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Os Rankings

por n, em 15.10.11

Foram publicados, em vários jornais, as classificações dos rankings das escolas secundárias portuguesas. Depois de uma leitura sobre os dados - alguém acredita neles? significam na realidade qualidade de ensino? -, sobre os critérios de classificação (?), e sobre o ranking final, chegamos rapidamente à conclusão que muda o jornal, muda o critério e, por consequência, muda a classificação.
Afinal sempre dá para encher umas quantas páginas de jornal, suporta alguns minutos de informação radiofónica e, entre hoje e amanhã, vamos ver algumas imagens das escolas - as melhores e a pior - na televisão.
Apesar da divergência de opinião em relação ao ranking, suportada nos diferentes critérios, o único link que vale mesmo a pena consultar é o do JN, não pelo Ranking em si, o qual vale o que vale, mas pela forma simples e intuitiva como apresentam os dados.

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publicado às 10:36


Cross my heart (and hope to die)

por Rogério Costa Pereira, em 15.10.11

Enquanto esta imagem passava, na TVI, a voice-over afiançava (tenho duas testemunhas e três repetições) que Wright "fica a aguardar decisão sobre o pedido destruição das autoridades dos EUA". Assim vamos de Jornalismo.

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publicado às 02:01

A edição do Correio da Manhã de anteontem noticiou, em primeira página, que o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) «pediu» três anos de prisão para a rapaziada do Futebol Clube do Porto que em Dezembro de 2009 «incendiou» o famoso túnel da Luz. Segundo este diário, que por alguma razão é o que mais vende neste «desinformado» país, desculpem o termo, Hulk e outros jogadores portistas «socaram e pontapearam os dois seguranças», desferindo golpes «na testa, no abdómen e na virilha», ao estilo Chuck Norris. Porém, ficamos também a saber que o Ministério Público, que em princípio apenas deduziu uma acusação, deu como provado que os jogadores do Futebol Clube do Porto agrediram os seguranças e fizeram-no de forma deliberada. Sem pretensões de entrar a fundo na questão jurídica, temos a seguinte constatação: o Ministério Público, em sede de acusação, apenas aponta o dedo, não condena nem pede anos de prisão para quem quer que seja. Com efeito, se o DIAP não pediu três anos de prisão para Hulk, como justificamos, do ponto de vista jornalístico, a ardilosa manchete do Correio da Manhã? Infelizmente, a lógica mediática não se limita a publicar factos, também os constrói. Um autor como Jacques Derrida designou este processo de «construção da artefactualidade mediática», isto é, uma lógica de comunicação mediatizada baseada na construção da informação que, na maior parte dos casos, não obedece ao imperativo ético de veracidade. Por selecção, montagem, filtragem ou enquadramento, a «coisa em si» é substituída por uma «imagem artefactual» num processo que «deforma» para informar. Efectivamente, e como a este propósito referiu Walter Lippmann (1922), os media constroem um «pseudoambiente» que é apresentado ao público como sendo a realidade e, como a cultura mediática consiste naquilo que nos é oferecido pelos meios de comunicação, se vem nos media é porque aconteceu, ou está para acontecer. O que é certo é que, mais tarde e quando este processo não der em nada, o público que consome este tipo de desinformação vai exclamar «O Hulk safou-se da cadeia porque tem dinheiro, ou porque o Pinto da Costa domina o sistema jurídico...se fosse outro apanhava os tais 3 anos que noticiou o CM». Este é, infelizmente, o jornalismo que temos!

Hélder Prior

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publicado às 22:32


Digam jornalismo! Pela nossa saúde!

por Rogério Costa Pereira, em 11.10.11

 

Comecemos pelo fim: o DIAP não pede três anos de prisão para Hulk!

Nesta coisa que se pode ver na imagem supra reproduzida (por uma questão de higiene, evito usar as palavras jornal e notícia) pode ler-se: “DIAP pede três anos de prisão para Hulk”. Ouvida a coisa logo de manhã, na Antena 1, que aludia ao chamariz, tropecei no café. Comecei a sentir aquele cheiro a podre, retive a inspiração, contei até dez e segui a minha vida. Que se lixe, pensei (na verdade, “que se foda” foi o que me veio à cabeça, mas não apetece colocar a palavra “foda” fora de um parêntesis, daí estar a usar este estratagema, para que ninguém vá ao engano com o que realmente pensei). Que se lixe, desta vez não me vou chatear. E lá segui para um tribunal, aqui das berças, onde DIAP algum pede anos de prisão para quem quer que seja. Adiado o julgamento, cheguei ao escritório e lá fiz o que tinha a fazer. Li uma ou outra parangona, num ou noutro jornal online (coisa que não me tomou mais de cinco minutos — não verdade eu só queria mesmo saber se o Conselho de Ministros de ontem já tinha acabado), fiquei a saber que um pratito de sopa num restaurante vai passar a levar com um IVA assim mais composto e passei ao correio da manhã, que entretanto havia chegado. Despachado o correio da manhã (agora me dou conta que posso estar a induzir alguém em erro; quando digo correio da manhã quero mesmo dizer correio da manhã, assim como em “o meu correio da manhã já chegou”? – raios, agora ficou ainda pior —, refiro-me àquelas notificações que os tribunais e outras entidades me dirigem diariamente para o escritório — em bom rigor, já nem lhe devia chamar correio, que a maior parte do meu correio não é bem correio, uma vez que já não vem de cavalo alado, mas por via electrónica), despachado o correio da manhã, dizia, comecei a trabalhar e nunca mais me lembrei do Hulk nem do DIAP nem dos tribunais onde o DIAP pede, logo quando acusa, anos de prisão para as pessoas.

Por volta da hora de almoço, reparei que já era por volta da hora de almoço e fui almoçar. Em casa. Televisão ligada, notícias e tal. E tungas!, Lá vai o Hulk para a prisão e o Sapunaru com ele — e este, pobre, quase de certeza leva ainda mais dois anos que é para saber o que é bom para tosse. E pimba! Deixem-me só explicar a diferença entre o “E tungas!” e o “E pimba!”. O primeiro é comparável a quando um gajo vai a andar na rua, vê um monte de merda no passeio, mas já está a três centímetros de lhe espetar com o pé em cima. Já sabemos ser inevitável passar os próximos cinco a dez minutos a raspar o sapato na areia, na relva, a passar ao de sola num charco. O “E pimba!” é todo o processo acima descrito já a ser executado, o acto, propriamente dito, de tirar a merda do sapato. Penso que fui claro.

Em suma, já não havia nada a fazer, já não ia conseguir evitar aborrecer-me, já me seria impossível não perder tempo a explicar que o que tinha acontecido não passava de uma acusação deduzida pelo Ministério Público onde se diz algo como “O Magistrado do Ministério Público acusa fulano, porquanto indiciam os autos que fez e aconteceu”. E, depois de acusar e de fundamentar a acusação, depois de enrolar (nada pejorativo, este enrolar) os factos e o direito, conclui que o tal fulano, que é o arguido, “agiu de forma voluntária, livre e consciente, bem sabendo ser-lhe proibida e punida por lei penal a sua conduta”. Algo assim. E para terminar, diz — pelo menos é costume, aqui na terra — que o arguido, com a conduta descrita incorreu na prática do crime tal, previsto e punido pela norma tal.

Ora, há-de ter sido assim que o tal DIAP — aqui, nas berças, não temos tal coisa —, por intermédio de um seu “Magistrado do Ministério Público”, fez com o Hulk e sus muchachos. Longe, bem longe, de pedir três anos de prisão para quem quer que seja (e logo haviam de ser três anos, assim certinhos!), como se afiança na imagem que acima deixei colada.  

Em suma, este cavaco todo é só para dizer que ninguém pediu três anos de prisão para quem quer que seja. O Procurador encarregue do inquérito, depois de ter ordenado as diligências que bem entendeu, terá decidido acusar o Hulk e o resto da rapaziada pela prática dos crimes que entendeu poder extrair dos factos alegadamente praticados. Acusar, assim como quem aponta um dedo (mas um dedo oficial, assim tipo o fura-bolos do Estado). E mais nada. Um procurador, tendo em conta a análise que fez dos factos, decidiu (bem ou mal, depois veremos) que determinado indivíduo cometeu um crime e, portanto, deduziu uma acusação. Como raios hei-de explicar isto de outra forma? O Ministério Público, em sede de acusação por si deduzida, não pede prisão para ninguém. Se agora, por exemplo, um dos acusados (não, não estão já condenados, bem sei que vendia mais) resolver requerer a abertura de instrução, teremos mais uma fase processual onde, e cinjo-me aos pedidos que o Ministério Público pode fazer nos diferentes estágios do processo, quanto muito poderá pedir que determinado individuo seja pronunciado e levado a julgamento. E não, mais uma vez o Ministério Público não pede três anos de prisão. Feito o julgamento, e em alegações, então sim, depois de ter desfilado toda a prova da acusação e da defesa, o Ministério Público pode, se assim quiser, concretizar a pena de prisão que, no seu entender, se adequa ao caso concreto. Ou então, pasmem!, até pode entender que não se fez prova nenhuma contra o arguido e pedir (acontece, meus caros) a absolvição. Ah, pois é! E se se tratar, como parece ser o caso, de um crime de ofensa à integridade física, até um fulano ir parar à cadeia (e, reitero, logo três anos, assim certinhos!) ainda há umas quantas alternativas com prioridade de aplicação, a começar pela multa, passando pela dispensa de pena e ainda pela suspensão da execução da pena de prisão. Tudo coisas que o Ministério Público pode pedir, finda a produção de prova em julgamento (e depois, claro, nas alegações de recurso de recursos que eventualmente venham a ser interpostos).

Em suma, e termino já, que tenho ali que ir mandar uns quantos para a cadeia (os advogados fartam-se de fazer coisas destas), o que o “Correio da Manhã” assevera que aconteceu não aconteceu. Tão simples quanto isto. O DIAP não pediu três anos de prisão para o Hulk. O DIAP não poderia pedir três anos de prisão para o Hulk. O DIAP jamais pediria, nesta fase, três anos de prisão para o Hulk. O que na imagem se pode ver, isso sim seria uma notícia. Um jornal (sem conceder e por uma mera questão de raciocínio) garante aos seus leitores algo que é facilmente comprovável não ter acontecido. E a notícia (sem conceder, mais uma vez, e sempre por uma mera questão de raciocínio) manda-se publicar e jornal manda-se imprimir. E depois distribuir. E a notícia, falsa como judas, cai nas bancas a encimar o jornal a que vem atascada. E eu leio, e tu lês, e todos lemos. E depois saímos à rua, e dizemos alto e bom som que o homem mordeu o cão. Afinal, até vinha no jornal. Eu disse “isso sim seria uma notícia”, um jornal que engana os seus leitores, que o faz dolosamente. Mas, lamentavelmente, há muito que tal deixou de ser notícia. O ar que respiramos vem pejado disto — talvez seja isso que nos anda a dizimar em forma cancro. “É fartar vilanagem”, tudo se pode dizer, tudo pode ficar por provar. É, afinal, nisso que os cultores desta “liberdade de expressão”, que nos atenta de manhã à noite, entendem sustentar-se o Estado de Direito. Nada mais errado, meus caros, é por estas pequenas cedências à mentira mil vezes dita e repetida que os tais pilares se esboroam. E que a liberdade se vai. Ou não, porque, bem vistas as coisas, nunca esteve. É que liberdade não é libertinagem.

Eu, porque não tenho mesmo mais nada para fazer e a minha vida é apenas andar a fazer posts destes (para isso me pagam), não me calo. Esteja quem estiver no lugar do Hulk. E não é só porque hoje é o Hulk e amanhã posso ser eu (quando for o próximo da fila, cá me orientarei); também não é apenas porque uma mentira publicada passa a ser verdade (que não passa, embora muitas vez doa como se assim fosse e acabe por dar no mesmo). É, acima de tudo, por uma questão de higiene, de saúde (também da minha, que fico a remoer nisto e estas coisas não me podem fazer bem), de menos merda nos passeios, de criar um ambiente mais higiénico e salutar para o meu filho. Para mim e para os meus. Menos “Pimbas!”, menos “Tungas!” E sim, também é por causa do Hulk, do Sapunaru, do Hélton. Da Leonor Beleza e do Sócrates. Do Paulo Portas e do DSK (olá, Ana Gomes). E de outras pessoas que não vou aqui elencar, para não relembrar pecados velhos. Faria isto por quase toda a gente. Eu disse quase..

E, por último, mas não em último, pela liberdade de imprensa, por paradoxal que pareça. É que, só com um forte ataque às notícias manhosas que por aí proliferam, com o diário repudiar das mesmas, teremos verdadeiro jornalismo. E também por aí, ou essencialmente por aí, passa o cultivar de uma cidadania que vamos perdendo. Bem sei que isto é uma pescadinha de rabo-na-boca, que quanto menos livre — no pensar, essencialmente no pensar — for o indivíduo, mais estas notícias vendem e rendem. E quanto mais venderem mais longe estará o cidadão. E mais estas notícias venderão.

Mas, não será por isso que deixarei de mandar as minhas postas de pescada. Se não ajudarem mais ninguém, ajudam-me a mim. E já não é coisa pouca. Não deixarei, dê lá por onde der, é de clamar pelo jornalismo que mereço. De dizer "Jornalismo". Pela nossa saúde.

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publicado às 19:19

Universidade Licenciatura Vagas Colocados Nota Último Colocado
U Nova de Lisboa  Ciências da Comunicação 87  87  167,0
U Minho  Ciências da Comunicação  60  60  160,2
U Porto  Ciências da Comunicação  85  85  160,0
IP Lisboa  Jornalismo  60  60  157,0
U Técnica Lisboa  Ciências da Comunicação  62  62  156,5
U Coimbra  Jornalismo  50  50  153,5
IP Coimbra  Comunicação Social  40  40  147,2
IP Lisboa  Jornalismo - Pós-Laboral  20  20  140,5
U Beira Interior  Ciências da Comunicação  50  50  139,1
U Trâs-os Montos Alto Douro  Ciências da Comunicação  61  61  137,9
U Algarve  Ciências da Comunicação  35  35  133,2
IP Setúbal    35  35  131,8
IP Portalegre  Jornalismo e Comunicação  35  35  121,1
IP Viseu  Comunicação Social  70  52  111,9
IP Leiria  Comunicação Social/Educação Multimédia - Pós-Laboral  25  8  110,3
IP Tomar  Comunicação Social  35  21  109,3
U. Açores  Comunicação Social e Cultura  25  12  105,5
         
    Vagas  Colocados  Sobram
     835  773  62
         

* Eventualmente pode faltar neste registo alguma Licenciatura que se enquadre na área

 

As vagas, numa área a rebentar pelas costuras, e os respectivos colocados não são assim tantos, pois não?

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publicado às 09:22


O Jornal com o melhor grafismo

por Luis Moreira, em 03.09.11

 

 

Um grafismo que vale a pena apreciar...

 

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publicado às 16:00


enta, ente, vente

por n, em 25.08.11

Dos últimos dias radiofónicos e televisivos ficou para minha memória futura: tuente, tuenta, tventa, tvente, tuventa, tuvent e tuvente.

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publicado às 13:39

A liberdade de informar esconde-se por trás de uma magia: transformar o que é privado em interesse público. Há muito que vemos o jornalismo invadir a vida privada das pessoas , sempre com a mesma justificação. Os jornalistas arrogam-se o direito de decidir. É de interesse público? Então publica-se, mesmo que não seja verdade , mas seja de interesse público.

Assente este principio,valem todos os meios para atingir o "interesse público": escutas, invasão de propriedade, ameaças, compra de notícias, tomar um copo em off com polícias...

Os fins justificam os meios que é o contrário de jornalismo sério, que exige trabalho, ouvir o interessado, confirmar a notícia com outras fontes.

Murdock e a sua gente sentem-se envergonhados mas, a verdade, é que por alguma razão o jornal vendia muito mais que os outros e contava histórias a que os outros não tinham acesso.

O conceito de interesse público tinha chegado mais longe. E a prática de vários crimes, contra o Estado de Direito, também! É, pois, incompreensível, que nenhum governo, pela mão do Ministério Público, tenha dado por isso.

Uma noticia falsa que prejudica seriamente a reputação de uma pessoa não é um crime público? E o que dizem os jornalistas? Não a mais regulação.

"

A lei dos direitos humanos, que determina o direito à vida privada e de família, criou também problemas à imprensa britânica em relação àquilo que pode publicar, conta Cash. "Determinado comportamento por determinadas pessoas não quer dizer que é preciso regular a indústria inteira", afirmou à Lusa.

David Wooding, que fez carreira em tablóides, teme que queiram "cortar as asas" a uma "imprensa muito vibrante, popular e bem sucedida" no Reino Unido. "A lei existente já proíbe a escuta [de telefones] por isso a regulação não pode fazer mais nada", enfatizou, "a não ser impedir-nos de fazer o nosso trabalho".

O trabalho de transformar a vida privada em assunto de "interesse público!



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publicado às 20:06

Leio no DN que "O crime de infanticídio está previsto no artigo 136.º do Código Penal e (...) É um crime punível com um máximo de cinco anos de prisão, sempre com pena suspensa.". (o bold é meu)

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publicado às 09:00

Vamos ser claros, Ferreira Fernandes é apenas o melhor colunista português. É raro eu não subscrever uma crónica sua e esta não é excepção. Mas o tema deste post não são as crónicas de Ferreira Fernandes. Quero é, mais uma vez, chamar atenção para a pouca-vergonha e o fartar vilanagem que são as caixas de comentários das edições online dos jornais portugueses. Nesta crónica de Ferreira Fernandes (ou nesta), por exemplo, sobra tempo e espaço para meia-dúzia (ou apenas um) de cobardes e alarves vilipendiarem (para usar uma palavra leve) Ferreira Fernandes. Os famosos provedores (dos leitores) deviam começar a falar disto. Fariam a provedoria que lhes incumbe, defendendo-me como leitor, e por arrasto defenderiam a honra (coisa pouca) de quem diariamente dá a cara pelos jornais. O espaço que é dado para denunciar os comentários é coisa nenhuma, espécie de sacudir a água do capote. Denunciem-nos vocês e assim mostram que tipo de jornalismo querem. Que tipo de jornalismo são.

Mais uma coisa, ao contrário do que pretende (neste caso) o DN, os comentários publicados sem edição prévia não são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Atenção a isso.

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publicado às 19:34


Os jornalistas que assistem e os jornalistas assistentes

por Rogério Costa Pereira, em 16.08.10

A letra da lei pode ser errónea (eu não acho, mas dou de barato por uma questão de raciocínio), e é certo que grande parte das leis que nos regulam perdem o espírito na letra. Não tenho a menor dúvida, ninguém de bom-senso a terá, que não era pretensão do legislador, ao consagrar a figura do assistente, permitir que um jornalista, nessa qualidade, se constituísse como tal. O que me espanta não é o jornalista em causa ter requerido a constituição como assistente (atirou o barro à parede…), o que verdadeiramente me espanta é o juiz da causa não ter tido o discernimento de lho negar (…e colou). A fazer jurisprudência, a peregrina iniciativa, doravante todo e qualquer jornalista poderá constituir-se assistente num qualquer processo penal (e são uns milhares, os jornalistas e os processos). Esta é a questão. A liberdade de informação não justifica esta notória subversão – nem a questão pode ser colocada assim. O jornalista não tem de o saber, e sabendo-o não tem de se auto-censurar. Esse papel cabe ao juiz (e sempre me pergunto que raio terão dito os arguidos quando o juiz os notificou da pretensão em causa). Tendo em conta a confissão das reais intenções, e porque o juiz não se deve limitar à letra da lei (ainda que eu entenda que ela é bastante para negar o requerido ao jornalista em causa), é óbvio o que se deveria seguir. A figura de assistente, como a Isabel bem explicou, não foi pensada para isto. Dando de barato que o magistrado não se apercebeu das reais intenções do singular interveniente processual, não há agora qualquer desculpa para que lhe permita a manutenção daquele estatuto.

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publicado às 23:43

«O i sabe que o Presidente da República pondera promulgar o diploma». (Jornali, 17  de Maio de 2010)


«Cavaco Silva pondera vetar casamento gay.» (Jornali, 24 de Abril  de 2010)

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publicado às 11:55


Mais um contributo para um jornalismo integrante

por Rogério Costa Pereira, em 13.05.10

«A maioria dos jornalistas acredita que todas as perguntas são legítimas. Sobretudo aquelas que eles fazem aos outros.


Digo isto porque nunca conheci um único que demonstrasse gostar de ter visto aplicadas a si próprio as mesmas regras que advoga para o resto do mundo.


Por exemplo, se corre o rumor de que um determinado jornalista deve obediência a uma qualquer organização secreta, ele não apreciará ter de dar resposta. E poderá indignar-se, claro. Se, por outro lado, estiver a ser colocada em dúvida a sua orientação sexual ou a honestidade pessoal e profissional, ele provavelmente achará ofensivo. E irritar-se-á, naturalmente.


Alguns jornalistas, como se viu no caso da intentona das "escutas a Belém", entendem até que aquilo que escrevem e mandam fazer, em ordens de serviço objectivas, são "correspondência pessoal". Mas essa tese não se aplica à documentação interna de um ministério, de um clube, de uma empresa. Esse material, se for caso disso, pode ser sempre conhecido em nome do interesse público!»


João Marcelino (continuar a ler)

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publicado às 17:17


Crespogate II — uma espécie de autocensura

por Rogério Costa Pereira, em 02.02.10

Ao contrário do que os do costume têm gritado — ao ponto de mal se ouvirem —, Crespo saiu do JN pelo seu pé. Confrontado pelo seu director com o facto de a sua crónica de opinião ter pouco de opinião, Crespo "decidiu retirar o texto de publicação e informou que cessava de imediato a sua colaboração com o jornal". Ou seja, Crespo, e muito bem, resolveu autocensurar-se. A autocensura é algo muito recomendável e todos a devíamos exercer amiúde. Talvez assim o ambiente ficasse mais respirável.


 


NOTA: este texto não será publicado no site do Instituto Sá Carneiro. Se tal acontecer, garanto desde já que não sei como ele lá foi parar.

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publicado às 22:14


Crespogate

por Rogério Costa Pereira, em 02.02.10

"Esta história nasceu porque alguém diz que alguém lhe disse que acha que ouviu alguém dizer alguma coisa na mesa ao lado num restaurante. Toda a gente compreende que isto não é assunto. Nós já não estamos falar nem de opinião nem de jornalismo. Estamos a falar de mexericos."


Silva Pereira (agora mesmo, na RTPN)

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publicado às 21:53

Segundo nota da Direcção do JN, Mário Crespo cessou a sua colaboração aquele jornal após o respectivo Director lhe ter dado “conta das dúvidas que lhe causava o texto que Mário Crespo enviara para publicação no dia seguinte”. Ainda de acordo com a mesma nota, o director do JN entendeu que “o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante.”


Em face disto, Mário Crespo decidiu “retirar o texto de publicação e informou que cessava de imediato a sua colaboração com o jornal, o que a Direcção do JN respeita”.


O texto que toda a gente já conhece e que aqui não linko padece efectivamente das faltas apontadas. De acordo com o escrito, o PM e dois Ministros estariam num restaurante a discutir a forma de resolver um problema chamado Mário Crespo. E tudo isto, segundo Mário Crespo, “sem fazerem recato”, de maneira a que a urdidura pôde ser ouvida nas mesas do lado. Vou repetir: o PM e dois Ministros discutiam, num restaurante, a forma de colocar Crespo fora-de-jogo. Baixinho? Não! Incomodando a gente do lado com a sua colérica conversa. Vou repetir uma vez mais: PM e dois Ministros decidem, em conversa num restaurante, tramar o jornalista Mário Crespo. Segundo testemunhos, o tom de voz era tal que várias pessoas sentadas nas mesas do lado puderam ouvir a conversa.


E o extraterrestre do director do jornal atreve-se a colocar reservas à publicação de tal coisa. Em vez de espetar logo com a novidade na primeira página, de fazer uma dupla edição, o tonto achou que talvez não fosse má ideia fazer aquilo que um jornalista costuma fazer: investigar, confirmar, confrontar testemunhos, deixar os visados exercer o contraditório, dar ao tal PM e aos tais Ministros a possibilidade de reagirem à notícia. Assim uma cena tipo básica que qualquer jornalista tem de fazer em face de qualquer "facto" aspirante a notícia. E mais ainda quando a coisa é tão escabrosa como a descrita.


Crespo, bem mais sabido, terá achado que as tais pessoas incomodadas (com o escarcéu do PM e dos Ministros, está bom de ver) chegavam bem. Que aquilo que ele escrevia no JN até era uma coluna de opinião e que portanto qualquer notícia — aquilo é uma notícia, e que notícia! — ali dada passaria com a mesma agilidade com que tem passado a opinião.


Não foi assim e ainda bem que não foi assim. Entretanto, o lado dos maus passa a ter mais um título de respeito (bem-vindo, JN), o socialismo criou mais um mártir e o texto censurado pode ser lido em qualquer blogue e em qualquer jornal perto de nós. Nada de anormal, como nem sequer é anormal o facto de os nossos Ministros censores planearem os seus golpes de corte e costura em pleno restaurante. Tudo às claras, estilo neo-censura. Sem nada para esconder.

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publicado às 20:10


Um tratado, meus caros, um tratado

por Rogério Costa Pereira, em 26.09.09

Refiro-me à crónica de hoje (infra reproduzida em ver mais) do João Marcelino - A deontologia e as suas "fontes". Escola de jornalismo que se preze não a pode ignorar. Trata-se ali da diferença entre o jornalismo e a ardinice rasca - todo um mundo. O Diário de Notícias, pela mão de Marcelino, (re)assume-se de vez, nestes tempos que correm, como "o" jornal com "o hábito das informações escrupulosas e sérias", como a ele se referia o Eça, numa das suas Farpas (aquela dirigida a um juiz de Gouveia que havia condenado um marido que matara a mulher - "partindo-a aos pedaços" - a ... varrer as ruas de Gouveia).


 


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publicado às 21:31

Demasiado ocupado com o meu tacho – os prazos judiciais recomeçaram a contar –, não tenho tido tempo para escrever por aqui. Mas as notícias do dia – deste dia – ressuscitam qualquer um, maltratando todas as desculpas de bom trabalhador.


Como fiz questão de "avisar", votei em Aníbal Cavaco Silva nas últimas presidenciais – assim como, desde que tenho tempo (na acepção do de vida) para ir às urnas, votei sempre em Aníbal Cavaco Silva. Hoje, 18 de Setembro de 2009, sinto um sabor a podre. Como se as “minhas” “vividas” (assim mesmo, com quatros aspas) urnas de voto se tivessem transformado nas do tipo que albergam corpos e levam terra e água benta em cima. Ad aeternum.


Começo pelas questões de deontologia jornalística – e é triste quando a propósito de um Presidente da República se começa por aqui. Será legítimo a um jornal revelar a fonte de outro jornal? Será que a fonte de um jornal obriga outro jornal – no sentido de este não poder fazer notícia da sua revelação?


Ouvi hoje, entre a sala e a cozinha, José Manuel Fernandes dizer a Ana Lourenço, na SICN, qualquer coisa como “em tempo de eleições somos mais cuidadosos”. Nem me vou dar ao trabalho de me armar em Pacheco Pereira e recolher uma boa centena de exemplos que seriam prova cabal do tal “cuidado” – coisa que até pode ter uma leitura curiosa, que me dispenso de escalpelizar. José Manuel Fernandes, em tempo de eleições, mantém-se igual a ele próprio, como quem tem uma missão. "Cuidadoso". O tal “cuidado” que levou o Público a manter em carteira uma cacha durante ano e meio (“cuidado”, que ainda não é a altura), o tal “cuidado” que levou – lembro-me avulso – o Público a destacar, esta semana, na edição online, as “surpreendentes” declarações do líder da JSD, em detrimento da “bomba” do dia (os votos a 25 euros). O mesmo “cuidado” que leva José Manuel Fernandes a twittar como quem cavalga sem freios – anunciando o que vem por aí, como se se abeirasse o apocalipse (mas são notícias de virar de esquina) –, como se o futuro (dele? do mundo? stricto sunsu?) dependesse disso. Exactamente o mesmo “cuidado” que levou José Manuel Fernandes a anunciar, aquando da intervenção do Provedor do jornal (Público) na semana passada, que a verdade – uma espécie à la – havia de vir ao de cima. E veio, mas via Diário de Notícias.


Soube-se hoje que José Manuel Fernandes, com tanto “cuidado”, vai sair do Público depois das autárquicas. A notícia está mal dada. O Público é que vai sair de José Manuel Fernandes, que este já acumulou penas suficientes (amores, amores e odios), daquelas que entroncam as asas, para ir longe. Quiçá além fronteiras.


Voltando à questão das fontes. Como é óbvio, as fontes são pessoais e intransmissíveis e só obrigam a quem delas se serve. A revelação da fonte de um jornal por outro jornal não só é admissível, como pode ser recomendável – ainda para mais quando as fontes são como que uma espécie de trombetas do diabo (na acepção queirosiana - lembram-se do Palma Cavalão? Do nosso vizinho Dâmaso?). Desmascará-las é dever de ofício jornalístico. E este caso das “escutas” é o melhor exemplo. Marcelino está de parabéns – é preciso ter tomates.


Ouvir hoje José Manuel Fernandes – jornalista feito notícia – agoniou-me. O homem parecia que tinha acabado de cair num planeta sujo, com o dever de o limpar – e sozinho. Quem o ouvisse, sem o conhecer, quase que acreditaria na dor que lhe invadia a alma. A deontologia, ai a deontologia (aquela de que nos “alembramos” nas horas más).


E Aníbal Cavaco Silva? Nada a apontar. Votei, enganei-me, retracto-me. O problema foi meu. É meu! À minha consciência acrescentou-me uns quilos – o Presidente. Ao dizer que não se intromete, fá-lo. Pelo simples facto de o dizer. Mas, como que de aviso, atira que depois das eleições falamos. E a minha consciência entra em obesidade mórbida. Falaremos sim. Eu e uns milhões – que a explicação que a excelência ora não deu fica em débito.


(também no SIMplex)

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publicado às 02:55


A última cartada de Obama para sair do anonimato

por Rogério Costa Pereira, em 20.08.09

"Obama escreve hoje no i sobre o seu plano de saúde universal. O mais relevante é a sua preocupação de proporcionar mais escolhas aos americanos. Eis a esquerda que sabe o que é verdadeira justiça social"

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publicado às 11:45


Também tu, João Miguel Tavares!

por Rogério Costa Pereira, em 03.06.09

Ontem, João Miguel Tavares também perguntou. E embora esteja por lá bem visível nas entrelinhas, só lhe faltou reduzir a escrito o tão na moda ai ai ai, ai ai ai, mas que raio de democracia é esta? Não vou descer ao nível do cerne do artigo, se é que aquilo tem tal coisa, tanto é o que fica pelo ar, tantos são os conceitos indecifráveis, tamanha a vacuidade e indeterminabilidade. Fico-me pelos arrabaldes, que são os do meu contentamento.


 


Do título: logo na escolha do letreiro, JMT mostra-nos bem o que lhe vai na alma: a dor, a angústia. A mágoa que lhe corrói as entranhas alma por se sentir traído, como depois prova à saciedade pelo bem fundamentado artigo. A expressão “Também tu, Cavaco Silva?”, arrisca-se a ser o “Tu quoque, mi fili!” do Portugal do século XXI.


Do Primeiro-Ministro acossado: JMT apelida o primeiro-ministro de acossado. Não sei bem o que é ele queria dizer, mas afastando-nos das intenções, que às vezes teimam em andar desencontradas da boa expresssão, há que dizer que nesse aspecto não há volta a dar: o homem tem razão. O PM anda mesmo a ser acossado, perseguido, molestado. Embora por ninguém que releve para o efeito de atribuir alguma importância ao acossamento em causa. Se o primeiro-ministro andasse a ser acossado, e aqui tenderia a entender o palavrão como um disfemismo, pelo Ministério Público ou pela PJ, nesse caso teríamos encontrado o mítico homem a morder o cão. Como tal não acontece, vai marchando a banda da esperança.


Dos procuradores da República sob suspeita: uma espécie de plural majestático atípico, certamente.


Do provedor da Justiça incapaz de ser eleito: a ideia de um “provedor da Justiça incapaz de ser eleito” encanta-me, confesso. Se a crónica fosse uma sopa, este seria o ingrediente que me levaria a pedi-la. Ai leva “um provedor da Justiça incapaz de ser eleito”? Quero uma e sou gajo para repetir. A coisa tem algo de kafkiano, aliás na esteira do PM acossado. Traz-me a ideia de um provedor de justiça que já o é, mas que não é capaz de ser eleito - coisa estranha e adoravelmente nonsense. Perdia em efeito sonoro o que ganhava em plausibilidade, a ideia de um provedor de Justiça incapaz de ser reeleito ou de um candidato a provedor de Justiça incapaz de ser eleito ou ainda de um conjunto de partidos incapazes de eleger um provedor de Justiça. Trata-se claramente de um gajo que exerce o cargo de provedor de justiça, mas por alguma razão estranha ninguém o reconhece como tal; e então o tipo, numa de ser legitimado, quer ser eleito. Mas ninguém lhe liga. Coisas da vida, que acontecem muito – como tudo o que JMT nos habituou a relatar nas suas crónicas. Onde parou Kafka, continuou JMT. É uma honra para todos nós. E aquele pormenor do “da Justiça”?, julgam-no um lapso? Nada disso, o provedor do JMT é mais do que um simples provedor de uma qualquer justiça, é O provedor DA Justiça – o que só aumenta a injustiça de não conseguir reconhecimento público.


Da referência moral onde encontrar algum conforto: JMT diz que não se “admira que o Parlamento se entusiasme tanto com a santificação de um português do século XIV.” E justifica - ele tem o hábito de justificar tudo o que diz: “É que hoje olhamos à nossa volta, procuramos uma referência moral onde encontrar algum conforto, e a sala está assustadoramente vazia.” Não podia estar mais enganado. Se bem a vejo, a sala está atestada de referências morais. Efectivamente, vendo a moral como algo de mutável, determinada a cada momento por inventários anuais, cada vez a sala enche mais. E o JMT está lá dentro, sentadinho na cadeira da frente.

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publicado às 12:19


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