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Escapando da sombra do Leviatã

por Rolf Dahmer, em 20.10.11

O Pinguim e o Leviatã

Posted on September 2, 2011 by Lineu Oliveira

Em 2006, Yochai Benkler, professor da Harvard Law School e diretor do Berkman Center for Internet and Society lançou o livro The Wealth Of Networks, no qual discutia modelos de produção colaborativa de bens não-proprietários e sua influência em governos e mercados. No começo deste ano, Benkler publicou sua obra mais recente: The Penguin and the Leviathan: The Triumph of Cooperation Over Self-Interest. Disponibizamos abaixo a tradução de uma resenha do livro feita por Julia Collins no Harvard Law Bulletin.

 

Escapando da sombra do Leviatã

 

Por Julia Collins

Por gerações, a suposição de que o egoísmo dirige o  comportamento humano moldou o desenho de sistemas sociais nos quais vivemos e trabalhamos. Em seu próximo livro “The Penguin and  Leviathan : The Triumph of Cooperation Over Self-Interest”, o professor da Harvard Law School Yochai Benkler rejeita esta hipótese como um “mito” e propõe uma alternativa, um modelo otimista que enfatiza nossos traços humanos de cooperação e colaboração.

O estudo de cooperação está em ascensão, diz Benkler, um especialista sobre o papel das redes no mundo dos negócios e da sociedade. Em “The Penguin and the Leviathan“, publicado em agosto pela Crown Publishing, ele reúne pesquisas de neurocientistas, biólogos, especialistas em gestão, cientistas da computação, designers de software e outros, juntamente com exemplos vivos de comportamentos pró-sociais observadas em muitas culturas, desde os pescadores de lagosta de Maine até sistema de banco de sangue britânico, e procura demonstrar que as pessoas já “agem de forma muito mais cooperativa e justa do que o antigo modelo nos querem fazer crer.”

Este “modelo antigo” remonta a 1652, quando o filósofo Thomas Hobbes publicou “Leviathan”, argumentando em favor de um governo com soberania absoluta. Hobbes desencadeou um monstro, a “imagem icônica de um estado de controle”, diz Benkler, que desde então lançou sua sombra sobre contratos sociais, espalhando a mensagem terrível que “se fomos deixados à nossa própria sorte, estaremos na garganta um do outro”. Sobrepondo esse modelo hobbesiano do controle do Estado, está a metáfora da Mão Invisível do Mercado, introduzida pelo economista Adam Smith em “A Riqueza das Nações”(1776), que assume que quando cada um de nós “busca seus interesses próprios, melhoramos as coisas para todos”, não porque nos preocupamos um com o outro, mas porque é mutuamente vantajoso.

O colapso financeiro de 2008 ajudou a destronar este ponto de vista da humanidade, demonstrando, como Benkler coloca, “que quando você tenta construir um sistema totalmente baseado no auto-interesse, o produto disso é desastroso”. Durante a última década, uma enxurrada de novas pesquisas em longínquos disciplinas – tais como práticas de gestão, design de software, psicologia e biologia evolutiva – produziram “um trabalho preciso e refinado que nos diz justamente aquilo que ensinamos às crianças o tempo todo: Preocupemo-nos em fazer o que é direito, intuitivo e justo” Enquanto esses estudiosos diversos “não tendem a citar ou ler uns aos outros”, observa Benkler, independentemente, todos estão chegando às mesmas conclusões: Projetando sistemas sociais de acordo com a “abordagem de cenoura-e-vara não faz mais sentido”, e o “foco do auto-interesse material tem os seus limites”. “Isto não quer dizer que o interesse próprio não deve desempenhar um papel, mas é demasiado frágil para suportar um andaime de um sistema social.

Aqui é onde entra o “Pinguim” do título do livro.  Benkler tomou emprestado o “Tux”, mascote do Linux, sistema operacional de código-aberto, como símbolo de seu livro para a colaboração em massa. Ele também cita o exemplo da Wikipedia, a enciclopédia online que qualquer um pode acessar e editar, que cresceu na Internet a partir dos recursos compartilhados de milhões de pessoas. “Passei muito tempo na primeira metade da última década apenas para fazer as pessoas aceitarem que a Wikipédia, e outras experiências semelhantes, não são apenas modismos passageiros”, diz Benkler. “Agora, precisamos ver que as motivações humanas subjacentes ao Wikipedia não existem exclusivamente na internet.”

O desafio é incorporar motivações pró-sociais – se preocupar e agir em função do bem comum – para projetar sistemas humanos. O que isso implica? O último capítulo do livro de Benkler resume os elementos principais, dentre eles a comunicação, assim como o “enquadramento” e autenticidade. Empatia e solidariedade são requisitos para o reconhecimento da humanidade dos outros e para a ampliação do senso de identidade. O tipo certo de liderança é também essencial para se adaptar a um enfoque cooperativo. (Ele cita o exemplo de Robin Chase, fundadora e ex-CEO da Zipcar, a empresa de compartilhamento de carros, cujo ponto de vista comunitário formou o seu modelo de negócios.

Exemplos de projetos pró-sociais já existem em muitos lugares, Benkler argumenta, e exemplos esclarecedores preenchem seu livro: a famosa planta da Toyota NUMMI em Fresno, Califórnia, com sua gestão e processos de produção cooperativas; Southwest Airlines, que transformou o trabalho em equipe e o igualitarismo em lucros consistentes em uma indústria sitiada; a comunidade online de voluntários, ativistas e doadores da My.BarackObama.com, que impulsionou a campanha presidencial de Obama à vitória; a plataforma de downloads no modelo “pague quanto quiser” do Radiohead, que confia em seus fãs para compensá-los de forma justa. A lista é longa.

Embalada com as histórias e as provas consistentes,”The Penguin e o Leviathan” dialoga com diferentes disciplinas, ligando os pontos de Hobbes a John Seely Brown. Este pequeno livro busca alcançar um grande público para incentivar projetos de designs de sistemas sociais melhores e mais justos.

Resenha publicada emhttp://www.law.harvard.edu/news/bulletin/2011/summer/bookshelves_1.php, acessada em 01/09/2011. Tradução livre.


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publicado às 22:30



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