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Leio as declarações de Paulo Otero e a primeira reacção que tenho é lê-las três vezes para ter a certeza de que não me está a falhar nada. Vamos por partes:
Paulo Otero faz um teste que merece a corajosa reacção de uma aluna e a minha solidariedade para com ela.
Para além do que já escrevi, convém recordar que Paulo Otero defendeu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seria sempre inconstitucional e que havia um direito a não se ser confundido (quem tivesse um casamento com pessoa de sexo diferente) com casais homossexuais. Paulo Otero, como cidadão, pode defender o que quiser. Tal como eu. Tal como qualquer pessoa. Mas quando entra numa sala de aula, não pode confundir os conteúdos de uma disciplina, que no caso é a de direito constitucional, com o ímpeto de doutrinar alunos, o que acontece, ano após ano, como sabem todos os que passam por aquelas aulas.
Hoje está em causa um teste que é indício claríssimo disso mesmo. Nesse teste, Paulo Otero não se limita a fazer uma paródia de gosto duvidoso sobre a possibilidade de casamento entre pessoas e animais. Não: o ilustre professor faz decorrer (usa o termo "em complemento") de uma lei concreta aprovada democraticamente num Parlamento, contra as suas convicções, a poligamia, o casamento entre pessoas e animais e o casamento entre animais. Faz uma equivalência numa evidente petição de princípio. Pior: na pergunta a), que vale menos valores que a pergunta b), obriga os alunos a defenderam o impossível: a constitucionalidade daqueles casamentos.
É impossível defender-se o casamento entre pessoas e animais e entre animais, como o humorista/Professor, sabe. E faz isso para validar a sua conclusão pessoal, derrotada pelo voto, por onze votos no Tribunal constitucional, de que é tão impossível defender-se a bestialidade como o CPMS. Para Paulo Otero equivalem-se e ele, numa pergunta de resposta impossível, o que desde logo deveria ser proibido, humilha os alunos para fazer uma declaração velada. Isto é má fé. Isto é indigno. E, como já disse, é doutrinação. Com o nosso dinheiro.
É por isso mentira, sim, mentira, que os alunos pudessem ter uma linha de argumentação, com argumentos contra e a favor, como afirma, tão democraticamente, Paulo Otero. A resposta a) é impossível. Repito cem vezes se for preciso. A pergunta a) é uma manipulação velada.
Mais: Paulo Otero afirma que "ainda não estamos perante uma lei" porque ainda não foi promulgada em DR. E que as perguntas são ficção. Aqui o Professor não recua, antes sublinha o que já estava escrito no teste: o seu total desrespeito pela Assembleia da República. Quem ensina direito constitucional de verdade, sabe que não se destrata o momento solene da aprovação de uma lei, e que esse é o momento decisivo, sendo os outros, de resto, exteriores ao procedimento legislativo. Isto merece uma intervenção na AR.
Quanto à ficção, por quê a ficção se quer formar advogados, como diz Paulo Otero? Por que não apresenta a lei aos alunos e os desafia a questionarem positiva e negativamente a sua constitucionalidade? Eu percebo. A lavagem de cérebros não vai bem com a realidade e com desafios adequados à vida que os alunos têm à sua espera. A ficção, e este tipo de ficção dirigida, é tão mais funcional, não é?
Calhou que alunos sem preparação nem maturidade para dissertarem sobre direitos fundamentais tivessem dado uma lição ao Professor. Acontece.
Eu creio que a Dra. Isabel Moreira costuma sempre arrogar-se o direito de, numa arrogância que lhe fica (diga-se!) muito mal, falar de pessoas qualificadas academicamente como se pessoas sem méritos ou inúteis se tratassem. E dá-lhes lições primárias como, por exemplo, a vi fazer ao Prof. Doutor Jorge Bacelar Gouveia no programa Prós e Contras. Creio que lhe ficava bem a moderação dos comentários e a educação nunca fez mal a ninguém. Embora a má educação surja frequentemente em todo o lado. Como Isabel Moreira diria: "Acontece"!
Lamento, igualmente, que diga que a aluna foi corajosa. É um atentado ao 25 de Abril. Então não vivemos num país democrático em que cada um é livre de dar a sua opinião? Não percebo porque é que alguém que expressa a sua opinião livremente é corajoso. Será que haverá em Portugal represálias? Não quero acreditar que isso se passe neste país de democracia bem enraizada! E onde não há asfixia democrática!
Não percebo porque diz que os alunos não têm maturidade. Penso que isso é passar-se um atestado de maioridade e superioridade a supostos intelectuais preparados como certamente se considerará a Dra. Isabel Moreira. Não poderá um aluno de Direito do 1.º ano ou um outro qualquer estudante de outro curso, ter maturidade para falar sobre temas fracturantes e expressar a sua opinião, com mais ou menos fundamentação jurídica? O problema é que hoje querem-se acéfalos. Por isso é bom que surjam alguns a considerar-se muito capacitados para falar sobre tudo...
E quanto ao desrespeito pela AR? Pelo amor de Deus! Então se a AR aprovar uma lei iníqua (seja sobre o que for) não nos podemos manifestar contra porque é desrespeitar um órgão com prestígio decadente (para não dizer rastejante!)?
Quanto ao problema do teste:E a liberdade de expressão? Não tem o Prof. Doutor Paulo Otero o direito de exercer a sua missão livremente e colocar aos alunos questões espinhosas? Não pode incitá-los a um debate importante para a sociedade e com relevo constitucional? Não sei onde está a discriminação ou o desrespeito. Discriminação é não permitir, meramente a título de exemplo, a poligamia! Que diabo justifica que não se possa viver em união civil com mais de uma pessoa e impedir a livre manifestação da vontade relacional e sexual? Porque é que uma eventual minoria homessexual tem direito a casar-se e um islâmico português e cidadão digno, num país onde há liberdade de culto garantida pela CRP, não se pode casar com mais de uma mulher? Qual é a razão para esta discriminação? Quem souber que avente a resposta. Mas num país progressista como o nosso, penso que é altura de relativizar a questão do casamento e da sexualidade e, assumindo as diferenças, permitir o livre desenvolvimento da personalidade sem preconceitos! Além disso, não seríamos o oitavo no Mundo, mas o primeiro. E sempre fomos fervorosos pioneiros...
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