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A majestade da democracia

por Licínio Nunes, em 25.10.13
Quando vi esta reportagem na televisão (ena pah..., quase vinte anos!) fiquei aparvalhado. Mas já nem me lembrava dela quando o youtubas encontrou uma relação qualquer entre este video, o Bono Vox e a Mairie Brennan, vá-se lá saber porquê.

Todas as conclusões rápidas são tão limitadas e condicionadas como as decisões dos protagonistas. Aquilo que fica é a majestade. Dum sistema político em que algo como esta reportagem pode ser feita. Imagine-se que, rever estas imagens, agora já sem o choque do contacto inicial, até me conseguiu criar alguma tolerância relativamente às patacoadas do Rodrigues dos Santos.

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publicado às 12:59

Já tinha anteriormente partilhado este texto entre quem me é mais próximo, mas gostaria de expandir este excerto por quem estiver interessado em ler. Foi retirado de uma obra que li há uns meses, de Federico Rampini:

"O dia 6 de Agosto de 1945 tinha começado com uma linda manhã de Verão. Jogávamos às escondidas no pátio. Era a minha vez de contar, por isso estava com os olhos fechados e com as mãos a cobrir o rosto.

O clarão, uma claridade branca pura, foi de tal maneira forte que me lembro de ter visto os ossos nas minhas mãos, transparentes, como nas radiografias. Depois, o silêncio total. Em seguida surgiu um ruído ensurdecedor, como se centenas de tanques estivessem a correr contra nós.
A recordação constante é uma sensação sufocante, faltava o ar, em redor tudo era escuro, tudo ardia. Sentia o cheiro a queimado e os meus companheiros gritavam: queima! (...)Uma jovem mãe levava um filho às costas e procurava desesperadamente o outro filho, mas quando passámos à sua frente vi que o menino que levava às costas tinha a cabeça desfeita. Aquela imagem angustia-me constantemente. Chegados ao rio, vimos um inferno: milhares de seres humanos enegrecidos, nus e queimados como vermes horrendos. Todos queríamos água, mesmo quem não conseguia mexer-se implorava. Dois dias depois, podíamos atravessar aquele rio a pé, caminhando sobre uma ponte feita de cadáveres."
Este foi o efeito do bombardeiro americano B-29 Enola Gay, que lançava no céu de Hiroxima a bomba Atómica. Era o equivalente a 15000 toneladas de explosivos e criou uma bola de fogo cujas ondas de calor queimaram a carne humana até 3km de distância. Morreram 140000 pessoas, das quais 60000 nos meses após a explosão, devido ao efeito radioactivo. Outras 75000 foram mortas em Nagasáqui, onde a segunda bomba foi lançada dias depois.
Com 68 anos, Tanemori é um 'hibakusha', que traduzimos como "sobrevivente", mas que em japonês significa "pessoa afectada por uma explosão", ou então "pessoas que não se suicidaram embora tivessem todas as razões para o fazer".
Mesmo os médicos que sobreviveram e tentaram ajudar nos salvamentos, não faziam ideia do que acontecera, então deitaram óleo nos corpos queimados (que fez com que a temperatura dos corpos subisse até 7000ºC). "Enfrentávamos o desconhecido, com remédios patéticos".
"A mim a bomba tirou-me tudo. destruiu a minha família. O rasto da minha mãe e da minha irmã mais nova perdeu-se no dia 6 de Agosto. O meu pai morreu no dia 3 de Setembro, das queimaduras. Um mês depois foram os meus avós e a minha irmã mais velha. Só eu sobrevivi, mas a sociedade, a partir daquele dia, passou a olhar para mim com desagrado: era um órfão da derrota.
Aos 16 anos tentei suicidar-me. Perdi a vista. Tive um cancro e aos 40 anos já tinha sofrido dois enfartes. Fui enviado para a Califórnia em 1956 para me tratar, quase me mataram, reduzido a cobaia de laboratório para investigações.
Os 200000 que morreram em Hiroxima e Nagasáqui não foram os mais desgraçados. Foram logo para o paraíso.
O general MacArthur impôs a censura sobre os danos causados pela Bomba A. As notícias sobre os hibakusha e as suas doenças podiam ensombrar a legitimidade moral de quem tinha lançado duas bombas atómicas."

Apesar de estar ciente das circunstâncias, e de que, provavelmente, a decisão não foi tomada de ânimo leve, questiono-me: Não poderia mesmo ter sido evitado este acto desumano? Virão outros como este? Na sociedade contemporânea, os Estados têm igual voz na cena internacional? Irão os EUA ou a China instaurar uma "sociedade internacional", subjugando os demais e ditando (ainda mais) as regras que os 193 estados-membros da ONU têm que acatar? Fará a Alemanha o mesmo dentro do plano europeu? Deixo o resto para a reflexão, interpretação e (possível) acção de cada um.

Hugo Lopes

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publicado às 14:14


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