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«Constança Cunha e Sá critica a atitude Miguel Relvas no que diz respeito à obtenção da licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Lusófona.
«Os factos sobre o caso da licenciatura de Miguel Relvas falam por si», começou por abordar na TVI24. Na sua opinião, «mais vale não tirar uma licenciatura do que tirar uma assim» e tudo isto «deixará marcas neste Governo».
«Miguel Relvas sentiu-se obrigado a ter um curso, mas não se quis dar ao trabalho de fazer um curso», frisou, questionando a legitimidade deste grau académico: «Uma licenciatura destas vale para alguma coisa? Onde foi buscar a média de 11? Isto é muito baixinho».
«O ministro não explica coisa nenhuma, não diz que cadeiras fez e que equivalências lhe foram dadas», acrescentou Constança, sublinhando contradições:
«Não se pode ter um ministro como Nuno Crato, que exige rigor e disciplina, para depois ter como número dois do governo um senhor que se qualifica desta forma». Fonte: TVI24  

Efectivamente, pouco mais há a acrescentar ao que diz Constança. Ouso, no entanto, corrigir-lhe a raiz do raciocínio. Quando diz "mais vale não tirar uma licenciatura do que tirar uma assim". A questão é que Relvas não tirou "uma licenciatura assim". Relvas não tirou uma licenciatura! Nem assim nem assado! E, francamente, neste país de doutores e engenheiros em que a iliteracia (os) domina (em grande e a grande parte), eu não veria mal nenhum nisso. Não se inconformasse o sujeito da forma como o fez. (In)qualificável é o método a que Relvas "aceitou" submeter-se para sacar o canudito portuga da praxe. E, note-se, para além do sentido imediatamente apreensível, uso aqui a palavra (in)qualificável naquele duplo sentido de sim e de não -- por isso a escrevi daquela forma em pontapé. É que, se não qualifica o indivíduo como dr. não sei do quê, qualifica-o sobejamente como indivíduo.

Alongo agora o post (ainda mais) por boas causas, pedindo perdão ao que se segue por LHE misturar o nome com o que deu causa a estas palavras de cima (e bem sei que nada tem a ver e que não o devia fazer, mas hoje, neste dia sujo, preciso de passar para aqui palavras de Gente -- para as ler e dar a ler). A alma de Antero e uma carta que as agruras da pós-formatura o levaram a escrever em Julho de 1864. 

"A Fatalidade que me persegue com tenacidade verdadeiramente paternal, não me quis poupar - não quis deixar sem coroa este templo de sandice e ridículo chamado formatura; não lhe tremeu a mão adunca e férrea escrevendo no livro-caixa do Fado esta sibilina palavra BACHAREL!!! E sou Bacharel!!! E Bacharel nemine-discrepante!! E não houve um R justiceiro, um R honesto e consciencioso que protestasse, levantando no ar com terrível assovio, o seu rabo de serpente, não houve R - um só - que protestasse contra essa sentença fatal, que assim condena um inocente cábula a arrastar perpetuamente, qual rocha de sísifo, essa grilheta de uma carta de Bacharel em Direito!! Nemine-Discrepante!!!
Sabeis vós o que é um nemine discrepante? É trocar a sua coroa de poeta, pelo círculo de sebo da borla doutoral dum Neiva! É ler no horizonte da vida, em vez do poema de oiro das aspirações embalsamadas, a letra gorda e enchundeada duma sempiterna Sebenal!! É escambar (!) a púrpura brilhante das aspirações sublimes, pela albarda, vermelha da vermelhidão das digestões felizes, o capelo de Doutor! É ter por alma um sofisma, por vida um à-contrário-sensu, por templo santo a audiência, por culto a Deus e tudo a Ordenação do Reino!! Este trecho duma meditação que actualmente componho em estilo Oriente, e em que trabalho debaixo da salutar influência da sombra do Neiva, vos dará ideia do estado moral do vosso
Antero (o Bacharel)"

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publicado às 01:58

«Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional. 
Que um povo de escravos folgue indiferente ou durma o sono solto enquanto em cima se forjam as algemas servis, enquanto sobre o seu mesmo peito, como em bigorna insensível se bate a espada que lho há-de trespassar, é triste, mas compreende-se porque esse sono é o da abjecção e da ignomínia.
Mas quando é livre esse povo, quando a paz lhe é ainda convalescença para as feridas ganhadas em defesa dessa liberdade, quando começa a ter consciência de si e da sua soberania... que então, como tomado de vertigem, desvie os olhos do norte que tanto lhe custara a avistar e deixe correr indiferente a sabor do vento e da onda o navio que tanto risco lhe dera a lançar do porto; para esse povo é como de morte este sintoma, porque é o olvido da ideia que há pouco ainda lhe custara tanto suor tinto com tanto sangue, porque é renegar da bandeira da sua fé, porque é uma nação apóstata da religião das nações - a liberdade!»


Antero de Quental, in 'Prosas da Época de Coimbra'
Pintura de Columbano Bordalo Pinheiro, Retrato de Antero de Quental (1889, Museu do Chiado, Lisboa).

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publicado às 15:47

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino. Mario Quintana (escritor gaúcho, 30/07/1906 – 05/05/1994

Um grande homen e de grandes ideias, esse Antero de Quental! O célebre célebre discurso por ele proferido, numa sala do Casino Lisbonense, em Lisboa, no dia 27 de Maio de 1871, durante a 1.ª sessão das Conferências Democráticas, prova-o (ver anexo). De facto, ele teve uma nítida visão das causas da ascensão e do declínio das nações. E se olharmos bem para o seu discurso, reconhecemos as analogias em relação à actual situação que está a viver a União Europeia, ainda que num patamar diverso.

Quem sabe, se Antero de Quental ainda fosse vivo, por ventura, resumia a causa das causas da ascensão e do declínio dos povos numa breve frase: comportamento linear ou “circular” ou comportamento cibernético (em espiral) – sem contudo eliminar a rica redundância do seu discurso que se lê muito bem e cuja ausência para a grande maioria das pessoas tornaria muito difícil senão impossível compreender as suas palavras.


Google celebra 170.º aniversário de Antero de Quental

No dia em que se assinala o 170.º aniversário do nascimento do poeta português, a homepage do Google Portugal celebra a sua carreira

Esta é a imagem que podemos ver hoje na homepage do Google Portugal, que decidiu homenagear Antero de Quental.

O poeta e escritor nasceu a 18 de abril de 1842 em Ponta Delgada, nos Açores, e foi uma das vozes mais marcantes do movimento Geração de 70, um movimento académico do século XIX que veio revolucionar a cultura portuguesa.

Além da sua obra literária, Antero de Quental foi ainda um dos fundadores do Partido Socialista Português e em 1869 fundou o jornal A República.

A 11 de setembro de 1849, tinha na altura 49 anos, o escritor suicidou-se na sua terra natal, mas a obra que deixou tornou-se marcante para a cultura portuguesa.

http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=2427389&seccao=Livros

 

 

 

 

 

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publicado às 18:30


Poesia ao nascer do dia - Antero de Quental

por Luis Moreira, em 07.01.12

 

 

A um poeta

Tu, que dormes, espírito sereno,

Posto à sombra dos cedros seculares,

Como um levita à sombra dos altares,

Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,

Afuguentou as larvas tumulares...

Para surgir do seio desses mares,

Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! é a grande voz das multidões!

São teus irmãos, que se erguem! são canções...

Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te pois, soldado do Futuro,

E dos raios de luz do sonho puro,

Sonhador, faze espada de combate!

 

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publicado às 08:00


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