Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Todos têm direito ao benefício da dúvida. Até um governo fabricado por Cavaco Silva, que soube dramatizar a crise, conspirar contra o mandato, o país e o povo que fez dele presidente da república, liderar a campanha eleitoral e assumir o papel de chairman da agência publicitária que tenta seduzir 9,9 milhões a irem para a agricultura para os outros 100 mil poderem continuar na praia.

Quem, sendo bom e genuíno português, levou o benefício da dúvida além daí e apesar disso, estremeceu quando Cavaco, o arregimentador das massas “à rasca” para se revoltarem na rua contra o Governo de Portugal, apareceu com aquele ar grave e kitsch que o caracteriza, a dizer às mesmas massas e ás demais que afinal é preciso, imperioso e urgente é comer, calar e dar vivas ao casal Coelho-Portas (ele afiança que é mesmo um casal, o centro de uma família perfeita – cujo padrinho se dispensou de citar, por questão de redundância e modéstia.

Ainda o estremecimento não era muito diferente de um ataque epilético, veio o “onze” inicial da Caixa Geral de Depósitos (dos depósitos, melhor falando). O senhor professor doutor não precisou de argumentar – e não duvidamos de que o faria tão eloquente e brilhantemente como sempre. Deve ter pensado, no seu português Nokia (depois da invenção da escrita SMS, Nokia não é uma marca de telemóvel, é um candidato a PALOP) “isso eu nunca fiz, nem faço, nem ‘fazerei’” – isto, para o citarmos mais que ipsis verbis, ipsis literis. O ‘onze’ ainda não entrou em campo – nem é para entrar, a bem dizer – e já a CGD prolongava o estremecimento popular num autêntico ataque tónico-clónico.

Já nem vale a pena lembrarmos a assalto ao subsídio de Natal – inevitabilidade para um verdadeiro cristão ou sacristão como aparenta ser Cavaco e como ele assevera que somos todos. Não vale a pena lembrar – que isso é mesmo para esquecer.

No serão deste domingo, ao mesmo tempo em que se desvendava que para comprar o BPN havia melhor que a tal proposta de 100 milhões (havia a segurança de 40 milhões, com mais de metade dos trabalhadores para o olho da rua e os 5 mil milhões dos contribuintes a terem o  

 

 

destino habitual), o marketing cavaquistanês enviou o adjunto do sr. prof. desfazer equívocos: rivalizando com o circo que na SIC Notícias faz brilhar o crespo cuspidor de fogo, o momento de publicidade ‘institucional’ de domingo à noite na TVI trouxe-nos o professor Marcelo a explicar, naquele seu insuspeito cariz de verdadeiro independente, que ninguém deve ter dúvidas da isenção, da ética e da prodigiosa mais-valia que são os “onze magníficos” da eficientíssima Caixa dos depósitos. Não há lá quem saiba de banca, mas também ninguém veja que existam favores, negócios conflituantes ou conflitos de interesses.

Que ninguém duvide disso. Nem sequer – e muito menos – com o Pedro, irmão do comentador independente, isento e (vade retro!) livre de conflitos de interesses.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:56


1 comentário

De Luis Moreira a 01.08.2011 às 17:57

Bela análise ! Assim o Sócrates tivesse ouvido o Soares (entrou-lhe por um ouvido saiu-lhe pelo outro) e o Teixeira dos Santos acerca da barreira dos 7%. Deu-lhe o pretexto de bandeja.O Santana Lopes também convidou o Sampaio a mandá-lo embora. Enfim, amor com amor se paga, o pais é que não sai disto.Mas o que se passou na CGD é mau demais...

Comentar post



página facebook da pegadatwitter da pegadaemail da pegada



Comentários recentes


Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Pesquisar

Pesquisar no Blog