Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Faz sentido o Papa pedir perdão?

por Isabel Moreira, em 23.03.10

Leio por aí quem questione do sentido do Papa pedir perdão por actos de pedofilia praticados por padres católicos. O papa exprimiu vergonha e ressentimento em nome da Igreja.


Independenetemente de ter sabido a pouco, para tantos, a questão que vi colocada foi a de saber se faz sentido o chefe de uma igreja pedir desculpas por actos praticados por indivíduos, quando poderia, simplesmente, explusá-los do seu seio. Afinal, pergunta-se, por acaso os chefes de Partidos pedem perdão pelas maldades dos seus membros, ou os Governos por regimes que albergam pulhas como aqueles?


A analogia é fatal. A Igreja intitula-se Santa Madre Igreja, crê-se portadora de uma mensagem (a)histórica, a mensagem de Jesus Cristo, que vai interpretanto com o auxílio do Espírito Santo, especialmente inspirador do representante de Cristo na terra, o Papa, responsável máximo da Igreja Católica. A Igreja quer-se santa. Isso não significa que não falhe. É impossível. É composta, entre outros membros, por homens que abraçam o sacerdócio para servirem Cristo no seio da Igreja, que é Santa, mas que fogem aos mandamentos de deus e que pecam, cometendo pecados que, assim, "envergonham" todo o corpo que faz daquela Instituição qualquer coisa de muito diferente de um Governo ou de um Sindicato.


Por isso mesmo, há uma tradição de pedidos de perdão por parte da Igreja Católica, como aconteceu com a longa lista de pedidos de perdão levada a cabo por João paulo II. Entende-se que toda, mas toda a Igreja pecou.


Acresce que neste caso não estão em causa apenas os padres pedófilos, mas o silenciamento por parte da Igreja, por exemplo transferindo-os para paróquias diferentes quando o escândalo se adivinhava.


Se a Austrália, um país, pede perdão, em 2008, pelo horror que ficou conhecido como "Stolen Generations", fenómeno que começou por volta de 1869 e durou, salvo erro, cem anos, o que seria da Igreja se dissesse assim: isso é lá com os padres que fizeram essas coisas, nós não temos nada a ver com isso!


Eu sou ateia, mas penso que a Igreja não é isso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:10


17 comentários

De maria a 23.03.2010 às 17:16

PARTE I

Marcello Pêra,
italiano, filósofo agnóstico e senador.
Corriere della Sera 17.III.10

Caro Director,
A questão dos padres pedófilos e homossexuais que surgiu recentemente na Alemanha, tem como alvo o Papa. Cometer-se-ia, no entanto, um grave erro se pensássemos que o golpe não conseguiria atingir o alvo, dada a enormidade da iniciativa. E seria um erro maior ainda se se considerasse que a questão será rapidamente ultrapassada, como tantas outras. Não é assim. Está em curso uma guerra. Não apenas contra a pessoa do Papa porque, nesse campo, a guerra é impossível. Bento XVI tornou inexpugnável na sua imagem, na sua serenidade, na sua limpidez, firmeza e doutrina. Basta o seu sorriso manso para derrotar um exército de adversários.
Não, a guerra é entre o laicismo e o cristianismo. Os laicistas sabem que se um esguicho de lama atingir a batina branca, conseguir-se-á sujar a Igreja e, se se sujar a Igreja, então ter-se-á também sujado a religião cristã.
O que importa é a insinuação, mesmo à custa da grosseria do argumento: os padres são pedófilos, assim a Igreja não tem autoridade moral, logo a educação católica é perigosa, pelo que cristianismo é uma fraude e um perigo.
Esta guerra do laicismo contra do cristianismo é uma batalha campal. Deve-se trazer à memória o nazismo e o comunismo para encontrar uma situação similar. Mudam os meios mas o fim é o mesmo. Hoje, como ontem, o que se pretende é a destruição da religião. Na altura a Europa pagou o preço por esta fúria destrutiva com a sua própria liberdade. É incrível que, especialmente na Alemanha, enquanto se bate continuamente com a mão no peito devido à memória do preço que se infligiu por toda a Europa, na Alemanha que hoje é uma democracia, se esqueça e não se entenda que a própria democracia estaria perdida se o cristianismo fosse apagado. A destruição da religião comportou então a destruição da razão. E hoje não significará o triunfo da razão laica, mas uma nova barbárie. Sobre o plano ético aí está a barbárie de quem mata um feto porque a sua vida seria prejudicial para a saúde psíquica da sua mãe. De quem diz que um embrião é um "monte de células" bom para experiências cientificas. De quem mata um velho porque ele já não tem uma família que o trate. De quem apressa o fim de um filho porque não está consciente e é incurável. De quem pensa que "progenitor A" e "progenitor Pai B" é o mesmo que "pai" e "mãe". De quem acredita que a fé é como o cóccix, um corpo que já não participa na evolução porque o homem não já não precisa da cauda e está erecto por si mesmo. E por aí adiante. Ou então, e considerando o lado político da guerra dos laicistas ao Cristianismo, a barbárie será a destruição da Europa. Porque, abatido o cristianismo, permanecerá o multiculturalismo, que acredita que cada grupo tem direito à sua cultura. O relativismo, que pensa que cada cultura é tão boa quanto qualquer outra. O pacifismo, que nega que o mal existe.
Esta guerra ao cristianismo não seria tão perigoso se os cristãos a compreendessem. Em vez disso, todas estas incompreensões envolvem muitos deles. Teólogos frustrados pela supremacia intelectual de Bento XVI. Bispos inseguros que consideram que qualquer compromisso com a modernidade é o melhor modo de actualizar a mensagem cristã. Cardeais, em crise de fé, que começam a sugerir que o celibato dos sacerdotes não é um dogma, e que talvez fosse melhor reconsiderá-lo. Intelectuais católicos felpudos que pensam que há uma questão feminina dentro da Igreja e um problema não resolvido entre o cristianismo e sexualidade. Conferências episcopais que se enganam na ordem do dia e que, enquanto esperam por uma politica de fronteiras abertas para todos, não têm a coragem de denunciar as agressões que os cristãos sofrem e as humilhações que são forçados a provar ao serem todos, indiscriminadamente, sentados no banco dos réus.

De maria a 23.03.2010 às 17:18

PARTE I

por Marcello Pêra,
italiano, filósofo agnóstico e senador.
Publicado no Corriere della Sera 17.III.10

Caro Director,
A questão dos padres pedófilos e homossexuais que surgiu recentemente na Alemanha, tem como alvo o Papa. Cometer-se-ia, no entanto, um grave erro se pensássemos que o golpe não conseguiria atingir o alvo, dada a enormidade da iniciativa. E seria um erro maior ainda se se considerasse que a questão será rapidamente ultrapassada, como tantas outras. Não é assim. Está em curso uma guerra. Não apenas contra a pessoa do Papa porque, nesse campo, a guerra é impossível. Bento XVI tornou inexpugnável na sua imagem, na sua serenidade, na sua limpidez, firmeza e doutrina. Basta o seu sorriso manso para derrotar um exército de adversários.
Não, a guerra é entre o laicismo e o cristianismo. Os laicistas sabem que se um esguicho de lama atingir a batina branca, conseguir-se-á sujar a Igreja e, se se sujar a Igreja, então ter-se-á também sujado a religião cristã. É por isso que os laicistas acompanham a sua campanha com perguntas como: "Quem mandará ainda as suas crianças à Igreja?", ou, "quem mandará ainda os seus filhos para um colégio católico?", ou mesmo, ainda, "quem irá tratar os seus filhos num hospital ou clínicacatólica? ". Há alguns dias atrás, um laicista deixou escapar a sua intenção. Escreveu assim: "a extensão da difusão do abuso sexual de crianças por padres põe em causa a própria legitimidade da Igreja Católica, como garante da educação dos mais pequeninos." Não importa que esta sentença não tenha provas e esteja cuidadosamente escondida sob a fórmula "extensão da difusão": um por cento de padres pedófilos? Dez por cento? Todos? Não importa que a sentença seja desprovida de lógica: basta substituir "sacerdotes" por "professores", ou por "políticos", ou por "jornalistas" para "minar a legitimidade" das escolas públicas, dos parlamentos ou da imprensa. O que importa é a insinuação, mesmo à custa da grosseria do argumento: os padres são pedófilos, assim a Igreja não tem autoridade moral, logo a educação católica é perigosa, pelo que cristianismo é uma fraude e um perigo.
Esta guerra do laicismo contra do cristianismo é uma batalha campal. Deve-se trazer à memória o nazismo e o comunismo para encontrar uma situação similar. Mudam os meios mas o fim é o mesmo. Hoje, como ontem, o que se pretende é a destruição da religião. Na altura a Europa pagou o preço por esta fúria destrutiva com a sua própria liberdade. É incrível que, especialmente na Alemanha, enquanto se bate continuamente com a mão no peito devido à memória do preço que se infligiu por toda a Europa, na Alemanha que hoje é uma democracia, se esqueça e não se entenda que a própria democracia estaria perdida se o cristianismo fosse apagado. A destruição da religião comportou então a destruição da razão. E hoje não significará o triunfo da razão laica, mas uma nova barbárie. Sobre o plano ético aí está a barbárie de quem mata um feto porque a sua vida seria prejudicial para a saúde psíquica da sua mãe. De quem diz que um embrião é um "monte de células" bom para experiências cientificas. De quem mata um velho porque ele já não tem uma família que o trate. De quem apressa o fim de um filho porque não está consciente e é incurável. De quem pensa que "progenitor A" e "progenitor Pai B" é o mesmo que "pai" e "mãe". De quem acredita que a fé é como o cóccix, um corpo que já não participa na evolução porque o homem não já não precisa da cauda e está erecto por si mesmo. E por aí adiante. Ou então, e considerando o lado político da guerra dos laicistas ao Cristianismo, a barbárie será a destruição da Europa. Porque, abatido o cristianismo, permanecerá o multiculturalismo, que acredita que cada grupo tem direito à sua cultura. O relativismo, que pensa que cada cultura é tão boa quanto qualquer outra. O pacifismo, que nega que o mal existe.

De maria a 23.03.2010 às 17:19

PARTE II

Esta guerra ao cristianismo não seria tão perigoso se os cristãos a compreendessem. Em vez disso, todas estas incompreensões envolvem muitos deles. Teólogos frustrados pela supremacia intelectual de Bento XVI. Bispos inseguros que consideram que qualquer compromisso com a modernidade é o melhor modo de actualizar a mensagem cristã. Cardeais, em crise de fé, que começam a sugerir que o celibato dos sacerdotes não é um dogma, e que talvez fosse melhor reconsiderá-lo. Intelectuais católicos felpudos que pensam que há uma questão feminina dentro da Igreja e um problema não resolvido entre o cristianismo e sexualidade. Conferências episcopais que se enganam na ordem do dia e que, enquanto esperam por uma politica de fronteiras abertas para todos, não têm a coragem de denunciar as agressões que os cristãos sofrem e as humilhações que são forçados a provar ao serem todos, indiscriminadamente, sentados no banco dos réus.


Ou ainda aqueles chanceleres vindos dos países de leste que exibem um belo ministro homossexual enquanto atacam o Papa sobre qualquer assunto de natureza ética,ou aqueles que nasceram no ocidente e que pensam que o ocidente deve ser laico, isto é, anti-cristão. A guerra dos laicistas continuará, senão por outra razão porque um Papa como Bento XVI, que sorri mas que não se afasta um milímetro, a alimenta. Mas se se perceber porque é não se afasta, então toma-se o assunto em mãos e não se espera o próximo golpe. Quem se limita unicamente a solidarizar-se com ele é como alguém que entra no Jardim das Oliveiras de noite e em segredo, ou como alguém que não entendeu o que está a acontecer.


 



 

De manuelcav a 23.03.2010 às 17:41


Agora a crítica é fácil. Qual seria a melhor manifestação pública do Papa acerca da repulsa aos actos praticados? Ele e o seu staff saberão que são "presos por ter cão e presos por não ter" seria melhor ficar calado?

De nuvens de fumo a 23.03.2010 às 17:46

Maria

Só uma nota, não vou ler tudo porque logo a introdução é mesmo má: padres pedófilos são criminosos , homossexuais são como os heterossexuais.

O resto deve ser lixo da mesma qualidadeImage

De jj.amarante a 23.03.2010 às 17:47

O papa exprimiu vergonha e remorso, "ressentimento" aqui não traduz a ideia manifestada.

(http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/letters/2010/documents/hf_ben-xvi_let_20100319_church-ireland_po.html (http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/letters/2010/documents/hf_ben-xvi_let_20100319_church-ireland_po.html))

De Niamey a 23.03.2010 às 18:17

estou esmagada. surge sempre um alerta que nos devolve ao caminho certo.
e quem é marcello pêra, maria? berlusconi sabe desta carta? 
sejamos todos uns sonsos a falar disto.
a ideia dos seus comentários em 2 ou 3 actos é uma  falta de respeito com todos aqueles que foram, directa ou indirectamente, vítimas da pedofilia praticada na igreja.
faz sentido o papa pedir perdão? e submetê-los à justiça divina? não chega nem nunca chegará nem vejo como avançar na questão "independentemente de ter sabido a pouco."

 

De Anónimo a 23.03.2010 às 19:06

MARIA (a original  

Sim sou eu própria, a Maria, a primeira a assinar-se no Jugular como Maria.
Agradeço que a outra que se diz Maria, até pode sê-lo, mas tem que juntar qualquer coisinha a esse nome. Isto dá confusão e eu já disse que não me quero confundir com este Maria que agora aqui chegou e aposta em fazer alguns "estragos" ou então, quer esconder-se na minha na minha capa.....Será ou quer baralhar algumasa pessoas?
Vá, use de imaginação e acrescente qualquer coisinha, nem que seja Maria "a desbocada". Acho que lhe deve ficar bem.

De Paula R. a 23.03.2010 às 19:28

Tão ladrão é o que rouba  como o que fica à porta , pedidos de desculpa só suplementarmente à pena. É criminoso o silêncio a que a igreja votou estas práticas, que digo eu … deviam dar que pensar aos católicos praticantes, mas assombrosamente parece que não ( sobretudo a julgar pelo que  a Maria regurgitou)

De aires a 23.03.2010 às 19:32


A igreja mete-se em tudo

e arvora-se em garante moral das sociedades que influencia

mete-se

nas nossas questões politicas, morais,

mesmo na nossa cama,

pretendendo regular a nossa vivencia nela,

é omnipresente e omnisciente nesta procura de controlar tudo e todos

antes fez as santas cruzadas e a inquisição santa

matou na altura

tal como desfez hoje hoje caracteres de creanças às mãos de criminosos

cuja denuncia naqueles tempos

se traduziria em lenha de mais fogueiras

definitivamente é dificil ser compreensivo quem tanto mentiu, matou, desfigurou psicilogicamente...

abraço

Comentar post


Pág. 1/2



página facebook da pegadatwitter da pegadaemail da pegada



Comentários recentes

  • Anónimo

    Olá, sou Sergio Paula DA SILVA ASSUNCAO, apresento...

  • Anónimo

    SaudaçõesEstás à procura de financiamento? Você pr...

  • Anónimo

    Você precisa de crédito, você é rejeitado pelos ba...

  • Anónimo

    Você precisa de crédito, você é rejeitado pelos ba...

  • Anónimo

    Você precisa de apoio financeiro ou tem um problem...

  • Anónimo

    SalutationsCherchez-vous un financement? Vous avez...

  • Anónimo

    Olá eu souCamila pelo nome e moro em Portugal, est...

  • Nwaneri Kelechi

    En una palabra, ¡guau! No puedo creer que los fond...

  • Anónimo

    Sérias oferecem empréstimos a particulares - 100.0...

  • Anónimo

    Olá a todos, aqui vem um empréstimo acessível que ...


Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Pesquisar

Pesquisar no Blog