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Estive toda a manhã a trabalhar, desde que comecei, lá por perto das onze da manhã. Até que acabei, uma hora depois. E basta. E depois de almoço, uma soneca. E a seguir escrever um poste. E a seguir enviar o poste para o meu blogue com barriga de aluguer. E vinha para aqui. E cruzei-me com duas miúdas. Uma mais velha que a outra, e reparei melhor. Que as miúdas deram nas vistas. Vinha eu na moto e voltei para trás. E fui confirmar.
(Está um dia lindo como só na minha terra, com um sol radioso e uma brisa ligeira, sem a ventania que os transmontanos para aqui trazem quando de férias em Agosto, e ia ali ao bar junto aos barcos ler o resto do livro do Paulo Castilho, que a história, qual história, já me enjoa, mas agora tenho que acabar, que os únicos livros que deixei por acabar de ler são os Lobo Antunes, e que, em boa verdade, mal os comecei, e o Cem Anos de Solidão, do Gabriel Garcia Marquez, também, convenhamos, que cem anos é muito tempo).
E que me cruzei com duas miúdas, sendo que umas delas, há bem pouco tempo, a confundiram com a minha mãe, por duas vezes. Uma da primeira vez. E da segunda vez para confirmar, talvez. Mas acontece que é a minha mulher, na sua, e minha, juventude dos cinquentas. Que ali ia com a minha filha. E eu fiquei baralhado. Mas então, afinal, qual é a minha filha e qual é a minha mulher.
(Ficou caro, disse ela, mas fica-te bem, disse eu. Que se lixe o dinheiro, que está bué de bué de fixe. O cabelo está lindo. Igualzinho. Ao teu cabelo. Mas não o rapes muito, mesmo que fiques careca. Eu gosto na mesma).
Quando sair daqui vou voltar de moto, que foi como vim. Devagar. Que foi como vim. Também. Ou não. Logo se vê. Dá-me um abraço… Não quero mais nada… Já me perdi... Estive longe… Estive tão perto. Canta o rádio. Aqui. Ali. Atrás de mim. E que me aperte sem apertar… É nesse abraço que eu descanso. Diz a Paula que é o Miguel Gameiro, e que tem músicas porreiras. E aconselha que eu vá ao youtube. Mas primeiro tenho que pagar a bica, se bem que se eu sair daqui a duzentos e tais à hora. Na moto. Ninguém me apanha. Nem a Paula.
João José Fernandes Simões
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