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Ceci n'est pas un blogue

por Rogério Costa Pereira, em 02.05.08

Aqui fica o exemplo de um post atento, circunstanciado, totalmente assente em factos, nada especulativo, invasivo ou despropositado, enfim, tudo o que de bom a bloga portuguesa tem para nos dar. Como desconheço o que faz o respectivo autor, estando assim impossibilitado de o comparar, em termos profissionais, a quem quer que seja, o que poderia dar azo a análises do nível das que ele acolhe na caixa de comentários do post a que acima aludo, limito-me a sublinhar a inquestionável elevação do post em causa, esperando, no entretanto, que o Fernando não ganhe a vida com isto dos blogues, pois, dessa forma, pouco o incomodará o que possam dizer, na caixa de comentários que se segue, da sua distinta forma de blogar.

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publicado às 12:36


26 comentários

De Fernanda Câncio a 05.05.2008 às 15:02

'o relato original refere APENAS UM morto, dado que “abusos e violências” não implicam a morte das vítimas, além de que, caso as vítimas tivessem falecido seria natural que o narrador falasse em mais mortes.'

eheheh.

só mataram uma pessoa e foi logo um velho bispo, e 'assassinado'. apeteceu-lhes, o velho enervou-os e quê. se calhar fez-lhes lembrar alguém que lhes tinha roubado os berlindes. aos outros só deram encontrões e chamaram nomes -- quiçá, tiraram-lhes os telemóveis. mataram um velho bispo, mas mouros e restantes 'infiéis' foram mandados em paz, só com uns calduços -- e as fontes da época não relevaram a morte do bispo por dar uma ideia do desvario do mortícinio, mas porque o desgraçado foi o único a ser morto. apre. ó the studio, há limites -- ou melhor, devia haver, mas vc prova claramente que não -- para a desonestidade e a estultícia.

De The Studio a 04.05.2008 às 21:31

"Sem pretender contestar esta interpretação da História de Portugal, não resisto, perante as calinadas epistimológicas do comentador, a perguntar:
Será que a mãe de D. Afonso Henriques a chamada “rrainha dona Tareyja de Portugal”, não lhe é anterior ?"

Queria dizer epistemológicas? Quais são as calinadas? Se não justifica o que diz não é possível dar-lhe resposta.

Quanto à sua questão, tem uma resposta trivial. Tudo se resume a determinar em que momento Portugal pode ser efectivamente considerado um reino independente. Se não for possível responder a esta questão, então deixa de ser um dado objectivo que D. Afonso Henriques tenha sido o primeiro rei de Portugal.

De The Studio a 05.05.2008 às 14:04

Caro João Cardoso,

O seu texto pouco tem de novo e poder-se-ia dizer que está integralmente refutado no texto "malabarista" publicado no "cachimbo da magritte". No entanto tem alguns aspectos interessantes, nomeadamente a sua indignação antecipada caso alguém coloque em causa o Prof. Mattoso. E é interessante porque contrasta com a naturalidade com que assiste à forma como a idoneidade do Rui Tavares é posta em causa, o que mostra que lá no fundo, e apesar de o defender, o João Cardoso sabe que o Rui Tavares é um vendedor de banha da cobra.

O outro aspecto interessante do seu texto prende-se com a interpretação do relato original,

"entregaram-se a toda a espécie de abusos e violências, incluindo o assassinato do velho “bispo”"

Ora bem, o relato original refere APENAS UM morto, dado que "abusos e violências" não implicam a morte das vítimas, além de que, caso as vítimas tivessem falecido seria natural que o narrador falasse em mais mortes.

Diz depois o Prof. Mattoso,

“As violências e distúrbios (…) são atribuídas apenas ao Flamengos e Alemães. Podemos imaginar, sem receio de engano, que teriam sido muito mais arbitrárias, cruéis e generalizadas do que as referidas por ele.”

O Prof. Mattoso acredita que o narrador terá sido benevolente, mas não acrescenta nenhuma morte ao único caso referido. É claro que, atendendo ao conhecimento que temos da época, se afigura estranho que durante o saque tenha ocorrido apenas uma morte. A questão aqui, é que não existe informação nenhuma sobre o número de mortes que terá ocorrido. Portanto, quando o João Cardoso afirma que foram muitas, eu diria que está a especular. O Rui Tavares vai mais longe afirmando que "judeus" foram passados a fio de espada quando não há informação nenhuma sobre quem foram as vítimas.

Este poderia ser apenas um erro grosseiro do Rui Tavares caso fosse acidental, mas o que é grave aqui é tratar-se muito provavelmente de um erro propositado. Porque é intenção do Rui Tavares retratar sempre os Cristãos como "maus" e os Judeus como "vítimas" dos cristãos.

A diferença é a mesma que entre um erro acidental de um árbitro e um árbitro comprado.

De The Studio a 05.05.2008 às 16:08

Fernanda,

Eu não disse em parte alguma que apenas houve um morto, disse que apenas ficou documentado um morto. Naturalmente que o que me parece mais provável é que os cruzados tenham matado outras pessoas durante o saque, como aliás era normal na época. No entanto não temos nenhuma informação sobre o número de mortes. Até é possível que tenha havido muitas mortes, mas será que a Fernanda compreende a diferença entre fazer tal afirmação com base em dados sólidos e fazer tal afirmação com base em opiniões?

De Fernanda Câncio a 05.05.2008 às 19:24

hum, the studio, julguei que tinha tornado muito claro compreender perfeitamente essa diferença no comentário que fiz sobre a sua posição. mas como não fui suficientemente clara, eu explico, até porque é mesmo preciso dizer tudo tudo. parece-me que para qualquer historiador -- e mesmo para qualquer pessoa de bom senso e razoável capacidade interpretativa -- um relato da época que fala em abusos e violência e dá como exemplo o facto de até ter sido morto um velho bispo está a dizer-nos que foram mortas muitas pessoas, e tão indiscriminadamente, que até um bispo foi assassinado. talvez para quem escreve numa época em que era frequente o arrasar de cidades com toda a gente passada a fio de espada, de punhal, etc, para dar a entender a selvajaria de uma tomada de cidade a morte de um venerável sacerdote seria a melhor forma. não me parece que se possa dizer que esta dedução seja baseada em opinião -- parece-me, pelo contrário, que é uma dedução lógica. senão teríamos de concluir, não existindo aquilo a que o the studio chama 'bases sólidas' (e há-de-me dizer onde estão as bases sólidas no que respeita ao ocorrido na tomada de Lisboa, e nomeadamente quanto ao número de mortos, esse 'dado' que numa tomada de cidade é sempre tido em conta com rigor, de calculadora em punho, pelos que a tomam e pelos que fogem para não ter a sorte da estatística, se mesmo no que respeita ao morticinio da Páscoa de 1506, muito mais recente, há uma pequena imprecisão da ordem dos 2000 mortos), só se pode certificar que quando as forças 'cristãs' tomaram a lisboa moura só foi morto um habitante, e logo por azar um bispo. o que, obviamente, será imensamente credível, sendo que se pode sempre pôr em causa a fonte, que aliás não é de confiança -- afinal, é um rabi judeu e está a queixar-se da selvajaria da tomada da cidade pelos cristãos, portanto está 'contra' quem a tomou, ou seja, tem uma opinião negativa dos tipos e isto de relatos baseados na opinião, meu deus, é fugir --, e concluir que aqueles senhores que tomaram a cidade foram uns amores e nem o bispo mataram, quanto mais toda a gente que lhes apareceu à frente. se calhar, na opinião do the studio, esta é que é a conclusão 'não opinativa'.

ah, e vá-se saber se quem escreveu aquilo que mattoso cita era mesmo judeu e rabi. até porque um rabi judeu geralmente tem judeus à volta (um rabi a viver num sítio sem judeus é uma probabilidade interessantíssima), e não há provas de que houvesse judeus na cidade -- mesmo se até aqueles que atacaram rui tavares por deduzir que havia admitiram que 'era provável' que houvesse. enfim, vai-se a ver e nem houve crueldades. afinal, isso da crueldade é sempre matéria de opinião, como qualquer psicopata pode explicar.

De Joao Cardoso a 05.05.2008 às 22:09

Vai para 10 anos que percebi, na usenet, demorei a perceber mas percebi: na Rede não se discute com fundamentalistas. A coisa funciona assim: nós, ou seja os outros, temos tudo trocado para que os fins alcancem nossos meios. Vocês, portanto, nós, fazem tudo para contrariar a verdade, inventam documentos e mesmo quando eles existem insistem em não ver que eles apenas existem para contrariar a minha verdade, donde, no mínimo, estão mal interpretados. Ora a verdade, absoluta, só pode ser a minha, donde tudo o que vocês tragam para aqui em contrário está interpretado a vosso favor.

Foi só por isto que fiz o pré-aviso. Claro que já sabia que até o pobre Mattoso ia levar, pelo simples facto de o ter metido ao barulho.
E não, não discuto coisas de trabalho com fundamentalistas.
Apanhando a onda da vossa lógica, a seguir eu ia discutir física, com um Nobel, ou assim. Hoje não vou.
Vocês continuam tal e qual como estavam. Eu estou mais velho e menos paciente.

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