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Mais "caso Esmeralda"

por Isabel Moreira, em 19.04.10

O caso "Esmeralda" ocupou horas de televisão, encheu páginas de imprensa escrita, parou o país num Prós e Contras com figuras públicas defensoras  o "casal afectivo", prontas para apontar ao dedo ao "pai biológico", todos sabedores do "interesse superior da criança", o juízo estava feito: Baltazar Nunes era o mau; Luís Gomes, "capaz" de sequestro por amor à filha "afectiva" - ninguém duvida que o terá, não é esse o ponto -, era o bom, o herói.


Pelo meio, uma criança, pois.


Pouca gente leu as decisões judiciais sucessivas que acolhiam a pretensão de Baltazar Nunes. Talvez tivesse sido boa ideia. Talvez tivesse sido boa ideia menos pedras atiradas a um pai a quem foi atribuído o poder paternal em 13 de Julho de 2004, quando a criança, a filha, tinha apenas dois anos de idade. De lá até à mediatização do caso, até às lágrimas em directo, até à multidão furiosa a perguntar onde é que andaste estes seis anos????, de todas as decisões, umas atrás das outras, quer tentando que as anteriores fossem cumpridas pelo casal Gomes, quer resultantes de recursos dos mesmos, ninguém pareceu muito interessado em ler seja o que fosse, nem a decisão definitiva, que mais parece um basta. Está lá tudo, sem emoções enganadoras, sem Prós e Contras, sem notícias falsas, sem dedos apontados.


Entretanto, parece que a menor, com 8 anos, vai ser ouvida pelo Tribunal de Torres Novas no âmbito de uma ação interposta pela mãe de Esmeralda, Aidida Porto, que veio pedir a alteração da regulação do poder paternal alegando possuir agora as condições familiares e financeiras para deter a sua guarda.


Não parece que esta menor venha a ter descanso tão cedo.


Espero que não haja um segundo Prós e Contras.

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publicado às 11:54


56 comentários

De HelderEga a 19.04.2010 às 12:48

O meu comentário não está directamente relacionado com o assunto do post, mas tenho que manifestar a minha incredulidade com o título de um artigo do DN que afirma que 19% dos pais biológicos são incestuosos ("Há 19% de pais incestuosos"). Como é possível uma pessoa que escreve uma monstruosidade destas, intitular-se jornalista? É de uma igorância atroz a utilização que faz de uns números fornecidos pela escola da PJ, levando a crer que um em cada cinco pais portugueses abusa dos filhos, quando, presumivelmente, o que os números dizem é que 19% dos abusadores são pais biológicos.
  (http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1547616)

De David a 19.04.2010 às 13:17

O mais asqueroso nisto tudo é que este e outros casos de quilate similar foram objectivamente "construídos" pelos meios de comunicação social de massas, particularmente as televisões generalistas, sem qualquer preocupação pelos princípios básicos da ética e do rigor que deveriam nortear a actividade dos mesmos. E tudo isto sucede e voltará a suceder num clima de total impunidade; julgo até que o melhor será não me esticar muito no comentário, não quero que me venham depois acusar de tentar cercear a liberdade de expressão... 

De Ricardo Alves a 19.04.2010 às 13:51

O «caso Esmeralda» é um caso de estudo de como os media tentam manipular a realidade, e até a Justiça.

De sed lex a 19.04.2010 às 14:08

Isabel,

As acções não se interpõem, intentam-se.

De Joaquim Antunes a 19.04.2010 às 14:27

Este caso é uma vergonha nacional. Um pai que há anos luta pela sua filha, uma mãe que nunca quis saber dela e a entregou a um casal, como de um embrulho se tratasse. Um casal que, desde sempre, falou à criança, de um homem mau, que a queria vir buscar e lhe metia medos e lhe proporcionava
uma vida intranquila e não coincidente com a realidade, nem sequer abriam a porta ao seu pai, quando à campainha lhes tocava. Um casal que não aparecia quando era convocado pelo Tribunal, acabou por ser condenado por subtractor da menor. Uma criança que, presentemente, vive feliz com o pai, foi obrigada a iniciar visitas ao casal, contra sua vontade, tal não era o que passou, à mãe que a vai colocar, de imediato, no casal. Uma mãe que nunca quis saber da filha nem a procurou enquanto viveu com o casal, vem, agora, pedir a regulação do poder parental. Será que a Justiça não analisa toda esta questão que um leigo observa e vê todo o imbróglio que reveste este caso? Será que o tráfico de influências, ainda, faz parte deste caso? Faz de certeza, o passado recente conduz-
-nos a isso mesmo. O que se está a fazer a esta criança, a melhor aluna da turma, é inaceitável, deixem-na crescer feliz, ao lado do seu pai, que na altura com 21 anos e a mãe com 36 anos e uma vida periclitante, mostrou ter dignidade como Homem, em todos estes anos de luta. Tem-se falado muito de cor, não se leu os Acórdãos e a Justiça deixou arrastar, no tempo, uma questão em que a principal vítima é uma criança de seu nome, de registo, dado pelo seu pai, é o da avó paterna, Esmeralda.

De m&m a 19.04.2010 às 14:48

Concordo com o post, e agora, depois do ruído e da poeira assentar, até é fácil concordar com o que escreve.
Este caso incomodou-me porque foi das situações  mais graves de  manipulação da opinião pública e tentativa de  influência judicial que me lembro.
A F. estava (pelo menos na  altura) nos antípodas do que a Isabel pensa.  Acérrima defensora do "pai afectivo" mesmo depois do acordão demolidor do tribunal de torres novas.
Não lhe ficava mal umas palavrinhas sobre o assunto.

De Isabel Moreira a 19.04.2010 às 14:59

sed lex
não seja chato, estou a citar o jornal, esqueci-me das aspas.

De Isabel Moreira a 19.04.2010 às 15:00

foi sempre a minha opinião. a sentença de 2004 já existia há muito, não?

De xiribi a 19.04.2010 às 15:01

Todo o caso esmeralda permite-nos fazer um curioso caso de análise mediática. Basta pensar no tratamento. De um lado, o "sargento" (a farda, a austeridade da mesma, o grau de credibilidade que isso confere - e o marketing que sinevitavelmetne se associa à coisa); do outro, o "pai biológico" (e aqui o biológico como termo puramente científico, quase seco e sem qualquer afectividade).Relembro-me que quando surgiu, pelas primeiras coisas que li, a minha primeira perspectiva foi que a razão estava toda do lado "afectivo". Mais leitura permitiu-me ver que a questão não era,. nem poderia ser, assim tão simples. Infelizmente, e independentemente de opiniões, a criança aqui pagou muito pelo tempo que a justiça demorou. É daqueles casos que revela como poucos o quanto a nossa justiça ainda é lenta e o quão mau essa lentidão às vezes pode ser.

De Isabel Moreira a 19.04.2010 às 15:04

confesso que não sei qual era a opinião da F. fosse qual fosse respeito-a assim como ela respeitará a minha. isto não é o clube da opinião única. e não é por eu escrever um post porque me apetece que a F. está obrigada a pronunciar-se.  livra.

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