cadáveres esquisitos, cuja ligação aqui deixo, com tamanho ser.

O que dali sair a ele se deve. Ele sozinho era capaz, eu não!

Obrigado, caro Joaquim.

(hei-de por aqui ir dando nota dos novos capítulos, e, às tantas, daqui a uma semana ou isso, cá estarei a distribuir cacetada).

 

PS - É tarde pra catano. Amanhã encho isto com os restos dos links e corrijo as gralhas, as falhas e os pontapés na gramática. Agora vou ouvir o galo cantar e depois vou dormir.

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publicado às 04:59


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