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"Na estratégia, decisiva é a aplicação." Napoleão Bonaparte

Hoje, globalizado, Napoleão diria: “It's the strategy, stupid!”

Antigamente quando tinhamos maus presságios, os mesmos ou nem sempre chegavam a concretizar-se ou então isso só acontecia muitos anos mais tarde. Hoje em dia, com a espiral negativa em andamento acelerado, os maus presságios materializam-se sempre e quase instantaneamente. E aqui temos um caso concreto daqueles, noticiado pelo jornal negócios online de 06.11.2011:“Operador alemão exige contratos em dracmas a hotéis gregos” Agora só cabe adivinhar o que o mais potente operador turístico alemão TUI, fará a seguir. Alguém falou de Portugal e de Escudos?

 

Aquilo que previ há muitos anos, a desintegração da União Europeia, encontra-se em vias de materialização acelerada. O que aqui acontece em termos concretos, constitui a tentativa de uma brutal medida de maximização de lucros, lucrando a empresa TUI, os clientes (alemães) dela e tudo à custa dos trabalhadores gregos. Um povo que na antiguidade vivia em grande parte à custa dos seus hilotas, os escravos públicos do estado, agora é obrigado a fazer de hilota ele próprio – em primeiro lugar graças à estratégia defeituosa ou inexistente de Bruxelas e dos seus comitentes nas capitais europeias e só em segundo lugar por co-responsabilidade própria. De facto, os gregos cometeram os excessos da “euro-farra” porque tiveram o poder para isso, porque os deixaram. Uma estratégia diversa da parte de Bruxelas teria evitado isso porque teriamos uma situação natural em que intervenções autoritárias e tutelas de seja quem for seriam desnecessárias. É isso que acontece quando nos é colocado o dilema que consiste em expectativa de vantagens e receio de desvantagens.

Quando leio as palavras do Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso de 04.11.2011, proferidas na Cimeira G20 em Cannes – "Precisamos de governação e cooperação globais para problemas de natureza global" , se não fosse tão triste, quase me dava para rir. O que precisamos na realidade é de uma estratégia diversa seguida por actos concretos, sendo então a reivindicação de Durão Barroso uma consequência quase imediata. Assim, com meras palavras aparentemente consistentes mas sem conteúdo, tudo fica sem consequências – como de costume. Reafirmo: se o Sr. Durão Barroso e a Sra. Merkel se tivessem interessado mais pela minha proposta “New Deal” de Agosto 2007, se tivessem aprofundado o tema, porventura não nos encontrariamos onde hoje nos encon-tramos: no atoleiro. Bom, se calhar os assuntos da curvatura dos pepinos e da proibição das lâmpadas incandescentes eram considerados mais importantes para o futuro da Europa do que a con-cepção de uma estratégia correcta. “All of them must go–Que se vayan todos”? Na Grécia já se vislumbra um cenário daqueles. Os acontecimentos vindouros dirão.

Agora alguns dirão: “está à vista, isto foi uma jogada friamente calculada da Alemanha da Sra. Angela Merkel para dominar a Europa. Eu digo que não: correcto é que a Alemanha de hoje não tem a menor intenção de repetir o que aconteceu entre 1933 e 1945. Todavia, devido aos efeitos nefastos da sua estratégia defeituosa a nível interno e a nível da UE, assim como para com um crescente número de parceiros em dificuldade, aos poucos vai ficando numa posição em que será mesmo obrigada a “dominar”. Isto em consequência do facto de ser ela que crescentemente paga as facturas dos outros. E isto seria mau, muito mau porque precisamos de uma Alemanha europeia e não de uma Europa alemã. Se a actual tendência continuar linearmente, acabaremos por ter uma Alemanha igualmente falida, o que não promete nada de bom para o resto da Europa. Os acontecimentos confirmam: sempre quando num sóciosistema decorre uma espiral negativa, os espólios dos fracassados beneficiam os subsistemas líderes que devido à sua liderança involuntaria ou intencionalmente defeituosa, se encontram na origem dessa espiral.

E isto acontece tanto a nível nacional, isto é, de empresas que começam a explorar os seus trabalhadores, como a nível da UE, pois trata-se de sóciosistemas na mesma. Repito o que escrevi há tempo: a Alemanha e os restantes membros do subsistema de liderança da UE, não compreendem estas coisas. Estando todos eles presos ao pensar e agir linear, apenas querem ver o que para eles parece óbvio: nós estamos bem porque fizemos os nossos trabalhos de casa, os parceiros que se encontram à beira do abismo não estão bem porque não fizeram os seus trabalhos de casa. Acabou-se.

Que os contextos sistémicos, os factores imateriais, contam uma história bem diferente, eles não conseguem compreender. Como escreveu há tempos o jovem filósofo e autor de livros, Richard David Precht: “...Em Berlim toma-se nota destas coisas e encolhendo os ombros  classifica-se as mesmas como folclore psicológico, no saber certo que as coisas só funcionam como têm funcionado até aqui..”. E quem diz Berlim, também diz Lisboa, Madrid, Paris, Londres, Roma, etc..

Os grandes também não estão conscientes – ou reprimem-no – que o abismo já se encontra à espera deles, sendo o seu próprio fracasso apenas uma questão de tempo – se não houver mudança de estratégia, claro. Sendo estes os tristes factos, não estranha que o nosso projecto comum da União Europeia e dos Estados Unidos da Europa se encontre em vias de desintegração acelerada. Muitas vezes pergunto-me: como é possível que os nossos actuais governantes não acreditem nos factores imateriais capazes de desencadear reacções sociais em cadeia e de inverter a actual situação de penúria generalizada? Então eles não vêem os grandes efeitos que numa situação de emergência geral podem provocar as declarações de um dos governantes mais importantes e/ou p.ex. do Presidente do BCE? Não vêem que, conforme o teor, são criados ou destruidos num ápice valores de centenas de milhares de milhões de euros nas bolsas nacionais e mundiais?

Bom, como cada vez menos pessoas acreditam nas palavras dos políticos, estes valores são pouco consistentes e hoje disparam para cima e amanhã tudo se desmorona de novo. É jogo de soma nula. Mas o que seria se no meio desse desnorte e de toda esta confusão as cúpulas da União Europeia rodeadas dos chefes de estado e de governo dos 27 membros declarassem solenemente perante a Europa e o mundo:“Decidimos adoptar uma nova estratégia para a UE e criar um novo desígnio. Vamos desenvolver os cerca de 3.000 milhões de pobres do mundo, convertendo-os de destinatários crónicos de esmolas que caem em saco roto, em participantes nos mercados mundiais e nossos parceiros e clientes. Nesta campanha pacífica que dará novo sentido aos nossos actos e que nos ocupará pelos menos nos próximos 20 anos, todos poderemos ganhar. ‘Enrichissez-vous!’ –  mas não mais à custa dos outros mas recíprocamente, uns com os outros“. Imagine-se o impacto de uma declaração dessas seguida de actos concretos. Na verdade, por um lado as dívidas ficariam por pagar na mesma, mas por outro lado uma mensagem de fé e esperança que aponta para um novo crescimento, deixaria ficar aquela visão penetrante de um futuro negro para segundo lugar, rasgando novos horizontes. E last not least: os temíveis mercados que hoje ainda nos tentam deitar abaixo ao menor sinal de fraqueza, compreenderiam que uma “empresa” daquelas é imbatível, por abandonar os malabarismos financeiros e estar a criar novos valores reais e fiáveis.

Neste contexto considero que vale a pena traduzir um breve extracto de um ensaio do historiador económico britânico Niall Ferguson que sob o título “A DISSOLUÇÃO LATENTE DA EUROPA – PORQUE A UNIÃO MONETÁRIA CONDUZ FORÇOSAMENTE À DESINTEGRAÇÃO” (DER SPIEGEL 45/2011) escreve no capítulo final, como segue:

“(...) Assim, na semana passada partiu uma delegação europeia para uma viagem humilhante a Pequim para pedinchar dinheiro para o "guarda-chuva alargado de salvação" do euro. O que os chineses pensam de nós, torna-se óbvio com a advertência que Jin Liqun, o Presidente do Conselho Fiscal do Fundo Estatal CIC (China Investment Corporation), fez aos europeus: ‘As raízes do mal consistem no estado beneficiário sobrecarregado que depois da segunda guerra mundial foi erguido na Europa – e os regulamentos do mercado de tra-balho que induzem a preguiça e a indo-lência. As pessoas deviam trabalhar mais duramente e mais tempo – e ser mais inovadoras. ‘Nós chineses trabalhamos que nem doidos’. Provavelmente tem razão. No entanto um leitor alemão sentirá esta alusão de preguiça como um insulto. De facto, enquanto os cidadãos da República Federal da Alemanha pensam ser os únicos que na Europa trabalham duramente – e por cima passam os cheques –, o projecto da integração europeia continuará em retrogressão, enquanto a degeneração  da união monetária poderá continuar (...)”

Finalizando seja dito: com a aplicação da minha proposta estratégica “New Deal”, a espiral negativa da Europa inverter-se-á e então tanto Jin Liqun como Niall Ferguson deixarão de ter razão. Ah, quase esqueci: tal como escrevi em 28.08.98 no meu artigo “O euro: como transformar perigos em oportunidades”, com a adopção de uma estratégia diversa, também a nossa moeda comum ganhará nova consistência, tendo ainda lugar uma maior coesão social dos povos e o fomento da criação futura dos Estados Unidos da Europa.

"Ceterum censeo Carthaginem esse delendam", ou seja, "quanto ao resto, penso que Cartago deve ser destruída".

Catão o Antigo...

...quanto ao resto, penso que Portugal e o resto da UE precisam de uma estatégia diversa – 

 


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publicado às 18:00


2 comentários

De MCosta a 16.11.2011 às 13:41

Algumas questões: Sendo a UE um sistema que parece estar a colapsar sobre um dos seus centros atractores como diz, não estamos nós, UE, a colapsar em direcção ao atractor asiático dentro do sistema Global? E no final todo o sistema Global não vai também ele colapsar tal como o conhecemos? Ou acredita que vão emergir forças auto-organizativas que conduziram ao retornar do  equilíbrio?

De Luis Moreira a 16.11.2011 às 14:20

Que só uma distribuição mais justa é a solução não há dúvida. O crescimento não chega ao céu, tem limites. A não solução destas questões deram nas guerras mundiais que resolverm o problema da sobrelotação humana. Veja:

http://pegada.blogs.sapo.pt/922284.html

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