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O trabalho era danado, que a gente aos 30 anos não pode dar negas - mas havia um prémio todas as noites. Uma imperial para fazer companhia e uma coca-cola para amaciar o sabor - e a seguir era o paraíso a dobrar. Os standards, as síncopas e os contratempos elevavam-nos até à porta - mas eu entrava, mesmo lá dentro do céu, era quando os manos Moreira abriam a jam. Sentava-me no meio dos timbalões etéreos e esperava que o miúdo arrancasse das teclas o mel todo que elas só lhe davam a ele - e bebíamo-lo todos pelos ouvidos. Vinham as minhas falsas entradas e era diferente o sorriso do Babá - a complacência dos manos parava-lhe no sorriso de homem prematuro. Prematuro. Mavioso como as colcheias - parar para quê? Parecia impossível que o meu deleite não fosse maior que o gozo dele! E a madrugada entrava sempre por aquele sonhar - dormia comigo, sozinho na cama de casal, o sorriso das notas do Babá.
Hoje é 25 anos depois. E hei-de adormecer menino, no meio de baquetas mágicas atrás do sorriso das teclas do Babá - aquele miúdo de olhar terno e profundo. E hei-de acordar desinfeliz - no paraíso que me ficou daquele homem imenso. Prematuro. Pela sua condição de génio.
"Hoje, não me apetece mandar vir. Nem sobre as alarvidades de uma pomposa criatura suburbana que encheram os noticiários radiofónicos da tarde. Não gosto mais de falésias e os ouvidos enchem-se-me disto, com Carlos Barretto e Alexandre Frazão. Também eles Grandes Músicos!"
"Num país onde a mediocridade é um factor de sucesso alguém com este talento só nasce depois de morrer." (comentário retirado daqui)
Bernardo Sassetti - Medley "Sonho dos Outros & Promessas" @ rendezvous | festival jazz setúbal 08
Obrigado, Bernardo (e como me cansam estes obrigados que não param; queria deixar de ter de os dizer).

Tinha 41 anos.
Caiu de uma falésia enquanto tirava fotos.
Deixou duas filhas.
Não tenho palavras. Pim-Pam-Pum, outra vez.
No dia em que se deu a revolução de 1974, fazia 14 anos um dos mais notáveis músicos da geração de portugueses actuais. Mário Laginha, nasceu a 25 de Abrirl de 1960.
Uma sólida formação clássica – fez o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional (terminado com a classificação máxima) – deu-lhe ferramentas para evoluir como intérprete e compositor, desenvolvendo uma identidade própria. É isso que lhe tem permitido escrever para formações tão diversas como a Big Band da Rádio de Hamburgo, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra Filarmónica de Hanôver, o Remix Ensemble, o Drumming Grupo de Percussão e a Orquestra Nacional do Porto. Compõe também para cinema e teatro.
A sua “casa” é o jazz, mas recusa encerrar-se lá dentro. Na sua música podemos encontrar um pouco de quase tudo, porque não fecha as portas a quase nada. Mário Laginha procura em vários lugares o material para construir o seu próprio universo musical. Muito mais do que misturas, há assimilação. O que se pode ouvir, no final, é... música.
A sua carreira tem sido construída ao lado de outros músicos, de uma forma constante e intensa. E com raras excepções: o primeiro disco a solo, Canções e Fugas, é editado em 2006. Mário Laginha usa com virtuosismo e rigor a técnica clássica para compor seis fugas, cada uma antecedida por uma canção na mesma tonalidade, seguindo o esquema dos prelúdios e fugas de Bach. Não há revivalismos: as suas composições têm uma sonoridade contemporânea, muito inspirada, apesar de notoriamente complexa.
Para Mário Laginha, fazer música é sobretudo um acto de partilha. E tem-no feito com personalidades musicais fortes. O duo privilegiado com a cantora Maria João é um dos casos mais consistentes e originais da actual música portuguesa. Mais uma vez, o jazz funciona aqui como uma rede, mas sem amarras: há ecos africanos, brasileiros, indianos, da música tradicional portuguesa, pop, rock, clássico... A parceria de Mário Laginha e Maria João originou uma dezena de discos e a participação em alguns dos mais importantes festivais de jazz do mundo.
No jazz, tem um parceiro natural: Bernardo Sassetti. A mesma solidez de formação e um disco gravado em conjunto. Pedro Burmester (com quem também tem um disco gravado) tem sido a sua principal ponte com a música clássica, desde finais dos anos oitenta. Laginha leva a sua bagagem musical para um repertório do século XX, oferecendo-lhe um forte sentido rítmico. Sem improvisações, porque também sabe ser fiel à partitura.
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