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Melros não serão, de certeza absoluta

por autor convidado, em 05.09.11

A reunião foi convocada para o viveiro de aquicultura, por horas do almoço, a um sábado, e pela tarde adentro. Picam o ponto os caciques. Objectivo: definir a estratégia da conquista da câmara. Nem o dono da agência funerária lá faltava, o padre não foi. Conhecia bem o presidente da concelhia, de pescarias ao fim da tarde no viveiro e de bons almoços regados com vinho, do bom, e de onde saímos um pouco virados, as mais das vezes, virados de todo, mais ele, mas eu também. E estava o presidente da distrital (um bom filho da mãe, ia para dizer da puta, mas a mãe não tem culpa) e que não estava de acordo com o presidente da concelhia sobre o candidato a apresentar às eleições para a câmara. O presidente da concelhia queria uma figura política com peso nacional e impunha um seu amigo, acabado de deixar uma vice-presidência no parlamento europeu. O presidente da distrital queria um candidato local, pouco lhe importando se tinha ou não peso nacional.

Achava eu (sendo eu também um bom filho da puta, ainda por cima desconfiado quanto a filhos da mãe) que o presidente da distrital preferia um candidato da sua confiança, mesmo que em prejuízo de um candidato teoricamente mais forte (sim, sim, que estas coisas são muito de teorias, e também de práticas) e que não fosse apenas da confiança do presidente da concelhia. Pois. E disse ao meu amigo de pescarias ao fim da tarde no viveiro e de bons almoços regados com vinho, do bom, e de onde saímos um pouco virados, as mais das vezes, virados de todo, mais ele, mas eu também. Onde é que ia? Ah! Que o presidente da distrital lhe andava a fazer assim a modos que a folha, porque eu sabia de contactos dele com um tipo que andava em manobras para ser o próximo candidato a presidente da concelhia. Não sei se estão ver? Claro! Feito com o presidente da distrital. E avisei que se pusesse a pau. E o candidato da confiança do presidente da distrital até era o meu médico de família, por acaso casado com a mulher daquele, também médica, mas que até podia ser enfermeira. Pois. Mas isto são teorias minhas, que quanto aos factos são mesmo assim.

Acontece que o candidato do presidente da distrital perdeu a câmara, que foi ganha por um filho da puta ainda maior, este sim, da puta e da mãe, vindo de lá de baixo na companhia, putativa, de uma socialite das revistas que a gente lê quando esperamos na sala de espera do dentista, por exemplo, que até podia ser de um ginecologista, não no meu caso que talvez fosse mais apropriado um especialista daqueles que nos enfiam o dedo no cu para medir o tamanho da próstata (lá está esta palavra a dar erro, quando próstata se escreve próstata, mas que coisa!). Pois. E então o tal que andava em manobras, achava eu (e achava bem) contra o meu amigo de pescarias ao fim da tarde no viveiro e de bons almoços regados com vinho, do bom, e de onde saímos um pouco virados, as mais das vezes, virados de todo, mais ele, mas eu também. E já me perdi outra vez! Já sei! Foi derrotado em eleições antecipadas para presidente da concelhia. E lá andei eu com o meu amigo por montes e vales e pelas residências dos presidentes das juntas de freguesia, e por donos de agências funerárias, a arregimentar votos para o meu amigo, assim a modos, então, já conhece aqui fulano (que era eu) e coisa e tal, assim para impressionar, que eu era um tipo importante. Estão a ver? E por conta de quotas pagas de militantes até então à revelia (e que ainda deve ter sido uma boa maquia) lá conseguiu ganhar e manter-se como presidente da concelhia. Mas foi sol de pouca dura, porque só durou alguns meses tanta foi a vilania. Novas eleições, então. E perdeu, finalmente.

Lembrei-me destas vidas passadas, não há muitos anos, porquê? É que por conta de outras desgraças, hoje, ia a passar por de cima da ponte. E olhei para os viveiros que estão em obras há algum tempo. Consta que foram comprados pelos espanhóis e que, em vez de fabricar robalos e douradas, como dantes, vão passar para linha de fabricação de pregado (não estou bem a ver que raio de peixe é, mas acho que é assim parecido com a solha, e se não for, então, passa a ser, pronto, melros não serão, de certeza absoluta). E onde é que eu quero chegar com esta conversa? Pois. Muito simples: É que aqueles viveiros foram comprados à manga, por conta, na altura, de apoios europeus a fundo perdido e com orçamentos inflacionados, para dar para os todo-o-terreno que floresceram nesse tempo, e para dar a mais não sei quem mas que não vou aqui dizer, nem é preciso, mas a mim não foi, juro. E o negócio, porque não tinha escala para se aguentar, foi ao fundo, por conta da concorrência do reles robalo e dourada que são importados dos, também falidos, gregos e que não valem uma merda quando comparados com os que eu ali pescava, e em boa verdade também comia. À borla, bem entendido, e se querem saber, antes que mo perguntem. Pois: O que um gajo tem que escrever para desopilar!

João José Fernandes Simões

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publicado às 14:29


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