Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Há um grupo de burocratas não eleitos à volta de Merkel e Sarkozy que têm como missão tratar da saúde aos países em dificuldades.

"

A democracia é vista com desconfiança – até mesmo aversão – pelo Grupo de Frankfurt, tal como pelos mercados. Os pontos de vista pessoais de Juncker sobre os irritantes eleitores ficaram famosos, desde que expressou o problema da governação da seguinte forma: "Todos sabemos o que fazer, mas não sabemos como ser re-eleitos depois de o termos feito”.

Estamos agora a ver uma solução para o problema de Juncker: nomeiam-se vários dirigentes que, logo à partida, não foram eleitos e que não vão andar à procura de votos para nenhuma re-eleição – e põem-nos a fazer o que se pretendia."

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:00


Texto de Rolf Dahmer no jornal Vida Económica

por Luis Moreira, em 16.11.11

Desintegração ganha velocidade - um mal inevitável?

 

Este artigo de Rolf Dahmer que foi publicado na PEGADA aqui vai sair na próxima 6ª feira na VIDA ECONÓMICA! A não perder!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:00

"Na estratégia, decisiva é a aplicação." Napoleão Bonaparte

Hoje, globalizado, Napoleão diria: “It's the strategy, stupid!”

Antigamente quando tinhamos maus presságios, os mesmos ou nem sempre chegavam a concretizar-se ou então isso só acontecia muitos anos mais tarde. Hoje em dia, com a espiral negativa em andamento acelerado, os maus presságios materializam-se sempre e quase instantaneamente. E aqui temos um caso concreto daqueles, noticiado pelo jornal negócios online de 06.11.2011:“Operador alemão exige contratos em dracmas a hotéis gregos” Agora só cabe adivinhar o que o mais potente operador turístico alemão TUI, fará a seguir. Alguém falou de Portugal e de Escudos?

 


Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:00


Zona Euro - a varredela

por Luis Moreira, em 10.11.11

Alemanha e França já fizeram saber que atirar para fora da zona euro quem não quer lá estar ou aqueles que não podem lá estar é uma questão de tempo. Ninguém está disposto a pagar as contas, a não ser que seja obrigado a isso, o que não é o caso. Uma Europa a duas velocidades não é uma grande ideia , mesmo para aqueles dois países. Veja-se o que se passa com o México e os Estados Unidos. Estes gastam milhões a defenderem-se da invasão dos males mexicanos e, estes, passam a vida a dizer "tão longe de Deus e tão perto dos US".

Uma ideia maravilhosa, a União Europeia, germinada pela França que está farta de levar com os Alemães, numa tentativa de trazer paz para o centro da Europa, pode cair aos pés de uma miserável crise de gananciosos e de governos que andaram a "brincar ao ceguinho", durante trinta anos.

É uma notícia que terá consequências inimagináveis para o futuro! Oxalá a ponderação e o bom senso regressem!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00


Federação europeia - sim ou sopas

por Luis Moreira, em 03.11.11

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00


Saltamos ao mesmo tempo!

por Luis Moreira, em 31.10.11

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 10:00

O mundo às avessas na cimeira ibero-americana em Paraguay: pela primeira vez Espanha e Portugal se apresentam junto das suas

antigas colónias no papel de peticionários. Os outrora suprimidos fazem mostra de uma consciência do seu valor completamente nova. [artigo original em alemão]

"Os egoistas extinguem-se" Konrad Lorenz, 1903 - 1989, investigador de comportamento austríaco e Prémio Nobel de Fisiologia/Medicina 1973.

Esta grande vergonha é da União Europeia no seu todo e não apenas de Espanha e Portugal. Num sócio-sistema são e intacto, com objectivos claros e extrovertidos, essas coisas não acontecem. Assim, a UE mostra sinais claros de um processo acelerado de erosão sócio-económica, política e cultural, perdendo paulatinamente o respeito do mundo. Só uma viragem da UE para fora, no sentido da minha proposta estratégica New Deal, poderá inverter esta marcha, desbravando ainda o caminho para uma união política da Europa. Só assim todas essas cimeiras espectaculares e de emergência da UE e todos esses malabarismos financeiros farão sentido e um efeito positivo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:45

Crise financeira
„ Aqueles que em relação à crise financeira falaram precipitadamente de luz ao fundo do túnel, agora são obrigados a constatar que na realidade se tratou do comboio que veio em contramão.”

Peer Steinbrück – Ex-Ministro das Finanças alemão

Hoje vai a tradução de um mail que escrevi ao deputado federal alemão e Ex-Ministro de Finanças Peer Steinbrück*, um dos potenciais e mais prometedores sucessores da Chanceler Angela Merkel. O mesmo é, juntamente com o seu mentor, o Ex-Chanceler Helmut Schmidt (92), título do magazine DER SPIEGEL desta semana (ver abaixo). Título: “Ele é capaz” (afirmação feita pelo grande Helmut Schmidt). O meu mail deve ser entendido como um aviso ao possível futuro chanceler alemão, precisamente para lhe transmitir que palavras claras, precisas e de grande transparência, não chegam e é preciso que estas virtudes estejam associadas à arte de liderança cibernética – enfim: uma visão do mundo sistémica-holística que considera o TODO. * http://pt.wikipedia.org/wiki/Peer_Steinbr%C3%BCck

“O tempo do adiamento, das meias medidas, dos expedientes apaziguadores e frustrantes, dos atrasos,está a chegar ao fim. No seu lugar, estamos a entrar num período de consequências.” Sir Winston Churchill – 1936, discurso atacando o appeasement

Caro Sr. Steinbrück,

Já muito antes da sua presença de ontem no talk-show de Günter Jauch, não tinha dúvidas que o senhor, no meio do total desespero e da falta de liderança actualmente reinantes em Berlim, poderá ser eleito com elevada probabilidade como próximo Chanceler da República Federal da Alemanha. Oxalá que isto aconteça quanto antes e no quadro de eleições antecipadas, ou seja, antes que se cumpra a profecia da jornalista norte-americana Naomi Klein* de Fevereiro 2009 do "All of Them Must Go" - ¡Que se vayan todos!“

Na verdade desejava ainda que começasse a governar no paradigma velho – isto é, antes que tudo se desmorone – mas não continuasse o comportamento linear das últimas quatro décadas. É necessária uma abordagem sistémica-holística dos problemas. Neste contexto uma combinação entre palavras claras, transparentes e cheias de conteúdo de valor e a arte de liderança cibernética, constituem uma virtude – desde que essa última obedeça ao primado determinante dos factores imateriais-psíquicos, isto é, dos soft facts e não ao dos hard facts. Isto nos tempos de hoje constitui uma mistura imbatível. Apenas assim será possível parar o rápido declínio e resolver os crescentes problemas que se amontoam diante do nosso país e da União Europeia.

O que isto significa, queira depreender dos documentos anexos (carta a Durão Barroso, NEW DEAL e carta aberta à Chanceler Merkel). Os mesmos não contêm hipóteses vagas mas sim claras indicações de acção que depois de devidamente desenvolvidas devem ser testadas em pequenos passos consecutivos de baixo risco. Tudo segundo o lema trial and error and/or success. O que vale é o eco proveniente do grupo-alvo.

Desejo-lhe bom sucesso! Que a „parede“, à qual nos aproximamos sem travões e com uma velocidade vertiginosa, fique frustrada e intacta.

Com os melhores cumprimentos de Estoril/Portugal

* (...) It's taken a while, but from Iceland to Latvia, South Korea to Greece, the rest of the world is finally having its ¡Que se vayan todos! moment (...) Naomi Klein, in The Nation, February 23, 2009http://www.thenation.com/doc/20090223/klein?rel=emailNation

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:00


Não se governam nem se deixam governar

por Luis Moreira, em 23.10.11

As discussões entre a senhora Merkel e os outros dirigentes europeus têm basicamente a ver com um muito maior controlo sobre as despesas públicas de alguns países. Perda de soberania! Em certa medida é, mas não se pode pedir que nos salvem nas aflições para depois andarmos alegremente a gastar à fartazana.

O que aquele autarca de Mirandela veio mostrar foi isso mesmo, na primeira oportunidade fura-se a disciplina, ele acha que o governo é mau por tomar estas medidas mas ele, autarca, é bom e amigo dos seus conterrâneos. Como é que um credor pode acreditar em gente assim?

Ouve-se muita indignação mas nenhumas propostas alternativas, a não ser gastar mais que, não é alternativa nenhuma, pois não há dinheiro nem para pagar os vencimentos e as pensões.

Os militares fazem-se ouvir com estrondo, é da sua natureza, mas ninguém os ouviu quando se gastava e assinavam parcerias público privadas que são autênticos esbulhos a ponto de se colocar a hipótese de constituírem crimes contra o património do Estado.

Na Madeira, o Jardim acha que não se aplicam as medidas de austeridade e até alguns ministros recebem subsídios de residência quando têm casa própria em Lisboa. Numa palavra, a senhora Merkel é que tem a culpa disto tudo, não larga a massa.

Na Saúde, tal como aconteceu com Correia de Campos, a racionalização dos serviços é vista como derrota e já cresce o coro dos autarcas que podem ficar sem urgências. Até Cavaco, por uma vez, veio dizer em público o que só diz em privado.

Razão tinha o general Romano.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00


Os do Norte e os do Sul - os bons contra os maus

por Luis Moreira, em 09.10.11

Este é o maior problema que a União Europeia enfrenta. Os países do Norte da Europa acham que são os bons e os do Sul são os maus. Quem é que ajuda os maus a pagar as contas? Ainda se eles aprendessem, mas a seguir fazem o mesmo. E, um problema da dívida financeira soberana passou a um problema moral.

A comunicação social na Alemanha, Holanda, Finlândia, passou esta imagem que foi captada pela população.

Mas a verdade é que a Espanha, a Irlanda e, mesmo Portugal, com muitos erros à mistura, aumentaram a sua dívida para socorrer bancos e a segurança social. Todos fariam o mesmo.

Nos anos anteriores em Portugal, não cresceu a economia e cometeram-se muitos erros. É verdade, o modelo económico assente em ciclos de obras públicas , não sustentáveis e sem terem como objectivo a produção de bens transaccionáveis há muito que se tinha revelado um "flop", foi um desgraçado erro insistir em tal modelo. Mas quem é que não comete erros? Acharão aqueles países que por mais irresponsáveis que sejam os governantes portugueses já perderam a vergonha de andar com uma mão atrás e outra à frente? Ninguém quer um papel desses.

Mas quando a questão é colocada assim, eu sou bom, tu és mau, o obstáculo é praticamente intransponível! Não há discussão razoável com troca de argumentos procurando a solução ideal. A auto atribuída superioridade moral retira qualquer hipótese de solução.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 22:00


Como salvar a Grécia

por Luis Moreira, em 21.09.11

Recentes declarações de responsáveis da Alemanha indicam que se vai fazer o que é preciso para salvar a Grécia do incumprimento.

"Ao que tudo indica, Angela Merkel também não quer que a Grécia entre em incumprimento. Ao reconhecê-lo publicamente enfraqueceu a sua posição negocial. No entanto, é uma atitude racional. A Alemanha seria um dos grandes perdedores. O colapso da zona euro fragilizaria a sua economia. O mundo inteiro culparia a chanceler e esta ficaria para a História como a alemã de Leste que afundou a UE"

"Se Merkel estivesse verdadeiramente interessada em acabar com a crise grega, como prometeu, teria de capitular em diversas frentes. Se anunciasse o perdão parcial da dívida, a criação de ‘eurobonds' e de uma pequena união orçamental, aí sim, poria fim à crise. Ainda não chegámos lá, mas a lição a retirar da semana passada é que caminhamos nessa direcção."

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 10:00


Princípio Esperança por Rolf Dahmer

por Luis Moreira, em 06.09.11

Sublime esta caricatura! Vejam só, os actuais dirigentes das partes oriental e ocidental do antigo Império dos Francos olhando para trás, marcando passo e apostando no “princípio esperança”, enquanto a União Europeia está indo água abaixo.

 

Rolf Dahmer

 

http://www.youtube.com/watch?v=wxMeu34o_jQ&feature=fvwrel

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 10:00


Estados Unidos da Europa - as crises ensinam

por Luis Moreira, em 28.08.11

A ministra do trabalho Alemã defende a criação dos Estados Unidos da Europa.É importante porque a senhora será, muito provavelmente, a próxima Chanceler.

"A ministra do Trabalho alemã, a cristã-democrata Ursula von der Leyen, considera que a crise da zona euro só pode ser superada fortalecendo a união política do continente com a criação dos "Estados Unidos da Europa".

"O meu objectivo são os Estados Unidos da Europa, seguindo o exemplo de outros estados federais como a Suíça, Alemanha ou os Estados Unidos de América", afirma Ursula von der Leyen na edição de hoje da revista alemã Der Spiegel.

Uma união política permitiria, segundo a governante, unificar questões importantes em matéria de política financeira, fiscal e económica, "aproveitando as vantagens da dimensão da Europa".

Há cada vez mais sinais que a UE caminha no sentido do seu aprofundamento, o que é uma grande notícia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 14:00


UE-Lé-Lé

por joao moreira de sá, em 17.08.11
- Ainda há homens com tomates!
- Estás a falar do Barroso ou do Sarkozy?
- Estou a falar da Merkel.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:05


Vamos fazer assim...

por Rogério Costa Pereira, em 17.08.11

SSOB's
 ... Eurobonds só lá para o fim! Na recta final da integração europeia, diz o Público que dizem eles. Mas qual recta final? e a que integração europeia se referirá o tacões altos?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:54


Heil-lari-ló-lé-la

por joao moreira de sá, em 12.08.11

Se a Markel deixar crescer um bigodinho eu começo a assustar-me.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 11:00


Uma Visão clara para o Euro

por Luis Moreira, em 17.07.11

Um apelo publicado no Le Monde na sexta-feira passada e agora retomado por Teresa de Sousa no Publico.

 Apelo assinado por políticos lúcidos e com peso político próprio: Jacques Delors, Felipe Gonzalez, António Vitorino e Romano Prodi, entre outros. Os políticos de grande craveira têm esta capacidade de clarificar, resumir, tornar fácil, encontrar o que é estratégico. " O contágio já não pode ser afastado mesmo em relação a mercados absolutamente inesperados" diz o Financial Times.

 E o que dizem as personalidades que subscrevem o apelo? " Tudo isto se pode explicar pela ausência de uma visão clara do que está em jogo por homens políticos dispostos a empenhar o seu crédito". Esta visão deve assentar em quatro principios:

- não cabe aos contribuintes pagar o risco que os investidores acharam por bem correr quando fizeram investimentos que se vieram a revelar "maus investimentos".

- a Europa tem que ir bastante mais longe na regulação dos bancos e dos mercados financeiros e esforçar-se para que o mesmo aconteça a nível mundial.

- que se aprenda de vez que não é possível viver acima dos seus próprios meios, mas que a recuperação da situação daí resultante se faça em prazos realistas, evitando fixar "objectivos insustentáveis" que acabam por minar o apoio das populações e dos seus representantes eleitos.

- que se deve fazer tudo para evitar o "default" na Grécia porque ninguém conhece as reais consequências de tal facto.

Quais são então as soluções?

- solidariedade europeia que permita aliviar o fardo dos países em dificuldades; utilização dos fundos comunitários ou internacionais (eurobonds e não só) para recomprar dívida mais vulnerável .

Se esta crise for bem resolvida pode trazer no seu seio, os instrumentos que sempre faltaram a um projecto de zona monetária sem estado e sem orçamento. Rompeu-se o tabu à volta da palavra "Federal" e já se iniciaram discussões, não assentes em mitos mas numa realidade que é radicalmente diferente.

O vídeo mostra o caminho percorrido.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 19:10


Só uma Democracia Europeia nos salvará

por Luis Moreira, em 16.07.11

Somos muito pequenos para estarmos sozinhos, e quando digo somos, refiro-me à Europa que caminha , inexoravelmente, para a irrelevância. A China, a Índia e o Brasil juntaram-se ou vão juntar-se aos Estados Unidos.

O que se está a ver na Europa, com a Itália debaixo de fogo, mostra bem que o que está em causa está muito para além do Euro, de uma guerra de moedas. É uma transformação social e política de consequências imprevisíveis.

Foi mais ou menos assim que as Guerras Mundiais começaram. Trinta anos antes do seu inicio. E, a verdadeira tragédia é que não temos na Europa quem veja a trinta anos de distância.

Só uma Democracia Europeia, com eleitos a representarem os interesses dos povos e a serem responsáveis perante eles, vencerá a crise!

Sem legitimidade Democrática a União Europeia nunca imporá a sua voz aos egoísmos nacionais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 19:00


O tacho da culpa Germânica está vazio

por Rolf Dahmer, em 13.07.11

“(....) o nosso drama já não está na cobiça da Alemanha.

Está na sua indiferença.

 

João Pereira Coutinho, Colunista

Correio da Manhã 16 Julho 2011 - 02h16

A voz da razão :Culpas e desculpas

 

"Bons tempos em que a Alemanha era um poço de culpa. Nem podia ser de outra forma: depois de produzir duas carnificinas no século XX, a Alemanha foi obrigada a pagar.

Pagou em Versalhes – com o bolso e o orgulho. E pagou a ‘construção europeia’, chegando a abandonar o seu amado marco para poder reunificar-se em paz. Tudo isto é história – e da velha. Para começar, as actuais elites políticas germânicas, nascidas depois de 1945, olham para o passado com higiénica distância. E, para acabar, enganam-se os que pensam que a nossa Europa é vital para Berlim.

Com a emergência de novos mercados – na Ásia, na América Latina e, sobretudo, na vizinhança de Leste –, o nosso drama já não está na cobiça da Alemanha. Está na sua indiferença. Por isso, diverte ouvir os mendigos do Sul a pedir mais ‘solidariedade’ à sra. Merkel, uma forma polida de tentar rapar o tacho da culpa germânica. Azar: o tacho está vazio e a culpa já deu o que tinha a dar."

João Pereira Coutinho, Colunista


Excelente análise de João Pereira Coutinho! Ainda bem que o “tacho da culpa germânica” está definitivamente vazio. Foi ele que no passado contribuiu grandemente para a continuação do comportamento linear da UE. De facto sempre que o sistema UE ameaçava chegar aos seus limites, a Alemanha entrava com um cheque. Todavia, foi exactamente isso que levou a Europa à situação em que hoje se encontra porque os dinheiros alemães encobriram sucessivamente a urgente necessidade de uma correcção estratégica, permitindo ainda que agentes políticos cada vez mais medíocres pudessem dar cabo da UE – e dos seus respectivos países de origem, claro.

No entanto, aquilo que João Pereira Coutinho chama “indiferença” da Alemanha – assim é visto de fora - , na realidade não passa da incapacidade total do pessoal político crescentemente medíocre, em Berlim, Paris, Bruxelas e nas restantes capitais europeias, em iniciar drásticas mudanças de estratégia: a actual União Europeia não pode ser reformada, a não ser que com vigor se vire para fora, no sentido da minha proposta de New Deal que visa o desenvolvimento estrategicamente correcto dos países subdesenvolvidos no mundo.             

Enquanto essa urgente necessidade daquele gigantesco e prometedor grupo-alvo não for identificada e atacada, a UE continuará à deriva. E a Sra. Merkel? Esqueçam-na, ela nunca passou de uma administradora do declínio que com cada vez mais desespero tenta transmitir aos alemães a ilusão de que as situações criadas precisamente pela incapacidade do sistema de liderança da UE na Grécia, Irlanda e Portugal, jamais poderão ter lugar na Alemanha. Quem leu a carta aberta que há tempos lhe escrevi, sabe de que estou a falar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 17:00

Mourinho e Sócrates. Um e outro são filhos de Maquiavel. Mestres da táctica. Os passos de Passos são meras reacções determinadas pelas acções (ou omissões) de Sócrates. Cada jogada de Passos Coelho, mesmo antes de este a lançar, não passa de uma reacção, em tabuleiro de xadrez, a uma predeterminação imposta por Sócrates. O feiticeiro e o aprendiz.  

A diferença entre Mourinho e Sócrates é ligeira, mas o lugar que cada um ocupa faz toda a diferença. Hoje, por exemplo, Mourinho, em vésperas de um Madrid-Barça, resolveu não falar, decidiu postar-se, de forma provocatória, ao lado do seu adjunto em quem delegou o soltar de língua. A imprensa espanhola abandonou a conferência de imprensa – tal como Mourinho anteviu −, perante a mudez de Mourinho. Este, sublinhe-se, não se reduziu a não comparecer. Esteve lá, sim, mas calado o tempo todo. 

Mutatis mutandis, Sócrates joga assim todos os dias. A diferença, do tamanho dum país – país? -, é que Mourinho faz o que faz pelo clube que a cada tempo representa. Sócrates, por seu lado, aplica Maquiavel em benefício exclusivo do seu umbigo cada vez mais cheio de cotão.

Entretanto, já submissos por línguas chulipas, doridas dos pouca-terras que os atravessam, os assessores daqui e dali divertem-se a revelar emails a ordenar disciplina partidária; masturbam-se, uns e outros – uns aos outros −, a dizer, desdizer e a interpretar cagadelas de mosquito.

O FMI, de chave-mestra empunhada, pasma de como é possível ser tão estúpido. Estes gajos querem chupar 80 mil milhões a quem fez por eles, mas, em vez de estenderem a mão, jogam à sardinha. A propósito da Finlândia: no lugar deles não nos dava um tostão. Estamos na “CEE” há coisa de vinte e cinco anos. Não aprendemos a ponta de um corno; continuamos a comprar jipes disfarçados de tractores – tal como o nosso mudo PR, o tal da magistratura activa (será que a excelência ainda pertence ao mundo dos vivos?), em mau tempo nos ensinou.

Continuem, rapazes, continuem rapazes; insistam no pintelho, persistam na campanha da vírgula mal posta. Haveis de ter um lindo enterro. Rico, concedo, mas “um-lindo-enterro”.

No entretanto, eu e os meus faremos por nós; aqui ou na Finlândia, em Moçambique ou na China, não mexerei uma palha por esta coisa, farsa de país, retrato fiel de quem o comanda desde 85 (omito o século).

Portugal sou eu; sou eu e aqueles que fazem como eu, os que se enganaram, os que se deixaram enganar, os que não se enganaram, que não se deixam enganar. Os que acreditaram e os que não acreditaram. Há uma meia-dúzia de patetas, que andaram por aqui a dar litro, mas que não o farão mais.

Nas próximas eleições votarei óbvio, votarei em branco, ciente de que, lamentavelmente e por defeito do sistema, tal invisível ponto-de-ordem de pouco vale (de que nem a cartão amarelo chega), mas convicto de que qualquer xis seria uma cruz. Já a carreguei uma vez, duas vezes. Acabou.

Enquanto eu e os meus existirmos, Portugal não morre. Quanto a vocês, assessores, pios, crentes, não-crentes, ferozmente-esperançados, convencidos, desgraçados à procura de, putas e filhos da puta, governem-se (lamento haver muita gente boa no meio disto, gente que se sujeita porque que tem de fazer pela vida ou até porque ainda acredita).

Comigo não contam mais; quero o meu filho longe deste lodaçal, ainda que por cá continuemos a viver.

A frase do Otelo chocou-vos? A mim não. Vai um gajo fazer um vinte cinco de Abril para isto? Para isto? Claro que não foi ele que o fez sozinho, claro que abomino a personagem, mas claro que lhe percebo o desencanto. Além de ser claro que em boa-hora se fez a revolução e de que tristes são os tempos em que um “capitão” de Abril diz tal coisa.

Um post scriptum integrado: o que Pacheco Pereira fez ontem, ao desvelar o sms, atirando merda à ventoinha à volta da qual uns e outros agora se banqueteiam, tem um nome. pacheco-pereira, com hífen e tudo, de minúsculas obrigatórias, elevado a substantivo. Daqui a uns anos terá honras de dicionário ou de lugar-comum. O significado adivinha-se: andará por antónimo de fidelidade, sinónimo de ressabiamento. Se me chamassem agora tal coisa, a resposta seria um murro nas trombas. É que ainda não me arrancaram a espinha. Em tempo: ó Abreu, quem quer respeito tem de se dar ao respeito; agora que vais ser representante do povo tens de aprender a fazer aquilo que não sabes; evita coisas destas e dá-te ao respeito, ó representante de todos eles (amanhã, mostro isto ao meu pai e lá se vai um voto; basta explicar-lhe o que é o "colectivo abrantes" e as guerras a que tu te dás).

Fui.

(arquivado)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:11


página facebook da pegadatwitter da pegadaemail da pegada



Comentários recentes

  • Anónimo

    Mettiamo a vostra disposizione un prestito da 1000...

  • jOse

    INSTEAD OF GETTING A LOAN, GET A BLANK ATM CARD AN...

  • jOse

    INSTEAD OF GETTING A LOAN, GET A BLANK ATM CARD AN...

  • Anónimo

    OPORTUNIDADE DE INVESTIMENTO DE EMPRÉSTIMO:Você pr...

  • Kelvin Ericksson

    Blank ATM cardDo you know that you can withdraw c...

  • 曾于娟

    Welcome. BE NOT TROUBLED anymore. you’re at the ri...

  • Abraham Khan Joy Shik

    Ei pessoal, estou tão feliz que recebi meu cartão ...

  • Pensador pensantw

    Luis Moreira, não sei de onde tu és, mas no Brasil...

  • Anónimo

    OFERTA DE EMPRÉSTIMO ACESSÍVEL SEM TAXAS PRÓPRIAS ...

  • Anónimo

    OLÁ; Você precisa de um empréstimo?Fornecemos todo...


Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Pesquisar

Pesquisar no Blog  



subscrever feeds