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traços de répteis incandescentes pelas dunas, hastes quebradas, excrementos geométricos sinalizando com rigor apertados caminhos
areias de cor indecisa
são bons estes lugares de cinza, para a solidão insuspeita dos pássaros
da boca das areias desmoronando-se irrompem
bichos, adocicados corpos, um rosto de fogo encima o leite vagaroso das nuvens
depois, ouvem-se os nomes dos barcos
e do vento uma voz explode, fende, desfaz a tempestade
teu corpo acalma por cima do misterioso espelho
mão na mão, percorremos todas as águas
conhecemos os domínios dos monstros marinhos
e a loucura dos peixes cegos, que deu nome ao nosso amor e às cidades
costeiras
outras feridas alastram subitamente no fulcro da memória
outras coisas atravessam-me
semeiam pelo corpo flores e pânico
falo com os barcos postos-a-seco, das salivas marinhas cresce uma quilha enfurecida
a escrita é um marulhar incesante
imito a paisagem como se te imitasse, ou te escrevesse
teu corpo dilui-se nos ossos da página, contamina as cartilagens das sílabas
resta-me o fingimento sibilante das palavras
caminho pelo interior das dunas, apago o rasto de tinta acetinada, sou terra num texto onde não encontro água
só noite e um rumor imperceptível no coração
mais nada
in «Trabalhos do Olhar», 1976/82: dispersos de Milfontes, 1978/79
dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice
conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo
dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos
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| noutros tempos quando acreditávamos na existência da lua foi-nos possível escrever poemas e envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído pelas salivas proibidas - noutros tempos os dias corriam com a água e limpavam os líquenes das imundas máscaras hoje nenhuma palavra pode ser escrita nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras ou se expande pelo corpo estendido no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se onde se pode - num vocabulário reduzido e obcessivo - até que o relâmpago fulmine a língua e nada mais se consiga ouvir apesar de tudo continuamos e repetir os gestos e a beber a serenidade da seiva - vamos pela febre dos cedros acima - até que tocamos o místico arbusto estelar e o mistério da luz fustiga-nos os olhos numa euforia torrencial Al-Berto Horto de Incêndio |
há-de flutuar uma cidade no crepúscolo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
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Euforia |
| cai neve no cérebro vivo do imaculado - dizem que este milagres só são possíveis com rosas e enganos - precisamente no segundo em que a insónia transmuda os metais diurnos em estrume do coração dizem também que um duende dança na erecção do enforcado - o fulgor dos sémenes venenosos alastra no brilho dos olhos e um sussurro de tinta preta aflora os lábios fere a mão de gelo que se aproxima da boca o vómito da luz ergue-se das palavras ditas em surdina a seguir vem o sono e o miraculado entra no voo dos cisnes o dia cansa-se na brutalidade com que a voz se atira contra as paredes abrindo fendas em toda a extensão das veias e dos tendões quando desperta com o crepúsculo o miraculado olha-nos fixamente e sorri dá-nos uma rosa em forma de estilete - fechamos os olhos sabendo que este é o maior engano da eternidade Al-Berto Horto de Incêndio |
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| dizem que em sua boca se realiza a flor outros afirmam: a sua invisibilidade é aparente mas nunca toquei deus nesta escama de peixe onde podemos compreender todos os oceanos nunca tive a visão de sua bondosa mão o certo é que por vezes morremos magros até ao osso sem amparo e sem deus apenas um rosto muito belo surge etéreo na vasta insónia que nos isolou do mundo e sorri dizendo que nos amou algumas vezes mas não é o rosto de deus nem o teu nem aquele outro que durante anos permaneceu ausente e o tempo revelou não ser o meu Al-Berto |
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A Invisibilidade de Deus |
| dizem que em sua boca se realiza a flor outros afirmam: a sua invisibilidade é aparente mas nunca toquei deus nesta escama de peixe onde podemos compreender todos os oceanos nunca tive a visão de sua bondosa mão o certo é que por vezes morremos magros até ao osso sem amparo e sem deus apenas um rosto muito belo surge etéreo na vasta insónia que nos isolou do mundo e sorri dizendo que nos amou algumas vezes mas não é o rosto de deus nem o teu nem aquele outro que durante anos permaneceu ausente e o tempo revelou não ser o meu Al-Berto O Medo |
Contato = INTELLIGENTWEBHACKERS@GMAIL.COMEstes são...
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