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¿pontos invertidos?

por Rogério Costa Pereira, em 14.09.08
Por causa da minha mais recente tara, anda-se-me aqui a formar uma ideia algo estranha (também elas se atropelam). Alguma alma caridosa terá a arte e o saber para me esclarecer quando e por que forma foram os pontos de exclamação e interrogação invertidos retirados do uso corrente em português? Após meia dúzia de investidas em alfarrabistas (foram duas, para ser rigoroso) e outras demandas, encontrei, até agora, duas teses - absolutamente contraditórias. Antes de avançar mais, gostava de ter a vossa ilustre colaboração, mas adianto já que uma das teses é deveras curiosa e tem implicações ainda mais curiosas.

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publicado às 15:44


14 comentários

De Luis Moreira a 14.09.2008 às 19:08

Este assunto para mim é um ponto invertido no ínicio e outro no fim!

De Luis Rainha a 14.09.2008 às 18:24

No Castelhano, tal prática é de uso recente, tendo sido oficializada apenas no fim do sec. XVIII e estando ainda ausente em muitos títulos do sec. XIX. Nunca vi tal coisa por cá, embora saiba de algumas tentativas de adopção do ponto de interrogação invertido no início do sec. XX.

De Antónimo a 14.09.2008 às 18:01

Já tive na mão textos literários mais antigos que isso, com pontos de exclamação e de interrogação, e nunca tal vi, mas experimente chatear o Hélder Guegués no blogue Letratura, pode ser que tenha opinião.

De Helena Velho a 14.09.2008 às 17:28

Rogério...é simples! Pura preguiça...se soubesses o chato, moroso, entediante, trabalhoso, a.s.o, que é escrever uma tese em castelhano, nem te questionarias :)!!! ele é pontos de exclamação/interrogação antes e invertidos, depois como os, agora, conhecemos, tiles em cima dos n, y em vez de e...uffffa que canseira...

De Rogério da Costa Pereira a 14.09.2008 às 16:22

Numa gramática de 1886 já se faz alusão à extinção há muito dos ditos pontos. Sucede que tenho aqui um texto de 1898 que os usa.

De Antónimo a 14.09.2008 às 15:59

Mas em que época foram usados que nunca me lembro de os ter visto, e até já vi calhamaços bem velhos? Será que nesses calhamaços, pelos quais apenas passei os olhos, eram tudo frases afirmativas e bem comportadinhas?

De Rogério da Costa Pereira a 14.09.2008 às 20:46

"Continuemos a nossa viagem a 1929, reparando nalgumas ortografias do “Almanaque Lello” desse ano.
--- Ponto de interrogação invertido ---
No almanaque encontra-se esta pergunta “¿Podem as fábricas não desfear a paisagem?”.
Há muito que o ponto de interrogação invertido, usado no início duma pergunta, acabou em português. A mesma sorte teve o ponto de exclamação invertido. Em espanhol, pelo contrário, continuam a ser usados."

http://orto.blogs.sapo.pt/arquivo/755995.html

A questão é, quando acabou? E caiu naturalmente ou assim se convencionou? Tudo o que encontro e me dizem é contraditório.

De Rogério da Costa Pereira a 14.09.2008 às 20:51

Helena,
Será uma questão de hábito, mas acho-os muito práticos, especialmente quando entram a meio de uma frase, depois de uma vírgula, anunciando a interrogação.

De Antónimo a 15.09.2008 às 00:34

Mais se reforça a opinião que tenho. se fosse coisa muito antiga ainda o admitia, mas estou farto de ler coisas ligeiramente anteriores ao decreto assinado pelo Carmona e nunca tal vi, pelo menos generalizado.

De Rogério da Costa Pereira a 14.09.2008 às 22:13

Vejam o Decreto n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945: http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog45_73.pdf

«Artigo 1.° Fica aprovado o acordo de 10 de Agosto de 1945, resultante do trabalho da Conferência Interacadémica de Lisboa, para a unidade ortográfica da língua portuguesa, cujos instrumentos, elaborados em harmonia com a Convenção Luso-Brasileira de 29 de Dezembro de 1943, são publicados em anexo ao presente decreto.

XLIX
Abolição das formas invertidas do ponto de interrogação e do ponto de exclamação, os quais serão apenas usados nas suas formas normais (? e !), para assinalar o fim de interrogações ou exclamações.

Base XLIX
O ponto de interrogação e o ponto de exclamação apenas se empregam nas suas formas normais (? e !), comuns à escrita de grande número de idiomas. Não se faz uso, portanto, das suas formas invertidas (¿ e ¡), para assinalar o início de uma interrogação ou de uma exclamação, sejam quais forem as dimensões destas.»

Este estranho decreto, que aprova um Acordo Ortográfico de Agosto de 1945 por remissão para os trabalhos da Conferência Interacadémica de Lisboa, parece ter acabado de vez com os invertidos (os pontos). Está respondida uma das questões: houve uma abolição expressa e muito mais recente do que eu pensava. A ser assim, qual o motivo de já então ninguém os usar? O que a Helena disse e uma série de opiniões recolhidas em sites espanhóis, que referem a maçada da respectiva utilização, são, por certo, parte da explicação.

Agora que dão um jeitaço, especialmente em frases longas, isso dão.

Atendendo a quem assina o Decreto "Paços do Governo da República, 8 de Dezembro de 1945. — ANTÓNIO ÓSCAR DE FRAGOSO CARMONA — António de Oliveira Salazar — José Caeiro da Mata.", vou pensar se lhe devo ou não obediência. ;)

E lá se afundou a tese deveras curiosa e com implicações ainda mais curiosas que me tentaram vender.

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