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Campanhas meritórias e os pica na merda

por Isabel Moreira, em 26.02.10

De vez em quando, aparecem campanhas em defesa de boas causas. Boas campanhas. Bem feitas. Campanhas às quais, muitas vezes, pessoas com visibilidade, se associam, com generosidade.


Já aconteceu em diversas ocasiões, como no combate à violência doméstica, na luta contra o cancro da mama ou, recentemente, na luta contra a discriminação dos seropositivos


Nesta última, políticos de todas as correntes surgem a dar a cara com frases como as seguintes: "se eu fosse seropositivo será que me ouvia?" (Francisco Louçã); "se eu fosse seropositivo, mudaria a sua opinião sobre mim como político?" (Paulo Portas); e "se eu fosse seropositivo, votaria em mim?" (Jerónimo de Sousa).


Qualquer pessoa que, com capacidade para se centrar no essencial e, sobretudo, com sensibilidade, quiser dizer alguma coisa sobre uma campanha como esta, terá de reconhecer, pelo menos se sabe alguma coisa sobre a discriminação a que os seropositivos ainda são sujeitos, o impacto fortíssimo que a imagem de cada um destes políticos associados às frases citadas pode ter na mentalização das pessoas.


Há quem prefira, no entanto, construir os chamados textos sobre textos. São os analistas de sofá, os pica na merda, que nada de inovador têm para dizer ao mundo.  Vivem de esperar que os textos alheios lhes caiam em cima para poderem fazer um exercício gramatical com palavras giras, às vezes com estrangeirismos que dão um toque chic à coisa. Então, em vez de dizerem o óbvio sobre qualquer coisa que é positivo, como esta campanha, referem-se apenas à pergunta de Jerónimo de Sousa, explicando que continuariam a não votar nele, claro, e que por isso a pergunta está mal feita. O génio tem, prontamente, uma pergunta alternativa a propôr. E isto dá-lhe um um post. Todo um texto de humorzinho e crítica a explicar que há perguntas que "aborrecem", estas que visam minorar o sofrimento de milhares de pessoas.


De resto, parece que o mesmo sa passa com a pergunta da tão falada campanha da ILGA. "Se a tua mãe fosse lésbica mudaria alguma coisa?". Tanta gente já falou sobre isto, mas há sempre os pica na merda que têm de dizer mais qualquer coisinha. Não o que toda a gente disse, a favor e contra, mas que a pergunta, a pergunta, pois, estava mal feita, seus mal pensantes, eu é que sei, porque claro que mudava muita coisa, então não mudava? O pica na merda, por definição, quando analisa o feito alheio acha estranho não ter sido consultado e pensa sempre que o outro não teve em conta o óbvio, o evidente. Ora, é difícil, por definição, não se ter em conta o evidente.


Aqui, o evidente é que o que se quer incutir com a campanha é, também, que o afecto não mudaria, em nada "se a tua mãe fosse lésbica". O pica na merda acha que para isso a pergunta tinha de ser outra, esquecendo-se que a pergunta que lá está vai acompanhada de uma imagem de, espera lá, espera lá. como é que se chama? Afecto, é isso. Pois é, os pica na merda esquecem-se de que os destinatários das campanhas não são acéfalos e que sabem interpretar uma frase acompanhada de uma imagem.


Mas enfim, há quem perca o tempo, perante campanhas meritórias, a explicar, nos meandros dos pormenores que não interessam a ninguém, que as faria melhor.

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publicado às 16:19


20 comentários

De Marcelo do Souto Alves a 26.02.2010 às 16:23


    ??!? Excesso de trabalho??!!!...

De Luís a 26.02.2010 às 16:32

Pura boçalidade.


De facto, esta coisa de ter um blog faz qualquer coisa subir à cabeça e perder toda a urbanidade.


Num discurso presencial, usavas os mesmos termos?


De nunocastro a 26.02.2010 às 16:35

"pica na merda" é genial!!! Posso usar?

De Niamey a 26.02.2010 às 17:37

é a expressão mais certeira e adequada a estes tipos. são os "pica na merda" e pronto. por pouco bastava o título para passar a ideia de todo o post. mas de facto nunca se sabe, é melhor explicar. 

De jb a 26.02.2010 às 17:48

Andamos um bocadinho malcriados, hem?

De Pinto a 26.02.2010 às 18:21

E o que pensarão os pica na merda que fizeram o cartaz, mais os pica na perda que o patrocinaram, mais os pica na merda que o defendem, sobre o público-alvo do cartaz? Das duas uma (ou as duas em simultâneo):

1) Que o povo é tão burro mas tão burro que não percebe nada de afectos. É preciso "incutir-lhe" alguns "valores" para que saia da sua animalidade;

2) Que o povo é tão burro mas tão burro que não se apercebe que isto não é mais que uma campanha, promovida pela ILGA e patrocinada pela Câmara Municipal de Lisboa, para fomentar a ideia da possibilidade da adopção por "casais" entre pessoas do mesmo sexo.  

Bem, não sei qual das duas será válida, mas uma coisa é certa: estes pica na merda acham mesmo que o povo é burro. Mesmo burro.

De Sejeiro Velho a 26.02.2010 às 18:41


"pica na merda"
Que nome mais bem posto!

De nuvens de fumo a 26.02.2010 às 20:31

Quem é este barreto ?

De nuvens de fumo a 26.02.2010 às 22:39

Só uma questão :

sabendo que a câmara é socialista, sabendo que o PS apoia questões de direitos a que eu chamaria de cidadania, sabendo que as pessoas votaram mais neste partido , caberia na cabeça de alguém que fosse realizada uma política diferente no que diz respeito aos direitos das pessoas ?

Quero só comentar uma coisa:

é um exemplo da escola de pensamento que pretende chegar à tolerância pelo branqueamento das diferenças.



Quem é esta gente que acha que a tolerância é o objectivo de alguém ?

A igualdade é um objectivo , a tolerância pode ser uma via, só um samelo acha que pode ser um objectivo.

Todos nascemos diferentes ( uaua que descoberta) mas nas questões de parentalidade, afectos etc o objectivo é a igualdade pela não discriminação, diria por nem sequer acharmos que é diferente.

Cabeças burras continuam na latrina da argumentativa que devemos discriminar porque é diferente.
Depois ficam indignados por se comparar a homofobia com o racismo, mas afinal o que é diferente ...

De Damião Fernandes a 26.02.2010 às 23:37

Sinceramente acho que as duas campanhas são totalmente diferentes. Uma está bem feita, é eficaz e relevante (a da discriminação dos doentes VIH+). A outra é ilógica, ineficaz e (se acreditarmos que não alude à adopção) totalmente despropositada.
A Isabel diz que é uma campanha sobre o afecto (embora use um intrigante também) mas esse é relatvamente incontroverso e, na miha opinião, não carece de campanhas ao contrário do direito à adopção.  

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