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Um mau talhante

por Francisco Clamote, em 10.11.11
É escusado falar sobre a iniquidade do Orçamento do Estado proposto pelo actual governo* que hoje começou a ser discutido na Assembleia da República tão evidente ela é, ao cortar forte e feio nas prestações sociais e nas áreas da Saúde e da Educação; ao fazer recair a maior fatia dos sacrifícios sobre os funcionários públicos e sobre os pensionistas  e ao isentar deles os rendimentos de capital. E é-o a tal ponto que até o presidente da República e algumas vozes, com capacidade de independência, dentro do PSD, como Rui Rio, se levantaram para a denunciar.
Hoje, porém, é também claro, face aos números apresentados pelo PS e não contraditados pelo Governo, que os cortes impostos por este Orçamento vão muito além do exigido para cumprimento das metas de consolidação orçamental decorrentes do memorando celebrado com a troyka.
O governo, no entanto, persiste na sua posição, mesmo sabendo que as medidas do Orçamento, indo além do justificado pelos números, vão ter como consequência uma degradação da economia, para lá das previsões governamentais. A própria Comissão Europeia acaba de anunciar que prevê uma recessão de 3% em Portugal, no próximo ano, valor que é superior ao previsto no Orçamento. 
E persiste, porque essa é a sua opção política centrada na redução do Estado social ao Estado mínimo, opção que o governo, no entanto, não assume, seguindo, aliás, a sua prática habitual de alijar responsabilidades, escudando-se, desta vez, com o pretexto da imprevisibilidade do actual contexto da crise ainda ontem utilizado por Passos Coelho.
Como é óbvio, o pretexto alegado por Coelho não passa duma falácia, pois não explica minimamente a injusta repartição dos sacrifícios, nem a profundidade dos cortes se justifica perante os dados divulgados e, repito, não contraditados pelo governo passista.
Perante tudo isto, embora não saiba onde é que Passos Coelho aprendeu o ofício, não me parece difícil concluir que ele é um mau talhante: cortando apenas numa parte do tecido (social) e indo os golpes mais fundo do que o necessário,  é mais que certo que, depois deste exercício, a peça vai sair danificada.
(* Eu sei que a palavra "governo", na acepção aqui empregue, se escreve "Governo". Acontece que, neste particular, estou de acordo com Passos Coelho e até vou mais longe. Este governo não é só mínimo. É também minúsculo.)

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publicado às 19:09


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