Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Em tempo de luto

por Isabel Moreira, em 22.02.10

É excessivo o cerimonial em torno da morte, dizia.




(Velório, missa de corpo presente, funeral, missa do sétimo dia, missa do mês, visitas a casa, choro social, dor colectiva, pancadas a percorrerem um teatro de flagelação)




Um dia, a morte pesou-me como nunca e também aí me pareceu excessiva a marcha lenta em redor daquele corpo, ou daquele acontecimento.



(No entanto, nesses dias é permitido e esperado que se chore de pleno direito, sem espaço para mais nada, o nosso rosto é um espaço exclusivo da dor da perda, dos beijos de consolo, das mãos dos amigos que por ali passam, que compreendem, que se afundam connosco na tragédia do adeus que se adia nas cerimónias inventadas para isso mesmo, entendes?)



Depois de encerrado o capítulo do coração aberto aos amigos próximos e distantes, vem a tragédia do regresso à vida habitual.



(É uma tragédia, porque se vive com o rosto posto na saúde e o coração enterrado na aflição)



Pouco a pouco, é esperado de nós que voltemos a sorrir sem a sombra daquela morte que nos atirou para uma cama a soluçar, porque já passou o dia, a semana e o mês em que o choro tem lugar para ser abraçado, ou para antes disso ser comunicado, ou para antes disso ser esperado, ou para antes disso ser normal. As perguntas acerca de como vai o nosso coração sem ela, sem ele, começam a espaçar, porque cumprimos o devido.



(Sorrimos, trabalhamos, bebemos, fumamos, somos, em suma, pessoas devolvidas ao mundo dos outros)



Mas, na verdade, há a hora em que chegamos a casa. 


 


(Passado o tempo em que deixa de ser razoável que se pergunte por ti, ou passado o tempo em que a pergunta por ti é uma raridade que espera uma resposta feliz e antes descobre uns olhos a explodirem a dor quotidianamente disfarçada, passado esse tempo, o espaço chama-se silêncio, ou duplicidade, e a verdadeira dor, ou solidão, então começa)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:41


2 comentários

De Pedro Nunes a 22.02.2010 às 11:18

É, talvez, das experiências que mais radicalmente me alterou a vida (e ela altera todos os dias por muito que não queiramos). Senti tudo isso que descreve. Um oceano de acontecimentos, todos eles em grande: de dor, de mágoa, de revolta, de sinceridade, de hipocrisia, de solidão no meio de uma multidão, etc. etc. Obrigado pela partilha.

De Anónimo a 07.03.2010 às 18:57

querida i, poes por escrito exactamente o sentimento e a sensacao real..... assusta, ate onde isto vai?
maria bilotti

Comentar post



página facebook da pegadatwitter da pegadaemail da pegada



Comentários recentes

  • Aboubacar Aboubacar Sacko

    Se você precisar dos serviços de um hacker ético c...

  • Aboubacar Aboubacar Sacko

    Se você precisar dos serviços de um hacker ético c...

  • Anónimo

    Eles são um grupo profissional de hackers além da ...

  • Anónimo

    Quando se trata de hackers, somos profissionais, t...

  • Anónimo

    ENTRE EM CONTATO PARA TODOS OS TIPOS DE TRABALHO H...

  • Anónimo

    Se você precisar de um serviço de hackeamento prof...

  • Aboubacar Aboubacar Sacko

    Se você precisar dos serviços de um hacker ético c...

  • Anónimo

    OLÁ!!! Você é um homem ou uma mulher? Você precisa...

  • Anónimo

    Se você precisar de um serviço de hackeamento prof...

  • Anónimo

    Ile é conectado como o controle de acesso à Intern...


Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Pesquisar

Pesquisar no Blog