Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Amigos 

Maiores que o orçamento 

Para a austeridade amigo vem 

Para a austeridade amigo vem 

Não percas tempo que o parceiro da PPP

É meu amigo também 

Não percas tempo que o parceiro da PPP

É meu amigo também

 

Enterras

Em todas as fronteiras

Seja bem ido quem emigra, e bem.

Se alguém houver que não queira

Leva-o contigo também.

 

Aqueles

Aqueles que ficarem

(Em toda a parte todo o mundo tem)

Em sonhos se ambicionarem

Traz outro amigo pró call-center  também

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:30


25 de Abril, no Fundão. SEMPRE!

por António Filipe, em 25.04.13
Todos os anos, no dia 25 de Abril, se comemora, um pouco por todo o lado, o Dia da Liberdade.

O Fundão não é excepção. Normalmente, as comemorações iniciam-se pelas 21 horas do dia 24 e, à meia-noite em ponto do dia 25, realiza-se uma arruada, que passa por algumas artérias do Fundão, durante a qual os participantes cantam o “Grândola, Vila Morena”, acompanhados por uma banda filarmónica da região.
São quase sempre os mesmos que aderem a estas comemorações. Mas há um fenómeno que sempre me desperta a atenção: de quatro em quatro anos, há sempre mais uma dúzia de pessoas a engrossar a manifestação. Uma grande parte dos candidatos às eleições autárquicas só se lembram desta data em ano de eleições! (não sei porque é que pus um ponto de admiração no fim da última frase, acho que é o meu teclado que tem uma mente própria). Depois, nos três anos seguintes, tenham ou não sido eleitos, só se lembram do 25 de Abril, porque (ainda) é feriado. Ou, porque tendo sido eleitos, vão às comemorações que se realizam na Assembleia Municipal, para receberem a respectiva senha de presença. Vale mais a pena do que ir à arruada, onde, pensam eles, não se ganha nada. E, no ano seguinte, lá estão eles novamente, se forem candidatos. A maior parte destes infiltrados nem canta, porque nem a letra sabe. Só lá vão porque pensam que poderão ganhar uns votinhos nas eleições desse ano. Mas enganam-se, porque o pessoal que, desde o segundo 25 de Abril, participa, todos os anos, nesta arruada já os conhece de ginjeira.
Seja como for, são bem-vindos. Pelo menos, fazem número. Mas o meu voto não apanham eles.
Aqui fica o filme deste ano (de eleições).

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:45


Revolução dos Cravos: 25 de Abril 1974 - Noticiário RTP

por Rogério Costa Pereira, em 15.09.12

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:14

Em geral, celebra-se uma Efeméride na ausência do Momento. Serve para trocar um Valor ético-cultural que deveria ser vivido quotidianamente, por uma celebração da sua ausência. É um ritual.

Assim acontece com ‘o Dia da Mulher’ – em que se ‘relembra’ a igualdade de género depois de, consecutivamente a sociedade tolerar 365 dias de salários desiguais nas exemplares ‘empresas privadas’; o trabalho doméstico desigual depois do emprego; o conceito jurídico de ‘cabeça de casal’ a par da Constituição, a hombridade viril casada com o ‘recato’ feminino moralizador.

Assim acontece com o 1º de Maio – em que a sociedade festeja a ‘integração’ das classes trabalhadoras no mito da ‘igualdade’ cidadã, depois de tolerar sucessivos 365 dias de exploração económica (isso agora tem outro nome: “competitividade das empresas”), de desigualdade nas relações laborais (isso agora tem outro nome: “racionalidade empresarial”), de supressão de direitos e garantias (isso agora tem outro nome: “viabilidade das empresas”).

Assim acontece, também – e ‘naturalmente’ – com o 25 de Abril – em que o ‘corpo nacional’ (abramos assim os braços, para caber toda a gente…) celebra ‘a Democracia’ e ‘a Liberdade’ depois de se atolar, durante 36 anos, em parlamentarismo formal,

em puro roubo do direito à sua voz (já que a ‘delegação de voz’ num Partido resulta num ‘cheque-em-branco’ para os ‘nossos representantes’ fazerem o que lhes der na real gana durante 4 anos sem terem o seu mandato cassado por despudoradamente trairem os Programas políticos pelos quais os diversos estratos sociais os elegem…),

e alienação numa pseudo-igualdade consumista (já que, embora com uma amplitude do leque salarial de 1 a 15 salários mínimos, somos todos ‘iguais’ se tivermos Cartão-de-Crédito…)  - e quem é que se quer reconhecer numa tradicional classe menorizada?   

Todos falam em Democracia – mas qual democracia?

- É que, seguramente, a de 75 não é a mesma de 77. A democracia de uns não é, seguramente, a democracia de outros – e já nem essa verdade simples somos capazes de admitir!...

Quanto à ‘democracia-com-todos’ – essa, é pura falácia; um Conto Fantástico para embalar bebés.

Que Liberdade se convida a celebrar no 25 de Abril? Tão-só a ‘saída pela Direita-baixa’ do grupo dirigente da Ditadura, que nos ofereceu as Forças Armadas – mas só depois de se sentirem abandonadas e mal-amadas pelas cabeças políticas da Ditadura Fascista. Foi o ‘fantasma’ de Goa que as assustou – e a percepção que já dormiam com ele na Guiné, e que haveriam a breve trecho de dormir com ele em Moçambique…

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:33


Abril em Portugal

por Maria Suzete Salvado, em 29.04.12

E já se vai o Abril, para dar lugar ao Maio, que como tudo, começa no 1º.
Antes que termine o Abril, busco algumas lembranças da minha adolescência, já tão distante. Abril era cantado com uma música muito conhecida, com letra adaptada e intitulada “Avril au Portugal”. Eu não entendia porque é que o meu país tinha tido a honra de ser cantado com a língua de Paris. Realmente “Abril em Portugal “ soava mais simplório, mais provinciano. Em francês era mais giro. Comecei por pensar que era por tanta gente da nossa terra estar em Paris. (Assim como pensava que nos filmes de cowboys, quando diziam “mãos no ar”, era para darem um tiro em cada mão).
Mas pouco me demorava nesses pensamentos pois em Abril havia a feira e os divertimentos que vinham com ela. Depois começavam os dias bonitos e já podíamos passear com os rapazes avenida acima, ou estar na esplanada durante o tempo que o dono do café achasse que valia o consumo que tinhamos feito. Aí, nunca era muito tempo, pois quase todos tinhamos o dinheiro de bolso que daria para um café ou um bolo, apenas.
Só que de vez em quando era alertada por alguma conversa diferente, como “o Jornal do Fundão teve problemas com a pide”, “o Sr Armando Paulouro foi incomodado pela pide”, “cuidado com fulano que é informador da pide” e eu perguntava ao meu pai o que se passava.O meu pai não queria que nós falássemos disso e advertia-nos com ar grave. Vieram eleições e achei entusiasmante, mas as pessoas não acreditavam nelas e diziam “votar para quê? Eles não os deixam ganhar”. Então pensava que as eleições eram como uma luta de boxe com golpes baixos.
Mas as pessoas encontravam sempre forma de ter esperança e ficaram cheias dela quando Salazar caiu de maduro e deu lugar a uma maçã da mesma árvore. Tudo parecia mudar, mas eu começava a desconfiar que era mesmo só de nome, mudar de Salazar para Caetano, de pide para dgs, etc.Tive a certeza, quando o meu irmão Tonô, que estava na Faculdade de Direito em Lisboa e vivia comigo, chegou a casa cheio de hematomas provocados pela polícia de choque, que invadira a Faculdade e desancara a “estudantada revolucionária”.
Aconteceu Abril em 1974, e a 25 eu não sabia se era para continuar a ter medo, se era para festejar. Mas o 1º de Maio veio dar-me a resposta e aprendi com o passar do tempo, que era mesmo para festejar.
Este mês de Abril de 2012, o noticiário abriu com a comemoração do aniversário do ditador e cerca de dezena e meia de portugueses, junto à sua campa, tinham ar consternado. O meu encolher de ombros daria por encerrada a notícia, se não fosse a surpresa de ver quem discursava, baixar o papel onde lia o que lhe ia na alma e levantar o braço, em saudação fascista, com orgulho.
Foi como se me desse uma bofetada. Por segundos, voltei a ter medo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:36

Discurso do Coronel Vasco Lourenço, no Rossio, no dia 25 de Abril de 2012

"Companheiros e companheiras de Abril:
Aqui estamos nós, mulheres e homens de Abril, a comemorar o “dia inicial, inteiro e limpo”, o dia em que se abriram as portas a todos os sonhos!
Fazemo-lo no local próprio, face à situação a que chegou o nosso país. Fazemo-lo numa perspectiva de festa pela acção libertadora, mas também numa perspectiva de luta pela realização dos ideais e valores que há 38 anos nos lançaram na procura de uma sociedade mais livre, mais justa, mais solidária.
Há 38 anos, os Militares de Abril pegaram em armas para libertar o Povo da opressão e criar condições para a superação da crise que então se vivia.
Fizeram-no na convicta certeza de que assumiam o papel que os Portugueses esperavam de si.
Hoje, não abdicando da nossa condição de cidadãos livres, conscientes das obrigações patrióticas que a nossa condição de Militares de Abril nos impõe, sentimos o dever de tomar uma posição cívica e política na defesa dos mesmos valores de Abril que enformam a Constituição.
É a mesma ética e moral que nos conduziu em Abril que no-lo impõem!
Fazemo-lo, não apenas, como militares, mas sim como cidadãos de corpo inteiro, que querem contribuir para pôr termo ao “estado a que isto chegou”, como diria Salgueiro Maia.
Temos de ser capazes de vencer o medo, a apatia, o conformismo, a inevitabilidade com que nos querem amarrar. Temos de ser capazes de dizer não ao actual estado de coisas e voltar a sonhar!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 02:34

Nas passadas comemorações do 25 de Abril, elenquei uma série de factos muito positivos que foram uma consequência mais ou menos directa do 25 de Abril: a paz, as eleições livres, a liberdade de expressão, o serviço nacional de saúde, o ensino público e universal, as infra-estruturas e os direitos dos trabalhadores. 
Passado apenas um ano, quase todos estes factos positivos estão a ser alvo de uma campanha de destruição sem precedentes na nossa democracia. 
O governo que os portugueses elegeram a 5 de Junho do ano passado, depois de uma campanha de mentiras, tem uma visão do mundo ultraliberal e vê a austeridade que está a impor aos portugueses, mais austera do que a tróica queria impor, como um caminho para a expiação dos nossos pecados. Não é preciso uma bola de cristal para perceber que não é este o caminho que nos levará a bom porto. Veja-se nos países da nossa comunidade europeia. Tudo começou na Grécia, depois Irlanda, Portugal, Chipre, Espanha, Itália e agora, imagine-se, até a Holanda enfrenta problemas. Sempre a mesma doença, sempre mesma cura, sempre o mesmo egoísmo, sempre as mesmas explicações domésticas simplistas e demagógicas. E as consequências? Mais austeridade e o tumor a aproximar-se perigosamente do centro nevrálgico europeu.
Dizem-nos que não há dinheiro para redistribuir, que os contractos são para cumprir. Mas há contractos e contractos, não é verdade? Há os contractos com cidadãos, os mais frágeis, divididos e iludidos por uma comunicação social que não informa, mas que é mero veículo de uma propaganda ignóbil. Depois há os outros contractos. Contractos com as parcerias publico-privadas. Contractos com agiotas. E as desigualdades sempre a aumentar. 
As ideias que agora estão a implementar, como o fim dos direitos dos trabalhadores, a destruição do ensino público e a destruição do serviço nacional de saúde, eram ideias implícitas no discurso de campanha de Passos Coelho e companhia, discretas, como convinha, mas presentes.
Hoje, dia 25 de Abril de 2012, 38 anos depois do dia da revolução, gostaria de vos falar em particular sobre as privatizações que estão a ser feitas em Portugal. A venda ao desbarato dos serviços e empresas públicas portuguesas, muito mais do que um crime económico, são uma verdadeira ameaça à democracia. 
A democracia em Portugal já é muito frágil, fruto de uma enorme desigualdade social e económica, de uma cada vez maior falta de participação dos cidadãos na vida política e de um número cada vez maior de crentes num discurso demagógico anti-políticos e anti-política que de certa forma legitima o sucesso do poder económico em detrimento do poder politico. 
A venda a privados, estrangeiros ou portugueses, a empresas ou a outros países da nossa rede eléctrica, da nossa energia, da nossa água, dos nossos correios, dos nossos transportes, das nossas estradas, das nossas telecomunicações, da nossa saúde, das nossas pensões, do nosso ensino, para além de alienar fontes de financiamento para as funções sociais do estado, aliena também o poder daqueles que são eleitos democraticamente pelo povo.
Com este esvaziamento do estado, para onde vai o poder? Para governo eleito, para o povo, não é. Este poder vai para a roleta dos mercados, para accionistas anónimos. Os movimentos internacionais que contestam estas políticas já perceberam isso muito bem. Nos Estados-Unidos, por exemplo, não vemos grandes manifestações frente à Casa Branca. As maiores manifestações têm ocorrido precisamente frente a Wall-Street.
Sim, 38 anos depois de Abril, a Democracia está em risco. Em Portugal e no mundo.
Um estado só faz sentido se for social, se o estado não serve as pessoas então para que serve? Querem transformar os serviços do estado numa empresa de segurança dos ricos e numa mega sopa dos pobres para os miseráveis? 
Mas ao contrário do que apregoam, nada disto é inevitável, e sobretudo, para nosso bem, nada disto é irreversível: a Argentina acabou de nacionalizar o seu petróleo.
Muitos eleitos, já hoje, têm um poder muito limitado, por exemplo, no poder local, já quase nada é possível, tal é a asfixia financeira em que se encontram as freguesias e os concelhos. Mas esta asfixia é propositada, centraliza as decisões e, por exemplo, retira poder aos autarcas para a discussão da reorganização do poder local que este governo quer impor.
No dia 25 de Abril de 1974, há 38 anos, um conjunto de homens valentes deitou abaixo uma ditadura de 48 anos e iniciou uma democracia no nosso país. Hoje, para manter o sonho de uma sociedade mais justa, mais solidária e mais desenvolvida em Portugal, não é necessária tanta valentia, basta não ficarmos calados e quietos. Por favor, venham para a política, inscrevam-se em partidos, formem partidos, obriguem os partidos de esquerda a ser uma alternativa real de poder, obriguem os sociais-democratas que existem no PSD a fazerem-se ouvir, ou organizem-se de alguma forma. Por exemplo aqui no Fundão um grupo de cidadãos uniu-se através das redes sociais e organiza Tertúlias abertas a quem quiser Ouvir e Falar. A primeira já foi, e a segunda vai ser aqui na praça do Município no dia 29 de Junho. Os mais cépticos podem pensar que isto de nada serve, mas é falso. Ficarmos quietos e calados é que de nada serve.
Como disse Salgueiro Maia “O difícil está feito, e o impossível só leva mais tempo”
Viva o 25 de Abril!

Catarina Gavinhos [Assembleia Municipal do Fundão, 25-04-2012]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:34

Cavaco Silva nunca ostentou um cravo vermelho ao peito. Porque será ?

Não gosta de cravos na lapela? Não gosta da cor? Mesmo assim seria dificil compreender que razões tão rasteiras o levem a esquecer o símbolo.

Ou será que não gosta do que representam ? Não gosta do 25 de Abril, o dia da Liberdade? O dia que o tirou de um cinzento gabinete como tantos outros no Banco de Portugal e o guindou a Ministro, Primeiro Ministro e Presidente da República?

Porque o faz tão ostensivamente? Para se afastar da população que o elegeu cinco vezes? Porque o cravo é usado alegremente por homens e mulheres que todos os dias se levantam para irem trabalhar e ganharem uma miséria, fruto das suas políticas?

Ou será que Cavaco Silva é aquele tipo de pessoa que odeia a alegria, a esperança e quem as teima em viver? Que a vida não é mais que aquele ar de quem carrega o mundo e o saber todo ( nunca me engano e raramente tenho dúvidas).

Para mim Cavaco Silva não usa o cravo porque faz parte da imagem que sempre vendeu. Está acima dessas coisas banais e vulgares. Usar o cravo de Abril seria condescender num gesto com calor humano. Nunca Cavaco o fará!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00


Foi um grande desfile

por Ariel, em 26.04.12

Não assisti às comemorações do 25 de Abril da Assembleia da República. Quando de manhã liguei a televisão já decorria a cerimónia, mas eu decidi que não ia perder muito tempo com aquilo. Mal vi o friso do governo engalanado de cravo ao peito, foi com dificuldade que não vomitei o cereais do pequeno-almoço.  De forma que desliguei o aparelho, equipei-me e fui para o ginásio. Em boa hora o fiz, já que o senhor Silva, sem um pingo de vergonha na cara, não voltou a falar em "limites para os sacrifícios".

Cheguei ao ponto de encontro na Av. da Liberdade pelas 15:00, chovia, fazia um vento frio e instalou-se uma invernia como há muito não me lembrava neste dia. Nada que esmorecesse ou desmobilizasse os muito milhares que desfilaram até ao Rossio. Foi um grande, grande desfile.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:02


Uma gaivota voava voava...

por Rogério Costa Pereira, em 25.04.12

Francisco, não acredito que esta lembrança me venha de '74. Tinha dois anos, então. Talvez de '75. Seja como for, é a minha primeira memória de Abril.

Ontem, andaste pelas ruas de Abril connosco, perguntando-me de quando em vez "são estes os homens maus, papá?". Não, meu filho, e talvez te tenha falado demasiado dos homens maus. Mas aqueles! não eram os homens maus.

Quando puderes perceber isto, saberás quem são os Homens Bons.

Minha vida, meu Abril.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:59


25 de Abril - Junta de Salvação Nacional

por Luis Moreira, em 25.04.12

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:50


Canções de Abril

por Luis Moreira, em 25.04.12

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:30

Abordar Abril sem falar dos clichés do cravo, da liberdade, do querer, do povo na rua, dos capitães, é difícil, mas não é impossível.

Abril e o seu vigésimo quinto dia são cada vez mais uma data longínqua. Na memória dos tempo perdem-se a vontade, o querer, os gritos, as músicas, os poemas daqueles momentos, mas também a dor de quem sofreu, de quem lutou, de quem ousou afrontar um poder instituído, uma guerra, uma noção de país parado no tempo.

Abril e o seu vigésimo quinto dia são hoje marcados por desfiles, com uma chaimite vilipendiada do seu verde azeitona por cravos mal pintados e “vivas abril” a deambular pelas ruas de Lisboa. Com sorte Abril é também uma sessão na Assembleia da República em que os discursos versam o mesmo de sempre e o grande destaque talvez seja a ausência do cravo na lapela de algum casaco ou a ausência de alguém.

Abril é também Grândola e um monumento à entrada da sua cidade em que pouco ou nada possui de bonito. Mas também ainda não vi um monumento a celebrar a conquista de tantos que seja verdadeiramente bonito. Abril não deveria ser bonito?

Porém abril talvez seja um piquenique familiar.

Abril não é ensinado nos bancos da escola da forma que deveria ser.

Abril é, para um jovem, um feriado, nada mais do que um simples feriado. É uma noite de copos. É uma manhã, ou principio de tarde, de cama, com sonhos preenchidos pela última loira, física ou líquida.
De Abril tanto ficou por fazer. De Abril ainda muito há a fazer.
Um Abril cada vez mais necessário. O modelo político/democrático necessita claramente de mutar, de evoluir. Para quando a eleição de nomes e não de partidos. Para quando o fim da brincadeira na casa da democracia portuguesa e lá estarem presentes realmente os representantes diretamente eleitos e não alguns nomeados nas listas e jogos das tricas políticas que nada conhecem da região pelo qual foram eleitos? 

Isso seria Abril. Voltemos aos sonhos, voltemos aos de sempre e assim continuemos.

Se tantos anos vivemos em perfeita calma e tranquilidade durante o Estado Novo, mais anos viveremos em perfeita calma e tranquilidade com o estado actual até Abril.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:30


25 de Abril, no Fundão

por António Filipe, em 25.04.12

É assim, todos os anos, no Fundão. Há trinta e sete anos. Sem interrupções. Algumas dezenas de pessoas reúnem-se na Praça do Município e, quando soam as 12 badaladas da meia-noite no relógio da Câmara Municipal, iniciam uma marcha de cerca de uma hora, percorrendo algumas ruas do Fundão, cantando “Grândola, vila morena”, com acompanhamento de uma banda. Que maneira bonita de iniciar o Dia da Liberdade! Que maneira bonita de mostrar ao mundo que o 25 de Abril está vivo no Fundão!
Alguns políticos só aparecem em anos de eleições. Mas o povo, esse está lá sempre. Com chuva ou com frio, mais dez menos dez, as pessoas que realmente contam estão presentes. No final, sempre ao som da banda, canta-se o Hino Nacional. E, por vezes, ouvem-se gritos de “25 de Abril, sempre!” e “Fascismo, nunca mais!”.
Para o ano há mais. De certeza.



Arruada do 25 de Abril de 2012, no Fundão


 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:16

 O 25 de Abril  de 1974, prestes a comemorar 38 anos, enquadrou-se numa situação geral em que o fim do fascismo, o fim da guerra, a ideia do socialismo e a iniciativa popular estavam intimamente ligados quer do ponto de vista político, quer ideológico, quer da consciência da massa - as lutas contra a guerra do Vietname, o Maio de 68 (em que a luta dos estudantes e, depois, do proletariado, sacudiu a canga ideológica e partido-sindicalista vigentes), a luta da OLP e na América Latina, tinham aberto brechas fundas na concepção burguesa de que o capitalismo é regulável, é o pai da democracia e dos direitos humanos e que a representatividade resolve tudo. 
A luta popular, obrigando os militares, teoricamente no comando, a dar passos maiores que as pernas, levou ao que se chamou a divisão do MFA. Sublinhe-se que, para a intelligentzia da época, só os militares que apoiavam conscientemente ou não (?) o PS e a direita não eram considerados partidários.
As tropelias do PREC consistiram na luta pelo apoderamento dos direitos de cidadania:
A partir do verão de 75 a burguesia liberal e a social-democracia estavam a retomar as rédeas da carroça e apenas restava um obstáculo que, embora intrinsecamente pouco importante, no contexto do PREC era intransponível por métodos democráticos: as poucas unidades que se mantinham abertas à osmose entre movimento popular e o dos soldados – motor de toda as conquistas sociais e democráticas - dificultavam o grande objectivo militar do MFA desde «o dia inicial»: tropas nos quartéis à espera das ordens do primeiro Spínola que saltasse outra vez. Daí o 25 de Novembro da sagrada aliança “Nove”-PS-PSD-CDS- bombistas, CIA, serviços secretos alemães e franceses. 
O 25 de Novembro aliviou a social-democracia da pressão popular e permitiu-lhe liderar, durante algum tempo, o processo de instalação das estruturas económico-ideológico-políticas que iriam impor o neoliberalismo em todo o esplendor do cavaquismo. 
A revolução popular de Abril não tinha, de facto, condições para ir mais além. A social-democracia, de facto dominante, mantinha-se, como pensamento e prática política, vocacionada para garantir que o trabalho devia aceitar a exploração e imposições do capital como forma de garantir a democracia. Assim, o PSD passou a ser o grande e duradouro, em união ou em oposição, aliado do PS na defesa do regime e da sua subordinação à NATO.
Entretanto o PCP jogava o seu papel de representante dos interesses nacional-internacionalistas da URSS, um pé no governo outro no movimento popular, e os partidos à esquerda, cheios de entusiasmo posto na luta, tinham uma percepção geral marcada pelas ortodoxias que se aproveitaram de 1917 e das suas sequelas, ideologicamente capturados e sem resposta para a realidade decorrente da II Guerra Mundial. 
Da crise de 73 resultou que o capital deixou de poder tolerar algum bem-estar do trabalho tendo o neoliberalismo liquidado as ilusões social-democratas na sua bonomia. Mas a resposta foi a capitulação. O PS perdeu o pé, fechou tudo o que pôde na gaveta e deitou fora a chave. 
Durante o PREC, a derrota do fascismo, o fim da guerra e a irrupção do movimento popular obrigaram a social-democracia e mesmo os liberais do PSD e os democratas cristãos do CDS a mostrarem-se mais à esquerda para não serem cilindrados. O próprio Mário Soares confessou ainda muito recentemente na série de entrevistas à RTP que o PS foi obrigado a tentar esconder a sua real configuração ideológica apresentando-se mais à esquerda do que aquilo que lhe competia.
A surpreendentemente abrangente revolução de Maio de 68, numa sociedade europeia aparentemente auto-satisfeita, deixara dependuradas do pau da roupa as ideologias de esquerda reinantes (ao contrário do que diz a direita que lhes atribui papel marcante assim como vulgata pseudo-marxista) e pôs a civilização burguesa debaixo de fogo (cf. António José Saraiva). Portanto não é de estranhar a quase obscena ausência de referências ao Maio de 68 pelas esquerdas durante o PREC.
A social-democracia, sustentáculo do sistema capitalista democrático, esteve ausente das movimentações mundiais do Maio de 68, nomeadamente em França onde toda a sociedade atravessou uma comoção solidária com a revolta estudante e operária. E quando a greve geral na França de 68, a maior a que o século vinte assistiu, parou 10 milhões de trabalhadores da cidade ao campo, obrigando De Gaulle a preparar a intervenção militar às ordens do torcionário general Massu, não hesitou em abraçar a solução de eleições gerais como escapatória que foi decisiva para a derrota do movimento às mãos dos partidos do sistema incluindo o PS e o PCF tendo este último obedecido aos apelos de De Gaulle para esvaziar a participação proletária na revolução que já sabotara. Ao PCF e também ao PS interessava não o desenvolvimento da luta anti-capitalista mas os réditos eleitorais que, em especial o PCF, vieram de facto a obter. 
A social democracia depois da II Guerra Mundial é, na realidade, parafraseando José Régio à rebours, filha de um pacto entre o Plano Marshall e a NATO. As condições criadas pelo investimento norte-americano na reconstrução da Europa destroçada, permitiram ao capital surpreender-se com o seu próprio entusiasmo pelo aprofundamento da democracia alicerçada na irrupção radiosa do Estado social.
Para a social-democracia, a democracia nasce de uma boa relação entre o capital e o trabalho e não da luta popular. Daí o pavor do PS durante o PREC que Mário Soares não se cansa de anatematizar, apesar de a luta popular ter como objectivos fundamentais as reformas que a social-democracia teoricamente preconizaria. E esquecendo que a Constituição que tanto gosta de citar, se deve exactamente a essa luta.  
A social-democracia, hoje, perante a brutalidade dos seus aliados, não encontra outra resposta que não seja a crítica de circunstância, como diria o velho Luís Pacheco, incapaz ideologicamente e pelos interesses rapaces que foi abraçando, de arranjar uma resposta ancorada na transformação social. Desde a assinatura do acordo com a troika, fundador da instauração do anti-Estado social e do retrocesso civilizacional a que assistimos, até à patética abstenção violenta e à irrisória adenda ao tratado orçamental, é toda a evidência de uma capitulação antiga.
É, pois, incapaz de se posicionar hoje numa frente de luta que exige o corte com a troika, a auditoria à dívida e a sua renegociação, para libertar o povo português da espiral assassina.
Qualquer reforma consistente, por mais elementar e óbvia que seja, exige um empenhamento corajoso na luta anti-capitalista. O PS, se dermos crédito ao sempre interveniente Mário Soares, está mais a precaver-nos para uma luta antifascista (“O retorno do fascismo”, DN, 17 de Abril 2012) que abre sinal para a unidade em defesa de um regime que o capital financeiro já se encarregou de liquidar.
O que precisamos de facto é de juntar forças para lutar por um Estado de direito socialista que aproxime o trabalho do seu destino histórico e ético: tomar conta da economia. 
E viva o 25 de Abril!

Mário Tomé

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:00


Onde é que eu estava no 25 de Abril?

por António Filipe, em 25.04.12

No dia 25 de Abril de 1974 estava a cumprir o serviço militar no quartel de Lanceiros 2, na Ajuda, em Lisboa, como polícia militar.
Pouco mais de um mês antes, a 16 de Março, tinha havido uma tentativa de derrubar o regime fascista, a que só o Regimento das Caldas tinha aderido. Por serem poucos, estes militares foram facilmente interceptados à entrada de Lisboa e alguns ficaram presos no RAL1, donde só sairiam no dia 25 de Abril.
Sendo eu polícia militar, fui destacado para aquele quartel, para ficar de guarda aos militares que tinham sido presos. Como já andava nas lutas antifascistas há alguns anos, aproveitei a oportunidade para tirar algum partido da situação. Como é óbvio, não foi tarefa fácil conquistar a confiança daqueles militares. Mas, cerca de duas semanas depois, com todo o cuidado que era exigido na altura (nem nos próprios colegas se podia confiar), consegui convencer alguns de que estava do lado deles. Cedo me apercebi que o General Spínola estava, de certo modo, envolvido naquela intentona. Coisa que não me agradou muito, mas nem por isso deixei de me interessar pelos acontecimentos. Spínola tinha escrito o livro “Portugal e o Futuro”, cuja publicação tinha sido autorizada por Marcelo Caetano um ou dois meses antes, o que, só por si, gerava algumas suspeitas. Na realidade, Spínola não era a favor da independência dos povos colonizados, embora defendesse o fim da guerra colonial. Era, antes, apologista de uma espécie de federação, em que as colónias continuariam a fazer parte de Portugal. De qualquer maneira, o livro, que, se bem me lembro, esgotou imediatamente, serviu para despertar muitas consciências, tanto nos meios militares como civis. Como gerou alguma polémica, era tema de discussão à mesa do antigo café Monte Carlo, onde se reunia muita gente de esquerda e que, de vez em quando, era alvo de rusgas. Acho que Marcelo Caetano, ao autorizar a publicação do livro, tinha em mente dar a ideia de que havia alguma liberdade (não estivéssemos nós na chamada Primavera Marcelista). Mas teve azar. Virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Mas, adiante.
Devido a várias conversas com os militares detidos no RAL1 e com os quais consegui travar alguma amizade, foi possível aperceber-me que aquilo não ficava por ali. Que, mais tarde ou mais cedo, uma outra tentativa de derrubar o governo iria ter lugar. E, com o passar dos tempos, fiquei convencido, que, à segunda volta, iria ser bem-sucedida. Era evidente que o povo já estava farto e que bastava um pequeno rastilho para provocar um grande fogo. Por esse motivo, a partir do início de Abril, passei a dormir no quartel, coisa que não fazia já há muito tempo, a não ser que estivesse de serviço. Sempre à espera que, em qualquer altura, alguma coisa acontecesse.
E aconteceu. Por volta das 3 da manhã do dia 25 de Abril, fui acordado bruscamente por um colega (ou “camarada”, como era hábito chamar-se). Note-se que este colega era também camarada da luta antifascista.
- Acorda, Filipe, há um golpe de estado!
- E quem é que está à frente disso? – perguntei, já adivinhando a resposta.
- Consta que é o Spínola.
Como estava cheio de sono, pois tinha adormecido cerca de duas horas antes, respondi, com tom irónico:
- Então, deixa-me dormir, porra.
A verdade é que, quase ao mesmo tempo que dizia isto, levantei-me e comecei a indagar sobre o que tinha acontecido. Havia poucos pormenores. Na rádio já se ouviam indícios de que alguma coisa estava a acontecer e começavam a ser transmitidos comunicados do MFA. Mas os pormenores eram poucos, embora já se ouvissem muitas canções do Zeca Afonso, Letria, Adriano, José Mário Branco, etc. Seja como for, vivi aquele dia intensamente e com alguma esperança de que as coisas iriam mudar.
O comandante de Lanceiros 2 não se queria render. A porta de armas continuava fechada. Cá fora, na Calçada da Ajuda, uma multidão exigia a nossa rendição. Foi-nos transmitido pela população que, nas ruas de Lisboa, reinava o caos, principalmente porque o povo já não respeitava a polícia civil e havia pouca polícia militar na rua. Por isso, era imprescindível que saíssemos do quartel o mais depressa possível. Passámos toda a manhã no quartel, com as portas fechadas. Centenas de homens frustrados, como prisioneiros, na parada, sem saber o que fazer. Discutiam-se todas as hipóteses. As dúvidas eram muitas. A esmagadora maioria apoiava o golpe. O sentimento de impotência era constrangedor. Os fascistas ainda conseguiram usar o quartel para servir de refúgio aos ministros do exército e da defesa. E foi na tarde do dia 25 de Abril, por volta das 3 horas, que assisti à cena mais impressionante e aquela que mais me marcou em todos os eventos que se seguiram: como os ânimos dos militares de Lanceiros 2, principalmente de um ou dois capitães, dos alferes, dos furriéis e praças, já estavam muito exaltados devido ao facto de o comandante não se render, o governo fascista, ainda em funções, decidiu que seria mais seguro retirar os ministros refugiados naquele quartel. Um helicóptero pousou na parada para levar os ministros para outro lado (suponho que iam para Monsanto). Ao mesmo tempo que os dois ministros se dirigiam para o helicóptero, começámos todos a ir ao paiol, arrecadação onde eram guardadas as armas e munições, e, contra todas as regras e sob o protesto do 1º cabo que aí estava de guarda, fomos buscar todo o tipo de armas que encontrámos, principalmente, metralhadoras G3 e pistolas Walter. Éramos mais de 400 homens. Dirigimo-nos para o helicóptero, rodeando-o. Quando o helicóptero levantou voo, ouviu-se um som que eu nunca tinha ouvido antes e que ficou na minha cabeça durante muito tempo: o som de mais de 400 armas a carregar as balas ao mesmo tempo. As armas foram apontadas para o helicóptero. Mas nenhum militar teve a coragem de disparar. Se só um tivesse disparado, seriam centenas de balas a atingir o helicóptero. Entretanto, já nos tinha chegado aos ouvidos que, no Cristo-Rei, se encontrava um ou mais carros de combate com os canhões apontados para o nosso quartel e prontos a disparar, caso não se concretizasse a rendição. Quando o helicóptero se afastou, reparo que, ao meu lado, um furriel chorava como um bebé. A revolta era enorme. A frustração indiscritível. Abracei-me a ele, ao mesmo tempo que, aos soluços, me dizia: “Temos que fazer qualquer coisa. Armas já nós temos.” Foi nessa altura que, acompanhados de um capitão e um alferes, nos dirigimos ao quarto do comandante para o obrigarmos a render-se. A tarefa foi mais fácil do que tínhamos pensado. O “velhote”, logo que viu 4 armas apontadas para ele, telefonou para a porta de armas, dando autorização para abrir as portas do quartel. Não sei o que se passou depois com o comandante, porque só me lembro que, ao ouvir o telefonema, saí a correr para a parada, gritando: “Já se rendeu, já se rendeu!”. A confusão foi grande e só depois de várias peripécias e mais de três horas passadas é que as portas do quartel se abriram. E o cenário foi deslumbrante! Ao som das palmas de centenas de pessoas que se encontravam na Calçada da Ajuda e dos gritos de “O Povo está com o MFA!”, os jipes e outras viaturas da Polícia Militar, iam saindo do quartel. Uns para patrulhar as ruas, outros para o Quartel do Carmo e para outros locais onde eram necessários. A mim calhou-me ir para junto da sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso. Só sei que passei a noite, no Largo de Camões, quase sempre debaixo de um Unimog, para me proteger dos tiros que, esporadicamente, eram disparados do telhado da sede da PIDE.
Não fui a casa durante quase uma semana. Ia ao quartel, uma vez por dia, tomar um banho e dormir umas (poucas) horitas. Todo o tempo era pouco para andar na rua, no meio da multidão, que nos tratava com um carinho que nunca mais senti. Comida não faltava. O povo trazia-nos tudo, desde sopa a feijoada, embora nós insistíssemos que só queríamos sandes, porque eram mais fáceis de comer em andamento. E, caso curioso, quando agradecíamos, a resposta era quase sempre a mesma: “Nós é que estamos agradecidos”. O primeiro “Dia do Trabalhador” em liberdade (1º de Maio) foi um dia memorável. Nunca tinha visto tanta gente nas ruas. E, mais importante, nunca tinha visto tanta alegria e tanta força popular. A panela de pressão tinha rebentado. O poder era, nitidamente, do povo.

E o resto é história.
E muitas histórias se passaram nos dias e meses seguintes. Só não as conto agora, porque esta crónica já vai longa e não quero maçar muito. Talvez para o ano, continue. No mesmo local, no mesmo dia e à mesma hora. Se, entretanto, o governo, se ainda lá estiver, com a ajuda da “abstenção violenta” do PS, não decidir aplicar “uma revolução tranquila” a esta Pegada.
Viva a Liberdade! Viva a democracia!
25 de Abril, sempre!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:15

Isto é quase sobre o 25 de Abril

por Miguel Cardoso, em 25.04.12

 

Andava eu pelos quinze anos e corria 1988. Frequentava o décimo ano do curso de Humanidades e era uma sala cheia de mulheres, cinco tipos para cerca de vinte raparigas. E isso era bom.

Cresci numa família em que a política sempre esteve sentada à mesa e os adjectivos não se poupavam aos seus piores intérpretes, aqueles que se iam anafando com o poder sem ligar pataco ao povo eleitor. Dia-sim-dia-sim, uma discussão com o meu pai, egocentrismo adolescente versus cristalização de ideias própria da idade adulta, luta de titãs, iludia-me eu, na realidade, apenas arrogância e euforia do puto que dava os primeiros passos no uso da razão. Mas isso sei eu agora e sabia já ele na altura. Falta-me ele e a sua argumentação irritante. Haveria de achar piada a esta coisa amorfa que vivemos, penso que podia até, veja-se bem como o mundo é composto de mudança, dar-lhe razão, pelo menos numa coisa ou outra menos importante. Nunca dei o braço a torcer. Gosto de pensar que nisso sou parecido com ele. E sinto que isso é bom.

Por essas e por outras, o 25 de Abril nunca me foi estranho, tal como o antes e o depois e o entendimento do que significava a privação de liberdade e a conquista da mesma.

O passado é uma coisa mutante, uma mescla de realidade-que-já-não-é com imaginação-criativa-e-tendenciosa-que-gostávamos-que-fosse. Ainda assim, tenho em mim a imagem, mais ou menos distinta, de uma turma de Humanidades curiosa e interventiva. Havia pessoas com ideias e convicções, não tão boas como as minhas, claro está, mas estavam lá e havia luta. E isso era bom.

Calhou-me em sorte uma professora de Filosofia demasiado jovem que volta e meia se esquecia dos rapazes numa turma que era um mar de raparigas e embarcava por conversas e gestos que, mais não fosse, nos traziam de volta da Lua à sala de aula. E isso era bom. No ano seguinte, o azar compensou-nos com um professor de formação padreca.

Sentado na última carteira, com vista para a rua incluída no pacote, a atenção era só a necessária. Ao meu lado estava o Nuno, dois anos mais velho e a mesma atenção. Já nos tínhamos cruzado, mas foi nesse ano que nos conhecemos. Na teoria, trazíamos o manual em aulas alternadas, na prática acertámos meia-dúzia de vezes. Continuo a ver o Nuno de vez em quando, não convivemos, mas ainda o tenho como amigo. Acredito que ele pensará de forma semelhante. E isso é bom. Vou enviar-lhe este texto.

Numa dessas aulas de Filosofia, sei lá a propósito de quê, disse-me o Nuno que o seu pai tinha festejado o seu nascimento em plena Serra da Gardunha, às escondidas, com três ou quatro amigos de confiança. Que fazê-lo em casa era arriscado, não era dia de alegrias e festejos, mesmo a pretexto do berro para a vida do primogénito. Alguém ouviria e chamaria as autoridades. As paredes tinham mais ouvidos que hoje. E olhos também.

O Nuno nasceu a 27 de Julho de 1970, dia da morte de António de Oliveira Salazar. Faltavam quatro longos anos para o 25 de Abril, as pessoas ainda se confundiam muito quanto aos direitos e deveres e a liberdade era uma coisa estranha. Ainda hoje as pessoas se confundem quanto a isso tudo. E isso é mau.

Sei bem que há muitas outras histórias, bem mais importantes e sérias, terríveis, sobre a ditadura e o 25 de Abril. Mas a liberdade, ou a falta dela, também se constrói de pequenas coisas com significado. Um pai e a alegria escondida do primeiro filho. Coisas para não apagar nunca. Para que não volte a ser mau.

Nuno, gosto de pensar que ando perto da verdade. Faz de conta, que nem me digas o contrário, afinal, o passado é o que queremos fazer dele.

Como o 25 de Abril.

Como o futuro.

A jogada volta a estar do nosso lado.

 

(imagem)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:03

Saí de casa ali em Alvalade mal raiou o dia  e segui para a Baixa. Deixei o carro perto da Avenida da Liberdade e segui a pé. Soldados da GNR cosiam-se às paredes da Estação do Rossio observados por populares. Jovens militares em posição de combate nas esquinas.

Praça do Comércio onde se viam carros de combate. Omnipresente uma fragata no Tejo não sei porquê ameaçadora. Confirmei mais tarde que era mesmo ameaçadora. Á distância percebiam-se as movimentações. Soubemos mais tarde que um jovem soldado (hoje a viver na Figueira da Foz) tinha salvo a situação ao negar-se a disparar contra as tropas rebeldes.

A todo o troar das lagartas no asfalto para o Quartel do Carmo. Uma multidão. Chamou-me a atenção do desastre, que parecia eminente, a inexperiência dos soldados. A G3 que eu conhecia tão bem era manejada de forma pouco profissional. Procurei o comandante. Lá estava, percebia-se pela calma e determinação. Não gritava e tinha perto de si um círculo de militares com quem estabelecia a ligação hierarquia.

Os rumores é que Marcelo Caetano não se rendia. Salgueiro Maia manda disparar tiros de aviso. A tensão é de cortar à faca. Aparecem dois civis que após conversa breve com o capitão entram no quartel. A voz trovejante de Sousa Tavares faz-se ouvir de cima de uma "chaimite".

Depois tudo de desenrola muito depressa. Salgueiro Maia entra no Quartel para conversações. O aproximar do fim reforça a fúria na multidão. Spínola vem aí. Soube-se mais tarde que o combinado era Salgueiro Maia prender sem condições Marcelo Caetano. Não foi assim, evitar o derramamento de sangue foi um objectivo claro.

A "Chaimite" sai do Carmo debaixo de gritos e impropérios e com muitos populares a darem fortes murros na chapa da viatura. A última cena de um golpe militar fechava o pano daquele dia glorioso. Olhei em volta. A serenidade de Salgueiro Maia controlava a situação. Não tardaram a tratá-lo mal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:00


25 de Abril, Miguel Portas

por Rogério Costa Pereira, em 25.04.12

As palavras que eu tinha alinhavado para Abril estão de luto e não verão a luz do dia, mesmo porque os meus companheiros de pegada já disseram e dirão da Alma de Abril (que é a minha) e do Abril que lhes vai na Alma (que é o meu).

No que me toca, este meu Abril vai dedicado à memória de um homem e à lembrança da falta que nos fará o seu sorriso e a sua presença.

A sua calma e temperança.

Morreste-nos de corpo -- de corpo apenas --, mas pelo caminho que caminhaste deixaste-nos meio caminho andado.

"Mas quando é que o povo respira?", perguntavas. Em breve!, e com a tua sempiterna ajuda!, que Homens como tu a morte não leva.

Eterna saudade, Miguel. Abril (e não me resumo a este dia) é e será por ti.

Assim o fiz hoje, assim o farei no dia que está cada vez mais próximo.

Obrigado, Miguel.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:14


No dia em que Salgueiro Maia desceu à rua

por Luis Moreira, em 25.04.12

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:05


página facebook da pegadatwitter da pegadaemail da pegada



Comentários recentes

  • Anónimo

    Se você precisar de um serviço de hackeamento prof...

  • Anónimo

    Muitas pessoas disseram que os hackers invadiram d...

  • Anónimo

    SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO DE HACKING GENUÍNO E...

  • Anónimo

    SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO DE HACKING GENUÍNO E...

  • Anónimo

    SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO DE HACKING GENUÍNO E...

  • Anónimo

    SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO DE HACKING GENUÍNO E...

  • Anónimo

    QUERO HACKEAR UM BLOG!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Anónimo

    oi me explica mais siobre isso

  • Anónimo

    Necesita un préstamo urgente para revivir sus acti...

  • Anónimo

    SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO GENUÍNO E PROFISSION...


Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Pesquisar

Pesquisar no Blog