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Do rigor e da honestidade

por Isabel Moreira, em 06.04.10

" O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade.
Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso.”.
Como dá nota Luís Brito Correia, “Rigor significa exactidão ou precisão na aplicação prática de uma norma. No caso de informações, o rigor significa que a descrição corresponde à realidade: não é falseada, nem distorcida nem vaga. Exactidão significa correcção, apreciação justa ou rigorosa, cumprimento rigoroso e diligente dos deveres. Objectividade é a qualidade de quem descreve as coisas como elas realmente são, sem se deixar influenciar por preferências pessoais…Isenção é a qualidade de quem descreve as coisas com imparcialidade, com independência…”.
E, “A isenção é fundamental na descrição de factos políticos, mas também de comportamentos alheios eventualmente censuráveis, por poder afectar a presunção de inocência das pessoas ou dar origem a discriminações”.


Em apoio à tese da prevalência do exercício da liberdade de expressão/informação, poder-se-ia pretender apelar ao art.º 10º da Declaração Europeia dos Direitos do Homem, que dispõe:
“1. Qualquer pessoa tem direito à liberdade de expressão. Este direito compreende a liberdade de opinião e a liberdade de receber ou de transmitir informações ou ideias sem que possa haver ingerências de quaisquer autoridades públicas e sem consideração de fronteiras…”.
2. O exercício destas liberdades, porquanto implica deveres e responsabilidades, pode ser submetido a certas formalidades, condições, restrições ou sanções, previstas na lei, que constituam providências necessárias, numa sociedade democrática, para a segurança nacional, a integridade territorial ou a segurança pública, a defesa da ordem e a prevenção do crime, a protecção da saúde ou da moral, a protecção da honra ou dos direitos de outrem, para impedir a divulgação de informações confidenciais, ou para garantir a autoridade e a imparcialidade do poder judicial”.
Sendo que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, segundo os comentários de Teixeira da Mota, tem seguido, na interpretação daquele normativo, uma orientação no sentido de valorizar a circulação de «informação» ou «ideias», mesmo que «magoem, choquem ou inquietem», já que a liberdade de expressão «constitui um dos fundamentos essenciais de uma sociedade democrática e uma das condições primordiais do seu progresso e do desenvolvimento de cada um».
Como quer que seja, também em sede de colisão de direitos sempre pressuposto será, quanto ao de liberdade de expressão/informação, que se não trate de imputação de factos, ofensivos da honra do visado, comprovadamente falsos, por desconformes à realidade.
Por, quando assim for, inexistir o interesse tutelado".

(Excerto de um Ac. da Relação de Lisboa que recomendo a muita gente, nomeadamente a João César das Neves, que não sendo jornalista, sabe o que é uma analogia)


 

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publicado às 12:14


5 comentários

De Marcelo do Souto Alves a 06.04.2010 às 16:13

No meu (estreito?) entendimento, pasmo como possa ser possível considerar que "a circulação de «informação» ou «ideias», mesmo que «magoem, choquem, ou inquietem»" possa ser "condição primordial do progresso [das sociedades democráticas] e do desenvolvimento de cada um".


Enfim, a cada um as suas noções de "progresso" e de "desenvolvimento"...

De Isabel Moreira a 06.04.2010 às 16:50

está a ver? nem o TEDH o safa. eu tb não concordo com grande parte do que é dito por lá.

De Romeu a 06.04.2010 às 17:18

Eu percebo, chama-se discurso livre.

É preciso lembrar que todos os momento de mudança da história começam com ideias contra-corrente e muitas vezes imorais.

Basta referir o caso dos homossexuais. Ainda bem que se pode e se pôde falar sobre a homossexualidade, se não é que nunca tínhamos chegado onde estamos hoje.

Por mais que essas ideias «magoem, choquem, ou inquietem» muita gente.

De David a 06.04.2010 às 18:07

Só não percebi a parte da analogia, embora isso não me surpreenda, afinal é o mais manco dos argumentos. Quanto mais ao resto, num caso e noutro estou em crer que os cães ladrarão e caravana passará, com mais ou menos dentadas. Boa tarde.

De Guilherme Pereira a 06.04.2010 às 18:38

Bem lembrado embora, desgraçadamente para a "classe" dos jornalistas a que também pertenço, se trate de um conjunto de normativos éticos diariamente abalroados justamente por quem - os jornalistas, só alguns, felizmente - deveria mas não serve de exemplo...
...infelizmente, perante o silêncio dos organismos a quem deveria competir a protecção de bens jurídicos inalienáveis - refiro-me, por exemplo, à ERC e à Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas.

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