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Já escrevi aqui e noutros textos, como a propósito do RSI, exemplos do que não suporto - é esse o verbo - na direita populista.


Vivo mal com a demagogia, vivo mal com a cedência a uma rapidinha na subida de intenções de votos à custa do atropelamento da ética, de princípios básicos como o de respeito por um correcto esclarecimento do eleitorado - e não o do aproveitamento da confusão lançada sobre o mesmo- , pelos princípios da igualdade, da justiça ou por uma simples postura de decência.


O estafado caso de Inês de Medeiros fez muito barulho, muito, daquele barulho que se faz de propósito e com maldade a ver se se atinge a sensibilidade de quem anda, justamente, atento aos gastos que se fazem dos dinheiros dos contribuintes.


A montanha pariu um rato e, depois de calúnias, de confusões intencionais entre onde se vive e onde se vota, tudo irrelevante para o caso, que era omisso, o caso de uma Deputada de bem, que nunca pediu nada, que ouviu de mais de quem não deveria ter ouvido nada, se esse gente soubesse calar a boca antes de se informar, que talvez tenha ouvido de menos de quem deveria ter falado há mais tempo, surge a única coisa que está prevista: uma decisão fundamentada num parecer jurídico.


Eu hoje nem faço links. Lembro-me de não agradar a gente ignorante que o Direito tenha decidido o caso omisso, preenchido uma lacuna, com base em princípios constitucionais, como o da igualdade das condições de trabalho dos Deputados, com um critério razoável de analogia com os arquipélagos, sendo a distância remanescente paga pela Deputada, mas a tal gentinha ignorante perguntava, maldosa: para que serve um jurista? Diziam que isto de um parecer valer só para o caso de Inês de Medeiros, um parecer apadrinhado por Jaime Gama - esse grande oráculo desde a primeira hora da Deputada -, era coisa muito estranha. Estranho é que cidadãos que escrevem em jornais e vivem no mesmo mundo que eu ainda não se tenham apercebido que um jurista serve para isso mesmo: para, perante um caso, dar uma solução para esse caso, com um parecer, o qual, se for sancionado por quem de direito, naturalmente não serve de precedente para outros casos. Qual é o espanto? E quando um juiz decide um caso? A sua sentença vale para outro caso? Pois é. Jaime Gama foi confrontado com uma situação peculiar: uma Deputada eleita pelo círculo de Lisboa, mas com residência, família e tal, em França. Há princípios que não me apetece repetir agora que explicam, sem alarme algum, antes com muita justiça, que Inês de Medeiros tenha uma situação algo análoga aos Deputados eleitos por círculos fora de lisboa, mas adiante, só não entende isto quem não quer.


O problema é que a confusão foi tanta, a mentira foi tão impune, a calúnia espalhou-se como agora é de bom tom, a desinformação sobre o caso escreveu-se em tantas linhas, que em época de crise, foi fácil aos artifícies da demagogia cozinnharem a frase de rua: com que então a tal da Medeiros veio para cá de propósito para a gente lhe pagar uma fortuna em viagens, não é? Uma vergonha.


Mas a montanha pariu um rato. A Deputada explicou-se. Claramente. Apelando à boa imagem do Parlamento que escolheu servir. Jaime Gama decidiu.


Queriam calma, com tantos problemas que o país tem para enfrentar?


Como perder a oportunidade de fazer eco e mais eco daquela frase de rua e dar uma queca demagógica no voto popular?


Gostava muito de ver Paulo Portas, assim como quando fala olhos nos olhos com os portugueses, "com toda a frontalidade", olhar olhos nos olhos para a Inês de Medeiros e explicar-llhe isto, dizendo, sem, lá, que é a "bem da Nação".


Com muita pena minha, parece que a Deputada preferiu sacrificar os seus direitos para que, por culpa da direita popuilsta que eu não suporto, se pare, de uma vez por todas, à sua conta, de desprestigiar o Parlamento.


Eu sei quem não deveria dormir bem hoje de noite.

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publicado às 23:00


24 comentários

De Anónimo a 04.05.2010 às 00:07

eu tambem. era você.

 

De José Cid a 04.05.2010 às 00:12

A mulher de César não basta sê-lo!Se essa senhora quisesse ter saído bem na foto tinha tomado logo esta atitude.Assim surge como a virgem ofendida do Portas.Mas assim sempre sai com o cenário todo montado!Como ela gosta....mas sem que tenhamos que ser nós a pagar o bilhetinho....

De José Cid a 04.05.2010 às 00:21


Esqueci-me desta pérola "Inês de Medeiros tenha uma situação ALGO ANÁLOGA aos Deputados eleitos por círculos fora de lisboa".Gostava de ver a sra assistente a explicar aos seus "não doutrinados" (por si, claro,porque o criminoso do Otero....uiui) alunos o que é isto da situação ALGO ANÁLOGA!Há coisas que a irritam na Direita.A mim há coisas que me irritam em qualquer um. E a desonestidade intelectual e/ou científica de tentativa de suporte justificativo é uma delas....Como dizia um post duma co-blogger sua em relação ao que era " a mesma coisa", situação análoga, é meter um dedo no ........Presumo que valha para análoga.Para ALGO análoga.....

De pedro frederico a 04.05.2010 às 10:25

bom dia, "Vivo mal com a demagogia, vivo mal com a cedência a uma rapidinha na subida de intenções de votos à custa do atropelamento da ética"...e a Senhora votou e apoia o PS??!!!...lembra-me um gnu que votaria num leão para "chefe" da manada... mas enquanto os amigos estiverem a "mamar" (sim, acho este verbo correcto) o gnu salta de contente à frente da fera, enquanto o leão saboreia membros e vísceras dos outros a vida é feliz...o que vale é que já sei onde vai parar este comentário, até pode publica-lo mas a razão irá estar do seu lado né? tenho falta de cérebro e afins né?
boa semana para si 

De Marcelo do Souto Alves a 04.05.2010 às 11:31

Não é moralmente admissível que um Deputado eleito por um dado círculo seja subsidiado para se deslocar ao mesmo e igualmente à sua residência. A Lei que isto permite está errada e nestes casos, quando não se consegue divisar o erro em termos genéricos e conceptuais e a tempo de evitar danos, corre-se o risco de ter de se perceber só por meio de um "boneco" (de um exemplo concreto, que depois é por sua vez injustiçado, por concentrar nele toda a ira acumulada). Quem não deveria dormir bem hoje, nem nunca mais, é quem não sabe fazer Leis em abstracto e as faz sempre com o raciocínio embotado pelos casos concretos, ou por situações imediatas e simples. Inês de Medeiros foi o cordeiro sacrificado à vingança da realidade contra a insensatez e a incompetência do legislador tuga. São ambos lamentáveis, só que muito mais esta do que aquele.

De parisience a 04.05.2010 às 15:45

O problema não me parece ser esse.
O problema é que um partido quer uma figura pública para efeitos propagandistas, convida esta senhora, e ela diz "mas eu vivo em Paris" e o PS responde "isso depois resolve-se", à boa maneira do PS a solução é o zé-povinho pagar.
Mas estamos em crise e os deputados devem dar o exemplo.
Nunca faria nexo um deputado viver no estrangeiro, mesmo sendo em Paris onde vive uma grande comunidade Portuguesa.
Paris fica em França e a França é uma nação rica, os Portugueses residentes não precisam para nada da elitista Maria de Medeiros, aliás o que precisam é que ela os deixe em paz.
Ela aceitou sem saber como é que a coisa seria resolvida, ou é leviana ou é parva.
O PS estendeu-lhe a armadilha, deveria agora assumir a responsabilidade e pagar as despesas, não o fazendo só revela falta de carácter!

E se um deputado morasse em Bora-Bora? A 32 horas de vôo do país? Que sentido faz tudo isto?
A senhora quer ser deputada cá que more cá.
Para que me serve uma francesinha pedante a saracotear-se no parlamento??

De fernando antolin a 04.05.2010 às 16:21

"... parece que a Deputada preferiu sacrificar os seus direitos (http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/ines-de-medeiros-prescinde-de-pagamentos-de-viagens_1435283)para que, por culpa da direita popuilsta que eu não suporto, se pare, de uma vez por todas, à sua conta, de desprestigiar o Parlamento...."


Se os direitos são inatacáveis,bem como a posição da deputada,então sacrifica-se a bem do Parlamento e respectiva dignidade ? Lindo,de chorar as pedrinhas da calçada, com tal gesto de arrebatado altruismo...dava um livro,uma novela ou até um filme !! No mínimo, uma condecoração,imposta...pelo Parlamento !! Image

De Isabel Moreira a 04.05.2010 às 19:21

obrigada. dormi bem. fui sempre coerente nesta matéria. do seu sono, não falo. não sei quem é. mas como vê é devidamente publicado. bons sonhos.

De Isabel Moreira a 04.05.2010 às 19:24

é tão bonito esse ditado...bonito era a deputada desistir antes de ficar claro que o direito lhe dava razão no caso omisso, portanto? quando ela não pediu nada? mas entendeu que com a proposta do CDS o caso se arrastaria politicamente e que a AR tem mais com que se preocupar. e prescindiu dos seus direitos que decorrem de princípios constitucionais. uma safada.

De Isabel Moreira a 04.05.2010 às 19:28

quando fala em falta de honestidade está a olhar para o espelho, certo? é evidente que de acordo com o princípio constitucional de igualdade de condições de exercício de funções dos deputados, ser eleito por lisboa tendo residência em paris, o que é normalíssimo, cria um problema de igualdade com quem reside por exemplo em paris e é eleito pelo círculo da europa. em termos factuais há uma situação algo análoga, sim. ou, como eu disse, um caso omisso, que se resolve pelos tais princípios constitucionais. isto não é doutrinar. chama-se pensar. rima. mas não é a mesma coisa.

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